Ao Despertar
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Uma semanas antes
Naquela manhã o tempo estava fechado, isso deixava Maria de fato desconfortável, a chuva lhe causava um terrível incômodo. Será que sempre era assim naquela região? Perguntou-se em pensamento.
Do lado de fora da casa, Maria esperava Doutor Heriberto, ele ligava todas as manhãs para a avisar de mais uma consulta. Heriberto tratava de sua amnésia e toda semana buscava Maria em casa para mais exames e atividades, apesar de Estevão não saber desse fato, algo que deixava Maria pensativa, por que seu marido se recusava a tratar de sua doença? Além disso lhe deixar com dúvidas, a fazia se sentir impotente, sempre precisaria de pessoas para sobreviver, era assim que Maria estava se sentindo, vunerável, já não vivia, estava somente sobrevivendo e dependendo de seu marido e médico. Mas, apesar das circunstâncias não serem tão favoráveis, ela preferia tentar reverter seu quadro clínico do quê não fazer nada a respeito.
Maria suspirou apertando as mãos uma na outra para aquecer do frio; olhou para os lados e o silêncio era o seu companheiro, a brisa gélida lhe tocava o rosto, deixando-a com as bochechas levemente vermelhas, os pássaros cantarolavam na floresta calma. Maria fechou olhos e respirou fundo, pensou no que seu marido lhe disse naquela manhã. Sua amnésia era grave e poderia nunca mais ter suas memórias de volta.
Maria soltou o ar pela boca descontente e triste, somente sabia o que Estevão lhe dizia e agora teria mais um encontro com seu médico, uma consulta que tinha todos os dias, mas que para ela, era como se fosse sempre a primeira vez.
Ainda de olhos fechados, o som suave de um motor de carro fez Maria abrir os olhos, avistou um carro preto se aproximando, era ele, Heriberto. Ela apertou a mão na sua bolsa de lado e passou uma mecha de cabela para traz da orelha. Maria sentia-se muito perdida.
No banco de passageiro, Maria calada olhava para o lado de fora vendo aquelas tantas árvores passar e percebendo que não havia mais casas por ali. Olhou para Heriberto e ele estava a olhando, mas logo desviou o olhar para a direção.
Heriberto respirou fundo e disse.
— Eu sei que isso não é uma relação adequada de médico e paciente.
Maria o olhou sem entender e Heriberto prosseguiu.
— De apanhar você todas as manhãs em casa, isso não deveria acontecer, mas você não tinha ninguém para te levar as consultas.
— E Estevão por que não me leva?
— Seu marido não quer mais que faça isso. Disse que nos seus últimos tratamentos você sofreu muito e ele não quer vê isso acontecer de novo.
— Como nos conhecemos Doutor?
— Quando vocês chegaram na cidade, poucos dias depois eu soube do seu caso e como essa é a área em que atuo e estou fazendo umas pesquisas, seu caso me chamou atenção. Tentei falar com seu marido, ele nem olhou direito na minha cara. — Heriberto sorriu balançando a cabeça negativamente — Disse o que acabei de lhe falar, que você sofreu e que vocês se mudaram para essa região justamente para te trazer paz. Até que um dia eu tive sorte, posso dizer assim, de falar com você. Te vi sozinha no parque, atrevi a me aproximar e me apresentei para você e desde então sou seu médico. Você merece ficar bem Maria e eu vou te ajudar.
Clínica Rios Bernal
Na clínica, Maria foi direcionada por Heriberto até sua sala. Sentada na cadeira, ela estava aterrorizada vendo fotos suas desfigurada, chorou e olhou Heriberto angustiada.
— Quem fez isso comigo? Por que Estevão disse que foi um acidente que eu tive? Eu não entendo. — Maria colocou a mão na boca, apavorada.
— Acredito Maria, que ele te conta que foi um acidente para não ser tão duro para você e também para ele.
— O quê? Mas como assim?
Heriberto virou as páginas daqueles documentos e mostrou para Maria algumas manchetes de jornais, em relação ao seu atentado.
