Apaixonada Pelo Garoto Nerd- Ciriquina

13 Capítulo 13 : Mais Difícil Do Que Parece


Notas iniciais
Calma gente eu estava bastante ocupada com trabalhos e provas mais aqui esta um capítulo pra vocês. Boa Leitura

Em cima da mesa de madeira MDP branca, meu celular vibra. Eu o agarro curiosa com a mensagem e um sorriso se forma nos meus lábios cheios de gloss cor-de-rosa :

Valéria : Dá pra imaginar que Vera,ilha vizinha, reclamou da festa de ontem? Por sorte, meus pais não ligaram. Que velha mais chata!

Solto uma risadinha ao me lembrar da festa de ontem à noite na casa de Valéria. O time de futebol americano e as Cheerleaders foram. Até mesmo Margarida estava por lá, mas ela manteve distância de mim e de Jorge, o que foi ótimo. O chato mesmo ocorreu com Paulo, que apareceu acompanhando Jorge, mas não ficou muito tempo, certamente incomodado por estar na casa de Valéria. Eu não os vi conversando e algo está me perturbando muito nessa história.
Clico na tela para digitar uma resposta, e Cirilo puxa meu celular. Olho para ele e faço cara de brava, além de fazer um enorme bico.
–Ei, me devolva!
–Vou confiscar até você terminar seu exercício de trigonometria -Cirilo me diz, como se fosse um professor no meio da aula.
– Não quero fazer isso agora; estou trocando mensagens importantes com a Valéria — resmungo. Por que ele precisa ser tão chato?
– Ei! Foi você que me chamou aqui para início de conversa — Cirilo balança o celular na frente do meu nariz.
– Tá, tá — Bufo, enchendo as bochechas de ar, e apoio os dois cotovelos na mesa.
Gosto quando tiro Cirilo do sério, mas isso agora é totalmente diferente : ele está aborrecido e lançando olhares de desaprovação para cima de mim. Então, coloca o meu celular dentro de sua mochila verde horrível que deixou em cima da mesa e de onde tirou os livros que trouxe para estudar comigo. Estamos em uma das seletas de estudo da biblioteca escolar, sem janelas para olhar o movimento na rua, silenciosa de um jeito que me desespera, e há uma luz piscando intermitente que me causa dor de cabeça. Pego meu lápis cor-de-rosa com bolinhas brancas e é encaro o exercício de matemática que Cirilo já me explicou como resolver, mas já esqueci.
Sem saber o que fazer, ocupo — me em não fazer nada e começo a desenhar florezinhas na lateral da folha. O que será que Paulo fez com Valéria? Ou será que foi o contrário? Valéria fica perseguindo Paulo com os olhos durante o intervalo; com certeza a festa que ela deu foi uma desculpa para falar com ele. O que será que eles conversaram? Eu me distraí do drama da minha amiga e me concentrei no meu próprio : mostrar para Margarida que Jorge tem dona. Fiquei o tempo todo com Jorge, abraçando — o e ouvindo as chatas conversas de garotos sobre jogadas ou o uso de estratégia qualquer — coisa para vencer o jogo. Não prestei muita atenção ao que eles estavam falando, mas me certifiquei de que não faltaria cerveja na mão de Jorge... O que foi um problema! No fim da festa, ele estava bêbado demais para me levar para casa e eu peguei um táxi.
– O que você está fazendo? — a voz arranhada de Cirilo corta minha concentração. Levanto a cabeça, sem desapoiar o queixo da mão, e olho para ele.
– O quê?
– Você ainda nem calculou o seno e o cosseno; já te dei as fórmulas.
– Humm — Ah, é. Estou estudando trigonometria.
Respiro fundo e olho para as fórmulas anotadas em um outro papel. Cirilo as escreveu para mim em uma folha de seu caderno. A letra dele é um pouco garranchada, como quem escreve sempre com pressa. Combina com ele, já que nem o cabelo costuma pentear direito e as roupas que usa parecem sempre as primeiras que ele acha de manhã, sem preocupação de se arrumar.
