Apaixonada por Um Fantasma
22 Capítulo 21 - Simplesmente você
Notas iniciais
bom, começando que meu vestido prendeu diversas vezes no sapato conforme eu subia as escadas, e que meu cabelo tava duro de tanto laquê que um DREG fez, e que o padrinho que entrou comigo tá mais gato do que nunca, e tem namorada, depois de estress até a hora do casamento.. saiu tudo muito bem.. fora que no final o noivo tomou todas e passou mal. fofo né?
bom, cá estou eu, cansada, com dores nas pernas e com ressaca, postando mais um capitulo pra vocês, espero que gostem, e tentem não me matar, sei que vocês estão meio revoltadas com o caminho que a fic tomou.
Se eu lhes contar que tudo que aconteceu em minha vida depois desses meses foi coincidência, ou destino, talvez eu estivesse mentindo. Ou não. Não sei dizer se foi bom ou se foi ruim. Só sei que posso afirmar que mudou minha vida, pra melhor.
Conhecer Sebastian foi, para mim, um pequeno e significante pedaço da linha que foi traçada há tempos pelas minhas ancestrais, para que eu seguisse enfim, a linhagem tão importante. Não é a toa que minha mãe não gostava de falar sobre tal coisa, realmente é um peso que você não gostaria de carregar nas costas. Ainda sabendo que seu filho não é fruto de uma concepção aceita pelas pessoas. Quem acreditaria que eu fiquei grávida de um fantasma? Provavelmente me internariam na próxima clinica e me deixariam lá, mofando. Com ou sem bebê.
Não é só por isso que Alan tenha se importado tanto em dizer que ele é o pai do bebê que estou esperando.
– Alan, o que sua mãe vai dizer? O que as pessoas vão falar sobre isso? E a Dana, você acha mesmo que ela vai cair nessa? Ela sabe muito bem que...
– Vic, vê se você entende uma coisa... — ele me encarou e eu o fitei, incrédula e inexpressiva com a tamanha falta de senso que ele tem — eu não me importo com o que deixam ou não de falar sobre isso, eu não vou te deixar sozinha nessa, nunca deixaria. E se você não quer ir para um lar adotivo, grávida... Então aceite que eu sou o pai!
– Mas eu me sinto ferrando com a sua vida nos próximos 50 anos! Por uma coisa que você não tem culpa!
– E você estar grávida é sinal de culpa no que? — ele cruza os braços e levanta as sobrancelhas em sinal de que ou ele é um retardado por insinuar algo, ou eu que sou burra demais pra entender que ele me ama e quer me ajudar com o meu bebê.
– A sua mãe não vai acreditar que você é o pai.
– Você acha que não sou capaz de ter perdido minha virgindade agora, é isso?
– Isso não tem nada a ver com virgindade Alan!
– Tem sim! Você perdeu com um fantasma! Qual o problema de ter perdido comigo? Eu sou bom no que faço, ta legal? — eu pisco varias vezes para tentar fazer com que as palavras deles entrem no meu cérebro. — Você não faria nada comigo, eu sei disso. Mas a minha mãe não sabe.
– Eu não disse...
– Eu sei que não Vic. Você é minha amiga demais pra fazer tal coisa. — eu fico olhando para ele, séria, calada. Lá no fundo, sei que isso é verdade, mas nas circunstancias em que eu me encontro em que eu quero me encontrar, há de se rever essa historia. — Só aceite, ok? Eu vou falar com a minha mãe, você vai ta comigo, mas, deixa que eu falo.
– Porque esta fazendo isso? — Alan baixa os olhos e suspira, ao levantá-los, olha bem fundo nos meus.
– Porque eu faria qualquer coisa por você, porque cada vez que vejo seu rosto triste, eu me desdobro para que você dê ao menos um simples sorriso. Eu quero te ver bem Vic, sempre quis, sempre vou querer. — engulo em seco e baixo os olhos, levando a minha mão até minha barriga, sinto que Sebastian está me olhando lá de cima e o imagino, desejando estar no lugar de Alan. EU desejo o mesmo, mas logo calo esse pensamento e o enterro lá no fundo do meu coração. Alan levanta-se da cadeira e beija minha testa, soltando um ultimo suspiro. — Vou chamar minha mãe. — diz ele e sai do quarto, me deixando sozinha com meus pensamentos.
