"Jhon, are you ok?" — diz meu professor.

"Sorry, I'm fine!" — digo voltando a realidade e indo sentar no meu lugar.

Professor — "As I was saying before Jhon arrive, there's a new student in the class and he's name is Max. Be kind with him."

Letty — "Max? Max Steel?" — diz ela brincando e todos caem na gargalhada.

Max — "Qual o seu nome?" — diz ele bem sério.

Letty — "Letícia, mas todos me chama de Letty."

Max — "Bom, Letty. Um conselho, caso não queira entrar para a minha lista de inimigos: FIQUE DE BOCA FECHADA!" — diz ele com aquela voz grossa que invade meus ouvidos fazendo com que cada pelo do meu corpo se arrepie. "Se eu fosse você eu não ignoraria esse conselho, a não ser que você não tenha medo da morte." — ele termina. Se ela achou que ele estava brincando? Não sei, só sei que o semblante e o tom de voz não demonstrava brincadeira em momento algum.

Um silêncio toma conta da sala.

Professor — "Well guys, let's continue with the lesson." — diz tentando acabar com a tensão que ficou na sala.

Durante toda a aula eu não conseguia parar de observá-lo, seguia com o olhar tudo o que ele fazia e por algum motivo, até aquele momento desconhecido, ele estava inquieto. No final da aula ele saiu pela porta rápido e sumiu, os outros aproveitaram a ausência dele pra comentar sobre o ocorrido. Eu pouco me importei, achei até que ela mereceu, não devemos fazer piada com pessoas que mal conhecemos e ainda mais alguém que aparenta uma personalidade forte que nem a dele. Me despeço de todos, saio e vejo que ele está encostado na parede ao lado da entrada, fumando. A fumaça vem de encontro ao meu rosto e tento disfarçar o meu desconforto, mas ele percebe.

"Desculpa, não gosto de cigarro." — eu digo.

"Que bom! Só assim você não me pede um e mesmo se pedisse, eu não daria." — diz ele de um jeito seco.

Eu — "Por que? Não gosta de dividir?"

Max — "Não! Porque eu sei o quanto isso faz mal."

Eu — "Então por que você continua fumando?"

Max — "Porque eu não consigo e não quero." Ele solta fumaça e joga a guimba fora. "Good bye!" — diz ele passando do meu lado e esbarrando o ombro no meu de um jeito bruto.

Chego em casa e como sempre está tudo sujo, empoeirado, a cozinha cheia de louça e panelas abertas. Respiro fundo e tento não perder minha paciência, desde que meu pai veio morar comigo tem sido assim, isso faz uns 3 meses. Meus pais são divorciados a 5 anos, no inicio eu morava com a minha mãe, minha irmã pequena e meu padrasto. Era um inferno, desde o divórcio minha mãe tinha mudado a personalidade por completo, era outra mulher, totalmente ignorante, grossa, ríspida, reclamava de tudo e vivia pra me infernizar. Ela é evangélica, então só se ouvia música gospel o dia inteiro nessa casa, reunião de líderes da igreja aqui em casa e cultos todas as quartas e domingos. Desde os meus 12 anos que eu resolvi parar de esconder a minha sexualidade e isso foi como uma bomba pra cima dela e meu familiares, fui xingado, humilhado e obrigado a ter que seguir as normas da igreja por 4 anos. Até que eu cansei disso tudo, meu psicológico estava abalado e eu comecei a bater de frente com todo mundo, inclusive ela. Passei a exigir respeito de familiares e amigos, muitos se afastaram mas muitos se aproximaram também, obviamente nessa época eu já havia saído da igreja e virei ateu. Não vou ficar explicando o meu pensamento sobre religião, sou ateu e pronto. Meu padrasto era um vagabundo e me desculpe a expressão: ERA UM FILHO DA PUTA! Ele não parava em nenhum emprego, vivia nas custas da minha mãe (Que nada verdade era a pensão que meu pai pagava pra mim), não comprava um leite pra minha irmã e usava drogas, mesmo assim minha mãe era apaixonada por ele. Até que um dia ele começou a roubar as coisas dentro de casa, roubou algumas roupas minhas, meu notebook e o da minha mãe, e pra completar a minha mãe era tão idiota que pegou todo o dinheiro que estava guardado na poupança que meu pai dividia com ela, que não era pouco e deu pra ele pro desgraçado pagar dívida de droga.

