Notas iniciais
Espero que gostem
Boa leitura

Encaro meu armário no corredor do colégio e meu maxilar trava de raiva. Posso ver a pontinha do envelope amarelo de uma cartinha de amor escapando pelo vão da porta vermelha. A raiva é tanta que nem escuto mais o som típico das batidas de portas frenéticas da troca de sala. Giro a chave, abro a porta e pego o envelope no ar antes que ele escorregue para o chão.

-Awm, mais uma cartinha do seu admirador secreto?- Do meu lado , Valéria se escora no armário

Eu tenho um admirador secreto. Aliás, esse não é meu primeiro v secreto. Aborrece-me um bocado esse tipo de atitude. Cartas são para perdedores sem coragem de vir falar na sua frente o que realmente sentem.

Porque uma garota como eu se apaixonaria por alguém que não tem coragem de expor seu sentimentos? Exatamente,uma garota como eu não se apaixona assim. É preciso mais do que isso para me impressionar.

-Que droga -resmungo e seguro com força nas extremidades do envelope, puxando e rasgando o conteúdo sem ler.

-Poxa, não vai ler? Assim você fere o coraçãozinho dele!-Valéria faz biquinho e cara de chateação,com as duas mãos juntas ao peito, mas ela só está encenando e me deixando com raiva.

Minha amiga é morena, com pernas capazes de deixar os garotos malucos. Ela está usando nosso uniforme de animadora de torcida:saia preta, blusinha branca e meias 3/4 pretas.

Hoje vai ter treino, mas confesso que só participo por causa de Joreceber Cavaleiro . Minhas pernas tremem só de pensar nele! Ele é veterano (eu sou caloura) e quarterback do time do colégio. Além de ser lindo, ter olhos azuis encantadores e um sorriso de me fazer derreter. Bem, eu e todas as meninas do colégio, claro. Jorge Cavaliere é o sonho de consumo de todas as animadoras de torcida e vizinhança. Tento chamar a atenção dele desde o início do ano, quando entrei para o time de animadoras, mas sem sucesso. Jorge Cavaliere está grudado em Margarida. Eles andam já há duas semanas, e meu coração está em pedaços.

Acho que é por isso que essas cartas de amor me irritam tanto. Por que esse cara anônimo gosta de mim e enxerga minhas qualidades quando a pessoa que eu quero que me enxergue não o faz?

A vida é bem injusta.

-Ele fere minha dignidade!-retruco.

Valéria explode em risadas. Pego meus livros para o próximo período e meu lanche, uma maçã que trago de casa. Guardo no bolso atrás da minha calça jeans dinheiro para um café, fecho a porta do armário , tranco-a e começo a caminhar com Valéria pelo corredor cheio de alunos.

Os meninos viram a cabeça em nossa direção.

- Você podia vestir seu uniforme mais perto do treino, não é? — Revirou os olhos

Pra quê? O melhor de tudo é deixar os meninos sem graça! -Valéria acena para um garoto que morde a boca e confere todo o corpo dela com os olhos castanhos . Ui, bonitinho — Parece de olhar, Daniel Zapata é meum

-Pode ficar com ele!- Dou risada.- Ouvi dizer que ele coleciona as calcinhas das meninas com quem ele fica. Usadas

-Aí que nojo!- Valéria ri, cobrindo a boca com a mão, me dá um tapa no braço. -Você não presta.

Mas é verdade! Cármen que disse- Sacudo os ombros

Esqueça Daniel Zapata! -Valéria risca seu pretendente da lista- Não quero minha calcinha em nenhuma coleção.

-Bem, você pode sair com ele sem calcinha! -Belisco o braço dela.

-Isso sim é uma boa idéia! Vou falar com ele agora. -Valéria ameaça girar o corpo e fazer o caminho de volta até Daniel Zapata.

-Não! -Eu a puxo pelo o braço.-Não vou deixar você sair com ele; você tem que sair com Paulo.

-Paulo?

Dou de ombros enquanto entramos na cafetaria. O local está cheio de gente, a fila não tão grande e, no canto, um grupo de garotos do time de futebol americano.

Aponto o rapaz bronzeado de olhos castanhos claros para Valéria

-Paulo Guerra — Digo , cobrindo a boca e aproximando-me da parelha dela .

-Oh, entendi aonde a senhorita quer chegar. Quer me empurrar para o melhor amigo de Jorge Cavaliere para chegar até ele.

-Exatamente.- Abro um sorriso cara de pau.

Valéria olha por cima do meu ombro esquerdo avaliando Paulo, que da última vez que conferi estava dando um gole no café, segurando o copo perto da boca de um jeito que enrijecia os músculos bronzeados de seu braço.

-Paulo até que é bonitinho; vou pensar no caso — Valéria pisca um olho e morde a língua brincando, e entendo que ela já topou chegar até ele.

Acho que eles formam casal bonitinho, além de me ajudar a chegar a Jorge e , de quebra, destronar Margarida de seu posto. Fala sério! É tão clichê que a capitã da líder de torcidas saia com o quarterback do time.

Peço um café com leite gelado, sem açúcar e sem Chantilly, no maior copo que eles vendem. Valéria pede a mesma coisa, mas coloca uma dose extra de essência de amêndoas. Sentamo-nos a uma mesinha estrategicamente posicionada, pois nos dá uma ampla visão da mesa dos meninos. Jorge me vê, lanço-lhe um sorriso e aceno, ele sorriu de volta. Aí, aí, vou derreter

-Você é impossível! -Valéria aperta meu braço e me traz de volta à realidade

-Eu sou. — Dou risada e mordo minha maçã.

Quero muito que Jorge me convide para o baile, mas acho que isso não vai acontecer. Ainda mais agora que todos andam vendo-o com Margarida depois dos jogos (eu já os vi umas duas vezes ).É estressante.

Ficamos ainda por um tempo conversando sobre nada e sobre tudo, coisas de garotas, como roupas, música, o trabalho de literatura que estamos fazendo em dupla e aonde iremos passar as férias no final do ano. Vou viajar com meus pais;será perfeito

-Oh. Meu. Deus, Maria Joaquina! -Valéria me interrompe enquanto falo sobre o roteiro que pretendo cumprir em Nova York com meus pais -Não olhe agora, mas o Nerd está vindo falar com você

-Hã?

Notas finais
Meu Deus o que será que acontecerá?
Veremos no próximo capítulo
Beijos e Tchau