Enquanto eu estava lá, sentada em sua cama, olhei em volta do quarto e algo me chamou atenção em cima de sua escrivaninha. Levantei-me e fui até ela, pegando uma foto em destaque. Ao pegar e notar a foto vejo que sou eu com Alan há uns dois anos atrás. Estava eu, ele e Dana num parquinho que hoje está meio acabado. O tal parquinho era perto da nossa escola, mas como ninguém mais vai lá, ele esta deteriorado e os brinquedos enferrujados. Sentados em um balanço, Alan, na foto, em pé atrás de mim, que estava sentada no balanço, ao lado de Dana, sorria e me olhava com admiração e carinho estampados nos olhos. Eu sorria e meio que sentia o perfume dele pairando atrás de mim. Pude ver que minha expressão era inebriante, como se eu estivesse sobre algum efeito de um entorpecente.
É como se ele fosse minha droga e eu nem tinha notado. Pensar que amei — ainda amo -, Sebastian, é como se eu tivesse dando um tiro em mim mesma ao saber que ele está em um plano melhor que aqui, em paz e feliz. Assim espero. É o que desejo a todos que ajudei a atravessar. Eu peço todos os dias antes de dormir que Deus tenha planos para minha vó, minha mãe e Sebastian, e que eles estejam bem onde estiverem que estejam cuidando de mim. Sempre peço orientação à minha vó, paciência à minha mãe e palavras de amor e afeto à Sebastian. Peço que eles de alguma forma passem isso tudo para mim, fazendo-me enxergar que nem tudo que acontece em nossa vida é para nos dar uma lição, às vezes, esses acontecimentos são simples maneiras de nos dizer que o modo que você está seguindo com a sua vida não é a certa, te mostrando outro caminho para seguir e lhe explicando os meios certos e as regras impostas, pelo qual você deva trilhar. Já que o caminho para a felicidade plena é cheia de obstáculos, é recompensadora no final da jornada.
– Então mãe, eu e Vic temos uma coisa pra contar pra senhora. — falava Alan, ora olhando para sua mãe, ora me olhando. Mantive minhas mãos cruzadas sobre meu colo, coluna reta, apreensiva demais até para soltar um suspiro. Passaram-se mais ou menos três meses desde que tive aquela conversa com Alan no hospital. Depois que fui liberada, voltei para sua casa. Andy pulava ao meu redor quando cheguei, dizendo que estava com saudades e pedindo-me que nunca mais vá embora. Para uma criança de quase sete ou oito anos, pedir-me uma coisa dessas, é difícil dizer não. A mãe de Alan olhava-nos com curiosidade nos olhos e, confusa.
– Vamos, digam logo, estão me deixando curiosa demais, não suporto isso. — pedia impacientemente.
– Então mãe... Você sabe que tem coisas na vida que não sabemos muito bem como reagir, né? Digamos uma morte, um acidente, uma gravidez... — Alan deixou sua voz morrer e fitou sua mãe. A cor bronzeada meio vermelha do rosto dela foi sumindo, deixando-a branco feito papel. Ela me olhou, abrindo a boca, mas retornando a fechá-la. Sua expressão dizia-me que ela se continha para não me agarrar e me esganar ali mesmo. Afinal, eu não passava de uma órfã, amiga de seu filho e agora, para ela, mãe do “filho” dele.
– Alan, o que você ta querendo me dizer? Por favor, me diga que vocês não...
– Mãe, sinto muito, mas, eu não posso dizer isso.
– Mas vocês são amigos! — eu jurava que ela falaria que somos novos demais, ou melhor, eu sou nova demais, afinal Alan nem pai é.
– E o que tem isso? — perguntou ele, chocado.
– Eu nunca sequer imaginei que um dia vocês trocariam um beijo! Imagina a coisa toda! — dizia ela, realmente chocada. Mas chocada que ela, estava eu, que esperava outro tipo de reação. Talvez uma bofetada na cara, não palavras das quais eu temia ouvir. É, eu temia ouvir que nunca sequer beijaria o Alan, eu o beijaria sim, mas, devido a minha implicância com o fator Amizade, eu nunca fui de ficar ou namorar meus amigos, ainda mais o melhor e único deles.
– Você acha que ela nunca ficaria comigo? Qual o problema de vocês duas com a minha capacidade de ficar com quem eu amo?! — perguntou ele, agora realmente ofendido.
– Ama? — perguntou sua mãe. Eu fiquei calada, nem minha respiração dava para se ouvir, eu não queria atrair a atenção para mim, já bastava o fato desse tumulto todo ser o bebê que estou esperando.
– É! Amo! Eu a amo mãe. — falou ela pra sua mãe, virando-se para mim, completou: — Eu amo você. — eu o olhei tentando manter minha pose reta e apreensiva. Apreensiva eu estava, mas, meu corpo já mole, desmanchou-se com aquelas palavras.
