Ao Seu Lado
1 Eu não aguento ficar longe de você
–- Hey Aristocrata!! Volte aqui! – Gilbert corria atrás de Roderich, que saíra andando, irritado com mais uma de suas provocações.
Sempre era assim, o albino sempre estava ao lado do pianista. Por mais que ele implicasse com Roderich, por mais que o irritasse, ele sempre estava lá, ao lado dele. Isso porque não conseguia ficar muito tempo sem vê-lo. Continuou andando rápido e sem esforço conseguiu alcançá-lo, segurando-o pelo braço. Roderich se virou rapidamente, pronto para dizer poucas e boas para Gilbert, mas logo foi interrompido:
–- Eu estava de brincadeira..
–- EU SEI!! Mas a atendente não sabia! Agora como é que eu vou voltar lá? Ela deve estar achando que eu sou um pervertido e sem vergonha!
–- Não, ela deve estar achando que eu sou um pervertido e –
–- Tá! Agora me deixa em paz!! – Roderich disse se soltando de Gilbert e andando até a sua casa, que agora estava bem perto.
Gibert foi com ele (afinal, moravam juntos!) e entrou na casa, sem dizer mais nada. Roderich estranhou a quietude do outro, e pensou que talvez fora muito duro com ele. Mas logo depois pensou “aah! Ele merece!” e foi para a sala beber um pouco de chá.
Enquanto ele fazia o chá, era de costume Gilbert aparecer e ficar com ele na cozinha, enquanto fazia piadas sobre ele ser “uma ótima esposa” , “uma dona-de-casa perfeita” e outras do mesmo tipo, fazendo o austríaco corar de vergonha e raiva e começar a chamá-lo de “indecente”, enquanto atrasava ainda mais seu precioso chá. Desde que Elizabeta se mudara, dando lugar ao prussiano, Roderich tinha que cuidar da casa praticamente sozinho.
E era assim que estava naquele momento; sozinho. Sem piadinhas ou provocações, ele estava sozinho na cozinha. Por vezes tinha se imaginado assim em paz, mas agora que estava na cozinha, com tudo em silêncio, começara a pensar... “E se ele ficou chateado comigo?” pensava, mas depois se repreendia. “Não, Roderich! Você sempre foi assim, ele também! Se tem algo acontecendo, então a culpa não foi sua!” ele tentava se convencer, mas logo depois voltava a imaginar se tinha ferido os sentimentos de Gilbert.
Como não tivera nenhum albino lhe tirando a concentração, o chá ficou pronto rapidamente, e Roderich começou a encará-lo com um ar de dúvida. Quando tinha Gilbert ao seu lado depois de preparar o chá, ele roubava sua xícara de vez em quando e bebia um pequeno gole, irritando o austríaco que dizia para ele encher uma xícara só para si. O albino não bebia na própria xícara, mas sim, ele bebia chá todas as tardes junto com Roderich. E agora? Roderich se viu perdido. O que deveria fazer? Sentar na mesa da cozinha e beber o chá? Procurar o albino e oferecer-lhe chá? Esquecer o chá e ir atrás de Gilbert?
Lhe pareceu mais plausível ir atrás de Gilbert e oferecer-lhe chá, e foi isso que ele fez. Deixou o bule na mesa, e foi procurá-lo. Passou pela sala, pela biblioteca, mas ele não se encontrava lá. Então resolveu ir até o quarto dele, e educadamente, deu leves batidas na porta com os nós dos dedos, antes e murmurar um “Gilbert? Sou eu, o Roderich.” E não teve resposta. Um desespero lhe bateu, e sua imaginação não tardou a produzir milhões de justificativas para o silêncio do mesmo. Ele poderia estar desmaiado, poderia ter fugido pela janela (?), poderia estar chorando(?!), poderia...
–- Hey Gilbert... – Roderich começou – por que você não me responde? Aconteceu alguma coisa? — e ele não teve resposta, apenas silêncio.
–- Ahn... eu fiz chá. Você vai querer? Se não quiser, tudo bem... Eu entendo. Mas se quiser, tem lá na cozinha.
