Apaixonada pelo Mal
13 O Reencontro
Notas iniciais
Está em todos os jornais. Em todos os noticiários.
Houve outro assalto, desta vez ao banco central de NY. Falavam que a quantia roubada foi em mais de um bilhão de dólares.
Foi à primeira notícia que ouvi ao ligar a TV. Não estava acreditando nisso. Outro banco?! Como eles têm a audácia? O que fazem com tanto dinheiro?
Não era nem sete da manhã e Manhattan já está virada de ponta a cabeça.
Fui até a janela conferir a minha rua, tudo estava em paz, como sempre, bem diferente do que se passava na televisão. São coisas assim que me fazem admirar o conforto de estar em casa.
Enquanto tomava café-da-manhã ia acompanhando o que o noticiário passava.
Há única imagem que o departamento de polícia tinha era de dezoito homens encapuzados passando pelo corredor que leva a sala do dinheiro do banco central. Os criminosos sabiam a senha de todas as portas. Para completar eles destruíram todas as outras gravações, exceto essa, como se fosse uma brincadeira para a polícia, eles viram todos os assaltantes, mas não podem identifica-los.
A quadrilha de John tem seis integrantes pelo que percebi e para um assalto deste porte conseguiram mais pessoas e novamente não foram pegos. Uma coisa eu tinha que admitir, esses caras são demasiadamente argilosos, é incrível até onde eles conseguiram ir.
A única imagem que se tinha, mostrava como eles estavam preparados. Todos de preto, dos pés a cabeça, com luvas e toucas. Os bandidos também renderam os seguranças, congelaram os alarmes, mas de alguma forma fizeram que o sinal não chegasse a policia. É óbvio que alguém de dentro do banco está os ajudando e que eles têm um gênio da informática consigo, um hacker.
E tudo isso é mais para a polícia investigar, mais tempo gasto.
Desliguei a TV e fui tomar meu banho, hoje tenho plantão.
***
Para começar “bem” o dia os transportes coletivos estavam paralisados por causa do assalto, então tive que ir de carro e pegar todo aquele trânsito.
A apenas quatro quadras do hospital nenhum carro andava mais. Com muito esforço consegui sair dali, deixando meu carro em um estacionamento. Fui andando as quatro quadras até o hospital, para vocês terem noção do quão caótico está à situação.
Assim que passei pela recepção a atendente pulou da cadeira.
–Liv! Que bom que você conseguiu chegar! Estamos sem atendimento! Há três mulheres sem atendimento! Os médicos e as enfermeiras não estão conseguindo chegar! – Disse desesperada.
–Pode deixar! Vou dar um jeito de atendê-las! – Respondi depressa.
Peguei os formulários das pacientes e corri para o vestuário.
Hoje não vai ser um dia bom...
***
Não havia médicos para atender todas as pacientes. Eram dois obstetras, eu e mais quatro enfermeiras para atender nove pacientes.
Os médicos estavam desesperados. Ficou por nossa conta também fazer o trabalho deles. Tivemos que avisar as famílias a situação e isso só deixou todos mais nervosos.
Como funcionária da saúde posso negar trabalhar em um ambiente que não haja mais profissionais, responsáveis ou equipamentos, tudo que possa afetar o meu trabalho. Assim a responsabilidade se algo vier a ocorrer não caia sobre mim.
Mas eu não poderia fazer isso agora, aquelas mulheres e seus bebês poderiam ser prejudicados. Não me importo se algum familiar nos processar, não deixaria de tentar ajuda-los. Agora a muito mais em jogo do que questões profissionais.
Corri até a primeira paciente, entrando no quarto, apressada. Eu me apresentei e comecei a falar com ela.
–Fiquei calma, tudo bem? Sei que lá fora está uma loucura, mas se concentre aqui dentro! – Disse branda, mas firme — Por isso peço a sua colaboração e da sua família. Vou demorar um pouco para vir aqui, assim como o médico, mas nós viremos! – Disse colocando a luva, fazendo o toque – Você está com quatro centímetros de dilatação, por isso não se preocupe! Relaxe e descanse, vai demorar mais um pouco.
