Aon

8 Conte-me uma história!


Rodrigo estava espasmo com o que ouvira abrira a boca para contradizer o que fora lhe pedido, ou melhor, lhe obrigado a aceitar, mas não conseguia dizer sua voz não saia estava mudo sim sua garganta teimava em lhe trair e não pronunciar suas palavras. Olhou incrédulo para o homem de meia idade com o símbolo do reino em seu anel, o conselheiro do Rei o homem que resolvia todas as pendências do Reino na ausência do Senhor Real, a autoridade máxima após o Rei. Ele sabia que dentre os reinos os elfos do leste não negariam de forma alguma, mas usar isso era como trapacear em um jogo de cartas. Rodrigo pressionou os braços da cadeira que chegaram a estalar seus amigos apenas o observavam, milhares de imagens passaram na cabeça do garoto aquele um segundo de pensamento parecia ter se tornado horas, fora Paloma que se revoltou e o despertou de seus devaneios. A menina havia enfurecido com a proposta do conselheiro.

Paloma – Como ousa decidir quem irá se casar comigo conselheiro? Rodrigo tem deveres com seu próprio reino não pode entrar em qualquer brincadeira.

Gilnei – Ele será liberado de todo e qualquer compromisso com Thanos minha princesa, e isso não é uma brincadeira é o destino de AON, que um dia você deverá governar e talvez hoje seja esse dia então pare de achar que tudo é uma diversão e ponha-se no seu lugar de herdeira do reino.

Rodrigo – Eu aceito...

Paloma – Rodrigo.. disse abismada.

A garota tentou falar novamente, mas o garoto a impediu.

Rodrigo – Eu aceito me casar com a Princesa, mas com uma condição.

Gilnei – Isto não é um jogo pequeno lorde.

Rodrigo – Em momento algum eu disse que queria jogar conselheiro, disse que aceitaria seu pedido com uma condição.

Gilnei – E que pedido é esse ande, diga-me logo. Disse recostando-se sobre a cadeira.

Rodrigo – Quero me encontrar com o Rei. Disse causando certo espanto em todos principalmente seu pai.

Adonnen – O rei está louco meu filho, de que adiantaria encontra-lo.

Rodrigo – Se o Rei estiver realmente louco casar-me-ei com Paloma e livrarei o Reino dessa desgraça que nos abateu, porém se eu descobrir que o rei não está louco você deve nos livrar deste acordo.

Gilnei – Não é um pedido sábio o que me faz pequeno lorde, foi confirmada a loucura do Rei e você me diz que ele pode não estar louco o que o leva crer em tal besteira?

Rodrigo – Se o Rei ficasse louco com o tempo seria muito estranho não acha, quando se fica louco é da noite para o dia é como se faltasse algo de concreto naquela pessoa do nada, mas você me disse que ele estava perdendo a consciência aos poucos, ou seja, isso me parece com um encantamento ao invés de loucura.

Gilnei – Você está menosprezando o conhecimento de Goldheart, são nossos melhores magos conhecedores de toda a existência e sabedoria.

Rodrigo – Não estou menosprezando ninguém conselheiro só digo que algo está estranho em tudo isso, não sei lhe explicar. Bom e o que dez dias para descobrir a verdade irá lhe custar?

O conselheiro fitou Adonnen e Nikholaos os dois assentiram e o homem expirou pesadamente enquanto coçava os olhos.

Gilnei – Estou exausto filho de Adonnen, mas se tu ira aceitar a proposta se eu o deixar fazer da forma que tu queres então fique a vontade você pode partir a amanhã.

Rodrigo – Não partirei neste exato momento o quanto antes resolvermos melhor será.

Adonnen – Rodrigo o que pensa que está fazendo, partir em tal hora há perigo na estrada mesmo para um Lorde.

Rodrigo – Me perdoe papai, não gosto de lhe desobedecer peço que careça em meu pedido e aceite que eu parta hoje e sozinho. Colocou ênfase na ultima palavra vendo que alguns amigos ficaram agitados.

Paloma – Haourin eu não permitirei que se arrisque por mim... o garoto a cortou.

Rodrigo – Faço por nós Paloma, sabes tanto quanto eu que não me desejas.

Adonnen – Deixe que o vá Princesa, Rodrigo sempre fora um Eigenbrotler1 não há o que fazer.

Rodrigo – Não me chama assim há muito tempo.

Adonnen – Você sempre foi assim meu filho, pensei que tivesse mudado de um tempo para cá, mas parece que me enganei.

