Apagando as Sombras
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Talvez fosse quinta ou já era sexta-feira? Tudo que Orion sabia era que já era dia vinte e evitará a todo custo tirar a duvida que pairava em seus pensamentos. Ele gostava da ansiedade percorrendo seu corpo e por mais que negasse da duvida em sua mente, o corroendo pouco a pouco.
Ainda era noite na parte mais escura da madrugada quando se duvida que teria um novo amanhã. A gata dormia ao seu lado e seu ronrono baixinho entoava uma canção de ninar que o embalava. Os olhos estavam fechando, os músculos relaxados e a mente distante entrava em um sonho. Então o clarão surgiu diante dos olhos acordando o corpo que estava dormindo. Quando leu a mensagem a mente estava desperta procurando uma resposta.— O que faz acordada? — Enviou a ela tentando fugir da pergunta.— Eu acordo cedo as vezes e fico na cama até dar o horário de me arrumar. Ele podia ver os olhos cansados e imaginar os cabelos desgrenhados. — Mais você não respondeu a pergunta! Vai hoje na festa?Como um passe de mágica um sorriso se formava em seus lábios, e ainda não sabia o que responder e como qualquer tolo respondeu uma pergunta com outra.— Você vai só pra me ver?Assim que ela visualizou o coração bateu forte em seu peito e em alguns momentos teria parado ou era apenas impressão sua. Mas a tortura só aumentava enquanto aparecia digitando e parava do nada.Quem sabe ela não soubesse o que responder assim como ele ou tinha caído no sono? — Vá e descubra...— Talvez eu vá. - Respondeu rapidamente. Ansioso pra ver aonde a conversar daria. Assim que Kassia recebeu a mensagem a bateria acabou deixando o quarto em total escuridão. Enquanto "eu só vou por você" ecoava em sua mente. Não demorou muito pra acordar. O despertador gritava com sua luz neon vibrante em um tom vivo de vermelho avisando que dormirá um pouco mais do que deveria. Os olhos cansados foram forçados a abrir com tanta água que quase foram afogados. O corpo precisava de mais algumas horas, pena que não teria. Não agora...O professor Afrânio recitava um mais poema, tão antigo e velho quanto qualquer fio branco de seu cabelo grisalho, quando Orion entrou na sala. Os olhos do ancião o perseguiram até sentar em uma carteira isolada e assim que percebeu que cruzavas os braços pra dormir sobre eles lhe dirigiu a palavra.—Essa aula não é pra dorminhocos e sim para leitores.O menino virou pro outro lado fitando a parede de um cinza fosco e desbotado ignorando o velho com um prazer quase sórdido.—Esta me ouvindo? - Questionou o homem se aproximando. Era nítido o som de seus passos a carteira do jovem que procurava uma uma posição confortável. — Deixe de gracinha menino e preste atenção no poema que estou recitando!Orion o fitou intrigado e buscando algo em sua mochila retrucou ao professor.— Essa aula é para leitores e não para se fazer recitais. - E achando o que procurava entregou ao docente. O rosto pálido do homem que mais parecia uma folha desbotada ficou corada de raiva e quem sabe de um profundo ódio também. — Você esta por um fio Orion não se surpreenda se lhe expulsar das minhas aulas. - Informou quase rasgando o cartão em suas mãos.— Eu não me importo, mas sou um dos poucos que leu todos os livros da sua grade e sabe do que esta falando. - Ele coçou os olhos e tornou a fitar o professor alheio a tudo que dizia.O professor estava a ponto de dizer o contrário, porém o cartão da biblioteca o impedia e quase sem argumentos sua mente arquitetou um novo plano de ataque.— O que acha se eu te proibir de ir a festa de hoje? - Havia um sorriso sínico e vitorioso adornando os rosto do velho.— Isso só importaria se eu fosse a festa... - Respondeu depois de um bocejo indiferente a ameaça.— Pra fora! — Gritou o homem mal contendo a cólera que percorria o corpo.Orion se levantou resgatando a bolsa da carteira e um tanto cansado saiu da sala.— E não ouse entrar em mais nem uma aula minha! - Informou assim que o menino virava o corredor.— Então terei aulas de português de verdade! - Provocou o jovem antes de sumir da vista do mais velho.Não era do feitio de Orion procurar por pessoas, mais era isso que fazia duramente o recreio. Claramente ele não perguntou por ela e como em qualquer drama policial isso seria suspeito e contraditório, pra ele.Ele desistiu depois de olhar em todos os cantos possíveis. Se convenceu que desejava ver a expressão dela quando dissesse a frase que ainda ocupava sua mente. Era apenas a curiosidade movida por um receio nato e duvidoso, era o que dizia pra si. Talvez a verdade fosse dura demais ou tão clara que não conseguia enxergar nada além de seu reflexo confuso.
Estava jogado em um Puff enquanto a mente se agarrava em um livro pra não tornar a ela ou melhor pra não dormir, assim concluía ele. Talvez ela não tivesse vindo e tão pouco viria hoje de noite. Eram conclusões simples que lentamente o faziam viajar para longe do livro.A porta abriu vagarosamente mais não sem seu rangido e algo nele queria que fosse ela atravessando. Mas tudo que viu foram os olhos de desprezo assim que o viram.— O que faz aqui? - Questionou sem perceber o quão obvia era a pergunta.Orion hasteou o livro e o balançou como resposta enquanto um sorriso arqueava os lábios.— Pra fora... - Pediu o homem tentando se controlar.— Não pode fazer isso. Ele só esta lendo. — A bibliotecária tentou intervir, mas nada faria que Afrânio mudasse de opinião.— Ele é dessa turma e cuido dos meus alunos da forma que eu quero. -Respondeu o ranzinza. — E aliás pra diretória. - Se dirigiu a Orion que cruzava a porta.Assim que chegou Vilma o fitou de soslaio e antes que o jovem sentasse questionou.— O que te trás aqui — Afrânio... - Respondeu vagarosamenteesperando que o nome fosse auto explicativo. — Sabe que por sua reincidência posso proibir sua entrada na festa. -Ela se virou por completo para vê-lo melhor.— Sei... — Repetiu ele com o sorriso nos lábios sabendo que indiferença não funcionaria com ela.— Agora volte pra aula e faça as pazes com ele. - Antes que você crie raízes aqui.— Dessa vez ele me proibiu de frequentar suas aulas.- Havia um felicidade contida para a próxima ato do teatro. — Agora você pode me mudar de turma e terei aula de português de verdade.A diretora ergueu os olhos da pilha de papeis a sua frente para encará-lo mais uma vez.— E os seus amigos? E colegas? Com certeza sentiram a sua falta.— Eu não tenho amigos e na maioria das vezes meus colegas só me procuram pra conseguir respostas. - Respondeu de forma automática e incisiva.— Se é isso que quer vou ver o que posso fazer agora vá fazer volume em outro lugar. — Disse gesticulando com os braços enquanto o expulsava . — É não fique vagando pelos corredores. - Pediu antes que ele atravessa-se a porta.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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