Maria aflita passou os olhos no jornal e tocou na imagem daquele hotel, era um hotel antigo, porém chique e muito bonito. Maria sentiu um arrepio percorrer todo seu corpo. Leu em voz alta o que estava escrito na manchete.
— "Mulher encontrada quase sem vida em quarto de hotel" — Maria apavorada olhou para Heriberto — Mas o que eu fazia em um hotel? Quanto tempo estou assim?
Heriberto respirou fundo e ficou a olhando, até que Maria alterada levantou da cadeira e perguntou.
— Quem fez isso comigo Heriberto, quem? Alguém tentou me matar, meu Deus.
Heriberto passou a mão no rosto, era sempre difícil para ele contar a Maria isso. Apontou a cadeira para ela voltar a sentar e apoiou os braços na mesa, ficou a olhando sentar e confessou.
— Seu atentado foi a quase um ano, você se mudou para cá a uns dois meses, é tudo o que sei. Ninguém sabe quem fez isso com você, a única pessoa que sabe é você mesma. O laudo médico diz que você teve intensos e repetidos golpes na cabeça e também apontou tentativa de estupro.
Maria desviou o olhar de Heriberto, olhou aquelas fotos de seu atentado, estava horrível; apoiou os cotovelos na perna e cobriu o rosto chorando alto. Heriberto deu a volta na mesa e se agachou virando a cadeira de Maria para ele e levantou seu rosto que estava banhado em lágrimas, seus olhos estavam vermelhos e sem brilho.
— Maria, não sabe o quanto é difícil para mim ter que te falar todas as manhãs isso, eu sei que para você é mais difícil ainda e muito doloroso, mas eu te prometo que vou curar você. Sei que não apagará o que lhe aconteceu, mas você vai superar, você é uma mulher forte e corajosa, não precisará passar por essa dor como se fosse sempre a primeira vez. Tenho a certeza que vai ser muito feliz ainda Maria.
Maria em um impulso abraçou Heriberto e continuou chorando em seu ombro, estava tremendo e ele a fez levantar e a abraçou mais forte sentindo o aroma de seus cabelos, fechou os olhos e ficou ali a consolando, passando as mãos em suas costas para lhe acalmar.
Até que Maria desfez o abraço e o olhou nos olhos, bem de perto, sentindo sua respiração quente e seus olhos verdes a olhar com intensidade. Heriberto tirou uma mão da cintura de Maria e tocou seu rosto limpando as lágrimas carinhosamente.
Maria se afastou lentamente com a cabeça baixa e sussurrou.
— Me desculpe Doutor.
Heriberto respirou fundo, a olhou de costas e tocou seu ombro e disse calmo.
— Tudo bem, Maria. Vem senta aqui.
Heriberto a levou até um sofá e foi até o bebedouro pegar água. Ele trouxe e ela pegou com as mãos trêmulas e bebeu um gole.
— Depois vamos fazer seu exame, trouxe as fotos que lhe pedir?
— Sim — Maria respondeu confirmando com a cabeça.
Sala de Exames
Com roupa de hospital, Maria estava deitada na máquina de ressonância magnética, com dois fios grudados um de cada lado de sua cabeça. Na sua frente havia uma tela computadorizada, por ali passariam as fotos que ela trouxe. Respirou fundo e fechou os olhos e escutou Heriberto falar com ela pelo alto falante.
— Está pronta Maria?
— Sim, Doutor.
— Tudo bem, então abra os olhos e não os feche e o mais importante, não se mexa.
Maria abriu os olhos, o barulho da máquina a deixou aflita de início, mas tentou se acalmar e se concentrar na tela em sua frente que logo ligou. Algumas fotos de pessoas que ela não lembrava, mas que fizeram parte de sua vida, começaram a passar lentamente, uma por uma. Com cerca de dez minutos ali, a medida que as imagens iam se repetindo, acelerava cada vez mais, Maria começou a ter dificuldades para manter os olhos abertos.