Rodrigo – Sou o melhor em que faço quando o faço sozinho, se é tudo conselheiro irei me retirar agora. Disse enquanto dirigia a porta após ter recebido uma reverencia de Gilnei.

Rodrigo arrastou a grande porta e passou por ela Paloma correu atrás dele no mesmo instante e o alcançou nos corredores dos dormitórios o segurando com força e o prensando contra a parede.

Paloma – Por que faz isso por mim?

Rodrigo – Não é o certo? Disse desviando o olhar.

Paloma – Sei que sou feia e desajeitada, mas pensei que te faria pensar em se casar comigo. Disse fazendo bico.

Rodrigo – Ah... então Victor é só uma brincadeira? Disse-lhe cutucando.

Paloma – Claro que não estou brincando com você, não aguento seu olhar serio. Eu te amo Haourin, com todas as minhas forças, mas é um amor de amiga que se preocupa como se fosse sua Irmã mais velha. Disse contendo as lagrimas enquanto escondia o rosto no peito do rapaz.

Rodrigo – Eu também te amo Elurra2, como irmão, assim como amo todos que estão aqui sempre amei desde que somos pequenos sempre zelei por todos vocês. É por isso que quero lutar para te deixar feliz, com quem você quer ser feliz.

Paloma – Mas esse problema também é meu e eu quero te ajudar não posso deixar você marchar sozinho no meio da noite até o castelo e encontrar com meu pai fora de si.

Rodrigo – Paloma desde que recebi essa noticia senti algo estranho e ainda mais quando o conselheiro explicou a situação, então deixe-me investigar isso sozinho prometo que não me arriscarei. Disse enquanto depositava um beijo na testa da garota.

Paloma – Vou te ajudar a arrumar as coisas.

Rodrigo – Não precisa, vá e fique com os outros não quero que me vejam partir. Disse se desvencilhando da menina.

Paloma olhou uma ultima vez nos olhos antes de voltar em direção ao salão comunal, Rodrigo voltou a caminhar vagarosamente organizando os pensamentos até que voltou a caminhar rapidamente. Adentrou o quarto se dirigiu ao suporte que mantinha sua armadura despiu-se de suas vestes reais, e colocou uma calça e blusa preta pesada, colocou a malha de ferro leve em seu corpo e vestiu a túnica élfica, verdes. Prendeu os protetores de couro nos ombros trançou uma cinta do ombro a cintura levando varias pequenas facas de lançar. Prendeu a braçadeira de couro no antebraço direito, o lado exterior da braçadeira era revestido em metal com detalhes em alto relevo que poderia proteger contra um corte de espada, a aljava era negra com alguns detalhes em dourado, ele os carregou com pelo menos duas flechas de gelo e outras quarenta setas normais. Prendeu as duas laminas de fogo na cintura, vestiu as botas marrons até o joelho. Foi até o armário e vestiu o helmo de lobo cruzou as patas no peito e se ajeitou, olhou na parte alta do armário e puxou o livro mágico que havia comprado do goblin e decidiu leva-lo o prendendo em sua cintura. Rodrigo se observou uma ultima vez no espelho se retirando pela porta e encontrando com Victor, o homem de armadura o encarou e o reverencio.

Victor – Milorde – Rodrigo o cortou.

Rodrigo – Não, não lhe dou permissão de me seguir.

Victor – Mas, Milorde não posso deixar que se arrisque por um romance que não é seu.

Rodrigo – Prefere que eu me case com Paloma?

Victor – Não, não é isso. Se eu o deixar ir sozinho quer dizer que eu não mereço ficar com ela, pois não estarei lutando por esse amor.

Rodrigo – Quer protegê-la? O garoto assentiu. Então fique aqui e proteja o castelo, pois se atacaram o Rei à próxima pode ser ela.

Victor – Atacaram o Rei?

Rodrigo – Bom é o que eu acho, mas não espalhe isso a mais ninguém. . Disse já se afastando.

