Apaixonada por uma Esperança

1 Apaixonada por uma esperança


Notas iniciais
Bom dia/ Boa tarde/ Boa noite.

Primeiramente, antes de começar:
Esta fanfic se originou de um evento - Amigo Secreto - feito pelo grupo do facebook:

- Curtidores de Sasuhina/BR -

E minha amiga secreta é a Dandara (d4anovo)
Então esta fanfic é dedicada a ela :3

Desculpe pela demora e se tiver erros ortográficos. E peço desculpas também pela grande quantidade de palavras kkkk. Eu tentei diminuir um pouco, mas ela precisava ser um pouquinho mais explicada kkkk. Por isso, se ela ficar cansativa, desculpe kkkk.

Feliz 2016 e tudo de bom pra você :3
Aproveite a fanfic ^.^

Para a Dandara e a todos que lerão,
Boa Leitura!
♥

Não me recordo de ter estudado o que era amor.

E mesmo assim, achava que já o entendia.

Mal eu sabia o que era; somente estava me enganando.

Mas novamente, aquelas emoções se voltaram para mim.

Cheguei a me perguntar:

“Será que finalmente acertei?”

Não me conte o final. Porque eu preciso me recordar de como tudo se iniciou.

-x-

Estamos numa época bonita, à aclamada primavera, onde as ruas são enfeitadas pelas mais várias árvores cujas tem a linda flor de cerejeira. Pétalas caiam, algumas permaneciam. E o cenário não sai de sua beleza.

E por falar em primavera, pensamos em juventude. Eu sei, não rima. Mas quando lemos “Na flor da juventude”, associamos este período provido de muitas emoções e de reviravoltas.

E na pequena ilha japonesa, primavera marca o mês de março.

Localizamos-nos numa cidade deste país, numa casa consideravelmente grande, não muito larga, mas alta e de dois andares. Apesar do mês de março ter alguns intervalos de dias quentes, havia aqueles mais tranquilos.

E bem neste, o termômetro marcava cerca de vinte graus, aproximadamente cinco horas da tarde. Estava fresco e o céu nublado. As pessoas que circundavam nas ruas usavam calças não muito grossas e até se atreviam a usar um casaquinho fino por cima das regatas.

A casa mencionada anteriormente, vemos que dentro dela, há uma garota de dezesseis anos, dentro de seu quarto, de pé na frente da janela que visava à rua quieta com as mãos fixadas em sua grade.

Da escrivaninha que continha três passos a sua lateral, mantinha em cima dela, um pequeno rádio que no instante, começou dele a soar uma música calma e tranquila.

- “Kimi ni todoke” – a menina reconheceu de onde pertencia a canção (de um anime).

A música que era tocada começou a envolver.

- Justamente... Essa? – seus olhos começaram a querer se encher de lágrimas. A menina que continha cabelos azulados, tirou uma das mãos da grade e enxugou os olhos.

A Melodia continuava a envolver ainda mais.

- Porque essa música tem que ser tão bela?

Com o coração acelerado, sua outra mão apertou ainda mais forte a grade.

- Se eu o procurar... Ele ainda vai me ouvir? – fitou a rua molhada por causa da chuva de outro dia.

“O que devo fazer mãe? O que você faria?”

Pensou ao olhar para o retrato que continha em cima da escrivaninha que mostrava ela aos sete anos de idade abraçada alegradamente com sua mãe.

- Se a chance de dar sucesso é baixa, será menor ainda se somente assistir os dias correrem – com os olhos enxugados, soltou a outra mão da grade.

Com rapidez, deu meia volta e atravessou a porta do quarto indo até o corredor e desceu as escadas freneticamente. Ao encostar-se à maçaneta da porta de entrada, avistou sua irmã vinda da cozinha com uma tigela de sucrilhos.

- Hana, terei que sair, mas eu prometo que tentarei não chegar muito tarde.

- Hina, ei, espere! – sua irmã já tinha saído de casa.

- Jesus, Maria e José! Aonde sua irmã ia com tanta pressa? – a empregada loira, com o cabelo preso num coque, se aproximou de Hanabi ainda enxugando um prato.

- O local eu não sei, Odete, mas desconfio de algo.

- E o que a gente faz em respeito a isso?

- Só nos basta desejar boa sorte – sorriu, cruzando os dedos.

A pele de Hinata se arrepiou ao sair de casa e presenciar aquela brisa fria. Com apenas trajando calça jeans e uma blusa de mangas curtas, não era momento de voltar para casa e decidir se tinha algo melhor a se vestir.

Com seus longos cabelos azulados dançando com o vento, começou a correr entre as calçadas com as pernas bem alongadas.

- Desculpe — me... – as palavras saltavam de sua boca – Não vou me importar se...

Conforme ia correndo e seus cabelos ficavam sujeitos à bagunça, suas bochechas coravam naquela tarde nublada.

-... Se nada funcionar... – a cada passo sentia seu coração palpitar.

-... Se eu gaguejar... Se eu chorar... Mas eu só quero... – sua vista recomeçava a ficar embaçada – Somente quero... Que me escute!

Em algum lugar de um bairro, havia uma garota correndo dos olhos mais claros e do coração mais frágil e palpitante, jogando palavras ao vento e com bochechas avermelhadas prontas para mostrar as emoções que nela antes não sabia que existia.

Ela só precisou aprender a escutar melhor seu coração.

Agora não erraria mais.

E mesmo achando que tudo não daria em nada;

Vestiu-se com apenas sua coragem;

E correu.

Esta é apenas uma pequena história;

. De amizades;

. De uma menina;

. Das mais diversas confusões de sentimentos;

. De um garoto loiro e um moreno;

. E de alguns conselhos.

Giovana Berlanda apresenta:

- Apaixonada por uma esperança -

Esperança; ela tinha demais.

Tinha tanto, que se cegou a sua volta.

A amizade, quando se é criança, é uma questão fácil de resolver. Mas quando crescemos não se torna difícil, nós é a que insistimos em realizar isso.

Quando se é pequeno, mesmo que você entre em uma sala cheia de pessoas desconhecidas e o medo ronde em si porque não sabe como agir diante daquelas pessoas todas estranhas, basta cinco, no máximo dez minutos, para já estarmos brincando uns com os outros e nos apelidarmos de amigos. Naturalmente, temos essa habilidade na infância.

Então, nada é preciso ser muito elaborado. Não que na idade adolescente exija algo mais dramático, mais quando pequeninos basta um “Oi” para que tudo já se entre nos eixos.

E é assim que se começa esta historia.

Alguns anos atrás...

Era horário de lanche, hora do recreio.

Por volta dos vários brinquedos que rondavam o parquinho, uma menina de cabelos curtos pretos e de olhos bem claros se balançava vagarosamente no balanço.

- Aluna nova? – a voz de um menino a chamou a atenção ao seu lado.

Ela apenas balançou sua cabeça em sinal afirmativo. Sentava-se ao seu lado, num outro balanço, um menino de cabelos marrons.

- Qual é o seu nome? – desta vez, ela perguntou.

- Kiba – soltou um sorriso.

- O meu é Hinata – quando ela levantou a cabeça para vê-lo, ele finalmente pôde analisar o quão claro era seus olhos.

- Seus olhos...

- Eu sei – ela já respondeu – São estranhos. Talvez seja por causa deles que demoro a fazer amizades. Quem nunca viu essa tonalidade, fica um pouco espantado. Meu pai disse que ocorreu uma disfunção neles, era para vir de uma cor e veio de outra. Mas isso não afetou meus olhos, somente ficou com uma cor rara – soltou um sorriso torto.

- Na verdade, eu gostei. Combina com você – soltou mais um sorriso para a menina.

- Obrigada! – agora, ela tinha sorrido de verdade. Contente.

- Bem vinda novata – ele respondeu, começando a se balançar mais forte. A menina o imitou.

Tempos atuais...

Movimentação nas ruas, carros passando, crianças, adultos e jovens se destinavam as várias estações de metrô. Era mais uma manhã rotineira na cidade pacata de Hinata Hyuuga. Aproximadamente 6h20min da manhã, nossa protagonista já se arrumava rumo à escola.

A estudante do primeiro ano do ensino médio, no banheiro, passava uma camada de gloss em seus lábios e suavemente a ponta de um lápis preto nos olhos. Com os cabelos bem escovados e a franja pronta de lado, segundo ela, estava visualmente adequada para dar saída e ir logo à escola.

Naquela manhã, logo bem cedo, tinha feito questão de acordar antes para passar novamente seu uniforme. Queria estar impecável. A saia azul marinho, a blusa abotoada de manga comprida branca e o blazer da mesma tonalidade que a saia.

Olhou-se uma última vez no espelho. Seus longos cabelos azuis estavam formidáveis naquela manhã. Há um ano, quando Hinata tinha quatorze anos, tingiu os cabelos de preto para azul.

O resultado?

Caiu-lhe bem, combinou com seus olhos.

Ouviu passos vindos do corredor. Com a boca abrindo de sono, Hanabi, sua irmã de treze anos, parou em frente à porta do banheiro a olhando.

- Caiu da cama? – seus cabelos pretos estavam todos bagunçados – Você já está pronta?

- Prontíssima! – pegou a bolsa escolar que estava em seus pés.

- Vai haver alguma coisa para você ir tão cedo hoje?

- Hum... – hesitou por alguns instantes – Se der tudo certo, sim – abriu um sorriso.

- O que você e o Kiba farão hoje?

- O Kiba? – deu meia volta após sair do banheiro.

- Sim, vocês sempre vão juntos para a escola.

- Desta vez estarei indo sozinha.

- Vocês brigaram por acaso?

- Não, claro que não – se aproximou sorrindo – Nunca brigamos e não é hoje que vou discutir com ele. É que há algo que devo fazer sozinha. Não se preocupe, mandarei uma mensagem pra ele.

- Você já está indo? – a viu ajeitar a bolsa em seus ombros.

- Sim, tenha uma boa aula – se aproximou e deu um beijo em sua face.

- Hinata – a chamou quando a viu chegar à escada.

- Sim? – se virou.

- Está radiante – sorriu para ela.

- Obrigada! – a felicidade dela era notável.

~*~

Hinata saiu em passos rápidos de casa e se encaminhou até a estação de metrô. Pelo dia ainda começando, havia poucas pessoas circulando pelas avenidas, ruas ou estações.

Quando embarcou no metrô e viu seu reflexo no vidro, se sentiu satisfeita pela imagem que seu rosto exibia.

- Eu quero... Que tudo dê certo – sussurrou para si.

Após chegar a estação desejada, desembarcou rapidamente e caminhou por mais 400 metros até a entrada ao portão principal de sua escola.

Passou por vários corredores e foi em direção à quadra de esportes. Em todas as manhãs, ela sabia que havia um aluno que chegava bem mais cedo que os demais. Por sua casa se localizar mais longe do colégio que os outros colegas, ele tinha que pegar um dos primeiros pontos da estação. Chegando a quadra, começou a analisar a arquibancada. Ao fim dela, num canto que a sombra prevalecia, lá estava quem ela procurava.

De pele clara e cabelos loiros, estava sentado um garoto de sua mesma idade lendo um livro. A leitura parecia ser muito agradável, pois o mesmo não tirava os olhos e até dava uma risada ou outra.

- Vamos Hinata... É agora ou nunca – sussurrou para si.

Em outro modo de dizer, as pupilas dessa menina dilatavam quando via aquele loiro de olhos azuis. Claro, não posso deixar de acrescentar que ele era definitivamente bonito. Mas isso não era o principal ponto pelo qual Hinata visava de imediato.

Ele se chama Naruto Uzumaki, um garoto de aparência chamativa e um excelente esportista. Hinata colocou seus olhos nele quando ele adentrou a escola no oitavo ano, mas foi só no nono que ela percebeu que estava sentindo algo diferente por aquele rapaz.

Cada ano era dividido por três salas igualmente; e Hinata nunca teve a sorte de permanecer a mesma que a dele. Ela permanecia na classe 1 “B” e ele, 1 “A”. Foi numa manhã bem ensolarada que ela o avistou pela primeira vez:

Num esbarrar de corredor, cruzaram o caminho de um de outro. Porém, os livros que ela então carregava nas mãos, tinha ido completamente para os ares e espatifando todos ao chão. Foi no momento em que ela se abaixou para pegá-los, que ele também se agachou para ajudá-la. Foi só tempo de ela conseguir resgatar apenas um, pois ele já havia pegado todos e se encontravam nas mãos do rapaz. Quando levantou seus olhos, viu o rapaz que estava a poucos centímetros dela.

- Desculpe por fazer esse acidente. Se um de seus livros tiver estragado, basta vir falar comigo, sou da sala 7 “A”.

- Tudo bem – não se limitou a sorrir.

- Eu te ajudo a se levantar – estendeu uma das mãos e a levantou devagar.

- Obrigada pela preocupação, nada foi danificado – assentiu com a cabeça.

- Meu nome é Naruto – ele sorriu.

- Prazer, Hinata Hyuuga.

Mais que um rosto bonito, Naruto era um rapaz muito gentil e amável. Uma vez que você se encontrasse com ele, te cumprimentaria sempre. Mesmo não sendo o mais inteligente ou o melhor nos esportes, ele trabalhava duro. Dava o máximo de si para que sempre pudesse se elevar cada vez mais, se aprimorar. Não era o melhor em matemática, mas sabia a história e geografia japonesa mais do que ninguém.