Heriberto na outra sala observava Maria pelo vidro, colocou seus óculos e olhou para o computador, aonde mostrava as reações cerebrais dela. E mantendo o olhar fixo no computador, Heriberto apontou para Carlos, seu assistente e disse.
— Carlos, aumente a velocidade.
Em um nível mais acelerado das fotos, as pálpebras de Maria começaram a tremer e não aguentando mais fechou os olhos sentindo dor de cabeça. Heriberto parou a máquina e pediu para seu assistente remover Maria dali e ficou olhando o computador.
Sala de Heriberto
Maria estava sentada e já havia sido medicada com analgésico, ela fazia cara de dor e fechava os olhos tocando sua têmpora. Heriberto entrou na sala com alguns papéis e observou o semblante de desconforto de Maria.
— Logo sua dor de cabeça irá passar, Maria.
— Alguma coisa positiva desse exame? — perguntou Maria, soando ironicamente.
Heriberto a olhou e sentou em sua cadeira, dizendo.
— Vamos saber agora.
Heriberto entregou uma foto para Maria e perguntou.
— Você sabe quem é essa mulher?
Maria pegou a foto e ficou olhando, era ela e uma mulher loira de olhos azuis abraçadas e sorrindo. Maria se esforçou para lembrar, mas não conseguia, parecia nunca ter vivido aquele momento. Se frustou e irritada disse.
— Não lembro, não sei quem é. Eu deveria saber não? Isso é inútil Doutor.
Maria largou a foto na mesa e Heriberto, esperançoso, disse.
— Você sabe quem ela é, não lembra, mas sabe, seu cérebro teve uma manifestação violenta sobre essa foto, creio que essa mulher seja alguém muito especial em sua vida Maria.
— Então isso é algo bom?
— Muito, claro que temos mais exames para fazer, mas no decorrer da semana faremos isso. No momento vou lhe receitar um medicamento, é o primeiro que vamos testar, irá te ajudar.
— Por que você não me prescreveu antes? — perguntou ela, desconfiada.
Heriberto suspirou, não era a primeira vez que Maria ficava irritada e desconfiada, já estava acostumado, não era um processo fácil para ela e ele entendia muito bem.
— Porque não era o momento, você precisava passar por esse exame de hoje. Quando você chegar em casa tome uma pílula. Tenho uma outra coisa para você.
Heriberto abriu a gaveta de sua mesa e tirou uma câmera preta e entregou para Maria junto com o pequeno frasco de remédio.
— Eu coloquei um cartão de memória, o maior que pude achar. Aí você irá se filmar e contará o que fez durante o dia, contará sua história para você mesma. É como uma espécie de diário.
Maria olhou aquela câmera e o frasco de remédio, não sabia como faria isso, já que se esqueceria aonde guardaria, seu marido não poderia saber, então teria que ser escondido e isso era impossível, visto o seu estado.
— Doutor não posso ficar com isso, se Estevão souber pode ficar irritado e se eu esconder, como sabe, vou esquecer.
— Todas as manhãs eu ligo para você, então não se preocupe, vou lembrá-la. Você vai esconder em algum lugar na sua casa, aonde seu marido não vai achar. Onde pode ser?
Maria pensou bem e lembrou que pela manhã o primeiro lugar que ela entrou foi o banheiro.
— Pode ser na descarga do meu banheiro.
— Certo. Então leve essa sacola, ela tem esse lacre, assim não irá molhar. Você coloca a câmera e o remédio dentro e esconda lá. Agora tenho que levar você para casa, vamos, amanhã eu lhe busco.
Casa San Roman
Depois de Heriberto ter deixado Maria em casa, ela recebeu a ligação de Estevão lhe avisando que não iria para o almoço, mas que faria um delicioso jantar para os dois. Maria almoçou sozinha, tomou seu remédio e guardou junto com a câmera, no lugar que havia combinado com o seu médico. Passou o resto da tarde se ocupando com qualquer coisa, era chato e entendiante, mas o que poderia fazer, já que não podia mais trabalhar com seu marido nas empresas. Foi então que Maria decidiu ligar para Estevão, queria sair para jantar em algum lugar que não fosse aquela casa. Pegou o telefone sem fio e foi até a geladeira e discou o número dele que ali estava anotado. No segundo toque ele atendeu.
