Ao Avesso

2 Capítulo 1


Notas iniciais
Depois de um seculo fora, eu voltei, e agora pra ficar. (Oh Yeah!). Motivos lá nas notas finais. Boa leitura.

Acordei ás sete, mas só me levantei ás sete e meia. Aquilo seria o suficiente para chegar atrasada no colégio. Eu gosto de chegar atrasada, assim todos me veem desfilando da minha BMW até meu armário.
Além disso, como eu sempre chegava atrasada ganhava detenções, que se acumulavam virando advertências,que faziam minha mãe ir à minha escola toda semana. Sim, adoro ser problemática.

É claro, você nem me conhece, mas já está querendo me julgar. Tudo bem, já estou acostumada com isso.

Vou me apresentar para vocês – que como todos, adoram cuidar de vidas alheias, principalmente a vida de alguém tão legal e importante como eu.
Prazer, Isabella Swan. Filha do banqueiro Charlie Swan e da grande voz da Broadway Renée Dwyer. Linda de morrer, causa inveja em todas as recalcadas de plantão. Sou mesmo mimada, tenho tudo que quero na hora em que quero. Moro em Manhattan, Nova York, e levo a vida perfeita que você nunca terá.

Pronto. Agora você pode me julgar. Sou metida, insuportável, fútil, blá, blá, blá...

Apenas para sua informação: eu não ligo. Com o tempo aprendi a ignorar. Mas acima de tudo, aprendi que sendo uma patricinha vadia e sem coração as pessoas passam a gostar mais de você. Não exatamente de VOCÊ, mais do poder de intimidar os outros que só você tem. Algumas pessoas tem escrúpulos. Eu preferi ter todos aos meus pés.

Eu já tinha escolhido roupa, sapatos e maquiagem que eu iria desfilar hoje pela escola. Esse era o fardo de ser eu, nunca poderia usar moletom na minha vida. Acho que se um dia eu aparecesse sem esmalte nas unhas já seria o suficiente para causar fofocas por um bom tempo.

Você deve estar se perguntando para quem eu era tão importante.

Eu estudo no Manhattan High School, a melhor escola de Nova York. A universidade Columbia todo ano dava varias bolsas para alunos dessa escola – a maioria dos alunos (como eu) não precisava realmente de bolsas de estudo, mais como o ensino é muito bom eles davam a oportunidade para o povo pobre também. – então estudar ali já tornava você VIP nessa cidade. Acontece que devido a minha mãe e o dinheiro do meu pai eu me tornei muito popular no colégio.

Minha mãe já tinha sido uma atriz Hollywoodiana, mais depois que eu nasci ela parou de atuar e foi cuidar de mim em Nova York, junto ao meu pai. Éramos uma família linda e feliz, do tipo que você só vê em comerciais de margarina ou em filmes melosos de romance. Mas minha mãe não suportou ficar longe da vida publica por muito tempo, então quando eu tinha cinco anos ela conseguiu entrar na Broadway. A partir daí ela começou á passar muito tempo no teatro; meu pai já ficava o dia inteiro no trabalho, então eu ficava em casa, não sozinha mais com empregadas idiotas.

Um dia eu fiquei muito irritada, já que eu nunca tinha nem a atenção dela nem a do meu pai, e então joguei um vaso em cima de uma mesinha de vidro que ficava em uma das salas de passagem da mansão em que eu vivia. A mesinha caiu em cima de mim, me cortei, e tudo o que eu tinha era uma empregada que teve que ligar correndo para emergência. O corte não, foi muito serio, levou apenas alguns pontos. Em compensação a imagem dos meus pais ficou muito abalada com aquilo. Eles ficaram como irresponsáveis – que deixavam uma menina de cinco anos em casa apenas com a supervisão de uma estranha – A mídia então focou em nossa família, que passou de perfeita a pais relapsos, e por todo mês o assunto nos canais de TV local e em toda a imprensa foi: “o quão importante são os pais na criação de seus filhos?”.