Foi quando eu me revoltei, assim como meu pai e decidimos tirar ela de casa. Alguns familiares concordaram com a atitude e outros não, mas eu estava com a consciência limpa. Morei por 1 ano sozinho, era uma maravilha, fazia tudo na hora que eu queria e não tinha ninguém gritando no meu ouvido, era feliz e vivia em paz. Meu pai morava com a minha madrasta na área nobre da cidade, ela tem 2 filhos, uma menina de 7 anos e um menino de 12. Eu nunca fui com a cara dela e ela nunca foi com a minha, me tratava com falsidade perto do meu pai mas se estivesse sozinha comigo mostrava as suas garras. Eu dificilmente ia visitá-los porque eu não me sentia bem perto dela e ela sempre deixou bem claro que minha presença não era bem vinda, e eu nunca vou me esquecer de um dia que fui ver meu pai mas ele não estava. Era na casa antiga, antes dele comprar a atual pra mim, então era minha casa também e eu me sentia na liberdade de ir a qualquer hora, sempre ficou claro que a casa também era minha. Quando cheguei e perguntei por ele, ela disse que ele não estava, então resolvi ficar por lá e esperar até ele chegar. Ela simplesmente virou e disse que eu deveria voltar pra casa da minha avó (Onde eu morei por uns meses), obviamente eu me senti mal pois não era bem vindo na casa do MEU PAI, ou melhor, NA MINHA CASA. Meu pai era um bocó, beijava os pés daquela vadia e pouco se importava comigo, pra ele ser pai bastava pagar meus estudos e colocar comida na minha boca, mas sabemos que o amor é muito mais importante que o dinheiro e eu infelizmente não tinha isso da parte dele e muito menos da minha mãe.

Eu sempre vivi sozinho, com eles ou sem eles eu estava sozinho, já cansei de passar inúmeros feriados e datas comemorativas trancado no meu quarto. Por mais que eu não demonstrasse, isso me machucava e muito! Chorei incansáveis vezes deitado em meu travesseiro, pois via meus amigos e primos felizes com suas famílias no dia-a-dia, brincando, viajando, dando festas e eu lá comemorando meu aniversário com um cupcake, assistindo minhas séries favoritas e esquecido pelo mundo. Mas vocês conhecem aquele ditado né? "A gente colhe o que planta." Minha mãe se separou do meu padrasto, começou a trabalhar e mora de aluguel pertinho da minha avó que sempre ajuda ela, pois o pouco que ela ganha não da pra se sustentar. Meu pai também se separou da minha madrasta porque ela trocou o carro dele sem a permissão do próprio e colocou no nome dela, eles brigaram feio e por esse motivo ele veio morar comigo. Eles entraram com uma ação na justiça pra dividir os bens, mas até o momento nada está indo muito bem, a piranha já levou quase todo nosso dinheiro e quer levar o pouco que nos resta. Meu pai entrou em depressão e tem tomado uns remédios fortes que o psiquiatra indicou. Os negócios dele também foram de mal a pior, ele era sócio de uma fábrica junto com um amigo, o amigo se deu bem na vida, se aposentou e pegou a fábrica que pra infelicidade do meu pai estava no nome do cara. Agora ele trabalha no quintal aqui de casa e está tentando se reerguer.

Agora eu? Eu morri de rir quando tudo isso aconteceu e sinceramente, estou pouco me importando. Já sofri consequências demais pelas atitudes erradas dos meus pais, eles escolheram seus caminhos então agora lidem com seus problemas e me deixem em paz.