Não era o mais habilidoso em conjugar verbos, mas sabia ser educado e bom ouvinte para muitas situações. O coração de Hinata se tornava frágil quando o avistava. Sempre de bem com a vida e querendo dar aquele ânimo para seus colegas, era muito bondoso com qualquer pessoa que precisasse de uma ajudinha.

Eles não eram melhores amigos, mas se encontravam em esbarrões de corredores, na hora da saída da escola ou esporadicamente na biblioteca. Aliás, por sempre Naruto avistar a menina com um livro nas mãos, ele acabou pegando o interesse de entrar para o mundo dos livros.

- Veja este Naruto; é importante – entregava-lhe um livro de literatura japonesa – Este é ótimo, ainda mais quando for tentar para um vestibular.

- Valeu mesmo Hinata, não tenho como te agradecer – falou entusiasmado após recebê-lo.

- Não precisa agradecer – disse envergonhada.

- Claro que preciso, graças a você, acabei adquirindo um ótimo hábito – sorriu para ela.

- Já fico feliz por ter te ajudado – olhou para baixo, com as bochechas coradas.

- Hina? – a chamou pelo apelido.

- Sim? – levantou a olhar ainda mais envergonhada.

- Obrigado – ao se aproximou e se inclinar, depositou um beijo em sua face. As batidas do coração da menina se aceleraram – Você é a melhor, Hina – disse grato.

E em cada palavra ou gesto gentil, Hinata foi se familiarizando com aquilo, querendo que ele estivesse mais presente em sua vida. Aos poucos, se aproximando vagarosamente, ela ficou mais participativa na vida do menino.

E então, ai ela estava. O admirando sentado na arquibancada. Depois de tempo apenas se certificando de o que estava sentindo não era apenas uma atração, viu que já estava mais no que na hora de revelar este sentimento, tirar o que está na garganta faz tempo. Tentar desta vez, transmitir verdadeiramente com todas as palavras que pudesse, as suas verdadeiras doces emoções pelo jovem Naruto.

Vagarosamente, ela deu inicio a este processo. Em passos lentos, a visão que ela tinha dele foi se aumentando, estando mais próxima a cada passo. Suas mãos estavam úmidas e seu coração palpitante. Piscou várias vezes para se certificar de que este não era apenas mais um sonho e que sim, ela iria realizar isto de verdade.

A um metro de distância dele, pôde sentir a fragrância que seu perfume exalava. Com todas as forças para não gaguejar, ela finalmente se pronunciou:

- Naruto!

- Hinata, que surpresa! – ele desviou os olhos do livro e o fechou, marcando a página.

- Posso me sentar ao seu lado?

- Claro que pode – tirou sua mochila de onde estava e ela sentou-se ao seu lado – Hoje você veio cedo.

- Pois é, é que... – tentou não deixar que o nervosismo tomasse conta – Eu precisava, eu preciso falar com você.

- Sobre?

- Bem, é que... Veja bem, é que eu... – notou que ele a olhava diretamente – O que foi?

- Está diferente hoje, você passou maquiagem?

- S-sim – se deixou levar pelo nervosismo.

- Combinou com você – sorriu.

Suas bochechas coraram no mesmo segundo.

- Está querendo impressionar alguém?

- S- sim! – ele se surpreendeu.

- Agora fiquei curioso, pode me dizer quem é? — ele ficou com um leve sorriso nos lábios.

— E- eu posso m-mas não sei se vou conseguir... – era difícil não haver nervosismo na fala de Hinata.

- E porque não? – ele se aproximou um pouco.

~*~

Um garoto de cabelos marrons batia palmas em frente a uma casa branca de dois andares. Após alguns segundos sem reposta, começou a se questionar:

- Que estranho, ela nunca demora.

Alguns ruídos foram ouvidos da maçaneta da porta de entrada da casa. Quando imaginou ser Hinata, teve uma surpresa: Somente sua irmã caçula, Hanabi, saía pela porta da frente.

- Kiba? – notou sua presença.

- Olá Hanabi, sua irmã já está pronta?

- A Hina? Mas ela já foi para o colégio. Ela não te avisou?

- Já? Porque tão cedo? – verificou o celular. Se ela havia mandado uma mensagem, encontraria algo ali.

Certamente, ela tinha mandado:

“Bom dia, Kiba. Hoje irei mais cedo, por favor, não me espere. Pode ir direto. Encontro-te na escola”.

- Realmente, ela me mandou uma mensagem – lhe mostrou para Hanabi conforme ela foi chegando mais perto.

- Eu também não sei o motivo, só percebi que ela havia se arrumado melhor.

- Tipo... Mais bonita? – a menina apenas confirmou.

Kiba ficou pensativo. Será que tinha algo em especial que ele poderia ter esquecido?

- De qualquer maneira – Hanabi se pronunciou – Quer companhia até a estação? – terminava de fechar o portão.

- Claro, vamos até lá – ele sorriu e começou a acompanhá-la em passos médios.

- A propósito, Kiba, bom dia.

- Bom dia – bagunçou os cabelos pretos dela.

~*~

- Não pode responder por que tem vergonha? – Naruto a questionou mais uma vez a menina de olhos perolados.

Hinata nada respondeu e tampouco se mexeu. A brisa que os rondou fez sua franja sair do lugar. E ainda assim não conseguiu parar de olhar para aqueles olhos questionáveis. Seus olhos miraram a mão de Naruto que estava posicionada ao lugar que estavam sentados.

Devagar, colocou a sua sobre a dele e conseguiu enlaçar uns três dedos. Sua face ardia de vergonha e seu coração doía a cada toque. O loiro reparou as mãos unidas e a olhou com os lábios entre abertos.

- N — naruto... – o nome dele saiu com muita dificuldade, mas as outras que vieram a seguir saíram com menos – Quem acha que estou sempre querendo impressionar?!

Tudo foi muito rápido.

Hinata sentiu seus olhos umedecerem.

- Estou sempre esperando você! Para ver um sorriso seu, quando o encontrar pelos corredores... Será que sou assim tão invisível para você?

A mão de Naruto, que se encontrava embaixo, se locomoveu e se afastou da dela.

- Eu gosto muito de você! – definitivamente, foram de longe, as palavras mais difíceis que aquela Hyuuga teve que pronunciar.

O menino, de sobrancelhas levantadas e a boca entre aberta a analisou por vagarosos segundos. Ela se arrepiou diante daquele silêncio.

- De uma maneira... Muito, muito especial – ela retomou a fala com seu último argumento.

Naruto somente moveu sua mão até a dela e a pegou, passando vagarosamente o polegar nas costas da mão da menina.

~*~

Hanabi, a irmã caçula de nossa protagonista, finalmente chegou a seu ponto da estação. Nos telões informavam o bairro que ela teria que descer. Com o metrô quase parando, ela se despedia de Kiba:

- Bom, quando eu finalmente alcançar o ensino médio, estudarei na mesma escola de vocês. Acho uma pena o ensino fundamental ser separado do médio.

- Um dia você chega lá.

- Kiba – ajeitou sua mochila nas costas – Fiquei pensativa depois que a Hina saiu de casa. Acho que ela estava indo mais cedo por uma causa e se não der certo, é provável que ela fique decepcionada consigo mesma.

- O que está sugerindo?

- Que se por acaso, ela estiver triste com algo, você pode... Confortá-la?

- Ela sempre pode contar comigo – sorriu para a menina.

- Obrigada!

As portas se abriram e Kiba a acompanhou até a porta, a observando pelo lado de fora enquanto ele se segurava em um puxador ainda adentro do metrô.

Antes de se virar, Hanabi quis soltar um último argumento:

- Eu fico muito feliz em saber que minha irmã tem ao seu lado uma pessoa que gosta tanto dela.

- Ela é muito legal – sorriu levemente.

O som de aviso de fechar as portas foi tocado.

— Kiba... – revirou os olhos – Eu sei que você gosta dela de um jeito especial.

- Como disse? – suas sobrancelhas se levantaram.

As portas do metrô se fecharam.

Acenando, Hanabi ficou a olhar por poucos segundos a cara de surpresa que o menino soltou.

Olhando seu reflexo no espelho da janela do veloz veículo, exclamou:

- Até sua irmã já reparou!

~*~

Voltando a arquibancada, vemos uma menina de cabelos azulados de pé, segurando com as duas mãos a alça de sua bolsa e fitando as costas de um menino loiro, se afastando aos poucos.

- Naruto!

Ele se virou um segundo depois.

- Hinata?

- Obrigada. Por me ouvir.

Naruto nada respondeu. Somente balançou a cabeça num leve movimento que a respondia com um “Sim”.

Após ele deixar a quadra, uma menina ficou para trás. E no rosto dela desceu uma única lágrima. Fina e rápida.

As declarações não costumam ser como nos filmes.

Igual Hinata teve a ingênua esperança que pudesse ser.

~*~

Depois desse ocorrido, se passaram mais quinze minutos.

Tempo que foi suficiente:

. Para um menino moreno chegar à escola.

. E uma menina para se esconder no banheiro.

Kiba adentrou a sala e foi indo para sua carteira. No meio da sala, última carteira. Observou a carteira em seu lado direito, vazia.

Ela pertence à Hinata Hyuuga.

- “Não é possível que ela não tenha chegado ainda” – pensou hesitante.

Olhou em volta da sala e nem sinal daquela menina de cabelos inconfundíveis.

Com uma bolinha de papel, chamou a atenção de uma menina cuja tinha cabelos rosados.

Indignada, a moça da segunda carteira da segunda fileira, analisou quem seria o tal, pronta para dar uns cascudos.

Kiba levantou o braço, meio que pedindo desculpas pela forma de chamar a sua atenção e mostrou uma folha arrancada de seu caderno escrito a caneta vermelha em letras grandes:

“Viu a Hinata?”

Sakura, a tal menina de cabelos róseos, apenas balançou a cabeça negativamente. Ela se virou rapidamente para frente rabiscando alguma coisa em seu caderno e logo arrancou uma das folhas. Com as letras bem destacáveis, foi mostrado:

“Não a achei na escola”

Kiba engoliu em seco após ler tais palavras.

- Espero que ela esteja bem – sussurrou baixinho.

~*~

Dentro de um banheiro, uma menina se escondia ao fundo encostada duma parede branca e sentada ao chão ainda processando todas as emoções que seu coração fora sofrido. Falando com si mesma, ela se indagou:

- Será que é isso cabular aula?

Cobriu o rosto com as mãos.

- Pelo menos, não somos da mesma sala. Seria muito difícil encará-lo.

O banheiro estava muito silencioso, ainda era horário da primeira aula e não ouvia quaisquer ruídos de ali de dentro ou dos corredores afora.

- Eu sou uma tola – sua fala saiu fraca — Sinceramente eu achei que... Fosse conseguir o alcançar. Porque coloquei a estúpida ideia de que se declarar fosse fazer me sentir melhor? – levantou as mãos em sinal de indignação.

- Desde quando ou porque eu comecei a gostar do Naruto? – limpava a face úmida.

- Naruto? – se surpreendeu a pegar sua mão.

- Desculpe – fitava o chão – Mas não posso.

- Por quê? – não se limitou a perguntar.

- Você é uma menina doce e gentil. E uma ótima amiga – voltou a olhar para ela.

- Eu gosto verdadeiramente de você – reunindo a coragem a todo segundo, ela novamente argumenta e os olhos de Naruto a focaram ainda mais.

- Por favor, não fale assim, Hina – seu coração não conseguia parar de bombear forte ao ser chamada por seu apelido.

- Qual é o problema? – segurou ainda mais forte sua mão.

-Eu tenho alguém em meu coração. Desculpe por te revelar isso. Eu não posso retribuir o que você sente.

- Quando nos encontrarmos pelos corredores, você ainda vai me cumprimentar como se nada tiver acontecido?

- Ainda quer falar comigo?

— Tudo bem em ainda sermos amigos? – lhe estendeu a outra mão – Gosto muito de conversar com você – soltou um sorriso tímido.

- Combinado – apertou sua mão.

Após Hinata ter se recordado da sua rejeição, levantou-se devagar de onde se encontrava e foi até o espelho perto das pias. Mirou seus olhos e em volta dele estavam manchados da maquiagem; decorrente das lágrimas que havia soltado.

Respirou fundo e os lavou bem.

- Quer saber? Prefiro me olhar assim, sem maquiagem. Da muito trabalho se enfeitar toda.

~*~

Tinha dado sinal do término da primeira aula.

Carregando sua bolsa como se houvesse uma bola de boliche dentro, foi se arrastando até sua sala.

O professor, jovem e de cabelos ruivos saía da classe quando a encontrou na porta de entrada.

- Srta. Hinata – ajeitou seus óculos a face – Faltou a minha aula hoje. Não estava por acaso, cabulando, não é? – riu de leve.

- Não, claro que não professor Gaara! – seu rosto ruborizou.

- Tudo bem, estava somente brincando.

Um alívio tomou conta dela.

- Tome cuidado com os horários. Até semana que vem – ele se despediu com um sorriso no rosto.

- Até – respondeu já o vendo de costas.

Adentrou a sala e os restantes conversavam uns com os outros, mas nada de muito barulhento. Avistou seu amigo, Kiba, sentado em sua carteira conversando com Sakura, que estava sentada em seu lugar. Após a rosada a notá-la, saiu de onde estava e a recebeu com um sorriso:

- Bom dia Hina – a cumprimentou com um beijo a face – Kiba já estava preocupado por você não ter aparecido na primeira aula.

O menino se envergonhou.

- É que... Quero dizer, você saiu mais cedo de casa e não tinha dado as caras ainda.

- Obrigada pela preocupação – sorriu para ele.

