Ao Seu Lado
14 Capítulo quatorze, Eduardo
Eu nunca fui ligado em presentes... Menino criado por pai solteiro não é daqueles mais românticos do mundo, sabe? Mas eu senti que, dessa vez, deveria ser. Eu deveria pedir ao menos desculpa pelo "inferninho" que fiz na cabeça de Gabi durante a infância... Ela merecia isso. E sim. Eu fui no Shopping só buscar alguma lembrancinha pra ela. A lembrancinha que tinha a nossa cara. Tinha que ter significado, eu queria que ela olhasse e lembrasse de mim. E, bem... Eu sou foda. Foi bom vê-la assim, toda emocionada... E aí pronto. Eu não resisti. Dei um beijinho em seu pescoço, e aí desci a mão acariciando o ombro, o braço, até pegar na mão dela. Nossa... Gabi estava toda arrepiada.
Eduardo: Quem disse que pode se arrepiar? — Virei a Gabi de frente pra mim, já podia sentir a respiração dela se misturar com a minha.
Gabi: Não pode não?
Eduardo: Meu melhor presente foi você aqui hoje. — Gabi sorriu. Eu não resisto... Puxei a Gabi para ainda mais perto de mim, colando meu corpo no dela. Lacei sua cintura com minha mão e a outra coloquei a mecha de cabelo atrás da orelha dela.
Gabi: Eduardo...
XX: Eduardo! Luiza está louca atrás de você. — Gabi se afastou rápido de mim, me encarando com aquela cara de quem comeu e não gostou. MERDA! Não era nada do que ela estava pensando... E eu podia muito bem imaginar o que aquela cabecinha estava fantasiando.
Gabi: Com licença. — Ela ainda forçou um sorrisinho pro Gustavo antes de descer as escadas do mirante às pressas.
Gustavo: O que foi isso aqui?
Eduardo: Nada. Você não deixou que isso fosse alguma coisa... — Desci as escadas correndo, mas já nem vi onde ela tinha ido.
Eduardo: Gabi! — Cacei aqueles cabelos longos pela área da piscina e... Nada.
Luiza: Onde você foi? O seu chopp esquentou já. — Ela deu de ombros, me entregando a caneca cheia. Peguei-a, virando quase que a metade enquanto me juntava com o resto do pessoal. Eu estava queimando em ódio da cabeça aos pés... Não conseguia me desligar da ideia de que Gustavo acabou com o clima sem nem titubear. QUE PORRA!
Gustavo: Ei, vem cá.
Eduardo: Você viu ela?
Gustavo: Cara, me desculpa. Eu só te chamei porque Luiza estava te chamando. Achei que vocês...
Eduardo: Eu não namoro com ela. Nós não temos NADA sério. Nada. Mas a essa altura... Já me queimei até a alma com a Gabi.
Gustavo: Relaxa, Eduardo! Ela está com Lari, lá na cozinha. — Respirei fundo.
Eduardo: Eu não sei porquê tô com tanta raiva... — Deixei Gustavo falando sozinho e fui atrás dela. Sei lá... Eu fiz de tudo pra consertar uma bobeira do passado e acabei estragando o nosso presente. E ela tava lá... Tão linda, com aquele sorriso largo rindo de alguma piada do meu pai.
Jonas: Eduardo! Vem cá!
Eduardo: Que?
Jonas: Seu presente... Quer? — Eu não conseguia tirar os olhos dela. Recebi o presente que eu pedia há anos, lembrando daquele abraço, daquele cheiro, daquele perfume. Meu pai me entregou uma caixinha preta pequena, com a chave de um carro dentro.
Eduardo: SÉRIO? — Ele assentiu sorrindo.
Eduardo: Cadê?! — Putz, que discreto... Eu não desconfiei nem um pingo de que ele faria isso. Super me enrolou...
Jonas: Tá lá fora. Bem lá na frente. — Puta que pariu. Eu imaginava um carro... Mas não aquele. Tinha uma Hilux SW4 preta parada lado a lado com a do meu pai. Mesmo ano, modelo, mas branca. AHHHHHHHH. Eu não estava acreditando... Senti a raiva dar lugar a um sentimento tão bom, que por um segundo até me esqueci que tinha feito a maior merda do dia. Quando vi, pelo retrovisor, Gabi atravessar a rua e entrar no carro junto com a mãe eu lembrei. Lembrei que eu devia ter ignorado Gustavo e agarrado-a bem ali.
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