–Tudo bem! Tudo bem! Vou aguardar vocês – Disse a paciente com os olhos temerosos, concordando.
Eu assenti com a cabeça e corri para a minha paciente seguinte para repetir todo o mesmo processo.
***
Três pacientes. Estava responsável por três pacientes, e sozinha! Lá fora estava uma desordem, os telefones estavam congestionados, assim como o trânsito. A policia estava fechando as ruas para interceptar um dos assaltantes, foi o que me disse o marido de uma das pacientes.
Minha paciente número três teve que correr para a emergência, teria que fazer uma cesariana. Ela tomou muito meu tempo... A paciente número um não estava tendo muito progresso, então a pus para caminhar pelos corredores.
Já a paciente número dois...
–Está na hora – Eu disse a examinando.
Os parentes ficaram paralisados, mas logo reagiram. O marido e a mãe seguraram a mão da paciente.
–Relaxe! Respire! – Eu disse colocando outra luva.
Mari bateu na porta e entrou ficando encostada na mesma.
–Liv... A policia está aqui, eles estão exigindo falar com você – Disse tensa.
–O quê? Não! Não tenho a mínima condição de atendê-los agora! Os mande esperar! – Disse rapidamente – Agora querida somos eu e você! Esse bebê está pronto para vir ao mundo! Faça tudo que eu falar! – Disse agitada.
Em oito minutos tudo passou. Em oito minutos aquela mãe parou de chorar e seu bebê chorou preenchendo o quarto com aquele som.
Entreguei imediatamente o bebê para a mãe, que agora ria! Não havia mais dor, apenas felicidade. O pai cortou o cordão umbilical e eu comecei a limpar o bebê e fazer todos os procedimentos básicos.
***
Deixei minhas duas pacientes com outra enfermeira que havia acabado de chegar. Fiz outra higienização e desci até o subsolo do prédio para encontrar com os policiais, ainda tremendo pela agitação do dia.
Quando cheguei ao estacionamento vi dois agentes que reconheci imediatamente serem do FBI, por suas vestes, e Derik McGrey.
–Srta. Bennet somos os agentes Bowen e Monteiro, somos do FBI – Disse o homem negro e os dois mostraram seus distintivos.
–Por que vocês vieram ao meu trabalho? Tem noção como está aqui hoje?! Não posso simplesmente interromper o meu plantão para atender vocês! – Disse frustrada.
Eles vieram aqui! Em um hospital! É o cúmulo do absurdo...
–Nós sabemos Srta. Bennet – Disse o agente moreno, o Monteiro – Mas isso também é uma emergência.
–A emergência de vocês não se pode comparar à vinda de outro ser humano – Contestei friamente e eles ficaram em silêncio.
Derik não dizia nada, estava visivelmente perturbado com algo. Talvez não quisesse estar aqui ou por causa de nosso último encontro. Não sei dizer.
O agente Bowen pigarreou e voltei minha atenção a ele.
–Estamos aqui para leva-la para depoimento – Diz seco – A vigia que estava em frente a sua casa viu John Adam tentar entrar na sua casa esta manhã enquanto você estava no trabalho.
–Acreditamos que a quadrilha quer entrar em contato com você – Diz o agente Monteiro – Por isso sua presença e colaboração se tornou vital para o FBI neste momento.
–Então eu tenho que abandonar meu trabalho agora e ir com vocês? Simplesmente não posso negar isso? – Digo resignada e eles assentiram – preciso ligar para o meu advogado, isso não está certo.
–Não há nada de ilegal aqui Srta.Bennet – Diz o agente Bowen – Seu advogado pode encontra-la na sede da agência – Diz calmamente.
–Por favor, não complique as coisas Srta.Bennet – Diz Monteiro – A senhorita ira conosco por boa vontade – Diz pegando a algema do bolso.
Eu entrei em pânico — Boa vontade? Vocês vão me levar de qualquer forma!
Monteiro soltou o ar e pegou com braço com força, colocando-me a algema.