O elfo percorreu todo o corredor de pedra iluminado pelas tochas de querosene criando varias versões de sua sombra na parede contraria, desceu um lance de escadas chegou a antiga sala do Rei, atravessou o grade hall e foi até a porta do pátio do castelo. A lua reinava naquela noite, o céu límpido e a brisa fresca pareciam lhe acariciar o rosto lhe dando uma sensação gostosa antes de partir. Sozinho caminhou pelo piso de pedra do pátio, ouvindo os próprios passos secos feitos pelo bico de ferro de sua bota, passou pelo totem da família Vladislav sentiu seus pés tocarem um solo macio quando as botas fizeram o ruído de pisar na sobre a areia fofa. Uma hora mais tarde e os amigos de Rodrigo estavam impacientes no salão comunal, Sadi se mantinha pensativo balançando na cadeira, Carol brincava com a ponta de uma flecha, Karina havia arranjado um gato para ficar cutucando, Eduarda estava deitada sobre o colo de seu avô Adonnen, Paloma havia sentado-se em silencio, Victor havia retornado e decidiu ficar dentro do salão caso alguém precisa-se dele. Guilherme estava com o queixo sobre as mãos entrelaçadas e Patrícia brincava com uma pequena chama branca com um olhar cabisbaixo. Não suportando mais aquela situação Sadi decidira quebrar o silencio se levantando bruscamente.

Sadi – Chega. Disse enquanto se dirigia a porta, mas fora impedido por seu pai.

Nikholaos – Onde pensa que vai?

Sadi – Tenho que ajudar Haourin.

Nikholaos – Não irá a lugar nenhum, Haourin decidiu por ele mesmo que faria essa missão sozinho.

Sadi – Mas se o rei esta sendo realmente controlado, será impossível invadir o castelo e se aproximar do Rei.

Adonnen – Jovem Dry’akos3, se o Rei foi mesmo atacado meu filho está certo de ir sozinho, pois, somos espiões e assim trabalhamos melhor sozinhos em infiltrar-se.

Um lobo branco percorria a floresta em direção ao castelo, os passos eram rápidos e pesados após alguns minutos de corrida o lobo reduziu a velocidade e seu corpo se transformou em um humano, era Haourin o garoto ouvira alguém lhe chamar e parou para investigar quem era. Mesmo com a lua brilhando no céu a densa floresta estava extremamente escura, pois as arvores impediam a luz do luar. Rodrigo vira algo brilhar por entre as arvores, no primeiro momento fora apenas um pequeno brilho, mas este voltou a brilhar agora com mais cinco pequenas luzes verdes e quando olhou mais uma vez estava rodeado por essas luzes. O elfo estendeu uma das mãos para tocar as luzes pensando que seriam vagalumes, mas quando uma pousou em sua mão ela desapareceu e uma voz tocou sua mente de leve, era uma voz suave e leve trazia certo alento e aconchego. Haourin não hesitou entrar na floresta após ouvir a aquela doce voz, ele caminhou por alguns metros até chegar à borda de um lago não muito grande com uma pequena queda d’água e algumas pedras espalhadas pelo local. Dentro do lago havia uma bela mulher, ou melhor, uma elfa de cabelos longos e dourados os olhos tão verdes quanto uma esmeralda o corpo magro e cheio de curvas, uma coroa de flores sobre a cabeça cobrindo os seios e a intimidade com flores. Ela encarou o elfo e sorriu enquanto estendia os braços para o mesmo, Haourin se abaixou de cócoras na beira do lago e segurou as mãos da elfa e a beijou de leve apenas tocando os lábios da garota com os seus e antes que ela tomasse alguma atitude mordiscou de leve o lábio inferior da mesma e afastou suas bocas.

Rodrigo – Faralyn o que fazes aqui?

Faralyn – Eu vim te ver! Não poderia?

Rodrigo – Fico feliz, estava com saudades.

Faralyn – Claro você me abandona em Thanos com o chato do seu pai. Disse escondendo o sorriso.

Rodrigo – Que bonito uma sacerdotisa falando mal do rei de Thanos. Deixe os anciões saberem disso.

Faralyn – Deixe os anciões saberem que o amado filho do rei de Thanos se encantou pela sacerdotisa. Disse dando de ombros.

Rodrigo – Isso seria de grande risco para nós dois.

Faralyn – Eu não me importo desde que eu possa ficar com você, mas você sempre se mete em coisas que vão nos separar.

Rodrigo – Então você estava ouvindo.

Faralyn – Hum...

Haourin se levantou retirou a roupa e a colocou sobre uma pedra ficando apenas com a parte debaixo, o frio o fez se arrepiar e tratou de adentrar mais rápido na água morna se aproximando da elfa a tomando em seus braços e a beijando profundamente. A garota se deixou entregar nos braços do rapaz que a acariciava com certa ternura, lhe beijando inúmeras vezes a face, os lábios lhe acariciando sua pele macia e às vezes lhe roubando longos beijos. Ela se afastou no ultimo beijo e o encarou por alguns segundos e segurou o choro e deitou a cabeça sobre o peito do rapaz.

