Notas iniciais
Tudo começou quando ela se transferiu nessa escola e tudo ao redor perdeu as cores. Toga andava a passos lentos e com seu uniforme de marinheira a caminho da escola, subia uma ladeira arborizada e envolvida por casas reconfortantes. Quando voltava da escola, as cigarras cantavam e os pássaros voavam furtivamente para as copas das árvores, mostrando que o dia daquele verão chegava ao fim. Entretanto, Toga já não percebia as coisas em sua volta pois, como já dito, tudo perdera a cor e tudo não fazia mais sentido.
Não, quando não parava de pensar nela. Uma garota mais baixa do que ela, de rosto redondo e olhos brilhantes. Toga sentia vontade de enlaçar seus braços ao redor da cintura um pouco larga de Uraraka, sentir suas coxas espessas e envolvidas por um meião escuro, que provavelmente o tecido seria úmido por conta do calor dos últimos dias antes das férias de verão.
E, por ser os últimos dias, Toga planejava se confessar para Uraraka. No entanto, essa tarefa seria difícil.
Entrou na sala de aula com apenas um fone no ouvido e se sentou na última carteira ao lado da janela. Um lugar afastado de todos. Toga era uma garota sem amigos, muito por conta do preconceito que lhe rodeava. Por seu jeito ser diferente, começaram a espalhar boatos de que ela tinha uma vida sexual ativa e de que já fizera alguns "favores" para alguns garotos do colégio.
Toga tinha que confessar que era uma piranha depravadíssima, e que fizera mesmo alguns desses favores. Mas isso não significava que ela não tinha o costume de se apaixonar facilmente como qualquer outra garota boba. Tinha o seu lado romântico e, como todos, também tinha dificuldade para se confessar. Por isso sofria antecipadamente, até porque Uraraka era uma garota comportada e cheia de amigos, nunca que gostaria dela.
— Bom dia, Himiko-san. — Uraraka entrou na sala com sua mochila cor de rosa. Naquele dia, seus cabelos castanhos estavam presos como rabo de cavalo. Era também uma garota adorável por sempre cumprimentá-la ou por sempre notar sua presença. Não a ignorava como o resto e por isso não tinha como não se apaixonar por um ser tão puro, em que Toga simplesmente tinha vontade de prensar na parede e enfiar a mão por debaixo de sua saia.
Piscou os olhos, acordando do transe por ver aquele rosto gordo de que gostava tanto, e não respondeu. Apenas virou o olhar para a janela e Uraraka se ajeitou na sua carteira depois de dar um sorriso tímido. Continuava a fitar a janela, mas cada vez mais desesperada pelo sinal não tocar. Também não chegava mais nenhum aluno para que não pudesse ser somente ela e Uraraka, a sós, na sala de aula.
Seu pé batia agitado no chão, também sentia suas palmas das mãos suarem. Toga estava desesperada por dividir o mesmo ar, o mesmo espaço, a mesma sala e a mesma escola com Uraraka. Céus! Quando pararia de fugir para se confessar? Sabia que não se conseguia nada sendo tão covarde, e provavelmente ela sentia o mesmo, certo? Senão não teria outra razão para cumprimentá-la.
Nessa altura, não só o pé se agitava, como também o resto da perna por pensar em tudo isso. Continuava a fitar a janela, aguardando o sinal tocar ou a vinda de outro aluno infeliz. No entanto, ouviu um barulho como se uma cadeira se arrastasse e voltou o olhar para a sala de aula, curiosa com o que podia estar acontecendo. Uraraka havia arrastado uma mesa até a sua e agora se sentava ao seu lado, enquanto oferecia um bombom.
Toga imediatamente trincou os dentes por ver seu amor tão próximo de si.
— Quer? — Perguntou mais uma vez sobre o bombom.
— Ham? — Piscou os olhos confusos, e quando compreendeu o que se passava, aceitou sem tendo controle de seu corpo.
As duas comiam seus respectivos doces, Toga notou o quanto Uraraka estava contente por comer o bombom. Realmente, ela costumava puxar assunto e nunca demonstrou um olhar repulsivo... Uraraka lhe fazia pensar que não precisava nascer de novo para recomeçar tudo de novo. Na verdade, sentia um sentimento que lhe mostrava não haver problema em ser depravada. Sentia-se normal ao lado de Uraraka.
No entanto, por um segundo, Toga agachou o olhar e viu só nesse momento, que a garota ao seu lado não usava o meião por debaixo das saias. Nunca havia visto aquelas pernas despidas antes.
— Cadê seu meião? — Perguntou num tom urgente, já não se importava em falar tão diretamente com o amor de sua vida.
Uraraka piscou os olhos, enquanto dava a última mordida no doce de chocolate. — Tem feito muito calor, achei melhor não usar hoje.
Toga ouviu tais palavras ainda observando aquelas coxas gordas e suculentas. Sem perceber, sua mão apertou a massa flácida de Uraraka com muita vontade. Sentia toda a sua espessura com uma pegada firme, isso até perceber a loucura que estava fazendo e cogitar a ideia de fugir pra longe dali. Porém, antes de tirar sua mão num desespero, Uraraka pousou a dela sobre a sua, impedindo de desgrudá-la na pele flácida e clara.
— Continua. — Disse com o rosto corado e num tom tímido, mas passou a fitar os olhos dourados de Toga para dizer algo importante. — Estou gostando.
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