Ao Avesso

4 Capítulo 3


Notas iniciais
Olá. Aqui mais um capítulo dessa fic, só para provar que ela será finalizada com sucesso. Boa leitura.

Eu sentia dor, mas não conseguia saber exatamente o porquê, nem especificar onde. Não apenas dor, eu sentia incômodo, principalmente em meus braços. Acho que passou algum tempo, e logo comecei a tomar mais consciência do meu corpo; minha cabeça era o lugar que mais latejava, era como se eu tivesse levado um grande impacto ali.

Acima de tudo eu me sentia exausta. Busquei forças para procurar algo em minha mente, mas tudo que eu consegui foram flashes em vermelho, confusos, borrados, e dolorosos. Eu estava confusa demais. Cedi ao cansaço, e fiquei ali, parada, não pensando em nada específico, esperando voltar a dormir, ou pelo menos descansar. Fui tirada de minha inércia, quando ouvi vozes. Elas começaram parecendo um zumbido sussurrado, mas aos poucos se tornaram mais altas e claras.

–... Estão bons. Logo, logo, ela irá despertar. – disse uma voz masculina.

– Então só me resta esperar, eu acho. – uma voz feminina chorosa respondeu.

– Infelizmente, é tudo que está em nosso alcance, no momento.

Fez-se silêncio na sala, o que me incomodou muito. Eu me sentia cansada, mas queria saber um pouco mais do que estava acontecendo. Forcei meu corpo a responder as pessoas que estavam na sala, mas estava tudo muito difícil de comandar.

– Espere doutor, acho que as mãos dela estão se mexendo! – a mulher falou euforicamente. Será que ela estava falando de mim? Não era minha intenção mover minha mão, mas se estava funcionando, eu tinha que arranjar uma forma de continuar. Olhos. Precisava abrir meus olhos. Tentei localizar meu rosto, e foi até fácil, devido ao incomodo causado em minhas vias obstruídas por aparelhos. Aos poucos consegui mexer meus olhos e abri-los. – Oh, Bella! Querida, está tudo bem? – senti mãos me tocarem, mas não conseguia enxergar absolutamente nada, estava tudo muito embaçado.

– Acalme-se. – o homem pediu, e ela retirou suas mãos de mim. Mais alguns minutos passaram-se e eu via as coisas mais nitidamente. Olhei em volta, tudo que minha visão permitia enxergar sem que eu movesse minha cabeça. Estava num quarto com paredes e teto branco. Mesmo estando próximos a mim, estava com a visão tão embaçada que não conseguia identificar o homem e a mulher, só sei que ambos eram loiros, e o homem usava roupas brancas também. Foquei minha visão no teto, a fim de desembaçar. – Isabella? – o homem de branco chamou. Fiquei esperando a mulher loira responder, mas nada aconteceu. – Isabella, você consegue me escutar? – ele questionou um tom mais alto, e ainda sim não obteve resposta.

– Filha, por favor, nos responda! – a mulher disse desesperadamente, tocando em meu rosto novamente. Demorou um tempo, mas as palavras finalmente passaram a ter sentido para mim. Essa mulher me chamou de filha, além de pedir para eu responder como Isabella.

Procurei seu rosto, atônita. Ela não era minha mãe, tão pouco esse era meu nome. Eu não me lembrava disso. Tentei procurar em minha mente meu nome verdadeiro, mas doía demais, minha cabeça latejava, minha visão embaçava, e eu ficava confusa.

– Isabella, você compreende o que dizemos? Consegue se comunicar de alguma forma? – procurei o rosto do homem depois dessas palavras, tentando sinalizar minha confusão para ele, mas não acredito que tenha surtido efeito. Comecei a tentar a falar. Estava difícil, sentia algo atrapalhando, fora a secura em minha garganta, que a fazia doer.

– Isabella, eu? – proferi as palavras, com enorme dificuldade, mas já ouvindo um suspiro aliviado por parte da mulher que se intitulava minha mãe.

– Sim querida, você está bem... – a mulher disse, colocando sua mão na minha.

– Isabella, você se lembra de seu nome completo. – pensei em silêncio, tentando recordar, mas estava difícil demais.

– Não. – respondi simplesmente, minha garganta não estava em condições de ficar falando, e minha mente de desenvolver grandes respostas.

– Certo. E o nome de seus pais? Você lembra o nome deles? – o homem, que eu finalmente entendi que era médico, perguntou.

– Não. Minha garganta incomoda... – Eu disse suplicante, quando não conseguia proferir mais nenhuma palavra, fazendo o doutor chamar sua equipe. A mulher, minha mãe, logo foi retirada da sala, mas eu via a cara de choque, desde a hora que eu disse que não sabia seu nome. Mas se ela não tivesse dito, mal saberia que era minha mãe.