Sabe o que ele está usando hoje? Uma camiseta preta puída com uma dessas piadas nerds que não fazem o menor sentindo, com um " i " dizendo " Seja racional " e um símbolo de matemática ( acho que é pi ) dizendo " caia na real "; aquela jaqueta que ele usou a semana toda, verde exército e jeans cinza — escuro que, pelo menos, não é o mesmo de ontem. Concluo que as calças ele lembra de lavar.
Bato a ponta do lápis no que deveria ser o espaço destinado para meus cálculos. Sem qualquer vontade de estudar, parece tão chato ficar fazendo exercícios. Matemática não é nada divertido. Olho para o lápis a acabo analisando minhas unhas, que estão um pouco tortas. Ai, melhor eu lixá-las. Solto o lápis, pego minha bolsa, abro, procuro minha nécessaire e tiro minha lixa de unhas. Antes que eu consiga começar a lixar, Cirilo puxa a lixa de mim.
– Ei! — reclamo.
– Não acredito, Maria Joaquina — Ele diz aborrecido, as sobrancelhas se escondem curvadas para dentro de sua armação de óculos. Eu me encolho — Se você está com dificuldades, tem que perguntar, não ficar se distraindo com qualquer coisa.
– Ai, tá, desculpa — Torço a boca — Não estou com dificuldades, só estou achando chato... Como é que você aguenta matemática, hein?
– Não acho chato. Acho bem divertido.
– Divertido? Como um bando de números pode ser divertido?
– Gosto do desafio que proporcionam — Ele explica simplesmente. Não me relaciono com isso, nem um pouco.
– A maioria dos cálculos que os professores ensinam, nunca os usaríamos para nada. É uma perda de tempo.
– Não é uma perda de tempo — Ele ri e se inclina por cima da mesa, pegando meu lápis — Por exemplo , esse cálculo um engenheiro usou para se certificar de que o avião iria decolar e não cair no chão, com a inclinação correta.
– Parece útil.
– Muitos cálculos servem para várias coisas no dia a dia — Cirilo me explica calmamente — Como os cálculos usados por algum sistema de navegação via satélite.
– Quer dizer um GPS?
– Sim, um GPS.
– Isso é muito chato, ainda assim.
– Mas e quanto à música? Você gosta de música?
– Quem não gosta? — Que pergunta idiota.
– É, tem razão, acho que todo mundo gosta de algum tipo de música — Ele ri e se aproxima mais, riscando meus cálculos de cabeça para baixo. Acho incrível como sua letra parece mais bonita quando ele escreve assim do que normal.
– Humm. E como a trigonometria pode ser usada com música? — Ergo os olhos para ele, curiosa.
Nossos olhares se cruzam, sem a lente dos óculos de Cirilo entre nós. Ele está me fitando por cima da armação de um jeito que recebo todo o calor do seu olhar castanho-escuro e magnético. Eletricidade atravessa todo o meu corpo e me esquenta. A proximidade de Cirilo causa um desconforto agradável, como se rolasse uma tensão energética no meio de nós.
– Construção. Engenheiros costumam estudar a propagação do som para criar uma sala de auditório. Esse cálculo tem bases na trigonometria — Em seus lábios finos, um pequeno sorriso, e posso analisar a linha do seu nariz.
Não tinha reparado antes, mas Cirilo tem um nariz bonito, empinado e fino. A maioria tem nariz grande demais ou pequeno demais para o tamanho do rosto, mas não Cirilo, cujo nariz se encaixa perfeitamente no rosto, fazendo a ponte entre seus olhos. Será que um Nerd pode ser bonito?

Notas finais
Sinto cheiro de romance no ar. Quem diria a patricinha que o desprezou agora repara no detalhe do seu rosto! Cadê a Majo de antes? Quer saber o que vai acontecer? Não perca o próximo capítulo. Beijos e Tchau
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.