UAU. O que Charlie disse me deixou sem palavras. E posso afirmar que foi um texto. Não foi uma palavra nem nada do tipo. Foi um grande texto. As vezes, eu apenas penso em como podem existir pessoas assim no mundo, sabe? Pessoas como o Charlie, se é que elas existem. Se é que eu não estou imaginando tudo isso. Eu acho que tenho sorte. E muita por ter o Charlie na minha vida. Nunca achei que fosse conhecer alguém como ele. Acho que as vezes nós pensamos tanto no que queremos ser que esquecemos do que podemos ser. Entende o que eu quero dizer? Não acho que devamos ficar presos em só um destino e/ou futuro. Se você quiser ser um vendedor de picolés ou um ajudante na empresa de seu pai vá em frente, mas saiba que há outras possibilidades. Talvez coisas que nunca víamos antes e de repente está logo na nossa frente. Se você quiser sair com o cara mais bonito da escola e gostar dele realmente, vá em frente, mas saiba que o garoto nerd no canto da sala poderia ser o melhor namorado do mundo. É isso que eu quero dizer, entende agora? Eu acho que escolhemos demais e errado demais. Nos prendemos de mais a coisas insignificantes e coisas que na verdade, para nós não são insignificantes, mas na realidade são. Por exemplo naquele dia que você sentiu um hálito horrível saindo de sua boca antes de beijar um garoto super lindo em uma festa. É uma bela de uma coisa insignificante, não é? Mas naquele segundo, naquele instante, não era porque valia a pena ter um hálito bom para impressionar aquele garoto. Mas por quê queremos isso? Você até sabe que ele não é tudo aquilo, mas mesmo assim se importa e muito com a imagem que pode passar a ele e eu estou tão cansada disso. E agora eu acho somente que antes de Charlie, eu nunca tinha tido esse tipo de pensamento antes, mas agora é tão mais claro. Ele sempre esteve lá, entende? Sempre foi o menino tímido que ninguém via. Minhas amigas costumavam rir da cara dele, mas eu nunca o fiz. Juro que nunca o fiz. Ele sempre esteve lá no canto sozinho lendo seus livros. E eu sempre quis saber quem ele era e agora que tive a chance, não vou nunca mais deixar uma oportunidade tão, hum, simples escapar pelos meus dedos.

"Valerie Paxtie: Nunca soube quem era essa menina. Não de verdade, eu acho. Pra mim ela sempre foi aquela menina que ia com as amigas se embebedar em todos os tipos de festa e bares por ai. Sempre foi do tipo que gostava de dançar até cair. Eu sabia que ela não gostava de ser assim. Não sei como. Mas eu sabia. Ela olhava para os lados depois de falar alguma besteira na sala esperando que alguém risse e dissesse o quão boa tinha sido a piada dela... E eu nunca fui do tipo de julgar, então não me importava com o fato dela ser assim. Mas não sei como, ela mudou de uns tempos pra cá. Virou uma pessoa completamente diferente. Hoje ela é minha melhor amiga. Mas não só isso. Se me permite dizer, acho que ela é a menina mais bonita que já conheci. E não sei o que ela vai pensar quando eu disser isso á ela, já que eu nunca realmente disse isso em voz alta, mas só espero que ela não fique brava comigo."

Ele mordeu o lábio meio apreensivo quando entregou o papelzinho pra mim. E eu queria chorar depois de ler tudo aquilo. Chorar muito, mas me controlei já que não podia começar a chorar no meio da aula. Vi que Charlie olhou pra mim sem saber o que dizer. Ele achou que eu chorava de um jeito bravo com ele. Mal sabia ele que eu chorava era de felicidade e até emoção por ele ter escrito tudo aquilo pra mim.

- Você está bem? — ele me perguntou.

- Estou, Charlie. Melhor do que poderia. — eu sorri.

