Apaixonada pela Morte (Lésbica)

4 Você me vira a cabeça


Você me vira a cabeça

Me tira do sério

Destrói os planos que um dia eu fiz pra mim

Me faz pensar porque que a vida é assim

Pov- Sophia

Entrei no meu carro com destino certo, precisava descontar minha raiva de alguma forma e nada como ligar para a única pessoa que poderia chamar de família. A ligação foi curta, mas logo me dirigi ao local aonde gostava de ir às vezes.

Não precisei de cerimônia ou apresentações, se havia ligado antes era sinal de que queria que tudo tivesse pronto. Guardei minha bolsa no armário, peguei os fones de proteção e me dirigi a segunda bancada, os alvos estavam no lugar e todos os tipos de arma estava a minha disposição em cada bancada e meu amigo já está lá com um sorriso descontraído no belo rosto.

— Vejo que a visita rápida de, Helena, não foi agradável! – Henrique, fala de forma debochada e atiro duas vezes no alvo acertando a cabeça. – Você seria uma ótima atiradora de elite! – Ele fala empolgado e se posiciona ao meu lado acertando outro alvo. – Deve ser um dom nosso. – Ele diz orgulhoso com o buraco feito em seu alvo.

— Como anda as coisas? – Falo mudando o foco da conversa.

— Você faz falta, as coisas não são as mesmas sem você lá. O estranho que o superior não falou nada sobre suas últimas ações. Ele anda muito silencioso por sinal. – Henrique, falava enquanto descarregava toda sua munição em um alvo. – Eu fico mantendo meus olhos e ouvidos abertos a qualquer passo ou algum sinal de que possa vir problema, para te falar. – Ele, se vira me encarando. – Mas infelizmente eu não tenho nada novo.

— Tudo bem, eu fico grata pela disposição e preocupação. – Esvaziou minha arma em um ponto e entrego nas mãos dele. – Porém não quero confusão para o seu lado, eu sei me cuidar, então não se arrisque de forma desnecessária.

— Eu não tô fazendo nada a mais do que você faria por mim. – Henrique, me entrega outra arma. – E como foi ter ela em sua vida novamente? – Ele dá um sorrisinho safado.

— Eu sinto como se fosse humana, com o coração pulsando mais rápido, como se podesse perder o fôlego mesmo tendo o oxigênio ao meu redor, como se o tempo podesse parar e tivesse apenas ela. – Me virei para um novo alvo e descarreguei a arma novamente. – Mas sinto que ela quer se afastar de mim, que não me quer por perto novamente e por alguns segundo penso que deveria seguir esse desejo dela. – Paro e respiro profundamente. – Mas meu lado egoísta não consegue mais se manter longe.

— Ela só deve estar com medo, mais se tem uma humana imprevisível que conheci é ela. – Henrique, tira a arma da minha mão e entrega um arco. – Armas, não fazem o mesmo efeito em nós do que faz com humanos. Precisa treinar nossas armas, assim não fica enferrujada.

— Quando vai descer, Henrique? – Perguntei, de forma despretensiosa pois ele sempre fugia dessa pergunta como eu antigamente fazia.

— Não preciso descer, Sophia. – Henrique, falou tão baixo e tão sincero que se não tivesse uma boa audição não teria escutado e lancei uma flecha no alvo. – Você realmente é uma das melhores, por isso faz falta. Poderia subir de cargo se assim fosse possível.

— Nós não guerreamos, só recolhemos corpos, não sei porque precisamos saber manusear tantas armas. – Falei e me virei para encarar ele. – Você sabe que todos precisam passar pela experiência, então como pode ter tanta certeza que não vai descer?

— Eu já vim a terra a muito tempo, já tive a minha experiência. – Ele recolheu as armas e as guardou de forma tão rápida a olho humano, era como se tudo sumisse em um passe de mágica. – Não achei necessário que soubesse antes, bem um dia de conto como foi, por hoje basta. – Henrique, sorriu e desapareceu na minha frente e escutei um barulho de alguém se aproximando.

— Sabe moça, não é só porque tem dinheiro que pode alugar todo espaço e não deixar ninguém usar. – Uma voz feminina e brava falou em minhas costas. – Só pra constar seu tempo pedido de privacidade total acabou.