— Oi carinho, tá tudo bem por aí? Você está bem?
Maria lembrou que pela manhã foi acordada com esse apelido. Estevão a despertou com cheiros e beijos, agarrado em sua cintura, com a voz rouca e com uma ereção que a fez pular da cama assustada e foi quando a confusão se formou. Maria surtou e se trancou no banheiro não entendendo nada, Estevão tentou explicar mas Maria só percebeu quem era ele quando olhou as fotos e os recados na parede e assim abriu a porta e foi só então que conversaram.
Agora, mais calma, Maria se perguntou como os dois faziam amor, ela não era mulher de deitar com quem não conhecia, pelo menos era o que Maria achava.
— Querida, você está aí?
Maria despertou de seus pensamentos e engoliu em seco, fechou os olhos e rápido fez a pergunta que a estava deixando em dúvidas.
— A gente faz amor?
Maria pôde ouvir o suspirar forte de Estevão pela ligação, ela sabia que homem nenhum ficava sem sexo ou os dois tinham relação ou ele a traía. Além de sentir as tantas emoções e sentimentos negativos em relação a sua amnésia e seu atentado, agora se sentia incapaz como mulher.
Maria o ouviu falar com alguém para se retirar e ficou apreensiva com a demora da resposta.
— Carinho, você não pode fazer uma pergunta dessas assim sem antes me preparar.
Maria mordeu os lábios nervosa e ainda de olhos fechados, disse.
— Desculpa, eu só não consigo entender como ainda é casado comigo. Eu não sou mulher para você Estevão e como todo homem, tem suas necessidades e se eu não lhe satisfaço outra fará o que eu deveria fazer e não posso.
Maria revirou os olhos com suas últimas palavras, estava agindo como se estivesse com ciúmes.
— Maria, não fala assim, você está confusa, não sabe o que está dizendo. Você é tudo para mim. Eu te amo, carinho e ninguém irá ocupar seu lugar.
— Isso quer dizer que não me trai?
— Não Maria, de onde está tirando essas ideias? Eu nunca te trai. Se quer tanto saber, fazemos sim amor e muito. Eu sou louco por você mulher.
Maria sentiu a irritação na voz de Estevão. Passou a mão na testa e suspirou sentindo doer. Estevão a amava, Maria sentia isso em suas declarações e cuidados, ela não sabia se o amava, um dia ela poderia ter o amado e esse amor poderia ter se perdido em meio a seus sonhos.
Todas as manhãs era como se fosse a primeira vez ao lado de Estevão, seria impossível amá-lo todos os dias. Quando esteve conversando com ele cedo, Maria sentiu-se sim atraída por ele, todo seu porte, seu olhar, sua voz, sua presença, isso mexeu com ela. Não queria se sentir pouca mulher, já não bastava sua amnésia, tinha que se sentir insuficiente e isso a estava deixando frustrada não tinha porquê cobrar fidelidade de Estevão, vivia somente o presente, mas naquele momento sentiu raiva e disse brava.
— Desculpe Estevão, eu não queria irritar você. Bom trabalho.
Maria desligou a ligação na cara de Estevão e deixou o telefone na mesa da cozinha e foi embora para o quarto, precisava tomar um banho. Já era fim de tarde e ela só queria deitar, comer qualquer coisa e dormir, não queria mais sair para jantar e nem chegou a fazer a proposta para Estevão, ao invés disso irritou-se fazendo perguntas e não acreditando em nada do que ele disse.
Respirando fundo Maria abriu a portar do quarto, olhou a cama desconte e quis chorar, amanhã seria um novo dia, em todos os sentidos, revirou os olhos ao recordar sua condição, estava brava com ela mesma e também indignada com sua vida, só desejava sumir, sua dor de cabeça havia voltado e só queria se jogar na cama e não acordar nunca mais.