Ele deu um sorrisinho tímido pra mim e eu escrevi no papel: "Eu te amo, Charlie". Queria ter mostrado aquele papel pra ele, mas não consegui. Eu simplesmente o coloquei dentro de meu caderno, guardando-o em minha mala. Senti uma lágrima quase escorrendo de meus olhos e a tirei no mesmo instante, olhando para Charlie que pressionava o lábio um no outro.

Quando a aula acabou, ficamos apenas nós dois na sala e fui logo dar um abraço apertado nele. Ele sorriu pra mim e fingiu não entender o sentido daquele abraço.

- Brigada pelo que escreveu, Charlie. Foi muito bonito.

Ele olhou-me bem nos olhos e acho que sentiu que o que eu dizia era real, era verdadeiro. E quando eu menos esperava, Charlie me abraçou novamente. E foi um abraço tão bom e tão apertado e eu acho que ele sabia que eu estava quase gritando por mais um abraço dele. E na real, eu não sei o que ele estava pensando quando me deu aquele abraço. Talvez tenha me entendido quando eu falei com ele pela primeira vez naquele corredor imundo na escola. Talvez ele tenha percebido que tudo o que eu precisava era dele e de suas belas palavras para me encantar. Eu não sei se ele gostava de mim do mesmo modo que eu, mas depois do que ele escreveu sobre mim, não saberia mais no que acreditar.

- Charlie, você me ama? — eu perguntei. Eu sei que parecia direto de mais, mas eu apenas perguntei porque eu precisava saber. E mesmo que não fosse o "eu te amo" real, digo, só fosse um "eu te amo" de amigos, já bastava pra mim.

Na hora que eu disse aquilo, ele havia acabado de me soltar do abraço e olhou bem pra mim e deu um sorriso tímido.

- É claro que eu amo. — ele disse sem prolongar mais a minha dúvida. Vi que um sorriso se formou em meu rosto e uma lágrima escorreu. Charlie logo a tirou com seu calmo polegar.

- Eu também te amo, Charlie. — eu disse por fim e me aproximei dele colocando minhas mãos em suas bochechas e olhando ainda mais de perto seus olhos azuis cristalinos. Eu nem conseguia acreditar que os olhos dele estavam assim tão perto de mim. Eu queria tanto beijá-lo naquele instante e se eu fosse quem eu era antes provavelmente teria o feito, mas era Charlie quem estava ali e eu não sabia se deveria beijá-lo ou não. Talvez devesse. Mas ao invés disso, dei um beijo delicado na bochecha dele esperando que ele retornasse com um de seus sorrisos sinceros pra mim. E ele o fez.

É isso que eu amo sobre o Charlie. O sorriso sincero. Quantos você conhece que realmente transmitem algum tipo de sorriso sincero? Zero, certo? E é tão bom de vez em quando ver um sorriso e saber que ele não é falso nem nada, entende? Porque todos os dias eu vejo pessoas na escola rindo de coisas que provavelmente nem acham engraçado, como por exemplo roubar o lanche de um dos meninos bobos da sala... Aquilo muitas vezes nem é tão engraçado assim pros bullyies. Mas eles riem de qualquer maneira, é claro. E esse tipo de risada, sorriso, não é real. Não mesmo. Além de coisas muito piores como pessoas que sorriem todos os dias para na verdade chegar em casa e chorarem por provavelmente não poderem ser quem são. Terem apenas que seguir o que as pessoas querem que elas sigam, entende? E isso é tão... Errado. Por que você tem que ser igual aquelas líderes de torcida metidas e/ou ter as unhas pintadas e os cabelos loiros e lisos? É isso que é bonito, não? E eu não entendo isso, porque acho que todos somos bonitos de certa forma. Não tem porquê seguir essas "tendências" se isso não te faz feliz verdadeiramente. Me irrito com isso. Me irrito com as pessoas que forçam as outras a serem iguais a elas. E acho que fico bem feliz até quando vejo aquelas meninas mais inseguras que gostam mesmo de estudar e tudo aquilo e terem um sorriso, mesmo que tímido, sincero mesmo quando são ridicularizadas por aquelas meninas ditas como "superiores". Pra mim, os sorrisos sinceros são os que valem a pena. Aqueles como os do Charlie. Aqueles que eu sei que não são mentiras, são reais. Eu os vejo o tempo todo mesmo quando ele não sorri. Mesmo quando ele está lá lendo sozinho, ele está sorrindo. E é um sorriso tão claro para aqueles que amam, para aqueles que o enxergam verdadeiramente. Um sorriso sincero está sempre por ai, você só consegue vê-lo quando ele não aparece. E o vejo no Charlie o dia todo, a cada momento, a cada hora do dia.