- Ah, Hinata – a chamou Sakura – Desculpe, eu tive que roubar a sua dupla hoje. O professor passou um trabalho, você não estava e minha dupla faltou também.

- Não tem problema. Obrigada por avisar – foi até sua cadeira.

Kiba olhou por alguns instantes Sakura. Ela entendeu o recado.

- Bom... Estarei voltando para o meu lugar – compreendeu que ele queria conversar com ela.

A menina de longos cabelos róseos se foi, deixando uma garota de emoções frágeis e um garoto ansioso por notícias.

- Não quero ser indiscreto, mas... Você estava matando aula?

- Não... – cantarolou enquanto tirava seus cadernos da bolsa.

- Hina, é que... – parou e começou a analisar seu rosto.

- Sim? – ela se virou, o vendo a observar – O que foi? – foi puxada por uma de suas mãos, ficando mais próxima a ele.

- Seus olhos... Estão avermelhados. Hina, você estava chorando?

A menina recuou e sem dizer uma palavra, apanhou seu caderno e arrancou um pequeno pedaço de papel. Lá, rabiscou alguma coisa.

Assim que estava entregue a ele, leu silenciosamente as seguintes palavras:

“Quando eu estiver melhor, responderei todas as suas perguntas, combinado?”

O menino fez sinal positivo com o polegar.

~*~

Marcava um pouco mais de meio-dia e meia e a estação de metrô estava um pouco cheia. Um vai e vem constante.

Kiba não tinha fugido do acordo. Não perguntara nada. A fez sorrir e se dispersar do semblante apático que antes estava na face dela.

- Essa não — o menino se pronunciou quando o metrô por eles passava e ia freando para embarcar novos passageiros – Está cheio! Vem, Hina – apanhou sua mão.

A menina, que estava mais uma vez dispersa, se surpreendeu após observar as mãos deles unidas.

- Fique bem ao meu lado para podermos embarcar.

Após alguns segundos de hesitação, ela finalmente respondeu:

- Sim!

Quando o veículo parou por completo, as portas se abriram desembaraçando várias dezenas de pessoas. Hinata parou para analisar por alguns instantes, a postura de Kiba.

Ele atentamente procurava uma brecha para que os dois pudessem entrar. Ficou a observar a mão que segurava a sua. Era apertada fortemente, mas não de uma maneira ruim, de um jeito de que eles não se perdessem. Só então percebeu o quão fortes eram suas mãos e como ele havia crescido. Estava bem mais alto que ela.

Os tempos de que ela era mais alta que ele definitivamente estavam encerrados. Era o seu melhor amigo; então porque o estava estranhando tanto?

“Quando foi que você mudou tanto que meus olhos nem perceberam?”

Distante, ouviu a voz grave de Kiba chegar aos seus ouvidos.

- Vamos, Hina! – as outras pessoas que também estavam adentrando, foram junto com a manada. Quando adentraram, o som de fechar as portas ecoou, fazendo mais gente apressada empurrarem uns aos outros.

Por causa desse evento, o pouco lugar que eles conseguiram foi um corrimão que ficava bem ao lado das portas. Todo canto estava preenchido de gente, das mais diversas idades e rostos.

Hinata ficou com as costas apoiada na parede e Kiba se segurava a um corrimão, de frente para a menina. As mochilas de ombro de cada um se enroscavam. Estavam a pouco menos de dez centímetros de um do outro. O menino ficou com as mãos suando. Não se lembrou de quando tivera uma vez em que havia ficado tão proximamente dela.

- Me desculpe por isso – disse a ela – Não era minha intenção – as palavras saíam sem muita precisão de sua boca.

- Não precisa pedir desculpas – olhou para baixo – Qualquer coisa, estará aqui para me proteger – escapou dela um pequeno sorriso.

- Sempre estarei Hina – mesmo com vergonha, ele as pronunciou. Os olhos da menina se ergueram para olhá-lo.

Após isso, Kiba ficou com o pescoço virado vendo o telão que marcava quantas mais paradas eles teriam que passar até chegar à estação desejada.

- Kiba? – Hinata o chamou e ele logo se virou – Sabe aquelas frases como: “Não deixar um agora para depois?”.

- São um pouco inspiradoras – deixou escapar um sorriso de canto.

- Ao que se refere a isso – continuou séria – Eu fiz isso. Hoje de manhã.

- Como assim?

- Irei te contar o motivo pelo qual eu saí mais cedo de casa hoje.

- Estarei te ouvindo.

- Eu me declarei – soltou rapidamente as palavras.

- O quê? – franziu a testa.

- Eu falei para o Naruto que gostava dele.

Kiba a analisou por alguns instantes. Seu semblante não expressava felicidade ou tampouco tristeza.

- E como você está em relação a isso?

- Honestamente? Estou quase desabando, mas não quero fazer isso aqui – tentava segurar o mais firme possível sua voz – Eu sou uma tola em pensar que ele poderia gostar de mim. Que... Eu pudesse chamar a atenção de alguém.

- E porque acha que não? Hina, você é adorável e gentil. E é alguém que eu admiro muito.

- Obrigada... – foi a única palavra que ele conseguiu ouvir antes dela o abraçar. Seu cabelo longo se misturou em seu casaco e sua cabeça repousou no peito do menino.

Com uma das mãos, ele afagou seus cabelos macios. Só que havia uma coisa que Kiba não conseguiria disfarçar: Seus batimentos acelerados.

- Kiba... – ela se pronunciou baixo – Seu coração está batendo bem rápido.

- Deve ser fome, Hina. Nada demais.

Honestamente, essa foi a pior desculpa que ele pôde ter inventado. Mas ela estava tão carente de consolo, que mal parou para analisar a frase que fora sido dita.

~*~

Hinata achou ter passado por uma experiência diferente, mas a mais incrível reviravolta ainda estaria para acontecer.

Passou-se uma semana e a rotina continuou.

Hinata acordou, levantou, se vestiu e esperou em frente o portão de sua casa seu amigo. Hanabi, que também estava de saída, foi até ela.

- E como vai esse coração? – já tinha ficado sabendo a história da declaração.

- Bombeando normalmente – sua irmã revirou os olhos.

- Então que ele continue assim – ficou nas pontas do pé e a abraçou aconchegadamente – Azuladinha, já vou indo – a pequena ajeitou a mochila em suas costas e começou a abrir o portão de casa – Ah, Hina – se virou – Sinceramente, acho que você e o Naruto não combinam tão bem juntos. Digo no modo estético.

- Ok, especialista – bagunçou seus cabelos – Então quem seria ideal?

- Ki-Ba – pronunciou as sílabas como um sussurro. Ela logo se virou, atravessando o portão e o fechando.

- Ei, espera, Hana – a menina se voltou.

- O que foi?

- O Kiba? Somos melhores amigos desde a infância.

- Por isso mesmo. Vocês se conhecem há vários anos – sorriu de canto – Conhecem detalhes de um do outro, dividem muito tempo juntos. É um casal não oficial.

- Hana, o Kiba não é apaixonado por mim.

Hanabi teve a grande vontade de contrariá-la e contar a verdade. Mas seria injusto para o garoto revelar um segredo que nem mesmo ele contou. Então, fez melhor:

- Como sabe? Já perguntou pra ele?

- Hana...Não vou perguntar isso pra ele – riu brevemente.

- Porque não? — a questionou de novo – Está com medo que ele diga sim?

Hinata abriu a boca duas vezes para falar.

Mas nada saiu. Ficou encurralada com a pergunta.

~*~

Em passos vagarosos, Hinata atravessava os vários corredores de seu grande colégio. Há pouco tempo tinha saído da biblioteca e encontraria Sakura e Kiba na cantina.

Ao final do terceiro corredor, se ela tivesse virasse ligeiramente a direita, sem se importar com quem poderia ter sido com quem havia trombado, logo chegaria ao seu destino para se juntar com seus amigos.

Mas Hinata é uma garota gentil. Para pra se desculpar.

Quando virou o corredor, alguém trombou de frente com ela. E parecia estar com pressa por causa do impacto. Como a vida gosta de brincar, ela deu de cara com quem se declarou semana passada.

Naruto Uzumaki.

Ver aquela face tão de perto novamente, deixou a arrepiada em certo ponto. Para a menina não se desequilibrar, ele a agarrou por seus ombros, a segurando perto de si. E assim, Hinata conseguiu conter nas mãos aquele livro, sem deixá-lo cair.

Após alguns segundos, Naruto a soltou. Estavam cerca de poucos centímetros e a menina abraçou ainda mais forte o livro contra seu peito.

Finalmente, ele se pronunciou. Em forma de sussurro, disse:

- Como da primeira vez que nos conhecemos.

- Sempre há livros no meio – disse baixinho, tendo um sorriso de canto.

- Eu preciso ser mais atento a esses corredores, caso contrário um dia machucarei você – desta vez ele soltou um rápido sorriso.

- Não, você é uma pessoa muito boa, Naruto. Nunca iria machucar ninguém – continuou o mirando.

- Você realmente acha isso?

- Sim – comprimia os lábios.

- Você é muito gentil, Hinata – novamente, avistou mais um sorriso dele.

O erro de Hinata foi focar muito nele. Naquele rapaz.

Se naquele período de tempo ela tentasse se dispersar mais do que se concentrar nele, talvez visse a pessoa que mais se afetava a tudo isso. Se ela não estivesse tão atenta ao Naruto, teria visto quando seus amigos se levantaram de onde estavam e foram para longe.

Quero dizer, Kiba se levantou. Sakura foi atrás para ajudá-lo.

Kiba! – Apressadamente, Sakura ia pedindo licença pelas pessoas para tentar melhor acompanhá-lo – Kiba, por favor! – estavam saindo da cantina e começavam a descer para a outra ala do colégio.

- Sakura, volte para o refeitório. Não me siga – apesar de andar nervoso, sua fala não saiu alterada.

- Não, não voltarei! – estavam chegando quase no outro canto do colégio, perto do fim dele. Cercas estavam próximas – Kiba, estamos chegando ao limite da escola, sabe que não podemos simplesmente pular esta cerca!

- Porque Sakura? – quase ao limite, ele se virou pra ela levantando os braços.

- O quê? A cerca? – apontou para ela.

- Não – se acalmou um pouco e se aproximou – Porque não vai voltar? Porque está vindo atrás de mim?

- Achei que fosse óbvio pra você! – Ela retomava as falas devagar por causa do ocorrido de pena agora – Porque eu me importo com você, porque somos amigos! Porque eu não quero vê-lo em encrenca! E também... – baixou o tom da voz – Porque eu sei como você está se sentindo no momento.

Ele se virou repentinamente passando as mãos frenéticas nos cabelos.

- Eu sei o que é sentir isso! – observava suas costas – Mas, por favor, não faça nada de cabeça quente.

- A questão não é estar com a cabeça quente – se voltou para ela – Mas é da forma angustiante que me sinto aqui dentro! – apontou para si — Parece que a cada dia dói mais e a cura insiste em não existir! Sabe... – sua fala saiu trêmula – Sabe como eu me sinto quando a vejo suspirar, chorar por outro?

- Você realmente gosta dela, não é?

- Com todas as minhas forças – sentou-se rápido na grama ao chão com os olhos úmidos – Mas não importa o que eu faça, a pessoa que ela gosta é o Naruto! E o que eu sinto por ela parece que não vai acabar nunca...

- Talvez nenhum de nós esteja pronto para suportar o tamanho desse sentimento – se agachou ao seu lado, tocando seu ombro.

- Mas o que eu posso fazer? Eu não consigo simplesmente jogar os meus sentimentos “fora”.

- Então conte pra ela, coloque pra fora.

- Não dá... Eu não consigo. Você já deve saber como essas histórias terminam.

- Como elas acabam? – perguntou calmamente.

- Ela pode até ficar surpresa ao saber de meus sentimentos, mas com quem ela fica é com aquele de quem sempre gostou – explicou.

- Então mude esse desfecho – o encarou.

- Isso só acontece em filmes – bagunçou seus cabelos.

- Kiba... – pegou em uma de suas mãos – Não faça como eu. Eu esperei e esperei. E olha no que deu! Sempre deixei minhas emoções guardadas. E como uma verdadeira boba, eu consegui perder aquele que eu realmente gostava. Mas eu não posso mais me lamentar por isso – limpou a face úmida – O erro foi somente meu.

- Por curiosidade, você já superou o que ocorreu com você? – perguntou a ela.

- O meu erro? – ele consentiu — De vez em quando ainda me pego pensando nisso. Mas a dor já não é a mesma. Agora, que tal voltarmos? – se levantou e lhe estendeu a mão – E procure melhorar essa expressão – o incentivou.

- Ok! – foi levantado por ela.

~*~

Naquele dia, ainda de tarde, Hinata andava de um lado para outro por seu quarto. No centro, duas caixas de papelão para doações.

Verificando as prateleiras de roupas, um bilhete que estava escondido caiu.

- O que será isso? – o apanhou do chão.

Hinata,

Você sempre relata ao menos algo de importante que contém cada mês do ano. O dia que começa a primavera, a data onde as festas começam e os aniversários de cada um de seus amigos e familiares.

Mas por falar em aniversários...

Eu não poderia deixar de lembrar o seu.

Sei que não sou muito bom com as palavras, então serei breve:

Feliz Aniversário, Hinata!

A esperarei no parque exatamente às 4 horas da tarde.

Até mais,

Kiba.

- Essa carta... – ela suspirou, levando a carta ao peito – Achei que tivesse perdido.