Meu pai não gostou disso, e insinuou que minha mãe devia largar de vez o show business. Ela ficou irada com ele e disse então pra ele largar seu trabalho. Foi uma briga horrível.

Minha madrinha ficou sabendo – provavelmente pela boca de minha mãe – e veio me buscar para morar com ela em Los Angeles. Quando eu completei doze anos, meu pai quis me levar de volta para Nova York. Ele ficou doente, e quando estava em seu leito de morte me chamou para morar com ele. Comovente. Minha mãe também gostou, rendeu publicidade ter sua família linda unida novamente pelos últimos dias de vida do meu pai.

Terminei de me arrumar, sequei meus cabelos e me maquiei. Quando eu estava perfeita (como sempre) fui até meu carro. Eu tinha uma linda BMW M3 vermelha. Esse carro definitivamente combinava comigo – era lindo, veloz e se outros carros pudessem, iriam querer ser igual a ele. Entrei no meu carro e dei partida.

O relógio mostrava oito e dez da manhã. Merda, eu iria chegar muito atrasada. Em qualquer outro dia eu não me importaria em levar outra detenção, mas hoje em particular eu não queria causar problemas pequenos como esse. O que eu faria a noite deixaria minha mãe doida, e uma advertência poderia distraí-la do verdadeiro foco.

Você deve estar se perguntando o motivo de eu ser desse jeito. Eu digo.
Lembra-se de minha madrinha Esme? Eu fui morar com ela na Califórnia quando eu tinha quase seis anos (como eu já disse). Esme era uma arquiteta muito famosa em LA, ela era amiga de minha mãe dos tempos de colégio – ela era a namorada do guitarrista da primeira banda que minha mãe participou. – As duas mantiveram contato, e casaram-se com poucos meses de diferença. Esme logo teve Emmett, e depois de um ano Alice. Como a gravidez de minha mãe teve dois meses de diferença da de Esme, ela combinaram: Renée seria madrinha de Alice e Esme a minha. No entanto, minha mãe foi para Nova York e Esme teve problemas com seu marido (ele faleceu meses depois do nascimento de Alice, devido a um acidente de carro). Então eu apenas a via em meu aniversário e um feriado por ano (natal ou ações de graça).

Para mim foi assustador morar com ela. No início eu pensei que Emmett iria me bater, Alice iria ser malvada (malvada, tipo a meia-irmã da Cinderela) e Esme iria me trancar no porão e só me alimentar uma vez por semana. E claro, eu estava redondamente enganada.

Esme era a pessoa mais doce que já existira, ela me tratava como se fosse sua filha (acho que ela me tratava melhor que minha mãe), me dava conselhos, me ensinou o que era certo e errado, quando foi preciso teve “a conversa” comigo — sem me deixar constrangida — , e tantas outras coisas ela fez por mim. Eu a amava. Emmett era um palhaço irremediável. Ele gostava de zoar a mim e a Alice, mas sempre que precisávamos de proteção contra os encrenqueiros, ele estava lá. E Alice... Uau. Ela era minha melhor amiga. Minha confidente. Minha irmã. Eu sentia muita falta desses três...

E é exatamente por isso que eu sou revoltada assim. Meus pais primeiro decidiram que não me queriam mais e me deram para Esme. Depois, sem mais nem menos, eles resolveram me tirar dela, sem nem perguntar a minha opinião.

Confesso que no primeiro instante que pisei em Noa York, achei realmente que eles queriam reverter os seis anos que ficaram longe de mim. Mas não. Era mesmo pela mídia, a fama e a vontade de voltar a ser perfeitos (mesmo que por pouco tempo). Eles nunca pararam para pensar se eu era ou não feliz na Califórnia. Eles nunca me amaram realmente.