Depois daquele sincero "eu te amo" e meu beijo na bochecha dele, Charlie sorriu mais uma vez e ambos andamos até nossos armários depois da aula antes de irmos para casa.

Aquela tarde foi a mais produtiva de todas. Eu fiquei no meu quarto lendo o livro "The Great Gatsby" e pensando no que Charlie teria pensado em cada linha do livro.

Todo aquele romance entre Gatsby e Daisy... Toda aquela confusão que havia se passado no tão distante ano de 1922. Era tão a cara de Charlie. Eu sorria em cada linha do livro e, devo admitir que não consegui terminá-lo em um dia só, apesar de eu ter me esforçado bastante pra isso.

E acho que não comentei, mas meu irmão Mike que estava em intercâmbio no Canadá voltaria naquela noite. Eu não estava lá tão ansiosa, mas bem estava feliz que ele voltaria afinal ele ficou seis meses longe. Nós o buscamos no aeroporto e logo ele vinha todo sorridente de mãos dadas com uma menina loira e alta. Será que ele havia encontrado uma namorada lá?

- Mike, meu filho. — sorriu minha mãe abraçando-o.

- Oi, mãe. — ele sorriu com aquele sorriso de sempre. Eu olhei pra ele enquanto ele abraçava minha mãe. — Oi, maninha. — ele disse assim que se soltou de minha mãe, abraçando-me.

Assim que ele me soltou também, eu e minha mãe olhamos para a menina ao lado dele.

- Está é a Carol. Ela vai ficar uns dias por aqui com os avós dela. — ele sorriu e nós a cumprimentamos.

- Bem, Carol... Aceita ir jantar em nossa casa? — perguntou minha mãe sorridente.

- Hum, claro. — respondeu a menina.

Nós começamos a andar pelo aeroporto e vi Mike todo grudadinho com a menina, beijando-a e tudo mais.

- E então? Como foi a viagem! Conte tudo.

- Ah, foi ótima. Conheci a Carol depois de um mês estudando no colégio de lá e foi uma ótima experiência.

Ele continuou comentando sobre a maravilhosa experiência do Canadá e não parava de sorrir para Carol, o que eu achava adorável.

Nós então finalmente estávamos de volta a nossa casa. Mike colocou as malas em seu quarto e andou até a cozinha com Carol ao lado. Minha mãe fez um maravilhoso macarrão com almôndegas naquela noite. O prato preferido de Mike.

- É... Mãe. — ele disse assim que minha mãe colocou o prato cheio de macarrão pra ele.

- Sim, filho? Algum problema? — perguntou ela.

- Eu devia ter mencionado antes... Mas, não como mais carne. — ele sorriu levemente para Carol. Eu presumi que a razão para ele não comer mais carne fosse ela.

- Como não come mais carne? — minha mãe perguntou quase que assustada. Afinal, meu irmão amava carne.

- É... A Carol não come. Ela é vegetariana e ela meio que me convenceu a me tornar também.

Dava pra acreditar naquilo? Carol e ele ficaram com as mãos uma cima da outra e não paravam de se olhar. Ela praticamente não disse uma palavra sobre o negócio de ele ter se tornado vegetariano.

- Bom, então... Vocês querem que eu cozinhe alguma outra coisa especial? — minha mãe perguntou ficando totalmente sem graça com a situação.