Rapidamente, foi até a seu porta-joias. Tirou alguns brincos e pulseiras. Ao final dele, no canto, havia um colar de pingente de coroa. O pegou e ficou a admirar o objeto delicado. A coroa dourada ainda reluzia na luz da lâmpada.

- Olá aniversariante.

- Cheguei – a menina tímida com 12 anos completados, se aproximou do menino que a esperava — Para que exatamente você chamou-me aqui?

- Feche seus olhos.

- Por quê? – perguntou desconfiada.

- Confie em mim. Apenas feche.

Fez o que seu amigo pediu. Após alguns segundos, sentiu um arrepio no pescoço. Quando estava querendo abrir os olhos para ver do que se tratava, ele se pronunciou:

- Pode abrir.

Algo estava pendurado no pescoço. Um colar.

- Kiba... É lindo!

- Minha mãe me ajudou – a menina sorriu — Eu sei que você gosta de filmes de princesas. Mas você não precisa ser uma da realeza de verdade, pois já tem a bondade e a graciosidade de uma. E, além disso... O colar combina com você.

- Obrigada Kiba, isso foi adorável.

- Eu costumo prestar atenção quando conversa comigo – diante daquele dia quente, o menino sorriu para que ela não pudesse notar o nervosismo que quase o denunciou.

- Kiba... – a garota se lembrou de todos os detalhes daquele dia.

Olhou para o colar e o bilhete.

Porque ultimamente não havia recorado de mais nenhum?

Ela tinha usado aquele colar por muito tempo. Mas porque estava jogado e esquecido?

“Desde quando eu deixei esse objeto tão importante em segundo plano?”

~*~

Passaram-se mais dias.

Faltava uma semana exata para o Natal.

E neste final de mês, a escola estava prestes a dar suas últimas provas, a lançar as últimas notas. Mais um ano estava sendo encerrado.

Podia — se ver umas despedidas antecipadas, revisões de provas e alunos sendo aplicados nos últimos segundos desesperados por uma nota.

- Eu apenas gostaria de dizer que foi um prazer ensinar vocês e que para o próximo ano eu possa rever muitos de vocês como ainda meus alunos – O professor de Artes, um jovem ruivo, dava a seus alunos os últimos cumprimentos.

- Nem acredito que mais um ano se foi – Sakura se aproximou para o final da sala juntamente com Hinata e Kiba.

- E o próximo será mais difícil... – falou o menino se ajeitando melhor na cadeira.

- Além das férias, o Natal está ai – a menina de olhos claros começou a falar contente – Soube que as três salas vão se reunir.

- Pode ser divertido – Sakura argumentou.

- Estão planejando uma confraternização. Você iria, Kiba?

- Eu não sei... – coçou a nuca – Seu pai deixaria?

- A gente sempre ceia com a família apenas à meia noite. Se eu chegar antes do horário, tudo bem.

- Vamos lá Kiba, pode ser legal – a rosada o chamou.

- Está bem – se rendeu — Mas não garanto nada, tenho que ver primeiro com minha família.

As duas amigas se alegraram, comemorando.

~*~

Estávamos a um dia antes para a festa de Natal.

Aulas? Encerradas. Provas? Corrigidas.

Apesar do colégio ser bem rigoroso, a correria fazia falta na menina. Sem tarefas e trabalhos diários.

Era dezembro e os noticiários de que as leves camadas de neve estariam mais presentes nos próximos dias estavam estampados em jornais e televisões.

O tempo era gélido e deixava o nariz e as bochechas da menina avermelhados. Caminhando pelas calçadas enfeitadas pela fina camada de neve, observou as casas decoradas com bonecos e árvores.

Com um celular nas mãos, via a lista de presença confirmada para a festa de Natal que reuniria as três salas. Passou pelo nome de Kiba, Sakura, outras pessoas que estudavam em sua sala, algumas que conheciam das outras e um dos últimos, estava lá: Naruto.

Quando seus olhos alcançaram seu nome, uma fraca inquietação veio até ela. Não foram comparadas as quedas que ela tinha antes. Esta foi muito menor. Colocou uma das mãos no coração. Estava com seus batimentos normais, nada fora do lugar. De uma maneira estranha, aquele nome estava se familiarizando demais com ela.

- Será que me acostumei tanto, que já não me sinto mais como antes? – uma criança que passava por perto achou engraçado o modo que ela conversava sozinha.

- Ótimo, mais um mito acrescentado na minha vida...

Voltando a caminhar, sentiu seu corpo ficar mais denso com a temperatura que o ambiente destacava. Olhou para seus fios azulados jogado em seu moletom listrado.

- Será que foi uma boa ideia ter tingido vocês de azul?

Seus cabelos sempre foram pretos. Perdendo a mãe ainda muito pequena, quis mudá-los como uma tentativa da imagem dela não estar a todo tempo em sua mente. Sempre idolatrou a mãe, mas ser tão parecida e ter a ausência dela, na grande maioria das vezes, terminava na cama chorando.

Por isso, mudar um pouco seria a melhor opção. Hanabi se lembrava de poucas coisas da mãe, ela era muito pequena na época. Hinata não conseguia imaginar quem sofria mais: Ela, que continha memórias e a saudade batia forte quando se lembrava do acidente ou sua irmã, que gostaria de ter passado mais tempo e registrado mais momentos para que suas lembranças fossem mais nítidas.

Lembrou-se de que naquele dia, tinha acordado cedo para comprar algumas coisas no mercado. Colocou a mão no bolso do moletom e percebeu que sua carteira ainda permanecia no mesmo lugar. Pensou em parar em algum mercado e comprar um chocolate quente. Verificou os trocados que ainda possuía, era suficiente. Com o vento gelado que fazia, algo de sua carteira, não muito bem colocado, caiu e foi direto a neve.

Rapidamente, o apanhou. Primeiramente, achou que seria um mero papel. Depois de melhor observar, notou que era uma foto. Uma imagem dela e de sua irmã. Ambas sorrindo, com roupas de verão e fazendo caretas. Hinata ainda não tinha tingido os cabelos, estavam na cor natural.

Olhou o verso da fotografia e lá informava: .

“Sei que fotógrafo não sou, mas até que levo jeito”.

- Ki... – as sílabas foram reproduzidas vagarosamente -... Ba? – reconheceu o jeito de escrever.

Kiba participava mais de sua vida que ela poderia imaginar.

- “Estarei sempre ao seu lado” – reproduziu a frase que mais era dita por aquele moreno. Começou a sorrir para o retrato – Kiba... Porque essas recordações estão tão recorrentes? – uma lágrima escorreu por sua face.

- Uma lágrima? – se indagou ao tocar seu rosto – Desde quando... Que eu estou me esquecendo de você?

Deu dois passos tortos para frente.

- De alguma maneira, eu estou deixando você de lado... Quando será que comecei a fazer iss... – seu celular pitou. Uma nova mensagem.

Mais pessoas confirmavam presença para a festa de Natal.

Novamente avistou aquele nome: Naruto.

- Naruto... – seus olhos se concentravam naquela palavra – Foi ano passado... – recordações vinham lhe a mente -... Que comecei a gostar de você.

- Kiba, sabia que a comida favorita do Naruto é o simples macarrão instantâneo? Ah, me falaram também que sua cor predileta é laranja. E ainda: Que ele é um ótimo esportista! – falou animada.

Ah, aquelas lembranças...

Teve o erro de focar-se em uma pessoa só.

Demorou a perceber que estava se iludindo.

Esquecendo-se de que talvez seu amigo pudesse se incomodar sobre toda aquela falação de um menino só e tudo que ele já tinha realizado por ela.

Tudo isso porque estava desesperadamente querendo provar seu valor para aquele loiro de olhos azuis.

E tudo isso para quê?

- Desde então... Eu tenho deixado você de canto, Kiba. E somente você que não me abandonou... – uma sensação nova a invadia – Se eu gosto mesmo do Naruto, porque essa vontade de sempre querer ser melhor? Ser eu mesma já não basta? – brigou consigo mesma.

Hinata sentiu algo tocando em seus cabelos.

Olhou para cima. Eram pequenos flocos de neve. O inverno tinha dado início.

- Naruto... Eu realmente gosto de você? – disse olhando para os pequenos pontos brancos que desciam.

~*~

Assim como a neve, o Natal chegou juntamente com a festa marcada.

Um garoto impaciente de casaco e calça jeans balançava as pernas freneticamente. Podia ser por causa do frio, mas ele estava dentro de um salão aquecido.

A garota ao seu lado, com cílios destacáveis e de braços cruzados, passou a observar a situação. Diante disso, não conseguiu segurar uma risada.

- Do que está rindo? – a indagou.

- Para quê tudo isso, Kiba? Ela vai chegar; não se preocupe – ajeitava a linda saia rosa posta nela.

- Veja bem Sakura, ela nunca se atrasa para nada – continuava a bater as pernas.

- Sei que está preocupado porque já de noite, mas não pensa negativo, ta? Ela deve estar a caminho – sorriu brevemente, acariciando suas mãos.

- Obrigado – finalmente, as pernas cessaram.

Do lugar pouco iluminado e invadido por várias mesclas de cores variadas com direito a globo no meio da pista, os dois amigos viram várias pessoas adentrando a entrada do salão.

Alguém naquela multidão se destacou para os olhos do menino. Com a franja presa por uma tiara e os cabelos soltos, Hinata adentrava ao lugar. Com meia fina preta por baixo e uma bela saia preta por cima, usava uma blusa vermelha que caía em um de seus ombros. Em seus lábios, um batom vermelho e nos cílios, rímel para alongá-los. Em seus braços, carregava um sobretudo para o frio quando fosse embora.

Alguns meninos tiveram que a olhar duas vezes para se verificarem de que realmente aquela menina era a tal Hyuuga.

Outros dois meninos ainda argumentaram:

- Tem certeza de que foi essa garota que se declarou para o Uzumaki?

- Absoluta!

- E ele a dispensou?!

- Pois é! – falou incrédulo.

- Esse cara só pode ter um problema muito, muito sério...

Em cada fio de cabelo que se movimentou e em cada expressão que a azulada soltou, ele ficou admirado. Estava realmente linda e posta bem ali, a sua frente, sorrindo. E ele, sem palavras.

- Hi-Na-Ta! Você está linda! – Sakura finalmente falou, quebrando o silêncio.

- Es — Está realmente muito bonita Hina – foi a primeira vez que ele gaguejou ao falar com ela.

Os olhos claros de Hinata foram direcionados a ele.

Pela primeira vez, Sakura pôde observar que não era somente Kiba com olhares atentos, mas que nesta ocasião, a menina também o observou diferente.

Ou será que ela estava imaginando coisas?

Começou a tocar uma música lenta pelo salão.

Um menino desconhecido chamou a rosada para dançar e ela aceitou, deixando para trás a dupla. Os olhos de Kiba se atentaram novamente a menina. Ela olhava para a pista onde todos estavam em pares e as várias cores situadas no meio.

- Hina, me daria à honra? – esticou a mão, a convidando.

- Eu não sei dançar música lenta – abanou as mãos.

- Não é preciso saber – a pegou em sua mão e começou a puxá-la para o centro do salão.

- Kiba...! – enquanto ia sendo levada, sentiu novamente a firmeza da mão do garoto ir com a dela.

Observando suas costas, pôde nota-las como tinham mudado. Estavam maiores e aparentemente, mais fortes.

- Pare de zombar, Hinata. Um dia ainda serei mais alto que você!

- Acho que esse dia demorará a chegar. Mas enquanto isso, eu sou a mais alta daqui! – fez um sinal de “V”com os dedos.

Novamente recordações.

Daquela época que ela ainda possuía estatura mais elevada.

O tempo passou e aquele garotinho de cabelos curtos e baixinho lhe fez crescer, ser mais aplicado à escola, um bom rival em esportes e ter algumas admiradoras ao ingresso do ensino médio.

Todos que pertencem a sua volta perceberam as mudanças. Mas menos a mais presente na vida do rapaz. Acho que vocês já sabem de quem eu estou falando.

“Por onde eu estava perdida?”

- Não se preocupe, é bem fácil – disse ele ao se aproximar, restando pouco menos de dez centímetros de distância de ambos.

Você já deve imaginar como ficaram as bochechas daquela menina.

- Em uma mão eu seguro a sua cintura e a outra, a sua mão – ao pegar a cintura da menina, ela foi se melhor ajeitando – E então, em uma das suas, você toca o meu ombro e a outra, fica enlaçada com a minha. Tudo certo? – disse a ela, quando ficaram posicionados.

- E agora? – seus olhos se encontraram com os dele.

- Nos mexemos vagarosamente, sem pressa – um passo era dado para frente e depois, outro para trás – Viu? Não é mais fácil do que se parece? – olhava para ela sorrindo.

- Só porque é com você – retribuiu o sorriso – Tudo se ajeita e as dificuldades saem de plano.

- Você acha? — Kiba se arriscou a rodeá-la. Sucesso. Deu certo e a puxou novamente par si, arrancando mais alguns sorrisos da menina – Eu seria um péssimo amigo se a deixaria subir ao altar sem que soubesse pelo menos, um pouco de uma simples dança.

- Obrigada – se encostou feliz ao peito do menino.

Quando a música acabou, uma mais agitada veio em seguida. Algo misturado com rock e pop. Sakura estava dançando a alguns metros deles, bem agitada e vibrante com um garoto posicionado bem ao seu lado. Era uma de suas músicas favoritas.

Os dois que antes estavam dançando, ficaram por alguns segundos a observar aquela figura de pessoa.

- Alguém vai chegar a casa hoje cansada – soltou Hinata, rindo brevemente.

