¥ 7 anos mais tarde ¥

POV Thalia
Acordei com minha mãe me dando cutucões. Me assustei, ao ver no relógio que havia pendurado em cima da minha porta marcando 11:15. Mas logo lembrei-me que hoje já era domingo, nada de escola e nada de acordar cedo, foi ai que me perguntei, pra que minha mãe me acordaria a essa hora, ela parecia entusiasmada, com aquela cara logo vi, vai dar merda.
–Mãe? Pra que me acordou a essa hora num sábado? -quis completar o questionário com a seguinte pergunta "Ta cheirando pó?", mas eu respeito muito bem minha mãe, obrigada.
–Minha amiga e o filho estão vindo almoçar, preciso que se arrume, coloque um vestido e fique linda como sempre. Mas dessa vez igual garota, por favor.
Bem, acho que não contei que no almoço beneficente que o amigo do meu pai deu, que era pra eu ir de vestido e me comportar igual moça, eu fui de calça jeans, uma blusa e moletom, e acabou que no final, fui jogar bola com os caras lá. Minha mãe ficou com muita raiva, desde então não me deixa mais me arrumar sozinha.
–Vai confiar em mim? -disse fazendo careta, uma mistura de espanto e deboche.
–Sim, mas sei que não irá de vestido, mas tentar não mata né, filha. Eles vão chegar 12h, por favor, só esteja pronta.
Minha mãe já estava saindo quando decidir perguntar quem estava vindo.
–Mãe, que amiga é essa?
–Não acho que ira lembrar, mas é uma que passamos alguns fins de semana na chácara dela, você e o filho dela dividiram o quarto e tudo mais.. -Logo percebi de quem se tratava, e decidi que hoje iria usar um vestido.
–É mãe, realmente não lembro muito. Acho que a última vez que fomos lá eu tinha 12 anos né?!
–Sim, filha, é verdade, faz muito tempo. Mas não perca tempo vá se arrumar.
Assim que terminou de falar, minha mãe saiu do quarto, querendo me deixar mais a vontade pra me arrumar.
Fui tomar um banho, aproveitei pra me depilar, Nicolas não pode me ver tão desleixada assim, não demorei tanto quanto o necessário no banho. Quando sai do banheiro fui até o meu armário caçar um vestido menos chamativo. Achei um pouco acima do joelho, de estampa étnica, de manga comprida, pois estava fazendo um pouco de frio, coloquei uma meia calça cor da pele, com meu tão gasto all star branco. Acabei de me arrumar eram 12:20, quando estava me arrumando lembro-me de ouvir a campainha tocar, provavelmente eles já chegaram, os ingleses costumam ser bem pontuais, o que me faz pensar que eu não sou deste país.
–THALIA! VENHA PARA A SALA QUERIDA, AS VISITAS CHEGARAM!
E minha mãe querendo, como sempre, me apressar.
–Já estou indo mãe, só estou prendendo o cabelo!
Me apressei em fazer uma trança embutida, uma de minhas especialidades.
Quando estava terminando, peguei a xuxinha e fui caminhando para sala, já prendendo meu cabelo.
Quando cheguei na sala vi Nicolas e sua mãe, fazia muito tempo que não nos viamos.
–Oi, tia! Tudo bem com a Sra.?
A cumprimentei com dois beijinhos.
–Thalia, quanto tempo, querida.
–Oi, Nicolas. -fiz o mesmo que fiz com a mãe, com o filho.
–Lia! Tudo bem? -ele sabia que entre nós não estava tudo bem, desde da última viagem pra chácara da família dele, na qual havia tido alguns acontecimentos.

*Flashback*
POV Narradora

Thalia estava brincando pela chácara da Família Di Angelo, estava brincando perto do laguinho que havia lá, quando Nicolas sentou-se ao seu lado e perguntou o que a menina estava fazendo. Logo a mesma respondeu.
–Brincando. -disse Thalia.
Após um longo tempo calados, Nicolas decide se pronunciar.
–Thalia? Você já beijou alguém? — disse Nico sentada na grama, em frente ao lago, olhando diretamente pro lago.
–Já disse pra me chamar de Lia.
–Já ou não?
–Ainda não, Nicolas. Não sei como beijar. Feliz? -disse o garota com vergonha, todos os suas amigas já tinham beijado, mas ela estava com medo de fazer algo errado.
–Nunca tentou?
–Nunca, Nico. Onde você quer chegar com isso? -disse ela vermelha igual um tomate.
–O que faria se eu tentasse te beijar? -disse ele já com medo do tapa.
–Não sei, porquê? -quando Nico percebeu, não queria saber se ela lhe daria um tapa. Foi se aproximando da garota, e quando estava próximo dos lábios da garota, olhou nos olhos dela, como se estivesse pedindo a permissão, e a viu fechar os olhos, aquela era a permissão que queria. Logo colou seus lábios nos da garota e como estavam sentados um de frente para o outro, a trouxe pra mais perto, a puxando pela cintura, e decidiu tentar aprofundar o beijo.
Thalia não sabia o que fazer, onde colocar as mãos, não sabia o que fazer quando o garoto pediu permissão pra aprofundar o beijo, só ignorou tudo, e fez o melhor que conseguiu.
Quando terminaram o beijo, se afastaram um pouco, mas as mãos de Nico continuaram uma na cintura e outra meio que segurando o rosto da mesma, já as mãos de Thalia estava no pescoço de Nico.
Quando abriram os olhos, não sabiam o que fazer.
–Thalia? Desculpa, eu não devia ter estragado o seu primeiro beijo, tinha que ser especial, né?! Essas... -a garota o interrompeu o beijando novamente.
–Eu deixei, não deixei? -disse Thalia quando pararam.
–Deixou, mas do mesmo jeito, não deveriamos ter feito isso, desculpa. -disse Nico se levantando e indo pra chácara.
Durante o resto dos dias que passaram na chácara, um só falava com o outro se fosse de extrema necessidade, a partir dali, começaram a se ignorar.
*Flashback off *