Me virei só pra constar que a voz conhecida, era a mesma pessoa que perturbava a minha mente. Estar ao lado do meu amigo fazia o tempo ser diferente e isso me deixava meio sem noção das horas, mais assim como um ímã, ela era trazida em minha vida por puro acaso ou destino. Seus fones no pescoço, óculos de proteção apoiado em sua blusa, com roupas tão casuais que me lembrava a primeira vez que a vi, seus olhos transmitia surpresa, porém sua postura se manteve intacta.

Simplesmente, Aline, não esperou uma resposta e se dirigiu ao estante que estava a minutos atrás. A maneira como ela manusiou a arma, sua postura e o buraco certeiro no alvo, constatei alguns pontos. Primeiro, ela já deve fazer isso a um tempo. Segundo, ela deve estar muito puta comigo. Terceiro, ela fica malditamente sexy atirando.

Pensei em ficar e apreciar a sua companhia, mesmo ela mantendo toda sua postura de não querer conversa. Olhei pro relógio na parede, já estava tarde e não queria a pressionar mais do que já foi feito hoje, nós merecíamos um tempo para organizar as coisas. Então, respirei fundo e sai daquela sala, pegando minhas coisas no armário e indo pro meu apartamento.

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Pov- Aline

Voltar alguns hábitos antigos, isso se passava na minha mente enquanto eu corria na esteira e ficava indignada com a resposta da recepcionista.

— Tem algum estande de tiro disponível? – Perguntei, já sabendo que pelo horário teria vários, mas a resposta que obtive me deixou surpresa.

— Só daqui a duas horas. – A secretaria falou sem me olhar e continuo a fingir que estava trabalhando na tabela, mas eu vi a aba das redes sociais abertas assim que entrei.

— Mas se por acaso alguém sair antes, eu estarei na esteira é só me avisar. – Falei educadamente e ela enfim olhou para mim, como se fosse explicar a teoria revolucionária do universo.

— Tem apenas uma pessoa atirando, e ela alugou todas as cabines por no mínimo duas horas, quando esse prazo passar você pode entrar. Antes disso ela tem total acesso a sala sem ninguém pra perturbar. – A secretaria, falou e digitou algo no computador. – Mas nossa academia do primeiro a terceiro andar está disponível, as salas no quarto andar de lutas também tem vagas. Mas se preferir pode ficar esperando naquele banco ou andando na esteira a hora passar.

Eu queria esganar a pessoa egocêntrica e mimada que alugou o espaço do quinto andar todo, isso deveria ter custado uma fortuna, mas cada louco tem um prazer diferente, porém hoje só queria atirar em algum alvo pra ver se clareio um pouco minha mente. O dia de hoje foi cansativo emocionalmente, pois eu sei que teria que mudar de país, casa e estilo de vida. Estava me sentindo cansada só de pensar em me adaptar novamente, e o que mais me perturbava era pensar que isso me levaria a garota que pensei ter ficado no passado, nem sei explicar porque estava tão irredutível em aceitar ela novamente, só que luzes vermelhas se acendiam de alertas em minha mente com ela tão próxima novamente. Deveria ser os cabelos ruivos dela que me alertava do perigo, a forma como ela anda e fala, o jeito que exala poder e que a torna tão irresistível, quando nossos olhos se encontram e me perco neles.

Decido que o melhor seria eu caminhar e correr um pouco para que o tempo passasse mais rápido, o que no fim só me deixou com mais raiva, pois correr me ajudava a pensar, mas precisava muito descontar minhas frustrações em um alvo. Então, quando enfim o tempo passou eu entrei na sala e vi uma mulher de costas, senti que deveria descarrega nela um pouco da minha raiva o que me serviu muito bem, pois assim que ela virou percebi que não era alguém desconhecido e sim a pessoa que estava confundindo minha vida.

Senti meus poros reagir a um simples olhar que ela me lançou, podia sentir os pelos da minha nuca se arrepiarem e não ter o controlo sobre minhas reações me deixava com raiva, o que ela tinha de tão diferente? Não esperei sua resposta e me encaminhei ao um estande e me preparei pra atirar. Senti seu olhar em mim, mas mantive fortemente meu corpo na mesma posição e só quando ela saiu que percebi que estava segurando o ar em meus pulmões.

Se meu corpo reage a ela assim agora, imagina quando conviver com ela em minha vida? Será que devo me envolver?

Notas finais
Olá, Acho que faz muito tempo que não apareço por aqui... Sinto muito para quem acompanha, só que essa fic tem um peso maior no meu emocional e vou tentar voltar a escrever ela novamente.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.