Aos olhos de Alasca
15 Natal
Finalmente havia chegado o natal, praticamente todos os alunos de Culver Creek foram para casa passar o natal, até mesmo eu que realmente odiava ir para casa.
Como sempre quando cheguei em casa não vi meu pai, ele sempre me evitava, sempre quando eu ia para casa ele sempre arrumava uma maneira de não trombar comigo, ou inventava que tinha que fazer uma viajem a negócios ou ficava trancado no escritório o dia inteiro. Mais dessa vez foi diferente, ele simplesmente sumiu, não o encontrei quando cheguei então fiquei pensado se ele havia feito isso propositalmente ou se havia acontecido uma emergência. Acho mais provável à primeira opção. Então meu natal não teve ceia, muito menos presente. Meu natal foi apenas como mais um dia ruim como os outros. Passei então o natal deitada na cama olhando para o teto com vários pensamentos em minha cabeça.
Uns dias depois do feriado sai com Gordo, estávamos indo de carro até COOSA LIQUORS para comprarmos cigarros e bebidas, como sempre eu quem dirigia. O silencio era intenso, e precisava ser quebrado então eu disse:
–A 'COOSA LIQUORS' SOBREVIVE de vender cigarros para os adolescentes e bebidas para os adultos. E isso é ótimo pra quem quer comprar cigarros. Mas nós queremos bebida. E eles pedem carteira de identidade. A minha não presta. Mas vou dar um jeito, vou jogar um charme.
Dobrei a esquerda de uma ruazinha sem fazer sinal, então acelerei o máximo que pude até que avistei um posto velho de gasolina que era a COOSA LIQUORS.
Entrei sem o Gordo, não demorou para que eu conseguisse os cigarros e as bebidas, coisa de cinco minutos mais ou menos. Então sai da loja com dois sacos com bebidas e cigarros.
Voltando para casa para tirar o silencio eu disse:
–Gosta daquelas piadas de toc toc?
–Piadas de 'toc toc'? – perguntou – Esta falando daquelas, tipo, 'toc toc'?
–Quem é? – disse curiosa.
–É o Eto.
–Que Eto?
–Está bem, não falo mais – disse ele com um sorriso bobo.
–Genial – eu disse sorrindo – Eu tenho uma. Você começa.
–Certo. Toc toc.
–Entra – eu disse sorrindo.
Ele me olhou com uma cara de quem estava confuso então finalmente quando ele riu eu disse:
–Minha mãe me contava essa quando eu tinha 6 anos. Ainda é engraçada.
Estava realmente muito triste, não sabia oque fazer então decidi correr até o quarto de Gordo, quando eu entrei ele se assustou. Me olhou com cara de desentendido, provavelmente havia reparado que eu estava chorando, meu nariz até estava escorrendo porém eu não percebi isso então quando olhei para a cara dele de assustado eu disse:
–Desculpa.
–O que aconteceu? – ele perguntou enquanto eu pegava um lenço de papel e limpava o nariz e enxugava o rosto.
–Não... – comecei a soluçar e a chorar sem parar então enfiei meu rosto no sofá chorando – Não entendo porque sempre estrago tudo.
–Esta falando da Marya? Acho que você ficou com medo, só isso.
–O medo não é uma boa desculpa! – gritei para o sofá. – O medo é a desculpa que todo mundo sempre dá! Eu não sabia quem era “todo mundo”, nem quanto tempo era “sempre”, e, por mais que quisesse entender suas ambiguidades, aquela vagueza estava me deixando irritado.
–Porque ficou chateada com isso agora?
–Não é só isso. É tudo. Eu contei para o Coronel no carro. – Dei uma fungada – Enquanto você dormia no banco de trás. E ele disse que ia ficar de olho em mim durante os trotes. Que não podia confiar em mim. Eu não o culpo. Nem mesmo eu confio em mim.
–Você foi corajosa de contar para ele – ele disse.
–Eu sou corajosa, mas não quando me interessa. Você vai... hmm. – sentei perto de Gordo mais simplesmente não aguentei, me atirei contra seu peito e comecei a chorar – Eu não precisava ter dedurado.
–Não quero te deixar chateada, mas acho que você deveria nos contar porque dedurou a Marya. Estava com medo de voltar pra casa ou algo assim?
Desviei um olhar furioso para Gordo, eu odiava que falassem da minha casa, eu odiava pensar em ter que voltar para casa. Então quando minhas palavras finalmente saíram eu disse:
–Não tenho casa.
–Bem, você tem uma família – ele disse recuando.
–Eu tento ser corajosa, sabe. Mesmo assim continuo estragando tudo. Continuo fazendo merda. – Continuei o encarando.
–Tudo bem – ele me disse – Está tudo bem.
–Sabe quem você ama, Gordo? Você ama a garota que faz você rir, que vê filmes pornográficos e bebe com você. Mas não a garota tristonha, mal-humorada, maluca.
Percebi que ele com certeza concordava, e sim era a pura verdade.
Fale com o autor