–Meu nome é Thalia, e sim Nicolas, tudo bem. -disse com um sorriso forçado.
–Tudo bem, vamos pro jardim, preparei a mesa do almoço lá. -disse a minha mãe pra tentar melhorar o péssimo clima que havia se instalado.
Fomos todos pro jardim, comemos eu e Nico em silêncio, logo já estávamos na sobremesa.
–Maria? Você viu a casa que esta vendendo em seu bairro? -quando minha mãe puxou esse assunto, me tornei alerta, minha mãe queria se mudar, será?!
–Vi sim, Claire. Está interessada?
–Sim, queria me mudar pra mais perto do trabalho meu e de meu marido, e aquela casa parece ser ótima, e está localizada no local certo.
–Bem, eu conheço o corretor que está vendendo a casa, posso falar com ele pra você.
Decidi me pronunciar.
–Mãe, nós vamos nos mudar? -disse já ficando em pânico.
–Talvez, eu e seu pai vamos conversar mais sobre isso, mas já está quase decidido. Tem algo contra, meu amor? -disse minha mãe com cara preocupação. Na realidade, sabia que uma hora ela iria querer se mudar pra algum lugar maior, e não acho que ela tenha culpa do trabalho ser mais perto daqui do que lá.
–Não, tudo bem, só não sabia que seria tão rápido.
–Nós ainda iamos ver algumas casas, mas a que estávamos falando parece perfeita.
Terminamos de falar sobre a casa e logo saímos do jardim, e fomos pra sala, um pouco mais tarde os Di Angelo haviam ido embora, e eu fui pro meu quarto, enquanto minha mãe arrumava algumas coisas. Havia deitado na cama e acabei dormindo, acordei eram 1:26h da madrugada, fui até a cozinha tentar achar algo pra comer. Cortei um pedaço da torta que havia sobrado do almoço, e voltei pro meu quarto, demorei a dormir, e quando consegui tive um sonho muito estranho e Nico estava nele.

¥SONHO¥

Estava andando, quando de repente me deparo com duas garotas, duas morena, uma com olhos pretos, a outra tinha olhos castanhos esverdeados. Apontavam em direção a um casal que brigavam no meio da quadra de basquete. A garota era loira e tinha um belo bronzeado, já o rapaz tinha cabelos muito pretos o qual contrastava com sua pele branca. Caminhei até a arquibancada e comecei a ir descendo cada vez mais, ficando mais próxima ao casal, vendo, o que antes não era possível, que o garoto ali em questão era Nicolas Di Angelo.

¥VOLTANDO AO REAL MUNDO REAL ¥

Acordei com o despertador tocando, estranhando como foi o sonho. Levantei e me troquei indo pra cozinha, quando cheguei lá, cumprimentei meus pais e sentei a mesa pra tomar o café da manhã.
–Mãe? Se formos nos mudar onde vou estudar?
–Se, não. Nós vamos nos mudar filha. Na verdade já iniciamos a compra da casa, e já vamos colocar esta a venda. -meu pai respondeu pela minha mãe.
–Onde vou estudar? Tem escola mais próxima lá né?
–Achamos que iria querer continuar na escola daqui por causa dos amigos e essas coisas.
–Não, não. Eu gosto da ideia de mudar da escola.
Eu queria uma nova reputação, já estava cansada de ser a garota que só anda com os estranhos. Vou poder me recriar, eu acho. Se não conseguir, pelo menos posso dizer que tentei.
–Então tudo bem, vou começar a sua transferência pra outra escola. -disse meu pai sorrindo e me dando um beijo.-Lia, já estou saindo vai querer carona?
–Sim, pai. Só vou escovar o dente.
Fui pro escovar os dentes e passei no meu quarto pra pegar minha mochila. E antes de ir pro carro fui a cozinha novamente dando um beijo em minha mãe, correndo pro carro gritando 'tchau'. Fomos o caminho conversando sobre a casa nova. Logo chegamos ao meu colégio.
–Tchau, filha. Te amo.
–Tchau, pai. Também te amo.
Caminhei colégio adentro procurando Camille, a minha dupla de biologia, torcendo pra que a mesma não faltasse. Tínhamos feito um trabalho, e deixei o pen drive dos slides com ela, se aquela maconheira faltasse, iria matá-la.