Aoi Ito
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Chega de blá blá blá, vamos à leitura.
A lua estava alta no céu, cheia, linda como nunca havia visto. Eu estava sozinha, deixei Ran, Miki, Su e Daia em casa. Não costumava sair sozinha, mas hoje eu estava me sentindo bastante melancólica. 5 anos haviam se passado e ,bem dentro de mim, eu sabia que meu tempo com as meninas estava acabando. Eu ia sentir saudades delas, saudades de tudo que passamos juntas. Mas sabia que eu não era mais uma criança, logo terminaria o colegial, já estava mais do que na hora de decidir que caminho seguir.
O que me conforta é saber que elas são parte de mim e que, portanto, estaremos juntas para sempre, que quando elas forem embora não será o fim, será o começo de uma nova época. Não dá mais para viver caçando o Embryo por aí.
Sentei me em um dos bancos da praça e fiquei observando a lua, pensativa. Tinha muita gente na rua, as pessoas andavam apressadas para lá e para cá, cheias de sacolas nas mãos. O natal estava próximo, as lojas ficavam abarrotadas até muito tarde, repletas de pessoas fazendo compras de última hora.
Uma mãe passou apressada segurando um garotinho, provavelmente seu filho, pela mão. Ele tropeçou e caiu. O garoto não era assim tão pequeno, devia ter uns 10 anos. Não chorou com a queda, levantou-se, limpou a roupa e continuou a andar. Ouvi sua mãe perguntar:
–Você está bem?
–Sim. –Ele respondeu, e assentiu com um sorriso no rosto.
Só então reparei que ele vestia o uniforme da Academia Seiyo. A quantidade de emoções de me atravessou foi incontável e as sensações, inefáveis. Senti uma vontade enorme de chorar, lembrei de todos os dias que passei lá. Desde o primeiro dia de aula até o último, os encontros, despedidas, as aventuras e confusões. E também as paixões, lógico. Quando nos graduamos na Academia Seiyu, fomos para escolas diferentes. Só o Nagihiko foi para a mesma escola que eu. Perdi o contato com a maioria dos meus amigos. Fazia quase 1 ano que não falava com Tadase. Sentia muita saudade dele e, naquele momento, pensei em como seria bom revê-lo. Pensei em como seria bom rever todos eles.
A realidade é que cada um seguiu seu caminho, eles têm as vidas deles e eu tenho a minha. Nem tudo que a gente deseja pode ser real. Eu sabia de tudo isso e não esperava que nada de especial acontecesse. Afastei todas aquelas lembranças da cabeça e me levantei.
Andei pelas ruas da cidade, sem saber direito para onde estava indo. Observava as pessoas e imaginava como deveria ser a vida delas. Se elas tinham cães, gatos, se eram casadas, em que tipo de casa viviam, como era seu trabalho. “Será que no futuro serei como elas?” Eu me perguntava.
Olhei para o céu, estava começando a nevar. A temperatura já estava bastante baixa, logo, logo iria cair ainda mais e eu não estava suficientemente agasalhada para tanto. “Acho melhor voltar para casa” Pensei. Dei meia volta e comecei a andar.
Passei em frente a uma loja e em sua vitrine vi um grande bicho de pelúcia, era um gato. Pensei em comprar um daqueles para Ami, o natal era daqui a alguns dias apenas e eu ainda não tinha comprado os presentes de ninguém. Fiz uma nota mental com o nome da loja e o preço do urso. Voltaria ali qualquer dia desses.
O que aconteceu a seguir foi mais rápido do que meu cérebro podia processar. Um homem passou correndo por mim, com muita pressa, mas parece que ele não mediu bem a distância e o esbarrão foi violento. Antes que pudesse perceber estava no chão. O homem olhou para trás e gritou:
–Me desculpe!
Mas não parou de correr. Olhei para o meu joelho, estava sangrando. Estava prestes a levantar quando uma mão foi estendida para mim. Disse:
–Obrigada.
E me deixei erguer. Quando vi quem tinha me ajudado, meu coração deu um salto. Não sabia se ria ou se chorava. Minha cabeça estava confusa, mas meu coração estava feliz.
–Ikuto!!!!
O sorriso no rosto dele era maroto, esperto.
–Yoo, Amu. –Ele disse.
Sua voz era a mesma, apesar de suas feições estarem mais maduras. Um sorriso gigantesco se formou em meus lábios.
Ikuto pegou algo em seu bolso, um lenço, e estendeu para mim. Demorei um pouco para ligar os fatos, ainda estava meio pasma com a surpresa.
–Obrigada. –Eu disse ao pegar o lenço.
–Está doendo? –Ele perguntou.
–Nem tanto. –Respondi, o sorriso ainda no meu rosto.
–Precisa de ajuda para andar? Posso levar você no colo. –Ele disse,
–Você não mudou nada, né, seu pervertido?
Ele riu, sua risada era gostosa de ouvir, fazia a gente querer rir também. Era bom saber que agora ele sorria mais. Recomecei a andar, ele me acompanhou.
–O que fez você voltar? –Perguntei. Enquanto fazia um curativo improvisado com o lenço que ele me emprestou.
–Pensei que você devia estar sentindo saudades e resolvi fazer uma visita. –O sorriso maroto não deixou seus lábios, prova de que ele estava brincando novamente.
Ignorei o comentário e perguntei:
–Encontrou seu pai?
A expressão brincalhona desapareceu de seu rosto e deu lugar a uma seriedade que eu quase desconhecia. Perguntei-me se deveria mesmo ter perguntado.