–Não faça isso! Não aja como se ela fosse uma criminosa! – Disse Derik furioso, tirando a mão dele de mim.
Acabei ficando com apenas a algema presa em um pulso, mas não foi isso que chamou minha atenção e sim ver John Adam caminhando em nossa direção.
***
Derik também deve tê-lo visto, ele olhou para mim rapidamente e me jogou no chão, só deu tempo de ouvir o disparo.
Dei um grito estridente quando Derik caiu na minha frente. Vi o sangue jorrando de seu ombro e engatinhei até ele para socorrê-lo.
–Não! Não! Volte! – Disse Derik e gritou de dor quando tentou se levantar – Derik conseguiu se ajoelhar e veio na minha direção – Atrás do carro, já! – Gritou.
O corpo dele ficou na minha frente, impedindo que eu visse o que estava acontecendo. Conseguia apenas ver a silueta do agente Bowen. Eles não paravam de disparar e eu estava completamente em choque.
Havia mais pessoas, podiam distinguir as vozes entre os xingamentos. Então houve um grito, era de um homem, e logo em seguida outro disparo. Foi quando vi o corpo do agente Bowen carro ao lado do carro.
–Não! – Gritou Derik furioso segurando o ombro e se inclinou para frente, mas parou.
–Saía de perto da minha mulher! – Gritou John aparecendo na nossa frente, apontando a arma para nós.
O cara loiro estava do lado dele, também armado. Ele chutou a arma do agente Bowen e antes que Derik a pegasse eu o empurrei e peguei a arma.
–Já chega! Já chega! – Eu gritei me levantando, ficando na frente de Derik, deixando a arma abaixada.
–Largue a arma, Olivia! – Disse o cara loiro apontando a arma para mim.
–Eu não vou atirar! – Disse sufocada – Chega de gente ferida! – Pedi e estava quase colocando a arma em cima de capô do carro quando vi o agente Monteiro.
Ele estava correndo em nossa direção cambaleante. Ele iria atirar neles. Quando ele vi o corpo de Bowen no chão, ele mirou imediatamente nas costas de John.
Eu não pensei, só atirei.
John se abaixou na hora, xingando, e correu na minha direção. O loiro também atirou em Monteiro, que estava caído.
–Solte a arma Liv – Pediu John desgrudando meus dedos da arma.
–John, eu... Eu... – Eu disse chorando.
–Eu sei querida, eu sei – Murmurou John tentando me acalmar, e guardou a arma.
–Ele iria atirar em você... – Sussurrei tão baixo que John teve que se inclinar para me ouvir. Eu tremia dos pés a cabeça.
–Você atirou nele, Olivia! – Gritou Derik, se levantando furioso.
John deu um olhar assassino para ele e sacou a arma.
–Eu vou matar você, seu filho da puta! –Sibilou John fora de si.
–Não! Chega! – Eu disse entrando na frente da arma. Podia sentir a quentura dela sobre meu peito – Por favor, não atirei nele!
O rosto de John suavizou um pouco e ele foi abaixando a arma. Assim que ele guardou a arma na calça voltou a me encarar com raiva. John me empurrou para o lado e chutou Derik, várias e várias vezes, até cansar.
–Eu vou te achar novamente, seu filho da puta! E vou te matar! – Disse John pausadamente cada palavra – E você vêm comigo – Disse pegando meu braço, me arrastando pelo estacionamento.
–Você vai deixa-lo vivo John? Ele é um tira! Vai depor contra nós! – Disse o loiro correndo para acompanhar os passos de John, que me puxava.
–Ah! Ele não vai! – Disse John perversamente – Não é mesmo, Olivia?
E eu o encarei em choque sem entender nada.
Havia três carros no fundo do estacionamento, havia vários homens e todos estavam armados. Eles nos encararam com as expressões imparciais e entraram nos carros.
John me empurrou para o banco de trás do carro e entrou comigo, se sentando ao meu lado. O carro ligou e acelerou. Os pneus chiando em contato com o solo e saímos em disparado do estacionamento.
–Aonde vamos? – Perguntei em pânico e John não me respondeu.
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