Notas iniciais
Esse capítulo é a um extra, é a visão de cada um do triângulo a respeito dos outros dois.

Ensaio sobre Sirius Black e Nymphadora Tonks;

Por Remus Lupin.

Era confuso na maior parte do tempo. Porém confuso não significa que era ruim ou negativo. Era apenas muita coisa para ele assimilar em alguns momentos. Ser amado por duas pessoas e amar essas duas pessoas era complexo. Remus tinha dificuldade principalmente em entender como era possível alguém como ele ser amado por duas pessoas tão incríveis, pois era fácil entender seu amor por eles.

Sirius estava em sua vida desde sempre, povoando seu imaginário, com aquele gosto de liberdade e rebeldia. Sirius estava sempre ao seu redor com sua personalidade excêntrica e expansiva. Era fácil amá-lo mesmo em suas nuances complexas e tão distintas de si. Sirius era um dia quente de verão após dias frios de um inverno rigoroso, era abafado, sufocante, mas incrivelmente agradável.

Nymphadora surgiu em meio ao caos da guerra. Suas cores, seus aromas, suas faces. Ela era jovem — 13 anos mais nova, para ser mais exato. Nymphadora tinha um sabor de liberdade e juventude, quase tão viciante quanto Sirius. Era difícil amá-la, mesmo com sua simplicidade e facilidade em lhe encantar diariamente. Ela era igual a um sopro de brisa num dia quente de primavera, Remus sentia-se inebriado com a leveza que dias assim traziam.

Era fácil amar Sirius, por conta dos anos se adaptando com a ideia de amar e ser amado por ele. Era difícil amar Nymphadora, por conta da jovialidade e de não se sentir suficiente para amar e ser amado por alguém como ela.

Sempre o questionavam se ele amava mais um do que o outro, mas ele afirmava com toda certeza e sem nem vacilar, que era pessoas distintas e por isso, eram formas diferentes de amor. Amar duas pessoas tão diferentes — e ao mesmo tempo tão iguais — da mesma forma seria injusto e impossível. Remus não amava Sirius mais do que amava Nymphadora, assim como não amava Nymphadora mais do que a Sirius. Remus simplesmente amava ambos, de formas diferentes, respeitando a individualidade de cada um.

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Ensaio sobre Remus Lupin e Nymphadora Tonks;

Por Sirius Black.

Sirius sabia que era egocêntrico, assim como sabia que muitas pessoas o achavam detestável por essa característica tão marcante. Por isso que sua amizade com James não causava surpresa, James também era egocêntrico. Os dois formavam uma boa dupla. E a ironia nisso tudo era ele ter se apaixonado pelo garoto mais abnegado dos Marotos.

Sirius se apaixonou pela forma silenciosa que Remus estudava, tão atento às letras dos livros, que ele desejava ser alvo daquela atenção também. Ele gostava quando o lobisomem sorria e os olhos dourados também se iluminavam. Sirius amou Remus por uma vida inteira e não se surpreendeu que ao se ver livre de Azkaban e ao vê-lo depois de tantos anos, naquele maldito dia na Casa dos Gritos, seu coração pareceu querer sair pela boca.

Mas ele também se surpreendeu quando conheceu sua prima de segundo grau, Nymphadora Tonks e se encantou pela sua explosão de cores. Sirius se sentia olhando um caleidoscópio quando encarava a prima tentando chamar a atenção de Remus de forma desajeitada e desesperada. Ele se surpreendeu ainda mais quando os lábios macios de Nymphadora se colaram aos seus e ele gostou da maneira que ela encaixava perfeitamente bem ao seu corpo.

Sirius não imaginou que era possível amar duas pessoas ao mesmo tempo e não imaginou que era possível duas pessoas lhe amarem na mesma intensidade. Ele era apaixonado por cada detalhe de Remus e Nymphadora, apaixonado por estar com cada um deles ou com ambos. Ele era apaixonado pelo contraste que eram os dois, pois Remus era a calmaria de um chá quente, num fim de tarde frio de outono, enquanto Nymphadora era o caos de cores em uma tarde quente num parque durante a primavera.

