Aos olhos da filha
1 sobre meus pais
Meu nome é Amy, sou filha de Augustus e de Hazel, tenho 11 anos e gosto muito de ler, como meus pais gostavam.
O meu pai morreu quando eu ainda estava na barriga da minha mãe, o câncer tomou conta de todo o seu corpo e ele não aguentou.
Depois de aproximadamente um mês que ele faleceu, minha mãe descobriu que estava grávida de mim e, por ela já estar um pouco fraca por seu câncer de tireoide, não suportou ao meu parto e foi morar com o meu pai.
Meus avós maternos que me criaram durante toda a vida. Não tenho nada a reclamar. Sempre me deram todo o amor e carinho que podiam, mesmo com as dores de cabeça que já dei a eles.
As vezes me sinto culpada pela morte da minha mãe e uma estranha na sociedade, por jamais poder ter convivido com meus pais.
Sei que não tive culpa de nada, mas imagino ela viva, ainda morando com meus avós, toda feliz e lutadora como vovó sempre diz como era, sem eu para mata-la.
Contam que eu sou a cara do meu pai, e que ele ficaria orgulhoso de mim, pois temos os mesmos gostos. Como, por exemplo, o nosso jogo de videogame preferido é o mesmo.
Sei que ainda sou muito nova para pensar nessas coisas, mas quero ter um relacionamento que seja igual ao dos meus pais.
Como muitos dizem, eles eram completamente apaixonados um pelo outro, papai dava flores e levava a mamãe para piqueniques. Ele até deu uma viagem para outro país para ela, só para conhecerem o autor do livro preferido deles que, na minha opinião, não é tão bom assim. Quem dera que ainda existam homens bons e cavalheiros como ele.
Eles se conheceram em um Grupo de Apoio para adolescentes que tem câncer, e minha vó fica se gabando dizendo que foi graças a ela, que fez a minha mãe ir nesse grupo, mesmo ela não querendo muito.
Esses dias, fui visitar a esse grupo e achei bem triste todas as histórias dos adolescentes que frequentam lá. É difícil pensar que meus pais já foram uns deles.
Antes de papai ter o câncer que o matou, ele também teve um câncer na perna que fez amputa-la, assim, usava uma prótese.
Tenho a esperança, de que um dia vou poder morar ao lado dos meus pais. Já pensei várias vezes em me matar para que isso aconteça logo, mas sei que vai ser uma grande decepção para meus avós e até mesmos para os meus pais que estão me vigiando todo momento de lá de cima.
Quando encontra-los, não quero nunca mais ficar longe. Vou encher eles de abraços, beijos e principalmente de muitas perguntas.
Quero saber a versão deles de como se conheceram, e de como ficaram tão apaixonados um pelo outro. Mas, até lá, vou continuar minha vida ao lado dos meus avós, sempre fazendo de tudo para que tenham orgulho de mim, sendo forte, lutadora e nunca desistindo, e, espero que meus pais, mesmo estando muito distantes, jamais se esqueçam de como eu amo eles e de que estou louca para vê-los. Okay, papai e mamãe?
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