Apaixonada Por Um Deus
1 Capítulo 1 - A caminho de casa
Notas iniciais
Já fazia quase meia hora que estávamos naquela nave. Gwen a pilotava tão bem quanto Kevin. Talvez até melhor.
— Estamos na metade do caminho. – ela avisou – Já estão prontas?
Camila e Sam se entreolharam e perguntaram:
— Onde podemos nos trocar?
— Tem uma porta automática à direita. – Gwen respondeu sem tirar os olhos do espaço à frente — Apertem em um botão verde ao lado dela e ela se abrirá.
Com isso, as duas remexeram nas suas malas, pegaram algumas malas e correram para a porta sobre a qual Gwen havia falado.
— Não entendo por que vocês não vieram preparadas. – Gwen murmurou para mim – Você não sabe que nessa época do ano neva?
— Claro que eu sei né, Gwen? Até parece que eu não morava na Terra. – retruquei – Além do mais, hoje foi à inauguração do Templo de Apolo e segundo as tradições, nós devíamos nos vestir para tal ocasião.
— Hm... O que houve com o seu bom humor garota? Vamos lá! Anime-se! O que aconteceu para você estar tão brava?
— Will.
— O que?
— Will foi o que aconteceu. Ele era meu namorado e a gente terminou no dia da minha luta com Vilgax. Eu o peguei beijando a Sam.
— Ah! Mas isso foi ano passado! Estamos em 2013 agora, esqueceu?
— Eu sei, mas antes de eu entrar na nave ele me viu.
— E?
— Ele tentou me fazer ficar e até me beijar, mas eu o empurrei e entrei correndo aqui na nave.
— Esquece isso, Ok? Desfaz essa cara emburrada e melhore esse humor. Você está parecendo o Kevin quando está emburrado!
Eu juro que não queria ter rido naquela hora, mas não consegui aguentar. Eu parecendo com o Kevin? Como assim? Que tipo de comparação era aquela?
— Sua vez Lana! – Sam disse surgindo atrás de mim e dando um tapinha no meu ombro
— Que roupas são essas garotas? – Gwen perguntou incrédula
Ela ficou tão impressionada com a moda outono-inverno de Hélade que apertou no botão que ligava o piloto automático, levantou da poltrona do piloto e parou na nossa frente para encarar as expressões de confusão de Sam e Cam.
Deixe-me explicar porque a Gwen ficou tão surpresa. Quando Cam voltou para o que seria o “salão principal” da nave, ela usava um vestido longo e preto feito com um tecido realmente muito grosso, uma camisa de manga comprida cinza-escura por baixo do vestido, uma touca da mesma cor, luvas negras e uma bota de couro também negro. Já Sam, usava um casacão de uma pele que parecia ser de urso, uma camisa de manga comprida branca, uma calça com um tecido bem grosso e botas também feitas de pelo de urso. As mãos dela estavam cobertas por luvas de couro marrom-escuro e havia uma touca da mesma cor na sua cabeça. Esse tipo de roupa, não era comum nos Estados Unidos, então Gwen estranhou tanto.
— Depois que nós chegarmos à Terra vocês duas vão ao shopping comigo. – Gwen avisou – Suas roupas até combinam, mas esse estilo é muito antigo. Lana! Não vai se trocar não?
Levantei do banco rapidamente, peguei minhas roupas e corri para a porta de onde Sam e Camila havia saído. Porém, no meio do caminho, tropecei na barra do meu vestido branco e dourado e caí de cara no chão.
— Ah meus deuses! – Cam gritou – Lana! Você está bem?
Em resposta, eu comecei a rir e me levantei de uma só vez. Fazia um bom tempo que eu não podia me levantar rápido assim. Foi tão bom tirar aquele maldito gesso! Eu sei que você não pode me ouvir, mas mesmo assim, OBRIGADA EVE! Obrigada por livrar de mais um mês inteiro com aquele maldito gesso!
— Estava demorando em ela fazer uma coisa dessas... – Gwen murmurou
Ainda rindo, abri a porta e entrei em um lugar que parecia um banheiro normal, mas tinha o dobro do tamanho. Na parede, havia um espelho de corpo inteiro e eu encarei meu reflexo. Uma garota de olhos azuis, usando um vestido longo de um ombro só,branco e dourado, sandálias gregas e com uma trança loira, enfeitada com pequenas flores brancas, que caía pela frente do ombro direito me encarava com um sorriso no rosto. Deixando meu reflexo de lado, troquei o vestido e as sandálias por uma calça jeans que vesti por cima de uma calça de malha grossa, uma camisa de manga comprida cinza, um sobretudo preto, botas de cano médio pretas, um par de luvas cinzas, uma touca da mesma cor e o cachecol que preto e prata que meu pai havia me enviado via Hermes no Natal.
— ESSE é o tipo de roupas que usamos no inverno! – Gwen disse com ênfase no “esse” e apontando para mim quando voltei para o meu assento no fundo da nave.
— Dê um desconto a elas Gwen! – eu disse – A nossa moda não é conhecida em Hélade. Lá nós usamos basicamente vestidos e sandálias. Exceto a Sam, mas é porque ela é rebelde.
— Hey! – Sam protestou – Não é porque eu gosto de usar calças e botas de cavalaria que eu sou rebelde! Eu não sou rebelde!
Camila revirou os olhos e eu comecei a rir.
— Galera! – Gwen chamou e apontou para frente – Estão vendo aquela esfera azul bem ali? Aquela manchada de marrom, branco e verde?
— É a Terra? – Cam perguntou curiosa
— É sim! – respondi com um sorriso
— Nossa! Parece muito com Hélade! – Sam comentou
— Quanto tempo para chegarmos, Gwen? – perguntei
— Dez minutos. – ela respondeu – Sugiro que voltem para seus assuntos e apertem os cintos. Daqui a pouco pousaremos.
Cam e Sam voltaram para seus acentos e me encararam com sorrisos largos e bobos no rosto. Confesso que eu também estava um tanto ansiosa para chegar em casa. Queria ver meu pai, conversar com os meus amigos, conhecer Isabelle, voltar para a escola, passar parte das férias no Acampamento Meio-sangue com Sam e Cam, comer as panquecas do meu pai e assim que chegasse em casa, me jogar na minha amada e fofa cama.
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