Aos olhos de Alasca

20 As ultimas palavras.


Acordei com o telefone tocando, então corri para atender era Jake, enquanto eu falava com ele fiquei desenhando margaridas sob uma pedra.

–O que achou do nosso aniversario de namoro?

–Foi esplêndido – eu disse animada.

–Está fazendo o quê?

–Nada, desenhando – naquele momento meu coração disparou, eu havia esquecido, que tipo de pessoa eu era que horror, comecei a chorar sem parar – meu Deus! Merda! Merda! Merda! Tenho que sair depois falo com você.

Senti que meu coração iria saltar da boca, sai correndo pelo campo de futebol, não conseguia parar de chorar. Fazia 8 anos que a pessoa mais importante do mundo para mim havia morrido e eu simplesmente esqueci, sou a pessoa mais horrível desse mundo. Veio-me na cabeça a imagem da minha mãe morrendo, com certeza agora ela não estaria nem um pouco orgulhosa de mim.

A madrugada estava fria sai então à procura de margaridas, cada uma que eu pegava era motivo de mais duzentas lagrimas, minha respiração falhava. Ouvi o som de passos, então me virei para o lado, era Takumi. Ele veio correndo em minha direção e me perguntou oque havia acontecido, tentei explicar mais às vezes as palavras não saiam. Então ele me abraçou me senti um pouco mais tranquila mais ainda tinha que ir ver minha mãe, então pedi ao Takumi para que me ajudasse a pegar margaridas, porém um tempo depois ele foi embora. Logo que ele foi me deitei na grama e fiquei me lamentando por um tempo, eu mal conseguia parar em pé eu sabia que estava bêbada e que seria perigoso sair de carro, mais eu insisti, corri até o quarto do Gordo e do Coronel, e acordei-os.

–Preciso sair daqui! —gritei.

–O que houve? — Gordo perguntou.

–Eu me esqueci! Meu Deus, quantas burradas posso fazer na vida? –Disse chorando – PRECISO SAIR DAQUI! SÓ ME AJUDEM A SAIR DAQUI!

–Aonde você vai?

Sentei-me colocando minha cabeça sobre minhas pernas.

–Só distraia o Águia para que eu possa sair. Por favor.

–Está bem.

–Só não ligue o farol, — o Coronel disse. — Dirija devagar e não ligue o farol. Tem certeza de que está bem?

–Porra! Só se livra do Águia pra mim, — eu disse soluçando e gritando. — Meu Deus! Meu Deus! Sinto muito.

–Está bem, — o Coronel disse. — Ligue o carro quando ouvir a segunda explosão.

Então eles saíram. Um tempo depois ouvi as explosões, então liguei o carro e sai.

Eu estava andando meio quem em ziguezague, eu estava totalmente bêbada e sabia disso, mais eu não quis parar. Apertei com força o volante, olhei para o porta-luvas, lá havia um pequeno espelho. Quando me olhei nele esfreguei meus olhos com força, a única vez na vida que eu já havia chorado dessa maneira foi quando minha mãe morreu. Fiquei um tempo encarando o espelho, nele estava o reflexo das margaridas que estavam no banco de trás. Não contive as lágrimas elas novamente me dominaram.

Lembrei-me do sorriso da minha mãe no dia do zoológico, ela havia se encantado por uma simples margarida que estava jogada no chão, parecia que a margarida já havia sido pisoteada. Mais ela não se importou, ela se agachou e pegou a pequenina margarida e colocou no meu cabelo, ela dizia que eu era a menina mais linda desse mundo, e que com a margarida me tornei a menina mais linda do universo.

Realmente não entendo a vida, ela tira de nós as melhores pessoas, as que mereciam ter uma vida eterna, aquelas que têm o coração cheio de bondade e amor. A vida é simplesmente um labirinto de dor, mais será que minha mãe havia saído dele? Será que ela me observou durante todo esse tempo? Será que está nesse exato segundo implorando para que eu pare de chorar?

–Desculpa mamãe eu não consigo, me perdoa, por favor!

Voltei à realidade quando quase bati em um carro, o motorista buzinou e começou a me xingar, então encostei o carro durante um pequeno período de tempo.

