Aos 18
1 aos 18
Notas iniciais
aos 3, um pai perdi
ganhei um outro lar
a infeliz incerteza
que perderia um dia ali
com seis anos vivia em inocência
paz sem fim em filmes de princesas
dias de chuva com caldo de feijão em canecas
em um mundo em que
tudo acontecia com leve paciência
com 12 havia descoberto a dor
a perda, ilusão e o choro que parecia não acabar
amizades duvidáveis em dias
que tudo parecia desabar
sem conseguir nesse mundo ver uma cor
com 16 havia vivido o primeiro amor
conhecido o significado de confiar
a dor de deixar
minha criança ir
o choro de minha mãe
e a verdadeira face de um pai
aos 17 aprendi sobre quem realmente sou
as lutas que o futuro me reservara
o doce gosto de um café ao saber sobre a empatia
o som da voz de quem um dia me deixara
ainda aos 17 deixei que o primeiro se fosse
voltei a estaca zero e me refiz em novas cores
deixei os longos fios no passado como lembrete
a nunca voltar a ser aquilo que queriam que eu fosse
aos 17 eu renasci
vi-me recriar esperanças no mundo
aprendi a amar onde cresci
e sentir por tudo aquilo que tranquei
na gaveta do criado-mudo
agora, à beira dos 18 sei quem sou
apenas não sei com quem
ou para onde vou
mas tenho a certeza de que a criança
apaixonada pelo mundo que fui
aqui ainda vive
e em meu espírito levo a crença
de que ela seria orgulhosa da mulher que virou
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