— Baby, vamos seguir o exemplo dela – disse Kiba em meio à música, deixando Hinata surpreendida com mais um giro inesperado – Topa mais uma?

- Viemos aqui para se divertir, my darling – rindo, ela apanhou novamente sua mão, esperando que ele a girasse mais uma vez.

- Parece que gostou dos giros – riu e fez o movimento que ela esperava.

~*~

Depois de muitas danças, com a chegada de Sakura à mesa, Hinata aproveitou para já se despedir.

- Sakura, já são onze horas e eu preciso chegar a casa. Marcamos outro dia para passear, combinado?

- Precisa ir mesmo? – a azulada confirmou que sim.

- O Kiba pode te fazer companhia – Hinata argumentou.

- Quê? E você ir para casa sozinha?

- Eu acompanho a Hinata até em casa – Kiba se levantou e foi até ela.

- Não, está tudo bem Kiba – abanou as mãos — Não será preciso.

- Não será problema algum. E de jeito nenhum vou concordar com isso – deu um peteleco em sua testa.

- Se não vai te atrapalhar... Tudo bem.

Antes de saírem, Hinata foi uma última vez no banheiro. Com a promessa de que não demoraria muito, foi tempo suficiente para Kiba se despedir de Sakura. Antes que a azulada voltasse, a menina voltou – se para ele:

- Como dizem, hoje é Natal; a época mágica – soltou um sorriso – Não acha que é a oportunidade perfeita para dizer a ela o que sente?

- O q – quê? – suas mãos ameaçaram a ficar úmidas.

- E se nada der certo, pelo menos você saberá a resposta definitiva dela. Entretanto, se não quiser dizer, não precisa. Não se force a nada. Mas se falar, já tem o meu apoio, ok? – cruzou os dedos, desejando sorte.

- Obrigado – a abraçou – Feliz Natal, Sakura.

- Feliz Natal – sussurrou em meio ao abraço.

~*~

Por cima da bela roupa, Hinata usava um sobretudo preto por cima. Kiba, também agasalhado, andava a seu lado. Juntos, jogavam conversa fora; até que a menina parou bem à calçada de repente.

- Hinata?

- Olhe, olhe Kiba! – animada, apontou para cima.

- Neve... – pequenos pontinhos começavam a cair em seu cabelo.

Os vários flocos começavam a se instalar no casaco da menina. Vagarosamente, foi até ela e tirou alguns que estavam nela.

- Você realmente aprecia quando neva, não é?

- Natal é uma época mágica! – os olhos de ambos se encontraram – Ah, que bobagem estou dizendo! – rapidamente mudou sua ideia, desviando o contato, dando um sorriso torto – Pareço uma menina que mora nos contos de fada, achando que tudo sempre dá certo no final.

Inesperadamente, Kiba segurou firmemente seu pulso, chamando a sua atenção.

- Porque se corrigiu? – arqueou a sobrancelha — Porque achou isso de repente, bobagem?

- Quê? – de sua boca, saía fumaças por conta do frio.

- Porque está contradizendo as coisas que sempre acreditou? – continuou sério.

- Kiba... – soltou-se e foi adiantando alguns passos à frente – Por que... Acho que já vivi muito tempo nesse mundo de fantasia.

- Espere! O que aconteceu? – recomeçaram a andar, só que mais rápidos.

- Sempre vivi numa ilusão, no mundo dos filmes românticos, o das princesas, numa dimensão que eu acharia a solução para tudo... Que datas pudessem transmitir um tipo de magia!

- Hinata! Você pode escorregar – alertou por conta da calçada, culminada de neve.

- Mas meu maior erro f... – antes de completar, por conta do solado liso do calçado que usava; um frio na barriga a predominou quando percebeu que havia escorregado.

Rapidamente, Kiba foi até ela. Mas não tinha mais tempo. Hinata caiu ao chão, tendo a parte das pernas e da coxa ficaram brancas por conta da neve. A meia fina preta? Não teve jeito. Com a queda, houve um rasgo; marcando da metade da coxa até o joelho esquerdo.

-Hinata! – se agachou rapidamente – Onde machucou? Não conseguir te pegar a tempo e...

- Kiba... – com a voz fraca e os olhos úmidos, pegou uma de suas mãos – Me desculpa. Por favor, me perdoe – deixou a cabeça abaixada.

- Do que está falando? Quem se machucou foi você – tirava os flocos de neve que estavam no cabelo da azulada.

- Não, eu estou bem. É você quem eu machuquei! – uma lágrima desceu.

- Hinata...

- Desesperada com esse mundo imaginário que eu vivia... – levantou a cabeça, agarrando as lapelas de seu casaco, o aproximando dela – Eu deixei você de lado, Kiba!

- Não, quando foi que... – foi interrompido.

- Sabia que faz pouco tempo que notei que realmente tornou-se mais alto que eu? Que se tornou um ótimo rival em esportes? Que o quanto se esforça na escola ou o tanto que... Ficou lindo? – mais uma lágrima escorreu.

Kiba ficou com a boca entre aberta conseguindo manter o contato visual com aqueles olhos inundados de lágrimas. Por mais que tentou se mantiver calmo, seu coração não conseguiu deixar de bater forte.

- Hinata, você nunca me deixou em segundo plano – ao tocar seu rosto, ela acalmou suas mãos, soltando as lapelas de seu casaco.

- Infelizmente, eu fiz isso sim. Muitas das boas coisas que você fez por mim, eu acabei esquecendo rapidamente.

- É normal nos esquecermos de algumas coisas mesmo... – sua voz permaneceu calma.

- Mas o que não é certo é me esquecer de você. Alguém que é muito especial para mim! – ele limpou os vestígios de lágrimas que ainda restavam em seu rosto.

- Eu já disse e repito: Sempre estarei aqui pra você.

— Obrigada – agradeceu com a voz abafada.

Continuaram sentados a beirada da calçada, vendo os pequenos flocos de neve caírem sobre os dois.

- Sabe Kiba... – tomou a encarar as mãos gélidas – Talvez eu não seja tão boa assim – enfiou as mãos nos bolsos.

- Como assim? – se virou para ela.

- Não sou muito feminina na maioria das vezes. Não tenho um talento, assim, destacável. Se eu tivesse mais coragem ou fosse menos envergonhada...

- Porque está sendo tão rigorosa consigo mesma? – agarrou novamente um de seus pulsos.

- Kiba? – não se moveu.

- Porque desconta tanto em si mesma? Não me diga que é para impressionar aquele Mané – se aproximou a encarando — Porque está sempre se excedendo tanto assim? Porque querer tanto provar seu valor? Essa disputa interna sem fim?

Hinata o observava com os olhos atentos. Foi uma das primeiras vezes que seu tom de voz aumentou com ela.

- A pergunta que fica é se ele merece todo esse empenho! Responda pra mim, Hinata: Ele merece?

- Eu q – queria... – começou a ficar ansiosa.

- Queria ser perfeita? Não basta ser você mesma? – soltou seu pulso – Hinata... – passou as mãos freneticamente em seus cabelos.

Antes de ela poder tocá-lo, ele se levantou a olhando de cima.

- A Sakura mesmo já me contou que você sempre dá excelentes conselhos a todos, fazem eles se sentirem melhor... Mas porque não faz isso com você também?

- Kiba, com os outros é diferente – justificou já se levantando.

- Em que parte? – abriu os braços – Porque não se coloca em primeiro lugar pelo menos uma vez? Porque se desgastar tanto?

- Você... – comprimiu os lábios – Só me entenderá quando gostar de alguém!

- O quê? – se aproximou dois passos a ela – Por favor, não complete essa frase – virou de costas para ela.

- Que frase? – falou confusa – Sabe, e se eu me exceder um pouco? O que tem?! Digo... Porque está tão preocupado?

- Porque você já é perfeita pra mim!

Aquelas palavras foram soltas quando ele se virou, olhando bem para seus olhos. Mesmo naquela noite tão fria, com ambos soltando fumaças pela boca, estavam muito aquecidos por dentro. Quando se fala de emoções, a gente dente a ficar bem emotivo.

Depois que aquela frase foi dita, Kiba estava respirando rapidamente, com o coração acelerado e a mente a mil por hora. Finalmente, disse o que sempre adiou.

Cerca de um metro apenas separavam os dois.

Como se fosse um susto rápido, ela piscou duas vezes; bem rápido. Um frio na barriga da menina a invadiu, a deixando com as sobrancelhas elevadas, com a boca entre aberta e as mãos formigando.

- Estou sempre com os olhos gritando o quanto eu gosto de você! – se aproximou um passo. A menina recuou um – Quando a vejo chorar, triste por ele, me da muita raiva!

Mais um passo ele tentou chegar. E mais um ela se afastou.

- Hinata, eu fico raivoso porque eu não consigo imaginar... – seu peito parecia ser muito pequeno para seu coração e ele querer sair em muitas tentativas – Como alguém pode querer machucar uma menina tão doce – finalmente foi diminuindo o tom de sua voz.

Ele deu mais um passo à frente. Desta vez, ela permaneceu no lugar.

- Eu tentei das mais diversas maneiras tentar te esquecer. Mas eu não consigo, não sou capaz – pela primeira vez, ela ouviu a voz dele falhar – Eu sei que não estou me confundindo, eu realmente gosto de você.

- Eu... – a voz fraca da menina saiu somente aquele pronome.

- Na quarta série, você me disse que a sua cor favorita era azul. Na sexta, escrevemos juntos uma carta para alegrar uma colega de classe.

- Miki – ela se recordou.

- Na sétima série, jogamos uma partida de futebol juntos para ver quem...

-... Quem iria pagar um sorvete ao outro – ela completou, olhando fixamente para ele.

- Eu só sei que... Não gosto de vê-la triste. E eu estou sempre aqui, fazendo a sorrir, estando do seu lado para qualquer eventualidade.

Mais flocos de neve caíam sobre os dois. Apenas um passo os distanciava. Kiba olhou para o asfalto branco e os pés de Hinata se localizavam bem aproximadamente.

Aquele último passo foi dado.

E ela, não recuou.

Ele percebeu o quanto ela estava vermelha nas bochechas e a maneira que respirava rápido.

- E eu também sei... Que não consigo mais fazer meu coração permanecer em silêncio.

Perto demais. Era assim que eles estavam.

A menina levantou seus olhos e o viu colocar uma de suas mãos em seu rosto. Rapidamente, com o outro braço, a enlaçou pela cintura a trazendo para mais perto. As respirações de ambos se cruzaram. Hinata nunca piscou tanto como estava agora na ocasião.

- Ki... – antes que a menina conseguisse completar seu nome, um par de lábios entrou em contato com os seus. Apenas encostados, eram assim que estavam. Relutante, nos primeiros segundos, Hinata o quis empurrar. Talvez pela surpresa. Forçou empurrá-lo, mas a tentativa foi totalmente falhada. Ele a segurou com mais força e por algum segundo de descuido, veio à lembrança:

“Estarei sempre ao seu lado”.

Desde quando Naruto a fez sorrir da mesma maneira que ele fazia?

Em que momento ele disse a ela palavras tão reconfortantes?

Suas mãos manifestantes foram caindo e seus olhos que estavam fortemente fechados, relaxaram. Do encostar de lábios, Kiba entre abriu os seus, capturando os de Hinata também. Ela começou a conceber, fazendo com que ele tirasse sua outra mão de seu rosto e abraçasse mais sua cintura. A menina levantou seus braços e repousou suas mãos no rosto do rapaz.

Logo mais de alguns segundos, Kiba subiu seus braços aos ombros da menina e foi se afastando devagar. Os lábios se separaram e cada um se olhou de uma maneira inusitada:

Cara a cara, o rosto da menina se ruborizou por inteiro e as primeiras palavras ditas não podiam ser entendidas do tanto que ela gaguejou. O menino chegou até suar quando tão de perto sentiu o quão quentes tinha ficado seus lábios.

Hinata conseguiu se afastar, o empurrando com as mãos.

- Kiba! – sua voz saiu grave – Vo — Você! Você me beijou! – disse abafado em meio às mãos cobrindo sua boca.

- E você também! – apontou para ela envergonhado.

- Eu?! – ainda mantinha a fala abafada com os olhos arregalados.

Kiba tentou se reaproximar, mas ela recuou dois passos.

- Hinata, desculpa por ter te beijado – resolveu se desculpar mesmo de longe.

A menina soltou as mãos da boca e ele conseguiu se aproximar um passo.

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- O que disse?

- Desculpa. Mas quando a gente gosta mesmo de uma pessoa, não conseguimos mandar no coração – devagar, ele se aproximou mais um passo – E eu te beijei porque queria que você soubesse o tamanho do sentimento que sinto por você. Agora... Você já sabe.

Ele levou uma das mãos a nuca.

- Eu juro que desta vez eu tentarei te esquecer – os olhos da menina continuaram nele — Feliz Natal, Hina.

Sem demora, deu meia volta e se foi em meio a neve sem olhar para trás.

Hinata passou os dedos nos lábios e sentiu que eles estavam quentes e formigando.

Foi numa noite bem fria, a alguns metros de sua casa, que ela tivera seu primeiro beijo.

Com seu melhor amigo.

~*~

29 de dezembro do mesmo ano

Passaram-se quatro dias depois do ocorrido.

Nesse curto tempo, a menina tornou-se a ficar pensativa e de respostas rápidas quando se comunicava com sua irmã e seu pai. A casa de Kiba não ficava muito longe da sua. Mas ao menos, sabia que ela estava vazia. Um dia depois da festa de Natal, ele e sua família iriam a uma viagem que durariam todas as férias de inverno.

