Ao Entardecer

1 CAPÍTULO 1 - Tranformação


Mary acordou assustada, no sonho os gritos de seus pais ainda ecoavam na cabeça da garota. ''Você deveria estudar um pouco mais'' ''Você só sabe ficar no celular'' Todas essas palavras ficavam se repetindo na mente dela, era a segunda nota vermelha que ela tirava esse ano e as notas dela só diminuíam a cada dia, principalmente agora depois do término de seu namoro com o popular, lindo e grande goleiro da escola Kevin. Não era de se esperar que a garota estivesse arrasada, foi difícil conquistar o garoto mais gato da escola. E agora levar um fora dele e ainda um dia antes do grande baile, foi a coisa mais humilhante que já tinha acontecido a ela, dês de o mico que ela pagou na festa da cidade, quando ela derrubou uma estátua e foi expulsa da igreja. Como alguém pode ser expulso de uma igreja?

O celular de Mary tocou em cima da mesa de cabeceira, ela ainda sonolenta, toda desarrumada e com a cara amassada do travesseiro, esticou a mão para pegar o celular ali do lado da cama e atendeu, jogando seus cabelos longos e castanhos no travesseiro ao lado.

— Alo — Ela disse ainda deitada olhando para o teto e brincando com a ponta do cabelo.

— Mary, bom dia amigaaaaa me fala já escolheu seu vestido? — Perguntou a voz no celular

Era Tatia, sua melhor amiga, a maior patricinha da escola e com certeza a pessoa mais animada para esse baile.

— Hello em que mundo você vive? o Kevin me deu o fora ontem se lembra? Eu não vou nesse baile idiota — Respondeu Mary revirando os olhos

— Sério que você vai ficar em casa por causa daquele idiota? Amiga você precisa sair, mostrar que você não está se importando com o término do namoro — Insistiu Tátia

— É fácil pra você não é, você vai com o Lucas, mas não vai ser legal quando eu chegar sozinha e ainda ter de ver Kevin chegando acompanhado

— Amiga não pira, talvez ele nem vá

— Tenho certeza que ele vai.. mais não me importa eu não vou e não quero que insista mais

— Está bem... mas vou sentir falta de você amiga, quem vai beber comigo?

— Você vai ficar bem, sei que vai ser a rainha do baile, só não bebe muito ok

Mary desligou o celular e foi para o banho, ela estava disposta a passar o dia todo fazendo trilha pela floresta que tinha na saida da cidade, era um lugar bacana onde as pessoas iam de vez em quando para se divertir, acampar e as vezes até pescar, pois tinha um lago lindo de águas cristalinas bem no interior da floresta que era muito frequentado de finais de semana.

(...)

Stefan ainda estava com os olhos marejados, o garoto não se conformava por Túlio ter convidado sua inimiga para o baile da escola, tudo bem que ela era uma menina linda, porém ela era má e sempre zombava de Stefan, não com a aparência pois Stefan também era um menino lindo e que chamava muito a atenção das garotas. Mas ele era um pouco tímido e isso era motivo de piadas para algumas pessoas. Stefan estava arrumando sua mochila, o garoto tinha passado a noite toda acordado pensando em seu amor ''platônico'' seu melhor amigo Túlio. Claro que Túlio nem sonhava que Stefan fosse gay e menos ainda que seu amigo fosse apaixonado por ele, isso era a parte mais difícil para o rapaz, esconder seus sentimentos pelo amigo e ainda ter de ajuda-lo com suas paqueras. Por isso ele resolveu sair hoje para acampar, não queria ir aquele baile, menos ainda pra ver seu grande amor acompanhado daquela irritante garota.

— Filho, você tem certeza de que a Mel vai com você nesse acampamento? — Perguntou sua mãe preocupada enquanto o filho terminava de fechar sua mochila

— Sim mãe, ela vai relaxa, eu não vou assim tão longe, vou na floresta aqui na saida da cidade — Disse o rapaz moreno de olhos verdes, seu cabelo jogado nos olhos as vezes o atrapalhava então ele o jogava de lado

— Não entendo porque você não queri ir ao baile, todos estavam super empolgados na escola, não se fala em outra coisa ha meses

A mãe de Stefan trabalhava na biblioteca da escola, ela via a animação dos alunos e a ansiedade de alguns com esse baile, porém estranhava a reação do filho ao falar desse evento.

— Eu não gosto dessas coisas mãe, juro que estou bem só quero respirar um pouco de ar puro, sem muitas pessoas ao meu redor, sem bagunça, sem música

Na verdade o garoto não estava nada bem, porém não poderia contar para sua mãe tudo o que se passava pela sua cabeça, ela não sabia sobre sua sexualidade e ele queria manter as coisas assim no momento, não se sentia preparado para falar.

(...)