Maria se livrou de suas roupas com certa impaciência, ficou andando nua pelo quarto atrás de um roupão limpo. Amarrou no corpo e entrou no banheiro e lembrou que teria que grudar as fotos de novo na parede ou Estevão perceberia. Foi até o quarto e abriu sua bolsa pegando as fotos e minutos depois todas já estavam colocadas novamente.
Um tempo depois. De olhos fechados e mais calma, Maria retirava o condicionador de seus cabelos, pensava em sua vida de casada, em sua consulta de hoje, no que descobriu, sofreu um atentado e quase um estupro, então isso queria dizer que alguém a queria morta, mas quem? Tinha que descobrir e para isso ia se gravar e pela manhã saberia o que teve conhecimento hoje, iria descobrir o que lhe aconteceu.
Maria suspirou e tocou com uma mão seu pescoço, se sentiu mais relaxada, sua dor havia passado e agora percebia que havia exagerado com Estevão, desligou o chuveiro, pegou seu sabonete líquido e passou pelo corpo. Naquele momento Maria se arrependia de ter desligado a ligação e agido como uma adolescente ciumenta. Estava brava com ela mesma, com a vida, com sua condição e até com a possibilidade de Estevão estar se satisfazendo com outras.
— Mas o que estou pensando?
Maria ligou o chuveiro e começou a se enxaguar, tirou todo o sabonete do corpo e ficou de olhos fechados deixando a água cair em seu corpo, como se fosse uma terapia. Até que o barrulho da porta do banheiro a fez sair de seus devaneios. Maria passou a mão no vidro embaçado para enxergar melhor e viu Estevão parado ao lado da porta com a roupa de trabalho, mas sem o terno e a gravata. Ele estava ofegante e Maria estranhou, desligou o chuveiro e Estevão se aproximou, abriu a porta do boxe, entrou e ficou olhando Maria nos olhos. Seu rosto estava vermelho, as narinas dilatadas e parecia ter dificuldades para respirar normalmente.
Maria por outro lado estava sem jeito e tentou pegar a toalha para cobrir sua nudez. Mas Estevão mais rápido deu um passo para o lado e ficou na frente. Ela o olhou e franziu o cenho, esperando que ele saísse de sua frente, mas Estevão ficou parado a olhando como se esperasse ela falar algo. Maria nada disse, ficou o encarando de cabeça erguida, ela não tava entendendo nada, sentiu um pouco de medo e deu um passo para sair do boxe e Estevão deu dois a impedindo de sair. Maria nervosa cruzou os braços, em um gesto defensivo e perguntou.
— Algum problema?
Estevão respirou fundo e olhou para cima como se pedisse calma, voltou a olhar para Maria e disse com a voz baixa, mas irritado.
— Não tem nada para me falar?
Maria deu de ombros e disse.
— Não, por que?
— Não me responda com outra pergunta Maria. Que história foi aquela de me acusar de infidelidade e ainda desligar na minha cara? Tem noção que eu saí da empresa igual um louco para chegar em casa?! Achei que tivesse alguém aqui colocando ideias em sua cabeça.
— Quem mais estaria aqui? É só eu e você, lembra? Foi você mesmo que me disse isso ou por acaso tem mais alguém que eu deveria saber?
Maria ao fim de suas palavras mostrou mais uma vez suas desconfianças, o que deixou Estevão em alerta e sem entender ele perguntou, pegando em um braço dela, que o olhou assustada.
— Não estou te entendendo carinho, seja clara, por favor.
Maria tentou puxar o braço, mas com sua agitação Estevão agarrou o outro para que ela não caísse.
— Se acalma e me diz o que está acontecendo.
Maria se irritou pela forma que Estevão a agarrou e o olhou brava, por dentro estava nervosa e querendo sair do agarre dele, estava nua e queria se cobrir.
— Me solte, me solte agora!
Estevão respirou fundo e soltou Maria, mas fechou a porta do boxe o que a deixou apreensiva.
— Por que fechou a porta? Me deixa sair por favor.