E então eu tomei algumas lições para mim. Primeiro: só havia três pessoas no mundo que eu podia confiar, elas estavam na Califórnia e era para lá que eu iria, na primeira oportunidade. Segundo: se alguém te fez mal uma vez, vai fazer sempre. Afaste-se desse tipo de gente. E por último: se você não pode se afastar de quem te fez mal, pague na mesma moeda, ou pague a mais.

Eu sabia que se Esme soubesse de meu comportamento, me daria uma bronca. Mas Renée merecia.

Cheguei no estacionamento ás oito e vinte. Sim, eu voei pelas ruas de Nova York, mas como eu já disse hoje eu não podia chegar atrasada. Estacionei o meu carro na mesma vaga de sempre – a do meio do estacionamento, ao lado da vaga dos meus “amigos” populares. Nós tínhamos os carros mais legais da escola, então ninguém ousava tentar tirar nossa vaga. Saí do carro, e não havia mais ninguém no estacionamento. Droga, mil vezes droga.

Entrei de fininho na escola e fui direto para meu armário. Peguei meu livro de cálculo, feliz por ter tido sorte de burlar o inspetor. Dirigi-me pra minha sala, e adivinha quem eu encontro nos corredores?

– Atrasada de novo Srta. Swan? – A porra da minha sorte passou longe hoje...

– Na verdade, hoje eu me esforcei muito para chegar a tempo Sr. Greene, então que tal o senhor apenas falar a mesma coisa de sempre e me liberar, hein? – Disse num tom simpático e persuasivo para o diretor.

– Ontem mesmo eu disse a senhorita que na próxima vez que você chegasse atrasada eu chamaria sua mãe... De novo. Infelizmente, é a única coisa que eu posso fazer sobre você, então, é o que eu farei senhorita Swan. Essa escola tem um nome a zelar, e você é a aluna mais enc...

– Olha, tudo bem então. Chama a minha mãe. Chama até o Papa se te faz feliz. Mas eu posso entrar pra aula agora? Não estou a fim de um sermão inútil sobre “a garota problema”.

– Se o Sr. Varner te deixar entrar, pode ir para sala. E no fim do dia te espero em minha sala, e não se preocupe pois chamarei Renée. – Disse ele dando um sorrisinho idiota. Quando eu digo que esse velho me marca ninguém acredita. Ele sabia meu horário de cor! Sem contar que estava íntimo de Renée. Devia estar comendo, sei lá.

Eu me virei e fui para minha sala. Ao chegar lá à sorte finalmente caiu sobre mim: o ranzinza do Sr. Varner tinha saído da sala, então eu calmamente entrei na sala, sentei em minha carteira lá no fundo e abri meu livro como os outros. Eu sabia que ninguém ia me dedurar, porque ninguém queria problemas comigo. Dito e feito, o professor voltou e nem percebeu minha presença como não notara minha falta.

Poucos segundos depois meu celular vibrou. Tinha chegado uma mensagem. Olhei para o professor, ele estava virado para o quadro passando umas equações demoníacas, então nem ia notar meu celular. Peguei-o da minha bolsa e li a mensagem:

"Is a Beeeeellla *------*
Tá bem migs? Porque se atrasou? ♥
De: Jess
Para: Is’"

Jessica me mandou aquela mensagem de texto semi alfabetizada, e eu rapidamente respondi no mesmo nível.

"Ah claro gats; me atrasei pq não tava a fim de chegar na hr hj. xD
De: Is'
Para: Jess"

Jessica era uma das minhas “amigas”. Ela era bonita, mas era pobre e não tinha personalidade. Sem contar que ela era muito fofoqueira. Ela sabia pelo menos um podre de todo mundo daquela escola, e apenas por isso ela era popular. Ninguém iria querer ver seu podre revelado. A única que batia de frente com Jessica era eu. Não existia absolutamente nada sobre mim que alguém não sabia, e tudo o que eu queria fazer, fazia para todos verem. Eu sou problemática, mais eu sei medir as consequências de meus atos. E sem contar que eu os faço principalmente para prejudicar a imagem de Renée, e deixar a minha a mais intacta o possível.