Posicionada em sua cama, abraçava um travesseiro juntamente a ela. Por alguns instantes, ficou a olhar o celular em cima da escrivaninha. Não trocaram mensagens e nem telefonemas. Notícias zero de um de outro.

Sons vieram pela parte externa de sua porta fechada. Alguém estava pedindo licença para entrar.

- Pode entrar – disse rapidamente.

Uma menina de cabelos pretos adentrou seu quarto, abrindo e fechando logo a porta.

- Achei que ainda estava dormindo.

- Acordei faz pouco tempo.

Sua irmã parou para analisá-la. Abraçada com o travesseiro, ainda de pijamas e as cortinas da janela ainda fechadas.

- Muito bem! Vamos iluminar esse quarto! – após deixá-lo mais claro, se voltou a ela proximadamente a cama – Mais do que ninguém, eu sei que você é péssima em mentiras. Então se resolver mentir para mim, é melhor ter treinado uma boa explicação – cruzou seus braços.

— O que quer saber? – deixou o travesseiro de lado.

- Ótimo! Começamos bem – foi até seu guarda-roupa – O dia está bonito, então se vista com algo bem legal – tirou um vestido azul marinho que continha uma linha branca na cintura.

- Sim senhora! – se levantou rapidamente trocando o pijama pela roupa e deixou o cabelo preso num coque frouxo.

- Agora me responda: O que uma menina tão bonita estava fazendo ainda na cama? – sentou-se a beirada de sua cama a vendo já de pé.

- Estava apenas pensando.

- Então pelo jeito, suas reflexões te deixam um pouco abatida. Aconteceu algo na festa de Natal? Porque se acha que não notei a meia fina preta rasgada quando chegou em casa naquela noite, está bem enganada.

— Quando estava voltando com Kiba para casa, caí por conta da neve acumulada na calçada – sentou-se juntamente a irmã na cama.

- E foi só isso que houve?

- Hana... – suas bochechas coraram de leve – Ele se declarou pra mim.

- Quê? – seu queixo caiu.

- Eu estava me cobrando um pouco pelo Naruto e diante disso... Ele se declarou.

- Uau! – se levantou da cama afoita – E... O que aconteceu depois?

- Ele, quer dizer... Nós nos beijamos.

- Caramba! – cobriu a boca com as mãos – E como foi? – curiosa, quis saber mais dos detalhes.

- Hana! – se levantou da cama – Foi muito de repente!

- E nestes dias que tanto pensou, se recordou das vezes que não percebeu os sentimentos dele enquanto corria atrás de outro que mal lhe dá atenção?

- Me peguei algumas vezes com isso – declarou, olhando para o chão.

- Quem diria... Naruto que se cuide! Ganhou um belo rival! – ela riu enquanto se dirigiu a porta.

- Rival?

- Se é que podemos chamá-lo de rival. Por que... Pense bem Hina: Quantas vezes o Naruto esteve presente nos momentos em que você precisou? Teve alguma vez em que ele te abraçou para consolá-la ou se fez estar tão contente só para deixá-la alegre?

- Eu não me lembro...

- É porque ele não fez – girou a maçaneta e a porta foi aberta – Mas sinceramente, eu já perdi as contas das vezes que Kiba te ajudou. Não seria bom ter ao lado alguém que realmente gosta e se importa com você? – Hanabi deixou um sorriso de canto antes que deixasse seu quarto com a porta aberta.

- Como alguém para sempre contar? – se indagou, abraçando-se e estando novamente sozinha no quarto.

~*~

Veio às últimas festas de final de ano.

Muitos brindes, comemorações e todas aquelas mensagens positivas que transmitimos um para o outro a fim de que o próximo seja melhor do ano que se foi.

Janeiro deu início e o tempo permanecia gelado. Divertiu-se algumas vezes com guerras de bolas de neve com sua irmã, tomou chocolate quente com Sakura em algumas vezes que ela foi visitá-las, assistiu a feição de surpresa que ela transmitiu quando contou a ela o beijo que ocorrera, saiu algumas vezes com seu pai para fazer as compras do mês, assistiu vários filmes, sentiu falta e rezou pela mãe falecida, comprou seus novos materiais escolares, esbarrou até mesmo uma vez com Naruto pelos lugares que passou e ansiou pela chegada das aulas.

Rapidamente, o mês de fevereiro marcou presença. Em meados dele, anunciava em seu calendário que as aulas teriam início. Estranhamente, ansiosa ela ficou e um mínimo receio de ver Kiba também, pois ainda não sabia como o cumprimentaria quando se vissem na mesma sala de aula. Mas a casa dele permaneceu vazia. Parece que ele faltaria o primeiro dia.

- Mais um ano e eu chego ao Ensino Médio – dentro já do metrô, Hanabi destacou quando viu que estava prestes a chegar a sua estação – E assim, estudaremos no mesmo colégio.

- Certamente – bagunçou os cabelos da menina.

O veículo foi parando aos poucos e chegara a hora de Hanabi sair. Ajeitando bem sua mochila as costas, lhe disse antes das portas se abrirem:

- Quando Kiba chegar da viagem converse com ele – cruzou os dedos, desejando sorte.

- Hana! – ruborizou-se.

Desde a festa de Natal, poucas mensagens haviam sido trocadas entre eles. E cada um dava uma desculpa, tudo para saírem logo da conversa. Envergonhados demais e eles não tinham assunto.

~*~

Depressadamente a menina foi em passos rápidos até o mural. Já havia uma boa quantidade de alunos a certificarem suas respectivas salas. Hinata passou os olhos entre as listas e achou as seguintes: 2 ano.

Três listas, para as três classes do segundo ano.

Analisou a que estava mais perto dela e notou que o nome “Hinata Hyuuga” estava no 2 “C”. Ao verificar os demais, ficou feliz que Sakura continuou na mesma sala que ela.

Quando olhou para o lado, um susto repentino lhe antingiu: Naruto Uzumaki estava posicionado bem ao seu lado.

- Olá Hinata – rapidamente a notou – Em que sala você ficou?

- Bom dia, Naruto – sorriu brevemente — Neste ano, no “C”. E quanto a você?

- Eu não sei, não consegui achar o meu ainda – tomou a verificar a lista do “B”.

Enquanto isso, Hinata voltou a analisar melhor a folha em que seu nome estava e suas sobrancelhas se ergueram quando percebeu que “Kiba” não continha na lista. Olhou de volta e realmente ele não estava lá.

Foi quando viu que seu nome se localizou na sala “A”.

- Quando que... – sussurrou consigo.

- Hinata – a voz de surpresa de Naruto a alcançou – Estamos na mesma sala.

- O quê? – se virou para ele.

~*~

Vagarosamente, Naruto ia guardando com cuidado cada um de seus pertences na mochila. Era o último aluno que ainda restava na classe. Da agenda que seria guardada, escapou de suas mãos e se colidiu com o chão.

Ao se agachar para buscá-la, um pequeno papel havia caído dela. Ao abri-lo, ficou surpreso por ainda manter guardada aquela mínima pergunta:

“Ainda vamos nos rever?”

- Será que é tolice de minha parte ainda guardar isso? – guardou o papel em sua agenda novamente.

“Eu gosto de você, Naruto!”

“Eu verdadeiramente gosto de você”.

A lembrança da menina de olhos claros veio lhe a mente.

- Hinata... – foi o que conseguiu dizer diante daquela sala vazia.

~*~

Os dias passaram-se depressa e logo a segunda semana de aula chegou. E sequer sinal de Kiba. Hinata pensou em lhe enviar uma mensagem, mas não queria parecer muito afobada, então deixou o celular guardado em sua bolsa.

Das portas que davam ligação ao corredor das salas do 2 ano, Hinata ficava posicionada bem na frente, esperando que o sinal tocasse e que a inspetora fosse abrir.

- Sempre no horário – Naruto chegou a cumprimentando.

- Bom dia – sorriu.

- Ah, tenho algo para te devolver — o menino começou a mexer na mochila – Muito obrigado, eu gostei bastante – tirou dela um livro de capa dura de cor esverdeada.

- Não tem de quê. Pode me pedir emprestado quando quiser – sorrindo, ao querer alcançar seu livro, sua mão encostou de leve com a dele.

Por não fazer muito tempo que havia se declarado, a face avermelhada surgiu, mesmo que só um pouquinho.

Naruto tirou a sua e a menina pôde apanhar com as duas seu precioso livro. O menino olhou para o chão, desviando o olhar.

Mesmo que só por um pouco, ele teria ficado com vergonha?

- Hinata – rapidamente, voltou a olhá-la.

- Sim? – seus olhos se encontraram.

- Sabe; eu queria q...

Uma voz feminina o interrompeu vindo por trás do garoto.

Hinata, que estava bem próximo dele, percebeu que seus músculos enrijeceram. Com a boca entre aberta, ele foi se virando sem pressa, até que seu corpo estivesse totalmente virado.

— “Quem é essa garota?” – pensou quando percebeu a quão bela ela era.

Uniformizada, de cabelos loiros e longos, sua franja era presa por um grampo para trás. Ela possuía lindos olhos azuis e uma pele sem qualquer espinha. Lábios bem avermelhados, estatura alta e magra. Era quase uma boneca de porcelana. Ela era perfeita.

A menina transmitia felicidade ao ver o loiro. No momento que Hinata saiu de trás de Naruto, ela teve uma enorme surpresa: Avistou um garoto de cabelos curtos e marrons, alguém que conhecia muito bem.

Sem dúvida, lá estava Kiba.

Hinata não conseguiu evitar sentir que seu coração tivesse um batimento diferente, algo que a deixou mais que alegre quando pôde revê-lo.

Mas porque ele estava do lado daquela menina?

Era coincidência ou eles já se conheciam?

~*~

Mais tarde, quando chegou o intervalo, numa das mesas da cantina, sentaram quatro pessoas: Duas meninas e dois garotos.

Naruto ficou de frente com Kiba.

E Hinata ficou sentada de frente com a tal menina.

- Então você e o Naruto já se conhecem – a azulada iniciou a conversa.

- Desde há muito tempo – olhou para ele – Mas infelizmente, chegou num ano que eu tive que mudar de escola. Mas nem por isso paramos de nos comunicar.

- Mas você não me contou que estava vindo para a minha escola.

- Eu queria fazer uma surpresa – olhou para ele sorrindo.

- E como é que você se chama mesmo? – Hinata retomou a conversa.

- Ino Yamanaka – abriu um largo sorriso – É um grande prazer – lhe estendeu a mão e foi cumprimentada pela azulada – Além de querer saber como você deixa esse cabelo tão maravilhoso, gostaria também de saber seu nome.

- Sou Hinata Hyuuga – sorriu amigavelmente.

- O quê? – ela se aproximou mais se segurando firmemente na mesa – Então você é a Hinata! – disse empolgada.

- Nos conhecemos?

- Sim! Quer dizer, não – voltou encostar-se à cadeira – É que recentemente tenho ouvido muito de você.

- De mim? – apontou para si mesma.

- Com toda a certeza. O Kiba não parava de falar de você!

- Ele falava? – levou seus olhos até ele.

- É que... – Kiba começou a se ajeitar melhor na cadeira – Quando fui viajar, fiquei hospedado no mesmo lugar que a Ino e por lá nos conhecemos.

- Hinata, fiquei até com uma ponta de inveja de você – a loira admitiu – Alguém que se preocupa e cuida de você... Tem muita sorte! – sorriu.

- É... Eu tenho... – uma parcela de culpa a veio. Olhou para ele comprimindo os lábios.

~*~

Mais uma semana se passou e Naruto e Hinata receberam a notícia de que Ino havia ficado na mesma sala que Kiba.

Tudo estava bem corrido; eram vários trabalhos e tarefas para serem feitos e o prazo era pouco. Hinata achou que era por conta da correria e das classes separadas que seu amigo parecia estar tão distante. Mas algo estava diferente nele. Ela podia sentir quando conversava com ele.

Mas como tirar essa dúvida se mal tinham tempo?

~*~

Numa quinta-feira movimentada, ela passou entre os corredores agitada indo depressa até a biblioteca. Assim que chegou ao seu destino, começou a checar as prateleiras, passando o dedo indicador nos mais diversos tamanhos e espessuras de livros.

- Livro de química... – apanhou um de cor alaranjada –... Um de inglês – o outro era amarelado.

Assim que carregava os dois livros abraçados no peito, foi checar a última prateleira, onde havia os romances literários.

- E um para passar o tempo... – apanhou outro e juntou com o que já estavam.

- Não quer ajuda com isso? – uma voz familiar chegou até ela.

- Naruto? – quando levantou os olhos pôde ver de quem a voz vinha.

- Você realmente gosta de estudar – pegou os dois mais grossos, aliviando o peso que estava nos braços da menina.

— Sim, eu aprecio – colocou uma mexa de cabelo para trás – Mas também nesses dias, nossos professores estão passando uma enorme quantidade de trabalho. E é nos livros que as fontes mais confiáveis estão.

- Não é a toa que seu nome está em uma das melhores do colégio – sorriu de canto.

- Mas eu não quero te dar trabalho então... Passa pra cá esses livros – deixou os braços mais estendidos – Não se preocupe, eu sou bem forte! – arrancou alguns mais sorrisos do menino.

- Tem razão?

- Absoluta! – quando o menino se aproximou cerca de dois passos pequenos a sua frente, Hinata se inclinou um pouco para o lado de repente.

- Hinata? Você está bem?

