Ao Cair da Neve
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Mordane cuidara de Lucy como se fosse sua filha, embora não tenha se alto nominado mãe da criança, devido ao seu sonho de se tornar Septã.
A menina herdara o traços da mãe como, os cabelos castanhos e ondulados, lábios rosados e pequenos, e um coração puro e valente. As duas haviam encontrado um lar para continuarem suas vidas, Winterfell, sede da Casa Stark. Os Starks as acolheram de bom grado e ofereceram-se para cuidar de Lucy enquanto Mordane estivesse em Vilavelha tornando-se uma Septã.
Neste tempo, Lucy foi criada com os Starks, ou melhor com Catelyn Stark, pois nesse mesmo período a Rebelião de Robert estava no auge. Quando a Rebelião chegou ao seu fim, Ned voltou para casa trazendo consigo um bastardo, coisa que Cat não aprovou, pois ela também havia gerado um filho de Ned, Robb. Pouco tempo depois, Mordane havia retornado de sua jornada como Septã, e Lucy estava com três anos de idade. Desde aquele dia as duas nunca se separaram, Mordane sentia a necessidade de cuidar e estar sempre com Lucy, e na mente de Lucy, Mordane era sua única família verdadeira. Ou pelo monos era isso que ela pensava…
Nos anos que se sucederam Catelyn e Ned havia tido mais filhos, Sansa, Arya, Bran, e Rickon. E com eles, Lucy havia crescido. Sansa e Arya tornaram-se suas amigas, assim como Bran e Rickon que haviam tornado-se seus “irmãozinhos” casulas, e Jon, seu melhor amigo. Mas havia um problema nesse reino de prosperidade… Robb. Ele sempre foi um problema para a vida de Lucy, e principalmente para seus pensamentos, desde a infância, Lucy havira adquirido uma certa paixonite por Robb que aumentava a cada ano que se passava, a cada momento em que o Jovem Lobo crescia. Nenhum dos Starks tinha conhecimento sobre seus sentimentos, nem mesmo sua tia Mordane, Lucy fazia questão de guardar tudo em segredo, e assim foi feito durante anos…
Atualmente…
— Lucy querida, está pronta? A Família Real já se encontra nos portões de Winterfell – Disse Mordane entrando no quarto de Lucy. O quarto não tinha comparação com os quartos de Sansa e Arya, mas era aconchegante. Havia uma lareira, uma cama macia e um vaso em cima do criado-mudo onde sempre se encontrava uma rosa azul de inverno. Jon sempre soube do seu fascínio por esta rosa, e fazia questão de levar um rosa todos os dias depois do café da manhã.
— Sim, Tia. O que você acha? Está bom assim? – Perguntou Lucy mostrando seu vestido cinza com um bordado pratas feitos por ela mesma.
— Sim, querida. Agora, vamos já estamos atrasadas!
Fomos para os portões e a Família Real havia entrado em Winterfell.
O primeiro a sair foi o Rei Robert, um homem gordo e barbudo que fedia a álcool, logo depois veio a Rainha Cercei e seus irmãos Jeime e Tyrion ambos com cabelos dourados como os raios de sol, e por fim, os filhos de rei e da rainha, Joffrey, Myrcella e Tommem que haviam herdado os traços da mãe.
— Seja bem-vindos a Winterfell! – Saudou Ned apresentando sua família e apoio aos visitantes.
Depois das apresentações, todos foram levados ao Grande Salão para um maravilhoso banquete. Mas Jon, havia interceptado a entrada de Lucy.
— Desculpe, não tive tempo de vê-la pela manhã, mas antes tarde do que nunca, não é mesmo? – Jon carregava consigo a rosa azul de inferno e um sorriso amigável.
Ele sempre tinha uma expressão vazias e triste, mas quando estava com ela, e com seu meio-irmão Robb, essas feições pareciam não existirem mais.
— Obrigada, Jon – Respondeu Lucy ao pegar a rosa e a dar um beijo na bochecha de Jon. Que ficou surpreso com a ação da jovem.
— Am… Bem… É… Pode me encontrar na árvore-coração depois do banquete? Preciso falar uma coisa com você. – Perguntou Jon.
— Claro, estarei lá.
O banquete não foi tão festivo como os de costume, na verdade foi mais como um funeral. Pelo que Lucy pôde entender das conversas dos visitantes, a Mão do Rei, Jon Arryn, havia sido encontrado morto em seus aposentos. Lucy havia recordado de uma visita a catorze anos atrás, que a Mão fizera em Witerfell, naquela época Lucy tinha apenas dezenove anos.
Em uma conversa que Lorde Arryn estava tendo com Lady Stark pôde ouvir sua nome ser chamado.