"Mas e ae, pronta para #PartyHard?’ Õ
De: Jess
Para: Is’"

Revirei os olhos para o assunto cretino que ela levantou, só para manter a conversa.

"Eu já nasci pronta goats u.u
De: Is’
Para: Jess"

Na verdade eu ODIAVA festas e derivados. Mas essa festa em especial, eu teria muito prazer em ir. Ela era mais do que proibida: seria para maior de 21 anos, open-bar e cheia de caras mais velhos safados. Eu tinha 17 ainda, então se me pegassem bêbada numa festa dessas Renée ia ter um sério problema. Talvez dessem minha guarda para Esme (eu tinha uma cara de choro irresistível, usando isso no momento certo, não tinha quem me considerasse culpada de ser assim).

"Eu vou pra casa de Law pra me trocar, vc vem com a gente?
De: Jess
Para: Is’"

"N, o merda o diretor disse que vai chamar minha mãe no fim do horário. :@
Eu passo lá ás 20h, pode ser?
De: Is’
Para: Jess"

Respondi, esperando ansiosamente pelo fim dessa conversa.

Claro goats. Já tá com o esquema da identidade?
De: Jess
Para: Is’

Nem, vc pode pegar com Ty pra mim?
De: Is’
Para: Jess

Como eu já disse, era menor de idade. Usando a roupa e maquiagem certa, ninguém dizia isso, mas sempre pediam a identidade para entrar nas casas noturnas. Tyler era filho de um juiz corrupto, e conhecia gente barra pesada. Ele conseguia TUDO – de documentos falsos a bebidas para menores e drogas ilegais – nesse país. Era bom tê-lo como “amigo” acima de tudo, porque ele descolava documentos falsos novos (até ele entrar no grupo, conseguíamos no máximo alteração de idade), pra mim era perfeito, uma vez que alguns seguranças me reconheciam. Ele fez para mim serviço completo: identidade, carteira de motorista, passaporte, enfim, tudo para que se alguém me barrasse por me reconhecer, eu tivesse como provar o contrário.

Sem probs migs *-*
De: Jess
Para Is’

Depois disso o sinal tocou. Era o fim da primeira aula. Jessica veio correndo para minha mesa, me cumprimentar como se não tivesse me enchido saco a aula inteira via sms.

– Oi amiga!

– Quem vê pensa que não acabou de falar comigo. – Disse para a Jess, enquanto saia pelo corredor a fora.

– Ai credo amiga, parece que não me ama. – Disse ela fazendo bico. Claro que eu não a amava, mas eu nem ligava, ela também não me amava.

– Sem drama gata. E ai, quais os planos para festa? – E ai ela começou a falar de vestidos, sapatos maquiagens... Eu me coloquei em “stand-by”. Eu não fazia questão de falar com Jessica, mas a regra mandava. As populares falando de futilidades no meio das trocas de aula.

–... O que você acha?

– Você vai arrasar. – Eu disse respondendo uma pergunta não ouvida, mais fácil de imaginar.

– Não tanto como você.

– É verdade. – Se tinha uma coisa que eu me orgulhava de mim era a beleza. Cheguei à minha aula – Inglês. – Enquanto Jessica seguia para sua.

Eu posso descrever várias coisas legais que aconteceram comigo o dia inteiro. Mas eu teria que descrever meu dia inteiro. Então vou só explicar rapidamente meu intervalo, e a minha ultima aula.

No intervalo, eu ficava com os populares (se você tem algum déficit de atenção e ainda não reparou). Eu era a abelha rainha do grupo.

Michael Newton – Mike – Era armador do time de basquete, o quarterback no futebol americano, o centro no Hockey, o atacante no futebol... Entenderam né? Ele era atlético e todas babavam nele. Ele era o que mais tinha chances de ter algo comigo, (mas não acontecia, porque ele era uma babaca). Jess era a fim dele, então ele a usava enquanto não me tinha. Coitado. Se dependesse de mim, morria com ela. Mike era filho de um banqueiro também. Por isso ele tinha a esperança de ter algo comigo, (seria como “os filhos lindos dos banqueiros formando o maior banco de NYC”).