– E como foi que isso aconteceu, meu Deus?! — perguntou a mãe dele, apoiando os braços nos joelhos e pondo sua cabeça entre as mãos. Alan desviou seu olhar do meu. Eu não consegui parar de olhá-lo. E voltando para sua mãe, falou:
– Da mesma forma como eu fui feito mãe. — a cara de sua mãe foi engraçada, digamos que a boca em um O redondo, uma das sobrancelhas arqueadas e a outra abaixada. Ela abria e fechava a boca, tentando pronunciar alguma palavra.
– E quanto... Quanto tempo... Victoria? — perguntou ela, me dirigindo a palavra pela primeira vez.
– Estou de três meses. — ela encostou-se no sofá sem deixar de me fitar.
– Então agora, você é uma garota de 17 anos, que mora na minha casa de favor e que esta grávida. Do meu filho. — disse ela, pronunciando cada palavra com amargura. Apenas assenti, baixando os olhos.
– Mãe, não a julgue. Eu também tenho minha parcela de culpa nisso.
– Mas meu pai, Jesus Cristo, vocês não conhecem uma coisa chamada camisinha não? — nessa hora, Alan me olhou, como se me repreendesse pelo fato deu não ter usado camisinha com Sebastian. E eu lá sabia que ele poderia mesmo me engravidar sendo um fantasma? Óbvio que não!
– O que você vai fazer? — pergunta ela.
– Eu vou ter o bebê.
– Isso eu sei, até porque eu não permitiria qualquer outra coisa. — ela coçou a cabeça, fechando os olhos. Ao abri-los nos fitou, séria. — Olha, vocês dois são uns irresponsáveis com titica de galinha na cabeça, sei que sexo é bom e, pelo que pude ver, vocês se amam. — Alan me deu uma olhadela, mas não tirei os olhos de sua mãe. — Mas já que fizeram, já que foi feito, não tem mais como voltar atrás. E Vic, como o bebê é de Alan também, ele vai te ajudar a cria-lo, não é? — ela fala virando-se para Alan. Ele assente e ela continua. — E então, como está aqui na minha casa por enquanto, vamos todos ajudar. — termina ela, olhando-nos séria e meio decepcionada com Alan.
– Sinto muito por tudo isso. — lhe digo. Ela assente, me fitando. Suspira e levanta-se do sofá, saindo de casa com Andy a tiracolo. Fecho meus olhos e relaxo ao lado de Alan. Ele tem a cabeça entre as mãos e parece pensar muito em algo.
– Você está bem? — pergunta ele virando-se para mim.
– Estou.
– Ela meio que reagiu bem, não?
– Pensei que ela ia me expulsar, ou me bater. — ele riu, e encostou-se no sofá junto comigo.
– Não acho que ela faria isso, eu a conheço há... Quase 18 anos, não é? — ele sorri, aliviado e ao mesmo tempo preocupado.
– O que faremos agora?
– Vamos fazer o que tivermos que fazer. Eu vou ta sempre com você Vic, não é a toa que falei que te amava. Eu a amo de todo meu coração.
– Me desculpa. — pedi, magoada comigo mesma.
– Pelo que? — pergunta ele, confuso.
– Por ter te falado aquilo tudo, eu não sabia que fazia tanto tempo. Eu não imaginava que você sentisse isso há tanto tempo e eu só sabia falar dele. Só sabia te encher com a historia dele e falar dele. Deve ter sido um martírio para você.
– Você o amava Vic, eu não podia fazer nada. Não podia obrigá-la a me amar, sabendo que você estava focando apenas em Sebastian. — me encolhi mais no sofá ao ouvir o nome dele. Sei que não tem nada a ver eu me sentir assim, mas, ao ouvir seu nome, passa imagens na minha mente, como um filme.
– Mesmo assim me desculpe, eu fiz você sofrer...
– Ei, para! Você não tem que se culpar de nada, eu não podia pedir que se afastasse dele, ele era a pessoa que você tinha que conhecer, ele era o espírito mais importante que você tinha que atravessar, as coisas que aconteceram em volta disso são meros fatos e coincidências que te ajudaram a fazer o que você foi destinada a fazer. Não é maldição Vic, não é macumba — eu sorri, apertando minha mão. — É apenas você. É você e pronto. Tudo que aconteceu era pra acontecer, e não seria importante se não tivesse sido com você. E tente entender uma coisa — ele para, se vira pra mim e pega minha mão. — A luz que você tanto fala para os fantasmas atravessarem para que tenham paz, pra mim, essa luz é você. Talvez tenha sido para Sebastian também, deve ser por isso que ele não quis ir. É simplesmente você.
Notas finais
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