No balcão de uma lanchonete, Sam continuava entediada, não era a primeira vez que seus amigos arrumava um encontro para ela. Isso já estava ficando um saco, ainda mais porque ela não se interessava por rapazes e era uma tortura ter que fingir para seus amigos que ela curtia, mas todas as vezes mentir que o encontro não deu certo. Ela já havia usado várias desculpas, tipo: ''A gente não combinou'' ''ele era chato'' ''Ele se achava demais'' Sam já estava pensando na próxima desculpa que daria a seus amigos quando eles perguntassem sobre o encontro de hoje.

— Você não fala muito — Perguntou o rapaz que via o tédio nos olhos da garota que estava de braços cruzados olhando para o relógio a todo momento

— Já você fala demais — Ela pensou alto

— Desculpa, o que você disse? — O rapaz perguntou sem entender

— Nada..., falei que eu preciso ir, vou para o baile da escola hoje

— Olha eu também vou... — O rapaz disse tentando pegar a mão de Sam

— Ai que ótimo — A cara de Sam era de raiva disfarçada com um sorriso

— Espere só um segundo, vou no banheiro e depois eu te acompanho até sua casa, assim já peço permissão da sua mãe para te levar ao baile

— Vai lá — Sam murmurou com um sorriso forçado

Sam aproveitou o momento que o garoto entrou no banheiro e se levantou depressa pegando sua bolsa e saiu correndo da lanchonete, chamou um táxi que estava passando e subiu depressa no carro que parou quase em cima da menina

— Você está louca? — Gritou o taxista

— Ainda não, mas se eu ficar um pouco mais aqui eu vou ficar... vai me leva daqui — Disse a menina para o motorista

— Pra onde você vai? — Perguntou o taxista

— Ah sei lá, acho que em casa ele vai me procurar, me leva para o final da cidade, vou fazer trilha na floresta — Respondeu a moça

— Certo, é um bom dia mesmo para tomar banho de rio no lago azul, com esse baile de hoje, não vai ter muita gente por lá

O lago azul, assim era conhecido aquele lago que ficava na saída da cidade no interior da floresta. Não tinha lugar melhor para fugir de alguém do que lá.

(...)

Mary chegou ao lago, a princípio parecia tudo normal, não tinha ninguém lá o que era um alívio para a garota que queria ficar um tempo sozinha. A menina apenas se sentou na beira da lagoa e colocou seus pés na água, depois tirou um livro da mochila que estava do seu lado e começou a ler.

Stefan estranhou quando chegou com sua barraca e viu uma moça sentada na beira do lago. Ele se aproximou um pouco depois jogou suas coisas no chão o que fez um barulho assustando Mary que olhou para trás de olhos arregalados

— Ai que susto cara... faz isso não — ela disse com a mão no peito

— Foi mal, não pensei que teria alguém aqui hoje, principalmente uma garota — Disse Stefan

— E porque? Esse lugar é exclusivo para garotos? — Disse Sam indgnada

— Não, não é isso... eu disse por causa do baile, as garotas geralmente adoram essas festas — respondeu Stefan rápido se desculpando

— Mas os garotos também gostam e no entanto você também está aqui então...

— Ok.. Desculpa não vou mais falar, juro que vou ficar quietinho aqui, sério mesmo

— Cara

— o que?

— Você ainda tá falando

— Ai, Desculpa

Stefan não abriu mais a boca, apenas começou a armar sua barraca enquanto Mary voltava a sua leitura. O Silêncio durou por alguns minutos, dava pra se ouvir o som dos pássaros e as folhas das árvores balançando.

Depois de um tempo se ouviu um grito, foi quando de repente surgiu uma garota maluca correndo apenas de biquíni. Ela pulou na água fazendo um barulho enorme, espirrando água no livro de Mary e também em sua roupa, o que fez a garota abrir a boca incrédula e nervosa. Mary lançou um olhar fuminante para a garota. Era Sam, a menina tinha um corpo belíssimo, seus cabelos ruivos chamavam muito a atenção apesar de sua beleza é claro.

— Ai garota você tá maluca? — Gritou Mary passando a mão pelo cabelo molhado indignada

— Desculpaaaa — Ela respondeu rindo e mergulhando

— Foi um mergulho maravilhoso — Disse Stefan aplaudindo a garota

— Você cala a boca garoto, não dá mais moral pra essa menina — Mary se virou furiosa olhando Stefan que estava em pé atrás dela

— Ah qual é, que mal humor é esse? entra a água está uma delícia

— Está maluca eu nem conheço você e você molhou todo meu livro, custou caro sabia?

— Bom, tudo bem então... e você garoto? vem? — Convidou Sam espirrando um pouco de água com as mãos

— Ahhh eu vou — Falou Stefan, tirando sua camisa, mostrando um lindo corpo sarado

Stefan pulou na água e os dois ficaram jogando água um no outro e também disputando mergulho. Mary se levantou, a garota estava disposta a ir embora, seu objetivo de ficar sozinha tinha ido por água abaixo literalmente.

— Aonde você vai — Perguntou Sam ao ver a garota se afastando

— Vou voltar pra casa — Disse Mary

— Ahh entra aqui com a gente, ou você também é uma dessas que estão loucas para ir ao baile hoje?

— Não.. eu não vou a esse baile idiota

— Então, vem aqui com a gente.. me desculpa pelo seu livro eu prometo que te compro outro.