- Não, não se preocupe, mãe. É só tirar as almôndegas. — disse ele sorridente.

Eu comi as almôndegas dele e de Carol. É, eu estava com muita fome naquela noite. Talvez fosse pela ansiedade de ver logo Charlie e contar sobre o que li no livro. Tudo o que eu sabia era que queria vê-lo logo.

Não demorou para que Carol fosse para a casa dela. Mike a levou de carro e acho que era uma coincidência muito louca ela ser da Pensilvânia também.

Hum, de qualquer modo tentei não me importar muito com aquilo ou com o fato de Mike ser vegetariano agora e ele não poder provavelmente chamar mais os amigos dele para um de seus grandes churrascos anuais.

Assim que ele voltou, minha mãe começou:

- Quando você conheceu ela, Mike?

- Ah, eu já disse, mãe. Um mês depois de ter ido pra lá... — ele passou calmamente as mãos em seu cabelo enquanto eu ficava na sala assistindo a temporada de Friends.

- Hum. E por que quis virar vegetariano? Que coisa é essa afinal?

- Mãe! Ela apenas me convenceu me contando das coisas horríveis que fazem com os animais e sei lá...

- Mike. Você está apaixonado, filho. Eu entendo isso. Mas não pode deixá-la te controlar. Se ela é vegetariana, deixe-a ser, mas não precisa se tornar também.

Mike bufou.

- Vai começar. Por que você sempre faz isso? Olha, eu acabei de chegar de uma viagem de seis meses e você está preocupada porque eu não como mais carne? Achei que ia querer saber mais da faculdade lá e tudo... Mas não. É sempre assim. Eu vou dormir, tá? Nos falamos de manhã.

- Espera, Mike! Mike! — ele subiu as escadas e eu fiquei apenas ouvindo aquilo e me sentindo mal por Mike. Afinal, nossa mãe sempre fazia isso. Ela nunca gostava das namoradas dele. Ou sempre achava que quando Mike se apaixonava, se entregava de tal maneira que as namoradas dele facilmente o enganavam, o que era até que verdade. Mas não sei. Só acho que minha mãe devia pegar mais leve com ele. Ainda mais agora que ele havia acabado de chegar de uma viagem bem longa.

Logo eu me levantei do sofá e fui dormir antes que minha mãe mandasse eu fazer isso.

Charlie não me mandou nenhuma mensagem naquele dia. Não que ele precisasse me mandar mensagens todos os dias, mas bem, eu meio que gostaria bastante que ele o fizesse. Mas eu não era a namorada dele pra ele fazer algo assim. Aliás, nem sei se ele já teve alguma namorada alguma vez. Provavelmente não.

No dia seguinte, lá estava Charlie com seu sorrisinho no canto dos lábios olhando para um de seus livros.

- Charlie. — eu cheguei dizendo quando o vi lá.

Ele parou de ler e sorriu me cumprimentando. E eu juro por deus que ele cheirou o meu cabelo. Afinal, eu estava cheirosa.

- Ei, Valerie.

Eu coloquei minha mochila no chão e sentei-me ao lado dele.

- Eu li um pouco do "The Great Gatsby" ontem.

- Ah é? E ai? O que achou? — perguntou ele gentilmente e docemente. Cara, eu adorava os olhos dele.

- Eu ainda não terminei, mas achei muito bom mesmo, Charlie.

Charlie apenas sorriu como se soubesse que eu ia gostar do livro. E pelo jeito ele estava certo.

Ian e Thomas chegaram mais cedo naquele dia e eu comecei a contar sobre as novidades do meu irmão.

- Hum, então ele está com namorada nova... O que isso tem de mais? — perguntou Ian.

- Exato. Minha mãe cria muito problema com isso. Eu acho que é só por medo de meu irmão sair sofrendo igual todas as outras vezes.