— Lucy, pode vir até aqui? – Chamou Catelyn. – Lorde Arryn, está é Lucy Irving, sobrinha de Septã Mordane. – Disse Lady Stark apresentando Jon a jovem.
— É um prazer conhecê-lo, Lorde Arryn.
— Igualmente, senhorita – Jon havia sido educado, mas por trás da educação, escondia uma estranha senssação, como se conhecesse aquela jovem.
— Lucy, pode levar Lorde Arryn até a árvore-coração? Parece que Arya sumiu novamente, e preciso encontra-la. – Disse Cat indo procurar Arya. Parecia que a ideia de Arya se esconder de sua mãe para não tomar banho não duraria muito tempo… Lucy riu ao lembrar disso.
— Siga-me por favor, Lorde Arryn.
Pelos poucos segundos que se passaram, estendeu-se um silêncio súbito entre os dois, e a fim de melhorar a situação, Lucy tentou dialogar com o Lorde.
— Então… Como é o Vale? Espero que não seja tão frio como aqui – Perguntou Lucy com um sorriso amigável.
— Acho que posso dizer que nada se compara ao frio de Winterfell, mas sim, no Vale também é frio. Tanto é que as rochas e pedras de nossas montanhas ficam escorregadias por conta do gelo e assim dificulta a passagem de intrusos.
— Sempre tive vontade de conhecer o Vale de Arryn, principalmente a Cachoeira Lágrimas de Alissa, pode-se dizer que tenho uma certa admiração por fossa Casa e pelo Vale. – Lucy realmente admirava o Vale, assim como suas defesas e sua história.
— A senhorita conhece bem a nossa história, não é? – Perguntou Jon curioso.
— Sim, senhor. Adoro o lema de fossa Casa, “Tão alto como a honra, nós lembramos”, e fascinante!
— “… Nós lembramos.”? – Jon pareceu confuso, mas ao mesmo tempo, familiarizado. Ele havia lembrado de sua primeira esposa… Lady Jeyne Royce, a mulher que havia proporcionado a Jon, a maior felicidade do mundo.
— Perdão, milorde. Eu quis dizer “ Tão alto como a honra” – Disse Lucy desculpando-se. Para seu alívio, eles haviam chegado ao seu destino. – Peço desculpas mais uma vez, Lorde Arryn. Não quis ofendê-lo. – Disse Lucy afastando-se de Jon. Ela havia dito aquilo por inpulso, o lema de Lorde Jon Arryn era muito semelhante as palavras que sempre ouvia em seus sonhos… “Tão alto como a honra, nós lembramos”, não importava o tipo de sonho, essas palavras sempre estavam lá…
Jon permaneceu ali, parado perdido em suas lembranças felizes até que finalmente percebeu que a jovem Lucy, havia partido. Jon era um homem pensativo e calculista, e começou a pensar do por que havia se sentido estranho com a presença da moça, e então lembrou de como ela era parecida com sua amada esposa, assim como Jeyne, Lucy tinha cabelos castanhos, olhos e lábios pequenos e a fisionomia quase idêntica a de sua querida Jeyne, se por um acaso sua filha ainda estivesse viva… Seria exatamente assim pensou Jon. Mas o Lorde do Vale de Arryn não acreditava em tudo que pensava, na mente dele, tudo precisa de provas para ser verídico, e como não haviam provas pois ele tinha certeza que sua herdeira havia morrido no parto, ele aceitou o fato de ser apenas uma coincidência.
De volta ao presente, Lucy terminou seu almoço e foi ao encontro de Jon, mas no caminho, ela esbarrou em alguém…
— Me desculpe, senhor… — Lucy havia ficado sem palavras quando viu em quem ela tinha se esbarrado – Robb… Desculpe, eu… Eu… Não vi você…
O Jovem Lobo percebeu o desconforto da moça e respondeu com um sorriso.
— Não se preocupe, Lucy. Está tudo bem, só olhe por onde anda, teve sorte de ser eu e não aqueles Lannisters.
Pelos Deuses! Lucy havia recebido um sorriso de Robb e só os Deuses sabia os efeitos que aquele belo sorriso causava em Lucy!
— É… Parece que você você não gosta mesmo deles… — Sua tola! Que pergunta mais óbvia! Pensou Lucy.
— Por mim, a entrada de Lannisters em Whintefell seria proibida. – Respondeu Robb com certo encanto com essa ideia. – Bom, tenho que ir, vejo você por aí. – Disse Robb se afastando.
Lucy estava estasiada, Robb tinha um sorriso tão encantador, e uma voz tão gostosa de se ouvir, alta porém rouca…
— Até que em fim! Pensei que não viesse! – Disse Jon ao ver Lucy chegar.
— Desculpe, e então? O que queria me falar?
— Bem, você sabe que assim como meu tio Benjen, quero ir para a Muralha, por que não tenho nada que me prenda aqui… Títulos, terras ou expectativas.
