Aos olhos de Augustus Waters

2 1° Capítulo - Montanha-russa que só vai pra cima.


Era uma quarta-feira, ficar em casa, pra mim, era melhor coisa a fazer, mas eu tinha que acompanhar meu amigo Isaac a um saco de Grupo de Apoio a Crianças com Câncer, era definitivamente um saco. Cheguei bem cedo pra ver as pessoas que chegariam, até que, eu vi uma linda menina chegando, ela não era gostosa, nem tinha um cabelo bonito ou coisas do tipo, mas alguma coisa me chamou atenção nela, talvez seja a camiseta amarela de uma banda na qual eu não conheço, ou as cânulas de oxigênio e seu cabelo cortado estilo Príncipe Valente.

Ela sentou ao lado do Isaac a duas cadeiras de mim, não consegui tirar os olhos dela, ela já estava começando ficar vermelha, fiquei surpreso quando ela resolveu me encarar, mas confesso que gostei, não me contive e sorri desviando finalmente meu olhar dela.

Várias pessoas se apresentaram, mas sinceramente, não prestei atenção em nenhuma delas, queria apenas conhecer aquela menina. Hazel, 16 anos, só isso que eu sabia, até agora...

– Talvez você queira falar sobre seus medos? — perguntou Patrick, o tutor ou sei lá o quê , que tinha perdido as bolas

– Meus medos?

– É

– Eu tenho medo de ser esquecido — aquela frase entrou na minha mente e me fez refletir, minha vida inteira passou por meus olhos, como quando a gente morre. Mas eu estava bem vivo.

Isaac até tentou alguns argumentos mas que não deram certo, Patrick também, até que Hazel quis se pronunciar...

– Vai chegar um dia que todos nós vamos ser esquecidos, não vai restar uma pessoa pra lembrar de nós ou se importar com isso, tudo o que fizemos ou deixamos de fazer vai ter sido inútil, nós não vamos viver para sempre muito menos nas lembranças das pessoas, agora se o esquecimento humano te incomoda sugiro que esqueça.

Assim que ela acabou de falar fez-se um silêncio, um sorriso sincero se abriu em meu rosto meio sem querer.

– Caramba — disse notavelmente baixo — você é demais! — ela era mesmo demais.

No fim da reunião Patrick fez a oração final e listou os nomes das pessoas que já participaram do grupo e partiram para o lar de cima, quando acabou fui falar com Hazel.

– Qual seu nome?

– Hazel

– Isso eu sei, mas nome completo?

– Ah, Hazel Grace Lancaster — lindo nome.

Isaac me interrompeu e por um instante fui falar com ele.

– Não pensei que fosse tão chato

– Eu te disse

– Por que vem aqui?

– Ajuda um pouco — ele parecia feliz, são os únicos amigos dele, eu acho.

– Ela vem sempre aqui? — perguntei meio alto talvez Hazel tenha escutado

– Com menos frequência que eu

– Talvez você queira dizer a Hazel sobre sua ida ao médico? — disse razoavelmente alto a fim de puxar assunto com Hazel

– Ah Claro... — então Isaac contou como adoraria ficar surdo ao invés de ficar cego. — Então ele disse: Boa notícia, você não vai ficar surdo. Bem eu preferia...mas eu já vou indo, Monica prometeu me encontrar no estacionamento, até mais.

– Literalmente — disse

– Literalmente?

– Estamos literalmente no coração de Jesus

– Alguém deveria falar isso a Ele

– Talvez eu fale pra Ele. Mas eu estou literalmente enterrado no coração Dele, então talvez Ele não me escute.

Ela sorriu...

– Porque você está olhando pra mim desse jeito? — Ela perguntou

– Por que você é bonita — disse

Um silêncio ficou pelo ar.

– Eu não sou boni...

– Você é tipo a Natalie Portman de V de Vingança.

– Nunca vi esse filme.

– Sério?- falei surpreso — Você deveria assistir.

– Ok, vou procurar pra ver. — disse ela já indo embora

– Não. Deveria ver comigo. Na minha casa. Agora.

Ela parou de andar.

– Eu mal te conheço Augustus Waters, você poderia ser um assassino.

– Você tem razão Hazel Grace.

Fui andando na frente dela, provavelmente as escadas e seus pulmões não combinem muito. Chegamos ao estacionamento sentindo a brisa fresca da primavera, ela parecia procurar alguém. Isaac e Monica estavam literalmente se chupando no muro da Igreja.

– Eles gostam de demonstrar afeto em público. — sussurrei

– Qual é do sempre? — Isaac e Monica ficavam falando “Sempre” “Sempre”, um para o outro, em intervalos pequenos dos beijos.

– É tipo um juramento, sempre vão estar juntos — o que pelos meus cálculos não dura uma semana — ano eles trocaram cerca de duas mil mensagens de texto só com a palavra “sempre”.

Isaac e Monica continuavam frenéticos, se beijando como se não estivem no muro de um local sagrado. Ele pôs a mão no peito dela por cima da blusa.

– Ele parece machucar o peito dela.

– É difícil dizer se ele esta tentando excitar ela ou fazer um exame de mama — disse retirando um maço de cigarro do bolso e colocando um na boca...

– Isso é sério? — ela perguntou surpresa — primeiro você fica me olhando, chama minha atenção, me elogia, me compara com uma atriz, e me chama pra ver um filme na sua casa, e você pega esse cigarro assim, sem mais nem menos, como se fosse uma coisa normal, por ter um pulmão bom não significa que você pode estraga-lo. Você sabe o que é não poder respirar direito? É UMA DROGA! — ela saiu andando em direção a um carro.

Quando chegou perto do carro a segurei pela mão.

– Eu já coloquei vários cigarros na boca, mas não acendi nenhum. — disse — É uma metáfora. Você põe o que te mata entre os dentes, mas não deixa ele agir.

– É uma metáfora — ela disse surpresa

– É uma metáfora — repeti

De repente ela se virou para o carro e disse:

– Mãe, vou ver um filme na casa do Augustus Waters, não tenho hora pra voltar, por favor grave as temporadas de ANTM pra mim, obrigada!

– Vamos — disse ela sorrindo pra mim.

– Vamos — completei.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.