Faralyn – Não quero te perder. Sussurrou.

Rodrigo – E não vai, eu irei descobrir o que aconteceu com o Rei e quando isso acontecer irei contar a meu pai que estamos juntos.

Faralyn – Ele não aceitará e mesmo se aceitar os conselheiros irão contra, pois ninguém pode se aproximar de uma sacerdotisa.

Rodrigo – Então terei que lutar contra eles até que nos aceitem.

Faralyn – E você ainda tem um encontro marcado com a filha de um clã que quer aliança com Thanos.

Rodrigo – Direi que não posso me casar com outra por uma aliança e farei os compreenderem e se aliarem conosco sem necessidade do casamento.

Faralyn – Você faz parecer tudo tão fácil. Disse ainda encostada sobre o corpo do rapaz.

Rodrigo – Não deixarei que ninguém destrua nosso amor, eu quero ficar com você pra sempre nem que para isso eu deva deserdar de casa.

Faralyn – Não. Disse se afastando.

Rodrigo – Fara... lyn..

Faralyn – Não deixarei que você perca sua família por minha causa.

Rodrigo – Não faço isso só por você, faço por que te amo e quem eu mais quero ao meu lado é você, o resto não me importa.

Faralyn – Idiota, assim eu fico sem jeito.

Rodrigo – Só estou dizendo a verda – Faralyn o calou com a ponta dos dedos.

Faralyn – Shh.. não quero que fale mais nada, só... *se aproximando* me ame. Disse por fim antes de selar seus lábios no do elfo.

Haourin a beijo de leve e com ternura, mas quanto mais aprofundavam os beijos mais os carinhos se tornavam intensos ele a levou até próximo uma longa pedra e ela retirou as peças que cobriam seu corpo ficando nua em frente ao elfo que corou, mas abriu um largo sorriso para a garota. O calor do local havia levantado uma pequena e baixa neblina, as luzes rodeavam o corpo dos dois como se acompanhassem os sentimentos de seus corpos. Enquanto Haourin apenas a observava ela o laçou pela cintura e o aproximou de seu corpo entrelaçando suas pernas no corpo do rapaz e eles passaram àquelas horas usufruindo de todo o amor que um poderia oferecer para o outro.

No castelo dos oito reinos os corações ainda batiam ansiosos de partirem atrás de seu amigo para ajuda-lo, mas dois Reis e um conselheiro impediam de saírem. Não conseguiram se retirar para dormir permaneceram unidos no salão comunal, as tochas já haviam sido trocadas pelos serviçais e outra rodada de bebidas e comidas fora posta sobre a mesa, Guilherme comia com certa voracidade, pois em momento de dificuldade só conseguia comer para controlar a raiva ou guerrear, mas não havia guerra alguma ali, pelo menos não ali perto. Todos permaneciam em silêncio sem se quer trocar nem um ruído de suas gargantas, Sadi bebericava um vinho que tentava tomar a mais de uma hora, mais alguns minutos de silêncio e o conselheiro decidiu cortar toda aquela sensação desconfortável que se instaurou no salão comunal.

Gilnei – Sei que não são mais crianças, mas que tal uma história?

Os ruídos dos corpos pararam e a atenção se voltou ao homem de meia idade.

Karina – Que tipo de história.

A Goldheart se interessava por contos de pessoas mais velhas poderia aprender mais com o conhecimento deles.

Gilnei – Eu sei que conhecem a história de nosso reino, mas creio que não tão aprofundada.

Guilherme – Não há muitos livros em meu reino.

Gilnei – E não há muitos livros dessa história em muitos lugares mesmo, o povo pouco se importa com a história do nosso reino, mas eu por acaso estou com um desses livros que tal? O que me dizem?

Adonnen – Acho bom começar logo conselheiro antes que você perca a atenção deles.

Nikholaos – Concordo com você Adonnen, as crianças de hoje não costumam se sentar em volta de uma fogueira e ouvir um ancião trovar seus contos.

Gilnei – Não sou nenhum ancião nem um bardo ou menestrel, mas sei como ter a atenção de todos. Bom, comecemos então por quando essas terras ainda não haviam se unido a Ignus.


Notas finais
Eigenbrotler *lobo solitário* o Rei Adonnen quis dizer que Rodrigo sempre prefere agir sozinho
Elurra - Rodrigo chama Paloma por *Floco de Neve* devido a cor da pele da Princesa.
Dry' akos - Adonnen chama Sadi pelo nome da Raça Elfica Sulista que signfica "Dragão".