E Gilbert não respondeu nada novamente. Roderich começou a se desesperar. Tinha feito algo tão errado assim?
–- Mas... ! Se você preferir, eu posso trazer até aqui! Err... Você está me ouvindo mesmo?? Olha, eu fiz algo errado? Você sempre fica me irritando com essas piadinhas de “esposa” e etc... E eu nunca fiquei assim com você! ... Só algumas vezes....
–- ....
–- Tá, você tem razão, eu sempre fico irritado! Mas quem não ficaria? Ninguém gosta de ser uke! — sem resposta de Gilbert, novamente Roderich insistiu, hesitante.
–- Você vai continuar me ignorando? Não precisava ter levado tão à sério assim!!
–- ...
–- Err... você não quer falar comigo, não é? ... Eu te entendo, sou mesmo um chato... Vou te deixar em paz...
–- ...
–- Ahn... Eu estou indo, ein!? — Roderich disse, já passando do estágio de desesperado prara algo pior.
–- Agora... Eu vou voltar pra sala... — apesar de estar ameaçando ir embora, ele não tinnha saído do lugar. Se sentia ridículo fazendo tudo aquilo, estava óbvio que Gilbert tinha se cansado dele. Conformado com os próprios pensamentos, se calou.
–- ... Admita. – Gilbert disse com a voz rouca, mas audível. Roderich corou e entendeu: ele estava encostado do outro lado da porta durante todo o “discurso”.
–- ah... O quê? – perguntou ainda envergonhado por tudo o que dissera
–- Admita, Roderich. – disse com a voz seca – Você não aguenta ficar um segundo sequer sem mim. – E então houve um silêncio. Roderich, que antes estava vermelho, agora estava quase roxo, de tanta vergonha que sentia. O que falar?
–- kesesesese ~ — riu baixo o prussiano – Ficou sem fala, aristocrata? Essa é a verdade. Você reclama, me xinga, me bate, mas não consegue ficar longe da minha incrível pessoa.
–- n-não é verdade...
–- É sim. – interrompeu. – Tinha que ter gravado você falando comigo agora, todo educadinho. Kesesesesesese... Até me ofereceu chá! – ele ia voltando ao seu tom normal de voz aos poucos.
–- não é verdade, eu-
–- Pare de mentir. – o interrompeu novamente, a voz acusatória e voltando ao tom seco e amargo. — ... Admita, Roderich. Você gosta da minha companhia.
–- Mas que absurdo! Eu não gosto! Eu-
–- ADMITA!
–- ...
–- Enquanto você não disser uma verdade, eu não vou sair desse quarto, Rod.
–- ...
–- Não vai dizer, não é? – disse em um tom melancólico, mais para si mesmo do que para Roderich. – Eu já devia imaginar que-
–- Eu admito. – disse o austríaco num murmúrio baixo.
–- Você o quê, Rod? Repita que eu não escutei...
–- Eu. Admito. – disse por fim, derrotado, se remoendo de raiva de si mesmo, e do prussiano.
–- âhn? Admite o que? – Gilbert se fez de desentendido.
–- Eu não agüento ficar um minuto sem você. – disse, contrariado e corado. Não queria estar dizendo aquilo.
–- ...
–- Pronto, FALEI! Feliz, agora?! Seu maldito idio- não pôde terminar de falar, pois a porta se abrira num só ato e Gilbert juntara seus lábios com urgência. Primeiramente, ele levou um susto com o ato repentino, mas logo depois enlaçou seus braços no pescoço do maior, juntando ainda mais seus lábios.
Logo tiveram que se separar pela falta de ar, e Gilbert o observava corar fortemente. Apesar de estar quase morrendo de tanta vergonha, Roderich não se separou de Gilbert, nem desviou o olhar. O albino encostou sua testa com a do menor, dizendo:
–- Eu também não aguento ficar longe de você, aristocrata. – e então abriu os olhos vermelhos encarando-o diretamente – Eu te amo, Roderich.
Notas finais
É que eu fiquei em dúvida se exagerei no tamanho dos diálogos, gostaria de saber se ficou bom '-'
Fale com o autor