Tem Jessica Stanley – Jess – vocês a conhecem. Ela sabe demais, e só por isso que esta no grupo. Antes que você me pergunte: sim, ela usa Mike também (ela quer o dinheiro dele). Então eu deixo os dois. Eles se merecem.

Tem a Lauren – Law. Ela é filha de médicos bem sucedidos, entretanto a inteligência da família não passou pra ela. Ela é uma loira, linda até, mais sem sal nem açúcar. Acima de tudo, ela é antipática, mimada, burra e fútil. Tipo, eu. A diferença é que eu estou fingindo...

Tem Tyler. Ele é perigoso. Mas não é bonito. Então fica na cola de Mike para pegar “a sobra”.

E por último, tem Eric. Ele é o nerd japonês da turma, aquele que faz os trabalhos escolares dos outros. O pai dele é alguma coisa importante na Apple, então ele vive dando uns trecos pra gente, pra garantir o seu espaço no grupo. Ele não é bonito, mais é rico, o que garante amizades o suficiente pra ele.

Bom, nós somos os tops da escola. Até existem outros alunos que podiam ser populares, mas ninguém lutava conosco. Éramos ameaçadores demais separados, juntos então...

O intervalo é sempre a mesma coisa, Law e Jess passando fome e invejando meu metabolismo que me permitia de comer mais que um pedaço de queijo, Mike e Tyler se exibindo para as garotas, e Eric fazendo o dever e conversando sobre iPod’s com umas meninas interesseiras da torcida. Nossa mesa ficava no centro do refeitório, e todos mantinham uma distancia segura de nós, a mesa era para dez pessoas, então todo dia quatro pessoas faltavam sair nos tapas para ver quem se sentava conosco. Era ridículo.
Eu sempre sentava no meio da mesa. Entretanto só Jess, Law, Mike e Ty podiam falar comigo diretamente – Eric e qualquer outro só tinha a permissão de fazê-lo se fosse para me agradar.

Saindo do antro de futilidade que envolve os intervalos da MHS, vou pular para minha ultima aula: Biologia.

Eu era muito boa em biologia. Na verdade eu era muito boa em todas as matérias. Mas fazer lição seria aceitar que aquilo era um colégio, e eu tinha que passar que aquilo era o meu reinado, então eu fingia não saber nada. Como Eric adora nos agradar, ele conversava com alguns nerds pedindo para fazer nosso dever em biologia e química (onde tínhamos parceiros de laboratório).

O caso era que o meu parceiro de biologia era o ser mais estranho do mundo. Ele usava roupas que transmitiam pobreza, sem contar que o cabelo dele era uma zona. Devia ficar um mês sem lavar aquela coisa pra ficar com uma cor tão estranha. Sem contar que ele parece que a qualquer momento vai tacar o microscópio em mim. Sim, ele me odeia. Não sei porquê.

No começo do ano eu até ofereci que ele se sentasse à mesa conosco (se ele lavasse o cabelo e colocasse roupas legais, é claro). No entanto, ele não quis, e como todos moralistas fazem, me chamou de fútil e o caralho a quatro. Eu fiquei muito chateada, afinal quem ele era pra falar assim comigo? Eu lembro que comentei com Jess, e ai no outro dia ele estava com o olho roxo.

Ei, não me culpem! Ninguém mandou ser antipático comigo, e eu não disse pra ninguém bater nele. Mike que é um babaca e agiu por si mesmo.