Eu estava sozinha deitada na cama do hospital. As últimas pessoas que eu vi foram médicos e enfermeiros. Talvez eu tenha interpretado errado, e aquela mulher não fosse minha mãe. Talvez eu não tivesse família. Eu não conseguia me lembrar de minhas memórias, esqueci até mesmo de coisas básicas, como meu nome, minha idade, onde eu moro, se tenho família... Era estranho, e irritante. Minha vontade era sair dali e perguntar para o doutor o que estava acontecendo, mas minha dor de cabeça ainda era grande demais. Pelo menos haviam tirado os aparelhos de meu corpo, e agora havia poucos furos em minhas veias.

Não demorou muito tempo, e a mulher loira retornou ao meu quarto, e cautelosamente chegou perto de minha cama.

– Olá querida. – ela disse docemente, pegando em minha mão.

– Olá. – eu respondi, já formulando as próximas perguntas em minha mente. – Você é minha mãe?

– Sim, eu sou. Está se lembrando? – perguntou esperançosamente.

– Não, na verdade eu ouvi você conversando com o médico. – respondi, vendo seus olhos se entristecerem. – O que aconteceu mãe? Vou ficar muito tempo aqui ainda? Por que eu não me lembro de nada?

– Calma querida. O doutor disse que você está bem, só precisa ficar mais uns dias em observação, mas você está saudável, e quase sem nenhuma sequela. Quanto a sua memória, ele acredita que ela volte daqui a pouco. Você sofreu uma pancada forte na cabeça, então ele já esperava certa confusão. – ela disse sorrindo.

– Eu espero. É estranho não me lembrar de meu próprio nome... Isabella, certo?

– Sim, Isabella Marie Swan, minha princesinha. – ela disse com a voz embargada.

– Mãe, onde está meu pai? – questionei curiosa. Ela abaixou a cabeça, e começou a chorar, fazendo com que eu me arrependesse de fazer essa pergunta. Será que eles eram separados?

– Logo você se lembrará de tudo querida. – ela disse simplesmente, apertando minha mão. – Agora, é melhor descansar mais um pouco, até porque quando você se recuperar, estará em encrenca. – ela disse sorrindo, mas fiquei em dúvida se aquilo era verdade ou não.

Passaram-se dias, eu acho. Eu já me sentia melhor, mas ainda não conseguia me lembrar de absolutamente nada. Pelas conversas que tive com minha mãe, descobri que eu tinha dezessete, vivia em Manhattan, Nova York, e apenas estudava.

Estava sentada em meu leito, lendo um livro trazido por minha mãe, quando a porta se abriu, trazendo uma mulher eufórica quarto a dentro.

– ISABELLA! – Ela gritou e se aproximou de minha cama, me abraçando – Você está completamente insana? O que deu nessa sua cabeça de camarão, hein? Eu devia te dar uma surra... – a mulher gritava comigo, me confundindo e assustando. Minha mãe chegou logo depois, nervosamente.

– Menos Esme! Se conseguisse me ouvir, saberia que Bella está com alguns problemas na memória. Logo, ela não está entendendo nada, e talvez nem se lembre de você. – a mulher voltou e me encarar, e ao ver minha cara assustada, me largou, dando um passo para trás.

– Oh. – ela disse, embaraçada.

– E você nunca mais ameace minha filha, em minha frente. – ralhou Renée com ela, fazendo-a revirar os olhos.

– Ela está errada, não finja que não. – argumentou a mulher. – Certo, mas me fale um pouco mais sobre esses “problemas” de memória. – ela me olhou acusatoriamente.

– Bella não consegue se lembrar de absolutamente nada. O doutor uma confusão mental por alguns dias é normal, devido a pancada. – explicou minha mãe.

– E quando volta essa memória, hein? Você não está fazendo isso apenas para se safar, correto? – ela disse se dirigindo a mim.

– E-eu não sei. – gaguejei, sem saber o que responder para aquela desconhecida. Não gostava de estar sem memórias, e não entendia porque ela estava me culpando.

– Ela não sabe de nada Esme, não se lembra. – minha mãe ecoou meus pensamentos. – Agora, se terminou de assustar a pobrezinha, é melhor ir embora, pois eu sei cuidar de minha filha. – finalizou minha mãe. A mulher respirou fundo, tentando se controlar.

– Não vou discutir com você agora, Renée. Tudo bem, eu entendi, Bella não se lembra. – ela acalmou-se e se aproximou novamente de mim, colocando a mão em meu rosto. – Bella, sou Esme, sua madrinha. E geralmente eu não sou tão escandalosa. – ela disse sorrindo, me deixando um pouco mais calma. – Trate de melhorar logo, tenho visitas para você. Apenas assenti, ainda confusa com a chegada de Esme.

Mal tive tempo de assimilar a chegada repentina e levemente assustadora de minha madrinha, quando o doutor Cullen apareceu em meu quarto.