Ele se questionou durante muito tempo se aquilo era correto, se envolver com duas pessoas ao mesmo tempo. Se era suficiente para Remus e para Nymphadora, pois ele era um foragido, um renegado e acima de tudo, problemático demais. Seria muito simples só existir Remus e Nymphadora, mas ele era egocêntrico demais para aceitar isso. Ele amava ambos e agora ninguém poderia simplesmente dizer que aquilo era errado — e se fosse errado, ele não se importaria nem um pouco, afinal, ele sempre foi visto como o erro da família Black.

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Ensaio sobre Remus Lupin e Sirius Black;

Por Nymphadora Tonks.

Tonks jamais entendeu o motivo de Remus e Sirius terem tanta dificuldade em entender e aceitar o que ela oferecia. Ela simplesmente se apaixonou por eles e queria poder estar com ambos ao mesmo tempo. Não era tão complicado de entender. Entretanto, parecia que os dois tinham alguma questão com “não somos bons o suficiente para você” e “você é nova e está desperdiçando seu tempo com dois velhos amaldiçoados”. Estar apaixonada pelos dois era algo simples de entender, afinal, os dois já haviam se relacionado um com o outro e sabiam que eram apaixonantes de maneira singular.

Após derrubar as barreiras de Remus, ela se encantou ainda mais com a simplicidade que era gostar dele, já que a questão mais complexa era ele aceitar que era digno de amor e cuidado. A autoestima baixa e a autossabotagem que o lobisomem carregava era algo grande demais, mas ela sempre esteve disposta a mostrar que ele era um homem digno de amor e desejo, que era possível amar intensamente alguém como ele, pois Remus era a mistura perfeita da calmaria e da intensidade. Remus era intenso no olhar, no toque, nos lábios, nas palavras sussurradas no ouvido durante o sexo. Remus era calmo no falar, no consolo depois de uma briga, na maturidade de fazer três pessoas diferentes funcionarem bem juntos.

Já Sirius não tinha equilíbrio, pois tudo nele ia de 0 a 100 muito rápido. Um piscar de olhos e seu primo conseguia mudar todo um cenário. O tempo privado de liberdade, fazia Tonks ter a sensação constante de estar com um adolescente de 18 anos. A ausência de contato humano durante tantos anos era refletida na carência que Sirius carregava consigo, sendo sempre a pessoa a dormir no meio e sempre querer o contato físico prolongado. Sirius era tudo e nada ao mesmo tempo e Nymphadora se perdia nele.

Sirius era amoroso, sorridente, falante, quente. Remus era calmo, atencioso, carinhoso, morno. E ela se via no meio dos dois. Ela se questionava em alguns instantes se ela estaria atrapalhando o relacionamento deles, pois eles se completavam de um modo quase perfeito. Tonks sempre se questionou sobre suas próprias características, pois ela podia ser qualquer um, com qualquer traço, com qualquer cor e quando ela se viu no meio de dois homens incríveis, mais velhos e que já tinham um passado, ela se sentiu perdida. Ela não sabia do que eles gostavam para se adequar.

Tonks poderia ser qualquer uma, podia transformar o cabelo em mais longo ou mais curto, em castanho, ruivo ou loiro. Podia ser mais magra, com seios cheios e quadris largos. Podia ser alta, baixa. Ela dominava seu próprio poder e se acostumara a se adequar para outras pessoas. Porém, o que quase ninguém sabia era que por trás da mulher desinibida, de família bem estruturada e com uma carreira em ascensão, existia uma menina insegura, sem entender direito como se encaixar nos lugares, como ser agradável, pois ela era filha de uma Black, uma metamorfomaga, uma auror.

E mesmo com suas inseguranças, ela se viu cercada de amor. Ela se encaixava bem na alta intensidade de Sirius. Ela se encaixava bem na calmaria confortável de Remus. Porém, eles nunca pediram para ela se encaixar, eles apenas a amaram de forma pura, sem pedir para ela se modificar ou ser alguém que não era. Remus e Sirius a amavam e ela os amava e isso era suficiente para os três.

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