Depois de alguns minutos voltei a dirigir, eu ainda estava chorando e me lamentei por não ter ninguém ao meu lado, não queria que Gordo, Coronel, Lara e Takumi me acompanhassem porque isso era uma coisa minha algo que eu fazia todos os anos, e fazia sozinha, apesar desse ano ter sido a pior pessoa desse mundo de ter esquecido, mais ao mesmo tempo em que eu não queria que eles estivessem ali eu também queria. Queria estar ali ouvindo Takumi fazer rap, Lara falar com seu sotaque engraçado, Coronel ficar falando de bebidas e mulheres e Gordo quieto na dele tentando me seduzir, algo na qual eu realmente gostava.

Já eram 4h da manhã, eu estava literalmente morrendo de sono, então decidi parar e dar meia-volta, mais simplesmente não consigo frear, não me lembro de onde fica o freio, estou bêbada demais, nem ao menos sinto minhas pernas. Foi a primeira vez que eu realmente fiquei com medo depois do dia da morte da minha mãe. Não consigo pensar em nada para tentar parar o carro a única coisa que está na minha cabeça nesse segundo é “Droga! Droga! Droga!“.

Dizem que quando você está prestes a morrer sua vida por completo passa diante de seus olhos, não é que é verdade? Mas existe um porém nisso tudo, ela só passa diante de seus olhos se você realmente teve uma vida. Eu achava que eu não tinha vida, mais estava totalmente enganada e acho isso ruim. Feri pessoas em minha volta, mais fico orgulhosa de poder ter feito apenas cinco pessoas felizes. E eles também me fizeram uma pessoa muito feliz, eu apenas não reparava nisso.

Todos nós temos que aprender a olhar em volta e amar quem nos ama, porque no final poucos estarão do seu lado. No meu caso foram apenas cinco. Mas eu também os fiz felizes e sou eternamente grata por ter dado pelo menos um misero momento de felicidade e. compaixão a eles.

Como sairemos desse labirinto de dor? A resposta é simples e clara, sairemos quando estivermos mortos, mais olharemos para trás e vamos perceber que esse labirinto de dor que é a vida não é composto apenas de dor, e vamos querer voltar até esse labirinto e reviver as dores, os amores, as amizades e as felicidades que ele nos trouxe.

Como vou sentir saudade desse labirinto, vou sentir saudade de brigar com o Coronel, de amar Jake, de abraçar Takumi, de ter uma amiga tão especial como Lara e principalmente vou sentir saudade do amor que eu senti por Gordo.

Avistei uma luz branca ainda afastada dali, então fechei meus olhos e os vi... Eu vi as pessoas mais importantes da minha vida sorrindo junto a mim, eu os vi me fazer sorrir. Como vou sentir saudade desse meu labirinto de dor. Acho que eu encontrei o meu ‘’Grande talvez’’.

Durante esse pouco tempo que me restara fiquei pensando em como seria a vida sem mim, e chorei de pensar que para algumas pessoas seria horrível. Ao abrir os olhos novamente percebi que a luz já estava mais perto então gritei o mais alto que pude:

–Me desculpem! Me desculpem por favor, eu quero mais do que isso, estou sendo egoísta mas eu quero ficar nessa porra desse labirinto por favor!

Não posso pedir isso, afinal nossa vida é como um livro, alguns são grandes, outros pequenos, alguns tem mais páginas e outros menos. Queria que meu livro tivesse mais páginas antes do ultimo ponto final.

A luz agora já fazia meus olhos queimarem e no ultimo segundo que me restou eu vi minha mãe. Ela estava tão linda, estava com uma margarida no cabelo e sorria para mim, ela realmente parecia estar orgulhosa de mim, algo que jamais teria preço.

Fechei os olhos e fiquei de mãos dadas com ela.

–Rápido e diretamente. – Disse num ultimo suspiro.

Eu saí desse labirinto de dor.

Fim.

Notas finais
Dedico essa fanfic ao John Green, Amanda, Roberta e Malu, quase que principalmente, para Laura, obrigada por ser tão maravilhosa!! Obrigada pelos elogios
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!