– Boa tar... – ele ia cumprimentar, quando olhou para Esme e subitamente parou, com olhos arregalados. Esme correspondeu o olhar surpreso, enquanto minha mãe comprimia os lábios, segurando o riso. Eu ficava cada vez mais confusa e irritada, por não entender nada, então apenas me recostei em minha cama, bufando alto. Foi o suficiente para despertar os adultos ali presentes. – Boa tarde. – repetiu o doutor, se dirigindo até mim. – É uma surpresa te ver, Esme. – ele disse quando já estava ao lado de minha cama.

– Digo o mesmo, Carlisle. Quer dizer, sabia que você estava em algum hospital da região, mas, é bem inesperado. – ela finalizou limpando a garganta, em sinal de desconforto. Já estava impaciente, a irritação pela perda de memória despertava o pior que há em mim. Então chamei a atenção do médico.

– Doutor Cullen, você tem alguma previsão de quando vou me recuperar e sair daqui? – questionei.

– É justamente por isso que estou aqui. Vim assinar sua alta. – ele disse sorrindo para mim, e me confundindo mais ainda.

– Mas... Mas eu ainda não recuperei a memória. – afirmei. Ele ficou em silêncio por um tempo.

– Quando chegar a sua casa, sua mãe explicará melhor o que aconteceu, o que eu posso adiantar, é que você sofreu um golpe muito duro em sua cabeça, causando traumatismo. A parte física já está restaurada, mas isso acabou não surtindo efeito para o quadro neural, resultando em amnésia. – quando o doutor terminou sua fala, foi difícil assimilar as palavras.

– Espere, quando eu vou começar a me lembrar das coisas? – perguntei exaltada.

– Não posso especificar uma data, Isabella. Como eu havia dito, esperava que a perda durasse algumas horas apenas, mas temo que a mistura com a bebida agravou a situação. – ele disse virando-se para minha mãe, que estava chocada também.

– Então eu posso nunca mais me lembrar do que aconteceu? De tudo que eu vivi até os dezessete? Como eu vou confiar que ela é minha mãe? – gritei, apontando para Renée. – Como eu vou saber quem sou eu? – comecei a chorar copiosamente, de desespero, eu acho. Estar sem memória me deixava com medo, afinal tudo dali para frente seria desconhecido, estranho.

– Venha aqui querida. – Esme me chamou, enquanto aproximava-se, me dando um abraço. – Não precisa ter medo. Sua mãe e eu vamos fazer você se lembrar. É possível, não é, Carlisle?

– Claro que sim. Um método muito utilizado para recuperação da amnésia é a associação de lugares e pessoas com as memórias perdidas. Quando estiver em casa, procure ver fotos, cadernos, e quaisquer outros objetos pessoais, talvez isso a faça lembrar. Eu apenas recomendo que evitem falar do acontecido no acidente. Pode ser ruim para ela, agora no começo.

– Tudo bem doutor. – minha mãe disse, lançando um olhar acusador para Esme, que ainda me abraçava (e eu até estava gostando).

– Ótimo. Preciso que você assine alguns papéis, Renée. – o doutor finalizou o assunto. – Foi um prazer revê-la Esme. Você voltará daqui alguns dias Bella, até logo. – eu assenti, me despedindo.

– Já volto querida. – Minha mãe disse se despedindo, enquanto seguia o médico.

Fiquei sozinha com Esme, e apesar de não me lembrar, tampouco ter simpatizado com ela no início, agora eu me sentia reconfortada com seu abraço. Eu sentia que podia confiar nela, tanto quanto eu já confiava que Renée era minha mãe (fazendo eu me sentir péssima, ao lembrar que acabei de duvidar disso).

– Vai ficar tudo bem. – afirmei para mim mesma, mas Esme respondeu.

– Talvez fique tudo melhor que bem, querida.

– Como assim? – indaguei.

– Às vezes a gente só observa a parte vazia do copo, e nos esquecemos de que tem uma metade cheia ali. – eu ainda não estava recuperada para entender essas charadas, então perguntei.

– O que exatamente isso significa?

– Você precisa saber um pouco sobre você para entender o que eu disse. Mas encare isso como uma novidade. Conhecer todo mundo de novo, reavaliar sua vida, mudar algumas coisas... – ela disse sugestivamente, me fazendo refletir.

O que teria acontecido? Quem eu era? Respirei fundo. Eu era Isabella Marie Swan, tinha dezessete anos e vivia em Nova York. Estava voltando para casa para descobrir um pouco mais de mim. O pior de tudo era que algo me dizia que eu não iria gostar do que encontraria.

Notas finais
Então, o que acharam? Não se esqueçam das reviews, todos os autores ficam muito felizes com ela, ajuda a saber as opiniões dos leitores, fora que quanto mais se comenta, mais chances de aparecer lá na página inicial do site. :)