–Não. –Ele respondeu.
Eu não sabia o que dizer, o assunto era delicado.
–Mas não parei de procurar. –Ele continuou. –Só não o faço com tanta frequência.
Outra vez não soube o que dizer. Praguejei internamente, arrenpendida por ter tocado no assunto.
Ikuto reparou que eu estava mancando um pouco e olhou para o meu joelho.
–Isso aí é o melhor curativo que você pode fazer? –Ele perguntou, em tom desafiador.
–Deixa eu ajeitar isso. –Ele disse, e me puxou pela mão, levando-me para sentar num banco em um parquinho a poucos metros dali.
–Não precisa. –Eu disse, em protesto.
Mas foi em vão. Ele ignorou meu protesto e também não soltou minha mão. O toque era gentil e delicado, porém firme.
Ele sentou do meu lado e começou a refazer o curativo. Tudo aquilo fez com que eu corasse levemente.
Quebrei o silêncio:
–Onde você esteve durante os últimos 5 anos?
–Em vários países. Mas principalmente na Itália e na França. –Ele respondeu, sem tirar os olhos do que estava fazendo.
–Tem casa em todos esses países?! –Perguntei em minha inocência e ignorância.
–Não. –Ele respondeu, rindo. –Passava as noites em hotéis.
–Ah. E com quem você passava o natal?
–Sozinho.
Me senti triste por ele, mas sabia que ele sempre foi solitário. É só que não é bom passar o natal sozinho. Foi aí que percebi.
–Cadê o Yoru? Por que ele não está com você? –Perguntei.
Ikuto olhou para mim um tanto surpreso. Disse:
–Ele já se foi, Amu. Suas charas ainda estão com você?
Ah, é verdade. Ele agora tem 22 anos. Não tem como Yoru ainda estar com ele. Isso me deixou meio triste. Era um lado único da personalidade do Ikuto, difícil de ver normalmente. Mas é um fim inevitável, afinal de contas.
–Sim. –Respondi –Mas sinto que não vai durar muito.
Ele chegou perto de mim, muito perto, e sussurrou:
–Não se preocupe. Quando elas forem embora, eu vou estar aqui para te fazer companhia. –Aquele sorriso esperto estava de volta.
Senti o sangue subir para o meu rosto. Virei a cabeça para a direita, fugindo do olhar que me dirigia. Pude ouvi-lo rir alegremente. Definitivamente satisfeito por saber que suas ações e palavras ainda causavam o mesmo efeito em mim. Eu ia reclamar, dizer algumas besteiras, chamá-lo de pervertido, não sei. Mas antes que eu pudesse fazer qualquer uma dessas coisas ele disse:
–Vamos.
–Para onde? –Perguntei
Ele me olhou curioso e disse:
–Para a sua casa. Não era para lá que estava indo?
–É. –Respondi meio sem graça.
–Para onde pensou que eu estivesse te levando? –Ele perguntou, com um sorriso pervertido no rosto.
Levantei-me e saí andando na frente, completamente constrangida. Ele, porém, logo me alcançou. Reduzi a velocidade dos passos e voltamos a caminhar em velocidade normal, lado a lado. O curativo novo não me fez parar de mancar, mas era mais confortável.
Não demoramos muito para chegar na minha casa. Paramos em frente ao portão. Ikuto analisava cada detalhe da construção, lembrando das coisas antigas e absorvendo as novas. Acompanhei seu olhar.
–As coisas não mudaram muito por aqui, não é mesmo? –Ele perguntou.
–Não muito. –Respondi.
Ficamos em silêncio por alguns instantes, o sentimento de nostalgia tomando conta do local.
–É melhor você entrar. Está ficando frio aqui e você precisa limpar esse ferimento. –Ikuto me olhava seriamente.
Olhei para ele e respondi:
–Nem é tão feio assim, mas você tem razão. E também, está ficando frio.
Ele sorriu e disse:
–Até mais, Amu.
Comecei a me sentir meio triste, não gostava de despedidas e só agora reparei o quanto ele fazia falta, de uma maneira ou de outra. A verdade é que, naquele momento mais do que nunca, eu não queria que ele fosse embora.
–Foi bom rever você. –Eu disse, lutando para conter a emoção.
Ele riu, o que me surpreendeu bastante, e disse:
–Não fale como se eu fosse embora.
Aquelas palavras provocaram em mim diferentes sensações e sentimentos. Não sabia ao certo como aquilo era possível. Como palavras tão simples podiam causar toda aquela confusão dentro de mim? Mas uma coisa era certa, eu estava extremamente feliz. Não pude deixar de sorrir.
–Mas não crie espectativas, não vim para ficar. –Ikuto falou.
–Quanto tempo pretende ficar? –Perguntei.
–Quem sabe? –Continuou –Talvez até depois do natal.
O enorme sorriso não deixou minha face.
–Apareça mais vezes. –Eu disse.
–Por que? Não consegue ficar longe de mim nem um segundo, né?- Ele tinha um sorriso atrevido nos lábios.
O sangue subiu rapidamente para as minhas bochechas. Baixei a cabeça e fiquei encarando o chão, sem graça.
Ikuto riu e se virou.
–Pervertido. –Falei baixinho.
Ele se afastou a luz da lua, silencioso como um gato.
Notas finais
Aliás, essa é minha segunda fic, ou seja, eu não tenho muita experiência. Então, se cometi erros muito grosseiros ou qualquer coisa do tipo, perdoem-me. (n_n)
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