Ao Seu Lado
12 Capítulo doze, Jonas
Eu realmente me sentia o cara mais feliz do mundo por mesmo depois de tanta confusão, de tanto disse-me-disse estar sob controle dos meus dois filhos. Deu trabalho? Claro que deu. Deu e ainda sei que vão me deixar de cabelos brancos! Mas eu amo cada um de um jeito incondicional e único: foram eles que me despertaram pra vida, que me moldaram e me fizeram enxergar o homem que eu sou hoje.
Larissa continuava a mesma menina doce e meiga de pequena: singela, preocupada, atenciosa com todo mundo: ela era a dona da minha maior saudade e o motivo das minhas viagens quinzenais pra Coité até que eu pudesse trazê-la pra cá. Pra perto de mim.
Eduardo é um caso a parte. É um bom menino, prestativo, dedicado, disciplinado. Foi duro, mas parece que agora eu tô conseguindo colocar ele no eixo. Ele já me deu e me dá muito trabalho! Só que eu me vejo numa situação pra lá de complicada: eu o vejo fazer tudo que eu fazia na idade dele e tenho que pensar e pesar as palavras antes de reclamar.
Ah... Mas se eu não tivesse feito tudo o que fiz, talvez não estivesse como estou hoje. Talvez não tivesse tido filhos tão novo... Talvez não tivesse metido a cara e vindo embora em busca de melhores condições de vida... Talvez eu tivesse ficado de festa em festa pela região do sisal e não tivesse ajudado o meu pai a estar onde está hoje. É... Talvez os erros sejam mesmo primordiais na busca do sucesso. E é por isso que eu procuro sempre me colocar no lugar de qualquer um dos dois antes de largar uma bronca. Aliás, nem só nessas situações: nas horas boas, como a comemoração dos 18 anos do Eduardo, também me coloquei no lugar dele quando tinha a mesma idade e procurei um presente à altura. Deixei que ele fizesse do jeito que o agradasse e o restante eu ia completar no final da festa. E foi por isso que ele me encheu o saco quando eu disse que seria o último a entregar o presente. Eu e Lari, na verdade. Ela que me ajudou a escolher e arquitetar o plano da surpresa: surpresa essa que Eduardo até que tem esquecido nos últimos dias... Tipo agora: eu estava ajudando o churrasqueiro com as carnes e ele tava lá no quiosque com a galera... Nem aí. Um monte de amigos, a namorada – não tinha me apresentado... Mas eu vi o beijo que ela deu logo que chegou –.
Jonas: Olha aqui, ó. Já pode colocar essas daqui também. – Coloquei mais um vaso com carnes na bancada da pia. Ele assentiu.
Churrasqueiro: Agora, patrão! – Enchi o copo dele com Bohemia e deixei a garrafinha do lado.
XX: JONAS! – Era a minha mãe.
Elisabeth: O interfone está tocando! – Eu fui atender. Tinha um Compass parado um pouco à frente de casa e uma menina que, quando eu puxei o zoom, reconheci que era Gabriela. Aí eu fui abrir o portão.
Jonas: Oi Gabriela, tudo bem?
Gabi: Oi tio! – Abracei-a de lado.
Jonas: Juliana? – Era ela. Os cabelos longos pretos continuavam como na minha memória: comumente presos num rabo de cavalo. E o sorriso ainda era capaz de iluminar qualquer região sombria.
Juliana: Oi Jonas! Como vai? Vim deixar essa boneca aí... Mais tarde passo aqui pra buscar.
Jonas: Ah, não vai descer?
Juliana: Acho que não é uma boa hora, não é? – Ela sorriu entredentes.
Jonas: Qué isso! É uma ótima hora! Estaciona aí e desce! – Sorri. Ela ficou meio sem jeito... Mas estacionou o carro na vaga um pouco a frente a minha casa e desceu. Era incrível, mas ela continuava do mesmo jeito. O cabelo, o corpo, o sorriso... Parecia ser tudo igual à de anos atrás só acrescidos de maturidade, que era justamente o que nos faltava naquela época.
Nós nos amávamos sem pudor e acabava sendo muito solto. A verdade é que não nos levávamos a sério e o destino fez com que convivêssemos com as consequências das nossas ações e não das nossas escolhas. Fomos travados por nossas imaturidades.
Juliana: Ai... Eu nem vim preparada pra isso. – Ela riu, olhando a roupa em que estava vestida.
Jonas: Nada disso! Você está linda. – Puxei a Juliana pra um abraço forte e senti ter viajado no tempo por segundos. Quanto tempo!
Jonas: Vem! Ah, Gabriela! Vou chamar Eduardo. – Eu entrei em casa caminhando devagar conversando com Juliana e chamei umas 98734 vezes por Eduardo e ele nem virava. Af. Chamei até ele vir.
Jonas: Tem meia hora que eu te grito. – Ele nem olhou pra mim! Os óculos escuros não foi capaz de disfarçar o olhar dele naquela menina. Ri imaginando que realmente eu estou assistindo a nossa história se repetir. Eu só peço e espero que eles não sejam tão prisioneiros do tempo que nem eu tô sentindo que fui agora.

Eu tenho certeza que ela não tem mais essa foto, até porque eu estava totalmente contra a vontade dela: primeiro por estar tirando a foto; e depois que ela tinha ODIADO o meu novo visual só com esse bigode. Ah... Esse dia Juliana não queria nem me beijar. Mas se tinha uma coisa que eu amava, era ver aquele rostinho lindo com raiva. Oh se amava!
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