- Sim, não foi n... – antes de completar a frase, o pequeno livro que ela carregava nas mãos se colidiu com o chão. Com seu corpo indo para trás, Naruto soltou os que carregavam e com os braços a pegou firme pelas costas.

- Hinata? – a ajeitou em seus braços e foi se esgueirando até o piso – Por favor, Hinata...

Os olhos que por pouco tempo permaneceram fechados se abriram rapidamente.

- Naruto... – sua voz saiu fraca. O rapaz verificou sua temperatura; estava normal.

- Não se preocupe, é só foi falta de sono – foi saindo de seus braços e se posicionou ao seu lado, sentada.

- Porque não está dormindo direito?

- Você também não perde o sono... Quando pensa muito em alguém?

- O quê?- se surpreendeu.

Só depois a menina se deu conta de que havia dito.

- Não! Quero dizer... – abanava as mãos – De quem eu me trato é de outra pessoa... – o menino ajeitou as costas na prateleira.

- É o Kiba? É nele que você pensa?

- Quê?! – suas bochechas rosaram.

- Por mais que às vezes eu não note muitas coisas... Eu percebi que estão estranhos.

- Sabe Naruto, é que... – antes de tentar se justificar, ele a interrompeu.

- É do jeito que eu e a Ino estamos.

A menina mais nada falou. Surpreendida é como ela ficou.

- Eu e a Ino somos amigos desde a infância. Estávamos juntos quando algo de bom ou de ruim acontecia. Em nossas aventuras e nas nossas tristezas. Éramos inseparáveis. Até a sexta série.

- O que aconteceu na sexta série?

- Ela teve que se mudar. Mas não nos separamos por conta disso. Continuávamos em contato por vídeos, chamadas e mensagens.

- Então, o que mudou?

- Ela foi para um lugar diferente e fez novas amizades. Nossa comunicação agora era menor. Eu não queria ser egoísta, mas de um jeito, ela começou a se afastar de mim. Mas eu continuei cuidando dela, mesmo de longe. Eu não queria o seu mal, por isso, não desisti dela.

Antes de continuar, Naruto soltou um suspiro.

- A parabenizei quando tirou notas altas no colégio e a consolei quando nada deu certo pra ela.

- O que não deu certo?

- Ela se apaixonou fácil. Isso aconteceu quando estávamos na oitava série. Alguém lhe disse que a amava e ela acreditou. Ele só a fez sofrer. Ele queria... Outras coisas com ela.

- O quê? – tampou a boca – Por acaso... Ela fez?

- Não; porque apesar de tudo, ela sabe se defender. Digamos que ela... Atingiu suas partes baixas.

- Uau! – Hinata soltou um desses.

- Se não me engano, foi nesse momento que ela passou a me ouvir melhor do que as amigas dela. Só que... A vida que ela levava por lá era bem diferente. Então, com muitos planos e afazeres, ela me deixava em segundo lugar.

- Mas... Quando ela chegou aquele dia, você parecia estar tão feliz.

- A gente se vê bem nas férias. Mas no restante do ano, não. Ela sempre está ocupada para mim. Mas eu continuo a cuidar dela e querer o seu bem, porque eu não consigo me esquecer do sorriso que recebo quando consigo vê-la.

Os olhos do rapaz desceram.

- No entanto, eu fiquei muito feliz quando ela veio para cá. Achei que voltaríamos a ter a amizade que tínhamos. Mas ela está ocupada com algo novamente. Só que eu não sei do que se trata. E mais uma vez, ela só vem atrás de mim quando precisa.

- Naruto... – tocou sua mão, acariciando – Ela é a menina que você gosta?

- Eu sou muito idiota, não é? – se virou para ela – Tudo bem, você pode falar.

- Você está confuso, não é assim que se sente? – sua voz demonstrou falhas.

- Hinata... – puxou o braço da menina, a levando para mais perto de si – Se lembra do dia em que disse que gostava de mim? – seu tom de voz baixou como se fosse um sussurro.

- S – sim...

- Eu estive confuso desde aquele dia.

- Quê? – deixou a boca entre aberta.

- Desde o momento que te conheci, aos poucos, você foi se aproximando de mim. Em pequenos esbarrões de corredores, me fez sorrir, querer saber mais de você. E com estes olhos lindos, disse coisas a meu respeito que me tocaram.

Hinata percebeu que ele respirava devagar, estava nervoso.

- Aquela decisão me fez pensar muito sobre aquele dia e os que vieram mais tarde.

- Por quê? — puxou a ponta da manga de seu casaco.

- Porque eu pensei se tais sentimentos que eu disse que existe pela Ino poderiam um dia ser correspondidos. Mais uma vez eu quis pensar sobre eles, mesmo sabendo que a chance de sucesso é baixa.

Naruto se afastou um pouco e passou as mãos frenéticas pelo cabelo.

- Você não tem culpa, é algo que não consegue controlar. Está apaixonado por ela – continuou a mirá-lo.

- Mas quando eu soube que você realmente se importava comigo... Pela primeira vez ouvir de alguém que realmente gostou de mim – tocou seu rosto com uma das mãos – Eu fiquei muito dividido. Mas eu não queria te magoar, Hinata. Por isso eu disse não para você – abaixou a cabeça, tirando sua mão do rosto da menina.

Foram nesses momentos que ela percebeu que não sabia nada a seu respeito. Que havia ainda muita coisa desconhecida nele.

- Mas Hinata, o único confuso aqui sou eu – levantou a cabeça a mirando – Você já sabe o que quer.

- Como? – o indagou.

- Eu não sou a pessoa certa pra você.

- E porque não seria?

- Porque eu conheço alguém bem melhor do que eu. Que a abraça quando está triste e a única coisa que pede em troca no final do dia é um sorriso seu.

Hinata comprimiu os lábios. Já tinha uma ideia de quem ele se tratava.

- Em alguns momentos, podemos achar que amamos certa pessoa. Mas o que acontece na verdade é que paramos de ouvir nosso coração e nossos olhos ficam desesperados em enxergar aquilo que queremos. O que talvez não haja.

- E seus sentimentos em relação à Ino?

- Eu continuarei a desvendá-los – apalpou seu rosto com delicadeza — Certamente, se eu tivesse te conhecido primeiro, eu seria muito mais feliz.

- Você vai ficar bem? – sua voz fraquejou.

- Seja feliz, Hina – segundos antes de bater o sinal, Naruto se aproximou lentamente e depositou um simples e rápido beijo nos lábios de Hinata.

~*~

Muitos alunos circundavam pelos corredores, era horário de todos irem para casa. Dos mais diversos tamanhos, todos buscavam a saída pelo portão principal.

Um pouco mais afastados da multidão, dois alunos se localizavam mais próximos de um banco de concreto.

- Boa sorte, Hina – Naruto cruzou os dedos pra ela – Você consegue.

- Obrigada – consentiu – E se com a Ino não der certo, a pessoa certa ainda estará por vir, ok?

- Ok – sorriu mais uma vez para a menina.

- Nos vemos na classe – ela logo se virou, deixando o sozinho, rapidamente desaparecendo na multidão em que ela se misturou.

Vagarosamente, uma menina de cabelos rosados se aproximou dele, tocando lhe o ombro.

- Tudo bem pra você deixá-la ir?

- E do Kiba que ela gosta – se virou para Sakura – Obrigado por nunca contar a ela o meu segredo.

- No dia em que ela me contou que gostava de você, a minha vontade de felicitar a ela que poderia ser correspondida foi muito grande.

- Mas guardou sigilo. Por quê?

- Pois você mesmo tinha me dito que não tinha certeza de seus sentimentos por ela – cruzou os braços — E eu sabia que Kiba na época, já tinha esta certeza. Aliás, eu estou torcendo por ele e você tinha ou ainda tem, pelo visto, que se ajeitar com a Ino – descruzou seus braços – Eu não podia ter dito a ela alguém que achava gostar dela. Hinata é uma garota muito boa e gentil. E magoada ela não deve ser.

- Tem razão. Fez a coisa certa.

- Bom, para afogarmos as mágoas, topa ir tomar um sorvete na estação?

- Você ainda afoga suas mágoas? – deu um sorriso de canto já andando ao seu lado.

- Naquele moreno? Eu já esqueci, baby. Estou indo porque quero acompanhá-lo.

- Então, neste caso, muito obrigado – sorriu agradecendo.

- Não há de que.

~*~

Em passos rápidos, Hinata ia pedindo licença para as demais pessoas em sua frente. Estava ansiosa para chegar ao portão e poder encontrar Kiba. Chegara a hora para esclarecer os detalhes deixados de lado e ela não adiaria nem mais um segundo sequer.

Ao passar pelo porteiro, dos inúmeros estudantes, percebeu em que seu lado esquerdo, onde grandes arcos de árvores eram posicionados, o garoto já subia a rua, se afastando mais do colégio juntamente com a loira, Ino.

- Kiba! -sua voz saiu grave e ele pôde ouvir. Sorriu quando o viu se virar e correu rapidamente na sua direção.

- Hinata? – percebeu que suas bochechas estavam coradas.

- Oi Ino – a cumprimentou rápido – Eu preciso falar com o Kiba, é importante.

- Oh, claro – deu um passo para trás – Te vejo amanhã, Kiba – se despediu brevemente e deu meia volta sem olhar para trás.

- Disse que queria conversar comigo?

- Sim – se aproximou um passo – Bom... Nesses dias que se passaram, percebi que mal nos falamos e concordo que há algo de diferente em nós. Não agimos do mesmo jeito do que antes.

- Então você notou – levou os olhos para seus pés – Na verdade, eu também tenho algo para falar com você.

- Jura? Ah, então fale primeiro – pobre menina, estava tão determinada — Sobre o que é?

- Hinata, eu pensei melhor e eu quero que esqueça o que eu disse na noite de Natal – as palavras foram rápidas e sem nenhum fraquejo.

- Kiba...? – suas sobrancelhas se levantaram.

- Eu já entendi que é do Naruto que você gosta. E eu fiquei com a promessa que te esqueceria – seus olhos permaneceram abaixados – Será melhor se ficarmos por afastados.

- Então fale isso olhando nos meus olhos – agarrou a manga de seu casaco.

- Por favor, Hinata... – devagar, seus olhos subiram a ela — Eu não quero mais me machucar. Até um dia – devagar, se afastou dela dando meia volta.

- Acha que essa vai ser a solução? – falou já o vendo de costas. Ele não se voltou e tampouco disse algo – Kiba! – seu nome foi em vão.

A menina de olhos claros ficou naquela calçada, embaixo das árvores, com a respiração ofegante e de olhos úmidos. Se Hinata fosse capaz de vê-lo através de suas costas, perceberia que ele partira chorando.

~*~

O inverno finalmente chegava ao seu fim e a bela época da primavera marcava chegada com flores espalhadas por toda a cidade. A temperatura mudou e a escola seguiu isso também. Estudantes começaram a ir com roupas mais leves e o ambiente tomava aromas diferentes.

Aos corredores, mesmo quando Hinata e Kiba se cruzavam uma vez ou outra, nenhuma palavra era trocada. Não posso dizer que tudo mudou, mas tampouco estavam iguais. Pelas duas semanas mais longas que foram passadas, já estávamos no mês de março. A cada dia que se ia, Kiba estava mais próximo de Ino. Mas nem por isso, Hinata se reaproximou de Naruto. Eles continuaram na mesma sala, mas nada evoluiu entre eles.

- Ele tem feito isso? — Sakura disse surpresa.

- Sim – virou para ela.

- Mas ele vai ver só uma coisa! – levantou-se depressa.

- Não Sakura! – a impediu de ir – Eu quero dar esse tempo pra ele.

- Por quê? – abriu os braços indignados.

- Talvez assim eu também entenda de uma vez por todas o que eu sinto por ele.

- Ei, Hinata! Acorda! – estalou os dedos em sua frente – Você já sabe disso desde duas semanas atrás. Você só está criando uma desculpa. Assim como ele. Ele gosta de você! – a segurou nos ombros – Mas é evidente que ele ainda esta com medo.

- Com medo de que?

— De que ainda você possa ter esperanças com o Naruto. Jesus, Maria e José! Como vocês são complicados!

- Mas o que devo fazer então?

- Desta vez, vá sem rodeios e fale o que realmente está ali dentro – apontou para o coração – Você pode chegar até ele.

— Posso... ? – engoliu em seco.

~*~

Naquela mesma tarde, aproximadamente cinco horas da tarde, Hinata terminava em sua escrivaninha a última resolução de matemática quando ouviu alguém bater na porta.

- Entre – falou rápido.

- Oi Hina, sou eu – sua irmã foi adentrando – Eu trouxe para você uma xícara de chá. Mas quem fez foi a Odete – entregou para ela.

- A Odete? – tomou um gole.

- É de cidreira. Ela sabe que é o seu favorito.

- Ela erra nunca – sorriu deixando a xícara de lado finalizando a última conta.

- É que tanto quanto a Odete, eu e o pai, estamos preocupados com você.

- Comigo? – a olhou depois de fechar o caderno.

- Nesses dias você tem aparentado estar triste. O que esta acontecendo? – se aproximou um pouco — Quer me contar?

- Hana — se ajeitou mais a cadeira que estava – Você já ficou com medo de perder alguém e ele não poder voltar mais?

- Sim, muitas vezes – acariciou seus cabelos azuis.

- E chegou a pensar em alguma solução para o problema caso isso acontecesse?

- Quer saber o que eu faria? – sua irmã consentiu – Se eu estivesse prestes a perder alguém muito importante, porém eu ainda tivesse chance de recuperá-lo, eu iria atrás desta pessoa custe o que custar. Não deixaria escapá-lo e tentaria o segurar com meu coração.