Mary suspirou deu um sorriso de canto e começou a tirar a roupa ficando apenas de biquíni também, mostrando que ela também tinha um corpo perfeito. Ela também pulou na água e os três acabaram se divertindo juntos a tarde toda. Durante uma das brincadeiras de mergulho Stefan encontrou uma pedra, era uma linda pedra azul brilhante parecia um diamante, porém era estranha, ela parecia estar brilhando por dentro como se tivesse uma luz dentro dela.

— Que linda — Disse Mary olhando a pedra

— Será que é valiosa? — Disse Sam encantada com aquela pedra

— Se for acabamos de ficar ricos — Gritou Stefan que segurava a pedra nas mãos enquanto as outras a admiravam.

Quando o sol começou a se por a pedra começou a se diluir o que deixou os garotos assustados, ela parecia estar derretendo nas mãos de Stefan e caindo no lago como se tivesse virado água, mas aquela água da pedra iluminou todo o lago como se ele estivesse cheio de luz, foi uma coisa maravilhosa de se ver, mas também muito estranha. Os três então deram as mãos e ficaram ali olhando aquele fenômeno. A pedra sumiu depois de se diluir totalmente, o sol tinha se posto e a noite caiu sobre a pequena cidade. As luzes na água tinha se apagado, então os três saíram do lago e vestiram suas roupas.

— Isso foi muito estranho — Disse Mary

— Foi muito legal — Disse Sam

— Tá certo, foi legal e estranho — concluiu Stefan

— Bom, eu preciso ir — Falou Sam pegando sua bolsa do chão

— Também estou indo, vamos juntas — Falou Mary pegando sua mochila depressa

— Até mais garotas — Disse Stefan entrando na barraca

— Você vai dormir ai sozinho? — Perguntou Sam

— Sim, eu adoro esse lugar

As meninas deram um sorriso uma para a outra e depois sairam dali.

Mary chegou em casa e foi direto para o banheiro tomar banho, depois de se lavar a menina foi para a cama e se deitou jogando o cobertor até a nuca.

Sam também estava deitada, ela ficou por horas acordada falando com seus amigos que estavam super preocupados com o sumiço dela.

Stefan pelo contrário dormiu tão rápido, talvez pelo cansaço ou pelos remédios que tomou para o ajudar a dormir depois de chorar uma noite inteira por alguém que ele amava.

Assim que o dia amanheceu, Stefan foi até a beira do lago e se espreguiçou. Depois de fazer seus exercícios matinais o garoto se abaixou e tocou na água para lavar o rosto. Antes mesmo que o garoto pudesse voltar pra barraca para enxugar seu rosto ele sentiu algo estranho, ele caiu no chão do lado da barraca e ficou incrédulo quando viu suas pernas se transformando em uma enorme calda azul com um rabo enorme. era uma cauda de peixe, apesar de ser linda com escamas azuis que pareciam brilhar como se tivessem luzes ou se fosse florescente. Coisa impossível eu sei, mas foi o que aconteceu com o garoto que também ficou olhando para sua cauda incrédulo e assustado ao mesmo tempo.

(...)

Mary ao acordar foi direto para o banheiro, a moça tirou a roupa para tomar seu banho matinal, abriu o chuveiro e ficou debaixo daquela água quentinha e gostosa, estava tudo bem até que ela começou a sentir as mesmas sensações que Stefan, Mary caiu no banheiro o que fez um barulho enorme que assustou sua mãe que correu até a porta do banheiro e ficou gritando a filha

— Mary... filha o que foi tá tudo bem? Ouvi um barulho

A garota ficou como Stefan, assustada e de olhos arregalados ao ver que no lugar de suas pernas surgiu uma cauda enorme e azul, em seus peitos pareciam ter surgido duas conchas da mesma cor da cauda e que brilhavam muito também. Isso assustou muito a garota que não estava acreditando no que estava acontecendo

— Filha.. seu pai vai arrombar a porta — Sua mãe gritou pela última vez

— Não.. mãe.. tá tudo bem... foi só uma coisa que eu derrubei — Gritou a menina

— Poxa que susto Mary.. vê se responde quando eu pergunto poxa, achei que você tinha desmaiado no banheiro

— Não mãe, desculpa eu estava com o fone de ouvido e não te ouvi

(...)

Sam estava saindo para sua piscina, a moça se espreguiçou no sol deixou sua toalha em cima da cadeira de espreguiçar, ela deu um mergulho rápido e já saiu da água e se sentou na cadeira para tomar aquele solzinho que estava realmente muito bom essa manhã. Foi quando a moça se deparou com a mesma cauda e as conhas no peito. Sam queria se levantar e não conseguia e acabou caindo no chão, por sorte seus pais já tinham saído de casa, ela ficou se arrastando no chão assustada olhando para aquela cauda azul.

Notas finais
Eu sempre quis fazer uma História de Sereias, pois é minha paixão. Se você leu e gostou,deixa um comentário para que eu possa continuar a escrever beijinhos ♥