Estevão semicerrou os olhos avaliando as reações de Maria, ele começou a desabotoar sua blusa, estava começando a entender Maria, estava com ciúmes e se achando pouca mulher, coisa que ela não era e ele iria provar para Maria isso. Apesar de Estevão achar estranho o por quê de tantas desconfianças da parte dela, isso nunca tinha acontecido antes. Ainda assim ele conhecia Maria e iria mostrar para ela o lado que ela achava que estava morto.
E com uma voz rouca, Estevão disse.
— Já sei qual é o problema e vou resolver agora e provar para você que pegamos fogo e não tem amnésia que apague isso. Está nervosa e brava comigo e eu já vi esse olhar de fera antes.
Maria arregalou os olhos e deu passos para traz nervosa.
— Fique onde está, por favor.
Estevão sorriu de lado e jogou a blusa no chão, arrancou o sinto e desabotoou a calça. Maria engoliu em seco olhando o corpo dele, suas costas bateu na parede fria e Estevão andou até ela e parou a poucos centímetros de seu corpo nu, Estevão salivou a olhando com cobiça, quando ia dar mais uma passo Maria levou as mãos no peito dele como se quisesse o impedir de se aproximar mais.
— O que pensa que está fazendo? Eu não vou transar com você.
Maria tinha o rosto vermelho ao fim de suas palavras e soou vacilante. Estevão sorriu de lado e olhou para ela com seus olhos verdes intensos e cheios de desejos, pegou uma de suas mãos e começou a beijar seus dedos.
Com Maria olhando seus gestos, Estevão colocou o dedo indicador dela na boca e mordeu, o que a fez sentir uma corrente elétrica percorrer seu corpo e se mexer inquieta.
— Estevão — sussurrou Maria.
Estevão virou a palma da mão de Maria, beijou ali e depois passou sua língua quente, o que a fez juntar as pernas se sentindo excitar com tão pouco. E com beijos Estevão foi percorrendo os braços de Maria, deixando rastros quentes até chegar no seu ombro, que a fez levantar a cabeça e suspirar. Estevão aproveitou e atacou seu pescoço chupando com vontade.
Maria revirou os olhos cheia de desejo e não dando importância para mais nada puxou o corpo de Estevão para mais perto do seu e desceu as mãos até o zíper de sua calça, que em segundos já estava amutoada no seus pés junto com os seus sapatos.
Estevão sentiu as mãos de Maria tocar seu abdômen e descer até seu destino, a olhou nos olhos e viu desejo, percebeu que ela o queria também. E assim com o passe livre de Maria, ele a suspendeu do chão, com ela o arrodeando com as pernas e o segurando no rosto para logo se beijarem com loucura, os dois gemeram como se estivessem esperando por aquilo a dias. Estevão em fração de segundos estava dentro de Maria em estocadas frenéticas e precisas, com suas mãos apertava com firmeza as pernas dela que se prendia em torno de sua cintura.
Maria gemia e beijava a boca de Estevão puxando os cabelos dele cheia de tesão. E compartilhando do mesmo fogo ele aprofundou o beijo e tocou em um seio de Maria, depositando beijos entre seu rosto e seu pescoço. Maria o ouviu sussurrar ofegante.
— Minha Maria, só minha.
Maria começou a ter lampejos em sua mente, enquanto Estevão beijava seu pescoço e penetrava sua intimidade, teve lembranças transando com outro homem sem barba, de pele lisa e branca, seu olhos eram igualmente verdes ao de Estevão, mas não conseguia vê totalmente seu rosto, era como se ao olha-lo por completo sua imagem virasse um borrão. Maria fechou os olhos e começou a gemer mais alto sentindo aquele momento com mais intensidade, como se estivesse fazendo amor com o homem de sua imaginação e com um grito alcançou o ápice do prazer e depois sentiu Estevão a acompanhar.
Maria o olhou nos olhos e viu Estevão em sua frente, os dois respiravam agitados e estavam suados, o banheiro estava com o vidro embaçado e muito quente. Maria o tocou no rosto, beijou sua boca e o olhou de novo, como se quisesse ter certeza que estava ali, naquela realidade, naquele momento e com seu marido.
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