Ao Som de Notas Graves e Contra o Vento

1 Ao som de notas graves e contra o vento


No derradeiro da semana,

sob arcos encapados,

encurvado caminho

a passos descalculados.

Notas graves compõem a sinfonia noturna.

Ritmados, meus ouvidos dançam,

aproveitando o baile do vento.

Enquanto tremo, e ando.

Clarões naturais iluminam

Aquilo que eles mesmos escureceram.

Paro,

espero,

subo.

A sinfonia mudou.

Agora tenho poder sobre ela:

em vão tento fugir do que o inconsciente quer.

Derrotado, me encolho sem o motivo de antes,

mas não me deixo perder a guerra,

não me permito ser a fonte de água.

Entretanto, me entrego à necessidade

(que neguei, que negarei, que nego).

As notas ritmadas soam como sempre.

Meu coração, lutando, foge desse ritmo,

corre, acelera, aperta.

E consegue,

e ganha a guerra.

Desço.

Enquanto sinto a derrota,

Não diferencio o natural do meu,

Só sei que os dois estão ali.

Caindo,

molhando,

pautando soluços

que a antiga sinfonia reinante

não deixa ninguém ouvir.

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