- Hum. — Charlie pareceu chateado. De certo modo, parecia que ele compreendia, já que não acho difícil ele ter passado por alguma situação desse tipo. Não de términos, mas sim de nunca ter tido sequer um início.

- Ah, mas acho que isso de ele se tornar vegetariano por causa dela é desnecessário. — riu Thomas.

- É, também acho. — eu ri.

O professor de história entrou na sala coçando o bigode e rindo de si mesmo ao ver que procurava pelos óculos que estavam grudados em seus olhos. O lado bom disso era que ele realmente ria dessas coisas, ao invés de se sentir acabado como muitos outros.

- Muito bem. Quero três alunos aqui na frente agora. — todos olharam um pro outro. Será que tinha algum trabalho que eu não sabia? — Não sejam tímidos. — ninguém mexeu um músculo. — Ótimo. Acho que vou ter que selecionar três aleatoriamente.

O que ele ia fazer afinal? Eu olhei para Charlie acho que umas cinco vezes e ele estava realmente apreensivo e bem nervoso por talvez ser escolhido.

- Charlie Kalouway. — ele disse em bom tom. Charlie olhou para baixo suspirando. Dava pra acreditar? — Samantha Di Mombelle e Valerie Paxtie.

Droga! Será que era assim óbvio demais a minha cara olhando para baixo como se fingisse não vê-lo escolhendo as pessoas? Tudo que sei é que Charlie estaria ali comigo e isso já seria um fator bônus, eu acho.

- Muito bem. Estes três alunos aqui serão responsáveis por organizar três grupos diferentes para um trabalho que vou programar com vocês. São três grupos de 12 cada. Vocês aqui. — ele apontou para nós. Eu estava realmente nervosa. Por que diabos ele tinha que ter me escolhido? Agora eu ficaria de fora do grupo de Charlie. Dava pra ser pior do que isso? No canto, vi Adam olhando pra mim esperando que ele fosse o primeiro a ser escolhido por mim. Infelizmente, aquilo não ia acontecer. — Podem começar a escolher. Primeiro, Charlie.

Charlie olhou pra mim chateado por não poder me escolher. Ele olhou pra sala e acho que ele sentiu como se ninguém quisesse ir para o grupo dele. Acho que era melhor do que Adam me olhando daquele jeito ou do que qualquer uma daquelas minhas antigas amigas me olhando com repulsa.

- Ian. — ele apontou dando de ombros. Vi que ele olhou delicadamente pra mim esperando que eu não ficasse chateada por ele ter escolhido um de meus amigos. Mas bem, agora Ian também fazia parte dos amigos dele.

- Samantha. — ordenou o professor.

Eu ainda queria saber qual era o tipo de trabalho que iríamos fazer...

- Ryan. — ela pareceu apaixonada quando disse aquilo sorrindo.

- Ótimo. Valerie?

Hum. Era então quase que óbvio que eu ia escolher Thomas. Mas de um certo modo fiquei constrangida com o olhar de Adam. Não que eu tivesse ficado com vontade de escolher Adam. Até parece. Mas não dava pra não gostar daqueles olhos verdes te encarando sem parar.

- Thomas. — eu disse rapidamente.

Adam não gostou muito. Que se dane.

E assim continuou. Até que todos fossem escolhidos e os grupos estivessem completos. E é claro que a última pessoa a ser escolhida, por incrível que pareça, foi Adam, mesmo que ele fosse um dos populares da sala.

- Muito bem. Adam você vai para o grupo da Valerie.

Vi que ele sorriu de um jeito malicioso pra mim. Ele até parecia saber que a gente ia acabar no mesmo grupo. Como se eu não pudesse escapar dele.

- Podem se sentar então. — pediu o professor após anotar todos os nomes em diferentes grupos. — O trabalho será o seguinte: Cada um de vocês se dividirão em trios no próprio grupo e pesquisarão sobre um dos temas que disponibilizarei aqui na lousa. Depois os trios se juntarão com o grupo inicial e organizarão as pesquisas em conjunto. O trabalho vale 5,0 e tem peso 2.