- Nossa... – a irmã se sensibilizou.

- Por isso... – Hanabi se abaixou um pouco – Não deixe esta pessoa tão preciosa escapar, porque enquanto existir chance, não a desperdice – sorriu para ela – Vai atrás dele, Hina.

- Atrás? De quem está falando? – se levantou da cadeira e foi até a janela, fingindo saber de nada.

- Hina, você até pode mentir pra mim, mas não para você.

O celular de Hinata pitou em cima da cama.

Hanabi o apanhou e notou que se tratava de uma mensagem de Sakura.

- Hina, mensagem da Sakura pra você.

- Pode olhar pra mim? – a menina continuou a olhar pela janela a rua molhada por causa da chuva anterior. O céu estava nublado e o clima era bom. Fez-se um silêncio estranho no quarto dela.

- Hanabi? – se virou para olhá-la.

- Hinata, ouça com atenção:

“Hinata, vá até a colina. Fiquei sabendo que nesta tarde aquela loira, a Ino, vai se declarar para o Kiba”.

- Alguém vai se declarar para o Kiba? – olhou surpresa para a irmã — E quem é Ino? – perguntou curiosa.

- É uma menina nova que entrou esse ano – explicou rápido.

- Você não vai deixar, não é?

- E porque eu não deixaria? – se virou para a janela, se abraçando.

- Porque ta na cara que você não ficou bem com isso! Quer mesmo perdê-lo?

Hinata não se movimentou nem mesmo um músculo.

- Hina! – largou o celular na cama e depressa, se encaminhou até a porta. Mas parou prestes antes de sair – Sabe que é um grande erro? É deixar um grande amor escondido e deixá-lo morrer. Isso que é triste! – saiu rapidamente, não fechando a porta.

Parada à frente da janela, respirava devagar com as mãos ao peito. Com todas as forças, se segurou para não chorar.

“E mesmo que ela tenha voltado, eu a sinto distante. Novamente, ela esta ocupada com algo. Mas desta vez, eu não faço ideia do que seja”.

Lembrou-se do que Naruto havia dito de Ino naquela manhã que esteve na biblioteca com ele.

- Ela... Quer que o Kiba? É nisso que ela está tão ocupada? – agarrou fortemente a grade de sua janela – Mas ele mal quer me ver! O que eu faço? O que eu...

Interrompeu-se quando de repente, do rádio de sua escrivaninha, uma canção começou a ser tocada.

— “Kimi ni todoke”- a reconheceu. Era sua música favorita — Justamente... Essa? – seus olhos começaram a querer se encher de lágrimas. A menina de cabelos azulados tirou uma das mãos da grade e enxugou os olhos.

A Melodia continuava a envolver ainda mais.

- Porque essa música tem que ser tão bela?

Com o coração acelerado, sua outra mão apertou ainda mais forte a grade. Algumas lembranças vieram até ela. Desde o momento em que o beijo havia ocorrido até quando tinham parado de se falar.

- Se eu o procurar... Ele ainda vai me ouvir?

“O que devo fazer mãe? O que você faria?”

Pensou ao olhar para o retrato que continha em cima da escrivaninha que mostrava ela aos sete anos de idade abraçada alegradamente com sua mãe.

- Droga, Kiba! Porque você teve que entrar no meu coração? – brigou consigo – Bom... Se a chance de tiver sucesso é baixa, será menor ainda se somente assistir os dias correrem – com os olhos enxugados, soltou a outra mão da grade.

- Por favor... Espere por mim!

Com rapidez, deu meia volta e atravessou a porta do quarto indo até o corredor descendo as escadas freneticamente. Logo já estava na sala girando à maçaneta da porta de entrada. Ouviu alguns passos. Era sua irmã vinda da cozinha com uma tigela de sucrilhos.

— Hina? – se surpreendeu.

- Hana, terei que sair, mas eu prometo que tentarei não chegar muito tarde.

- Hina...! – ela começou a abrir um sorriso.

- Preciso correr! – abriu a porta rápido.

- Hina, ei, espere! – sua irmã já tinha saído de casa.

- Jesus, Maria e José! Aonde sua irmã ia com tanta pressa? – a empregada loira, com o cabelo preso num coque, se aproximou de Hanabi ainda enxugando um prato, estranhando o barulho que a porta havia emitido.

- O local eu não sei, Odete, mas desconfio de algo.

- E o que a gente faz em respeito a isso?

- Só nos basta desejar boa sorte – sorriu, cruzando os dedos.

A pele de Hinata se arrepiou ao sair de casa e presenciar aquela brisa fria. Com apenas trajando calça jeans e uma blusa de mangas curtas, não era momento de voltar para casa e decidir se tinha algo melhor a se vestir.

Com seus longos cabelos azulados dançando com o vento, começou a correr entre as calçadas com as pernas bem alongadas.

- Desculpe — me... – as palavras saltavam de sua boca – Não vou me importar se...

Conforme ia correndo e seus cabelos ficavam sujeitos à bagunça, suas bochechas coravam naquela tarde nublada.

-... Se nada funcionar... – a cada passo sentia seu coração palpitar.

-... Se eu gaguejar... Se eu chorar... Mas eu só quero... – sua vista recomeçava a ficar embaçada – Somente quero... Que me escute!

~*~

Com as mãos repousadas nos joelhos, ela respirava com dificuldade. Alguns fios de seu cabelo grudavam na nuca, mas por o dia estar mais frio, ela ainda se abraçava com o vento que fazia. A correria não tinha a aquecido por completo.

Olhou para seus pés e notou a grama bem esverdeada que havia. Levantando os olhos, notou a parte inclinada que dava inicio à colina. Dos lados esquerdo e direito, várias árvores marcavam presença. Era uma ao lado da outra. Em cima, quando juntas, elas formavam um arco de folhas, deixando uma vista de baixo deslumbrante.

- Eu não acredito que o Kiba já a trouxe aqui para conhecer a colina – falou consigo indignada, já tendo retomado boa parte do fôlego.

Quando decidiu subir, avistou uma garota loira. Ino Yamanaka.

Rapidamente, se escondeu numa árvore mais próxima e a analisou. Ela estava descendo, com os braços cruzados. Hinata não conseguiu desvendar qual era o semblante que ela carregava, mas não era felicidade. Desta vez, ela estava com os cabelos preso, num rabo de cavalo. Usava calça jeans, um moletom marrom que continha a palavra destacável “Girls” e um cachecol vermelho em torno de seu pescoço.

- Oi para você também, Hinata – ela disse quando passou na frente na árvore que estava escondida.

- Olá... — respondeu com vergonha – Desculpe, não era minha real intenção.

- Sem problemas – a analisou de cima a baixo – Você não esta com frio?

- Um pouco – se abraçou novamente.

- Não roubarei mais seu tempo. Ele está lá em cima.

- Hã? – sua face se avermelhou.

- O Kiba ainda está lá em cima – ajeitou seu cachecol – Eu não sei exatamente o que aconteceu entre vocês, mas é você quem ele quer. Eu admito que perdi – sem argumentar mais nada, virou-se a deixando sozinha com o vento e as árvores.

- Kiba... – seus lábios tremeram. Olhou para cima. Em algum lugar da colina ele ainda estava lá.

~*~

- Onde ele pode estar? – sussurrou para si enquanto procurava por todos os cantos – E se nos desencontrarmos? – começou a se desesperar.

Ainda o procurando e ficando quieta com os próprios pensamentos, ouviu uma voz fraca vindo do leste.

“Sob a suave luz do Sol, tudo parece silenciar...”.

- É uma música... – reconheceu.

Começou a correr pelo lado que a voz tinha imitido.

“... O vento toca o meu rosto e respiro fundo...”.

A cada passo, a voz se tornava mais grave.

“Essas lágrimas discretas, o nome que demos ao amanhã...”.

Dentre de alguns arbustos que se enfiou para averiguar de quem pertencia à voz, achou um rapaz de costas bem ao alto da colina, onde se percebia boa parte da cidade.

Estatura alta e cabelos marrons.

-... Ele? – seu coração se apertou.

“... E todas as linhas quadriculadas do futuro...”.

- Eu não acredito... Ele aprendeu a música – estava surpreendida.

O rapaz enfim parou de cantá-la. Com frio, mas ainda contente, esboçando um largo sorriso no rosto, se afastou dos arbustos e sem que ele sentisse sua presença, deu largos passos até sobrarem poucos.

Ouviu-o respirar fundo.

— “... Que os dias que nós rimos juntos e felizes...”, “... Sejam cada vez mais importantes para nós” – a menina terminou de cantar o verso.

Num susto, o garoto se virou rapidamente para trás.

Tímida, ela sorriu ao vê-lo. E ele, teve que piscar duas vezes para crer.

- Hinata... ? – sua voz saiu como um sussurro.

- Olá, Kiba – se aproximou três passos a sua frente – Você aprendeu a música – disse emocionada.

- Eu prometi a você, não foi?

- Mas isso foi há quatro anos...

- Promessa é dívida – não conteve um sorriso ao vê-la tão contente.

Kiba viu o quanto ela estava se abraçando e notou que estava apenas com uma simples fina camiseta. Tirou a jaqueta que vestia e foi até ela.

- Sabia que o verão ainda não chegou sua doida? – colocou em volta dela, fazendo a esquentar – Você... – se encontrou com seus olhos – Pode pegar um resfriado, sabia?

- Eu tive que correr esse risco – continuou a mirá-lo.

- Risco?

- Eu... Precisava te ver! – agarrou seus braços, o impedindo que se afastasse dela.

- Hinata? – ficou surpreso.

- Sinceramente, mais do que chorar eu queria te socar no dia que concluiu estupidamente por si mesmo de quem eu gostava! – sua voz agravou-se — Não se passou pela sua cabeça que eu sofri com isso? – suas mãos se afrouxaram.

- Eu te fiz sofrer? – percebeu que ela largou seus braços.

- Honestamente... – deu um passo para trás – Você nem me deixou falar o que eu queria – seus lábios se comprimiram – O que te deu para pensar que eu não me importava com você?

- É que... – virou-se de costas – Você passou muito tempo gostando do Naruto! – passou as mãos freneticamente nos cabelos.

- Mas eu não era apaixonada pelo Naruto! – disse o vendo de costas. O rapaz se virou lentamente.

- Não... Era?

- Eu era apaixonada por uma esperança. Uma tola esperança.

- Pode me explicar melhor? – voltou um passo para mais próximo dela.

- Naquela noite de Natal, quando eu chorei dizendo que eu era uma tola em acreditar em historias e contos, é porque finalmente eu estava percebendo o grande erro que estava cometendo.

- E qual era o erro?

- Eu imaginava que o Naruto pudesse ser o príncipe que eu sempre via nas historias. Mas afinal, o que ele era pra mim na vida real? Eu tinha me esquecido de fazer essas perguntas – se aproximou um passo de Kiba — Eu me foquei muito nele, determinada que eu tivesse achado a pessoa certa para mim. Mas eu não precisava buscar nada.

- Por quê? – Kiba foi chegando mais perto.

- Porque eu tinha bem ao meu lado alguém que mesmo que não estivesse feliz, ele ficava só para me ver sorrir – a menina encostou sua mão direita ao peito do rapaz – Que me abraçava forte quando não estava bem e me ajudava em quaisquer das dificuldades – sua voz começava a demonstrar falhas – Que aturava essa chorona aqui – arrancou alguns sorrisos do menino – E que gosta e me aceita do jeito que sou.

O rapaz apalpou a mão da menina que repousava em seu peito.

- Eu sei em que muitas vezes eu te fiz chorar, Kiba – uma lágrima desceu em seu rosto – E eu nunca irei me perdoar por isso.

- Nestes dias que passaram eu também te fiz mal de alguma maneira – se aproximou mais – Estamos quites – limpou a lágrima que fora escorrida no rosto da menina.

- Mas tolamente, eu o idealizei esperando que fosse minha escolha perfeita e acabei me esquecendo de todas as belas e boas coisas que já tinha feito por mim... – outra lágrima escorreu.

- Ei – sussurrou – Eu já entendi. Não precisa se explicar mais – acariciou seu rosto.

- Você é o protagonista da minha historia – sorriu com o rosto molhado – Só que eu não tinha percebido antes.

Do alto da colina que se encontravam o Sol estava começando a se esconder dentre as casas que havia abaixo. Vários feixes de luzes alaranjadas atravessaram toda à colina. Seus corpos brilhavam diante de todo o efeito e as sombras dos dois pareciam estar muito próximas.

Kiba tirou os fios de cabelo que se misturavam à face da menina. Ela se aproximou deixando suas mãos repousadas em seu peito.

Aproximadamente, quase beirando às seis horas da tarde, estação da primavera, no alto de uma colina, um casal ansioso por um beijo, obviamente, se beijaram.

Talvez a gente deva viver um pouco nos contos.

Claro, não devemos abusar.

Mas se analisarmos bem,

Para quê querer correr tão longe,

Quando a pessoa certa está há poucos metros da gente?

Fim

Notas finais
- The End -

Obrigada a todos que leram até o fim ♥
Agradeço a oportunidade do evento que pude participar, eu gostei bastante de desenvolver uma história sobre este casal adorável ♥

Espero que tenha gostado, Dan ♥
Um ótimo ano e felicidades sempre!

KibaHina é uma fofura, por isso eles estão nos meus casais favoritos ^.^
Até logo *---*

- Giovana Berlanda ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!