Enfim, ele era estranho e tinha um ódio mortal de mim, e nunca mais falou comigo. Porém, ele era bom em biologia e fazia todo meu dever. Enfim o que aconteceu de especial foi:

– Assine aqui, preciso entregar pra professora, agora. – Disse o meu parceiro de biologia. Ok, isso pode parecer chato perto dos meus dias perfeitos. Mas eu realmente me surpreendi, ora, ele não falava comigo há quase um ano. E tenho que confessar: eu achava que ele tinha potencial. Dali a alguns meses seria o baile de primavera, e eu com certeza seria a rainha. Muito provavelmente, Mike seria o rei, mas eu não queria aquilo. Eu já tinha esgotado minha paciência com ele, e fazer uma campanha fingindo estar com ele seria péssimo demais. Entretanto, esse estranho era do tipo caladão misterioso. Usando as roupas certas, arrumando aquela juba que ele chamava de cabelo, e ensinando para ele o que dizer, ele seria perfeito. Ah, academia também faria bem, mais isso eu ajeitava com o tempo...

Agora, parando de falar sobre o estranho e concentrando no resto da minha tarde.

Quando o último sinal bateu eu fui ate meu armário acompanhado do idiota que sentava na cadeira atrás de mim em biologia. Ele segurava meus livros, e os guardou em meu armário. Depois disso eu tentei achar um fluxo de pessoas que eu pudesse me misturar e sair disfarçadamente antes do diretor me ver. Dobrei o corredor sorrateiramente e me misturei com um monte de gente estranha.

– Acho que você me deve uma visita, Srta. Swan. – Droga, da próxima vez iria me misturar com pessoas mais bonitas.

– Claro Sr. Greene. E como toda boa visita, eu ia até a delicatessen mais próxima para comprar uns biscoitos e café. Preferência por sabor? – Eu disse irônica. Mas se funcionasse, estava valendo.

– Há. Muito engraçado Srta. Swan. Para minha sala, agora. Sua mãe já está esperando. – Nossa, eu precisava aprender com o diretor. Se minha mãe estivesse em casa e eu a chamasse ela não atendia, o diretor só precisara ligar e ela vinha correndo…

Andamos pelo corredor, e assim que entrei na sala Renée estava sentada na cadeira em frente ao diretor. Ela me olhou com um olhar "ameaçador". Nossa, fiquei até com medo (sim, irônica e sarcástica até a morte).

– Srta. Swan, já avisei Renée o motivo de chamá-la aqui hoje. – Nossa, comigo era Srta. Swan e com Renée era só Renée. Devia estar comendo mesmo. – O que eu quero é uma solução. Já tentamos de tudo, detenções, advertências, suspensões e para não me chamar de injusto, conversas e mais conversas. O que eu quero saber, Srta. Swan, é o que eu faço com você. Se fosse qualquer outra aluna, já estaria expulsa do colégio, mas em consideração a sua mãe, eu sempre relevo seus atos.

– Eu só tenho a agradecer John. Sei que Bella é muito rebelde, mas estamos consertando isso aos poucos. Desde que o pai dela se foi, ela ficou assim. Mas não faz por maldade. – Dizia a Renée toda dramática, e ela ainda teve a audácia de me abraçar. Argh!

– Olha, já chega pra mim, tá! Quer me expulsar, me expulse, mas os dois não fiquem de putaria na minha frente. Vocês dois são adultos, então vocês se resolvam. Eu estou indo, e não volto pra casa hoje Renée. FUI! – Eu dizia me levantando e saindo da sala sem nem dar tempo deles falarem alguma coisa.

Eu entrei no meu carro, e fui direto para minha casa. Eu ia ter que sair antes que minha mãe voltasse, talvez fosse mais cedo para casa de Lauren.

Eu estava até pensando em pegar leve com Renée. Mentira. Eu iria acabar com a imagem pública dela. Ela mal esperava…

Notas finais
"Como assim você posta só o prologo e some?!" É, loucura, mais tive uns problemas que limou toda minha inspiração. Então eu comecei a escrever outras coisas e aqui ficou esquecido. Mais agora eu voltei e vou postar até o fim. :D Mereço Reviews?