Ótimo. Era aquele tipo de trabalho que não da pra você relaxar por sequer um segundo. E eu não estava achando aquilo nem um pouco legal. Ainda mais depois de ele mencionar trios. Tinha certeza de que o trio seria eu, o Thomas e bem... O Adam.

- E espero que saibam que os líderes de cada equipe terão que ser os principais organizadores, entenderam? — ele olhou bem para Charlie, porque sabia que ele era tímido pra esse tipo de coisa.

Charlie fez que sim com a cabeça como pude perceber. Logo depois da aula fui falar com o professor.

- Qual é a chance de eu conseguir mudar de grupo? — perguntei.

- Zero. — ele respondeu seriamente. — Você é a líder. Não tem como você sair.

- Ah. — eu resmunguei.

Ah, qual é? Por que eu não podia simplesmente ficar no grupo do Charlie? Qual era o problema daquele professor?

Já na hora do almoço, me virei para Charlie estressada:

- Droga, Charlie. Aquele professor...

- Ah, calma, Valerie. Pelo menos estamos no mesmo grupo de literatura.

- Isso é. Mas agora eu tenho que aturar o Adam...

Charlie pegou o purê de batatas e fomos nos sentar na mesa junto com Ian e Thomas ao nosso lado.

- Ele ta no seu grupo, né? — perguntou Ian.

- Infelizmente.

- Ele não vai sair do seu pé. — concordou Thomas.

Eu olhei pra cima querendo que aquilo tudo sumisse. E por mais engraçado que isso possa parecer, nesse instante que fechei os olhos, não consegui imaginar nada além de Charlie. Parecia brincadeira, eu sei. Mas consegui imaginar Charlie. Apenas ele sentado na cadeira lendo seu livro. Aquilo parecia tão relaxante. Logo, me senti melhor.

- Olá. — sim, era Adam chegando lentamente entre eu e o Ian na mesa do almoço.

- O que você quer? — perguntei.

- Uhm, só saber se decidiu o tema.

- Ainda não. — eu revirei os olhos.

- Sei... Estava pensando na Guerra Fria, sabe?

Não era lá uma má ideia.

- É, não sei, Adam. Depois nos falamos, pode ser?

- Com certeza. — ele piscou por dois segundos e sei lá porquê eu fiquei vermelha.

- Ta tudo bem, Valerie? — perguntou Ian logo depois de Adam ter saído.

- Tudo ótimo. Por que?

Ian e Thomas se olharam e riram. Charlie não fez nada além de mexer em suas ervilhas.

- Você ta vermelha. — concordaram ambos.

- É... Ele me irrita. — eu disse.

- Pelo jeito até mais do que você gostaria, né? — disse meio baixinho Ian.

Dava pra acreditar naquilo? Ele realmente achava que eu sentia algo pelo Adam? Besteira.

- O que? Do que você ta falando, Ian? Se liga. — disse eu.

- Qual é, Valerie? Vai dizer que o beijo daquela festa não foi bom...

Eu apenas bufei e vi Charlie me olhando com a cabeça abaixada. O que Ian queria que eu dissesse afinal? Mas o fato era que sim. O beijo daquela festa foi bom. Mesmo com toda aquela pressão e os olhos de Charlie me acompanhando, o beijo de Adam foi bom e eu não tinha certeza se gostava ou não daquilo.

Logo depois do almoço, retirei o livro "Peter Pan" de minha mala e lembrei-me de entregar a Charlie. Ele me entregaria um outro livro naquele dia.

Isto vai parecer engraçado agora, mas não foi tão engraçado naquela hora. Charlie abriu rapidamente a primeira página do livro e é claro que viu o tal tão temido risquinho ao lado do nome dele. Vi ele franzindo o cenho.

- Este risquinho não estava aqui antes. — não, ele não estava bravo. — Você que fez, Valerie? — ele apontou com um de seus dedos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.