— Não é verdade, Jon! Você tem a mim, a Arya, o Robb e o seu pai – Argumentou Lucy.
— Não, Lucy… Eu não tenho você, por mais que eu queiria, eu não a tenho…
A jovem não entendeu o que o rapaz havia acabado de falar, e Jon ao perceber isso, explicou-se.
— Lucy, sou apaixonado por você desde os meus dezesseis anos. – Disse Jon com calma e com alívio em sua voz – Desde então, acordo todo dia pensando em você, no seu rosto pálido e amassado toda vez quando acorda para tomar café da manhã, na sua voz doce ao dizer meu nome, no sorriso que me dá toda vez que entrego uma rosa azul para você… A todo momento, estou com você em meus pensamentos…
Surpresa com a revelação do bastardo, Lucy fez uma rápida retrospectivas de suas vidas juntos, de todos os momentos… E ainda sim, Lucy não conseguiu resgatar nenhum sentimento que se iguale ao de Jon, a não ser a amizade e o amor de irmão que ela sentia por ele.
— Jon… Eu… Não sei o que dizer…
— Não diga nada, só me dê uma chance. Uma chance e eu fico. Não irei para a Patrulha da Noite, pois eu irei saber que tenho um futuro com você.
Sem perceber, lágrimas começaram a descer pelo rosto de Lucy. Ela estava em um beco sem saída, ela tinha duas escolhas para fazer, uma era dar a chance a Jon, esquecer sua paixão por Robb, e viver a merce da sorte de retribuir os sentimentos de Jon, e a outra, era perder seu amigo, seu irmão, uma das pessoas de mais importância em sua vida para a Patrulha da Noite, e aceitar o “certo” ( sua paixão por Robb) e descartar o “duvidoso” ( retribuir o amor de Jon).
— Jon… Eu… Eu… — Lucy chorava com cada palavras dita – Eu não posso… Você é meu irmão, e nunca o verei de outra forma… Eu realmente queria amar você como você me ama… Mas não consigo…
Jon por um segundo teve esperanças, mas ao final daquelas palavras eles sabia que a moça nunca o amaria daquela foma. Sou um bastardo, e é o que eu sempre serei… Não importa quanto tempo passe, nunca vou ter expectativas de vida, nunca vou ter um bom casamento, nunca vou ter nada do que meus irmãos um dia vão ter… Tenho que aceitar isso, de uma vez por todas.
— Lucy, calma. Não precisa chorar. Não posso forçar você a sentir o que eu sinto – Disse Jon ao abraçar forte a garota – Eu a amo, e duvido que isso suma do nada, mas acima de tudo, sou seu amigo, e vou sempre estar com você… Irei para a Muralha em dois dias. Enquanto eu estiver fora, certifique que sempre haja uma rosa azul de inverso em seu quarto. Pode me prometer isso? – Lucy assentiu. Jon foi para o estábulo encontrar com seu tio, mas antes, despediu-se de Lucy com um beijo em sua testa.
Esses dois dias passaram voando, e Lucy ficou assustada com as mudanças que houveram nesse tempo. Lorde Stark foi nomeado nova Mão do Rei, e com ele Sansa e Arya seriam levadas para Porto Real para serem criadas como verdadeiras damas (coisa que não seria problema para Sansa), claro que Arya não havia gostado da ideia, mas mesmo assim teve que ir. Bran havia caído da Torre e havia perdido o controle das peenas, seus pais ficaram arrasados e Ned queria ficar, mas Catelyn o convenceu a ir para Porto Real, enquanto Catelyn ficava em Winterfell para cuidar de Bran, Rickon e Robb. Jon iria os acompanhar pelo caminho até chegar na estrada que levava até a Muralha, sua tia... Catelyn pediu encarecidamente para que Mordane fosse com Ned para ajula-lo com as meninas, e Mordane não teve como dizer não.
Lucy implorou para ir junto com ela.
— Tia, por favor! Se não pode ficar, ao menos me deixe ir com vocês!
— Lucy, escuta-me... Quero que vá comigo, pode ter certeza disso, minha querida. Mas eu já disse, Porto Real é um lugar perigoso para nós do Norte, e tenho um pressentimento ruim sobre essa viagem, e por causa disso, você ficará. Não se preocupe, voltarei para você minha querida! — Disse Mordane ao abraçar pela última vez sua sobrinha.
Assim como Mordane, Lucy vez as meninas escreverem cartas para ela contando sobre a viagem e sobre Porto Real, ela fez Jon prometer também, mas sabia que não seria possível isso na Muralha. E assim, partiram os Starks, os Lannisters e o Snow e sua tia...
Mal sabia Lucy, que aquela seria a última vez que os veriam...
Fale com o autor