Ao Alcance Dos Meus Dedos - GinHiji
1 Oneshot
Notas iniciais
Tive a ideia depois de ver o arco da Mistuba e principalmente por causa daquele final. Como adoro um drama e sentimentalismo resolvi escrever isso aqui, espero que gostem :3
Era outono. A lua-cheia iluminava a noite do movimentado Distrito Kabuki e a brisa gelada derrubava as folhas das árvores próximas, as carregando até aquela hospedaria barata onde Hijikata terminava de fumar mais um dos seus cigarros. O moreno estava sentado perto da janela numa posição relaxada; sua jaqueta havia sido descartada em algum lugar perto da porta junto com o colete e o lenço, sua katana descansava no chão ao seu lado. Era uma dessas noites tranquilas em que nada acontece.
Fechou os olhos e expirou a fumaça de seus pulmões só para ouvir uma tosse exageradamente forçada da pessoa sentada ao seu lado para chamar a atenção, lançou um olhar para o idiota de permanente-natural, mas foi completamente ignorando enquanto este bebia outra dose de saquê com um sorrisinho mal disfarçado. Idiota, pensou relutando em morder a isca e começar mais uma das intermináveis discussões, estava cansado demais para isso. O dia no Shinsengumi havia sido terrivelmente cheio de papeladas e Sougo parecia mais empenhado em preparar armadilhas do que o habitual. Se perguntava se era alguma época especial para aquilo.
Bufou quando sua pergunta foi respondida por mais folhas caindo em frente a janela — Ah, sim, aquela época.— pensou distraidamente. Tragou novamente e voltou a observar o movimento das ruas, os sons agitados que chegavam até ali eram uma boa distração para sua mente. Noites como aquelas inevitavelmente atraiam lembranças que tentava reprimir no canto mais obscuro que pudesse encontrar, memórias de uma noite de outono bem parecida com essa.
Hijikata não precisava se esforçar para recriar em sua cabeça aquele momento que o assombraria pelo resto de sua existência. Se fechasse os olhos ainda podia sentir a brisa suave e o perfume que chegava até ele, conseguia ouvir aquela voz suave e o tom envergonhado que as palavras foram ditas. Podia se lembrar das palavras dela e também das suas próprias. E isso lhe trazia um gosto amargo a boca que nada tinha a ver com sua tão adorada maionese.
Havia se convencido de que fez aquilo para o bem dela, que Mitsuba ficaria melhor longe dele. Mas talvez estivesse apenas com medo de não ser bom o suficiente para ela, afinal, ela não merecia ficar ao lado de um espinhoso como ele, um demônio que tinha as mãos manchadas com sangue. Ele não tinha o direito de tocá-la com essas mãos sujas. Alguém tão pura merecia coisa melhor, ter uma vida normal com filhos e um marido bondoso. Alguém completamente diferente dele.
Suspirou esmagando o resto do cigarro no cinzeiro ao lado e fechou os olhos relaxando, em noites como aquela sempre acabava se deixando levar por seus pensamentos. Sua mente criava suposições de como sua vida seria diferente se fosse sincero com Mitsuba naquela época, se tivesse aceito os sentimentos dela e exposto os seus próprios. Se fosse assim não estaria ali agora. Talvez Mitsuba ainda pudesse estar viva, quem sabe? E talvez agora estivariam sentados na varanda de uma casa acolhedora enquanto assistiam o cair das folhas de outono.
Talvez.... Talvez.... Eram infinitas as possibilidades que podia imaginar agora, podia inventar uma vida perfeita ao lado de Mitsuba se quisesse, contudo a verdade era uma só. Ela não estava ali e nem iria voltar. E ele não teria outra chance de mostrar seus sentimentos. Mas não se arrependia do que fez, acreditava que era o melhor ou pelo menos tentava se convencer disso.
— Oogushi-kun, não ignore o que o Gin-san está falando! — Gintoki resmungou para ganhar a atenção do viciado em nicotina.
— Quem você está chamando de Oogushi-kun, permanente idiota?! — Hijikata exclamou, mas sem se moveu do lugar, apenas lançou um olhar ao de cabelos brancos e sem perceber já estava acendendo outro cigarro.
— Não ofenda o permanente do Gin-san! Gin-san seria apenas um protagonista qualquer sem o seu permanente!
— Tsc! Tanto faz.
— O que está ocupando sua cabeça, hum? O que é mais importante do que o que está bem na sua frente, Hijikata-kun? — o samurai de cabelos brancos perguntou balançando uma garrafinha de saquê na frente do rosto dele como provocação.
— Você está sendo incrivelmente irritante hoje. Não que você não seja irritante em todos os outros dias.
— Oy, maldito. É assim que você retribui minha preocupação? Ingrato. — e afastou a garrafa se recusando a dividir seu precioso saquê com ele.
— Eu não.... Argh! — parou no meio da frase e bufou percebendo que aquilo não os levaria a lugar nenhum. Tragou sentindo os efeitos calmantes da nicotina fazendo sua função antes de voltar a falar, agora num tom bem mais brando — Apenas fique quieto por um minuto, está bem? Se você fizer isso amanhã compro um paifart estúpido pra você.
Gintoki franziu o nariz e bufando bebeu outra dose de saquê murmurando — Paifarts não são estúpidos, você é estúpido mayora. — e se calou.
Continuaram naquele silêncio confortável por mais um tempo, cada um concentrado no que fazia, Gintoki continuou bebendo e Hijikata fumando. O moreno já estava se preparando para acender outro cigarro quando foi surpreendido por um par de braços fortes envolvendo suas costas, o puxando para mais perto num abraço quente. No primeiro momento seu corpo estava tenso com aquela ação repentina, eles não são do tipo que se abraçam, mas gradualmente relaxou ouvindo a respiração tranquila de Gintoki contra sua orelha e sentindo as mãos em suas costas. Era difícil achar aquilo estranho quando se sentia tão bem.
— Oy você já está bêbado?
— Talvez. — foi a resposta simplista.
Ouviu um riso suave do viciado em doces quando retribuiu o abraço da melhor maneira que pôde, desajeitado e sem saber direito o que fazer, apoiou os braços nos quadris dele e descansou a testa no ombro alheio. Seu estômago revirava pela culpa que sentia. Não era justo pensar em todos os momentos que podia ter passado com Mitsuba quando tinha Gintoki bem a sua frente. Bem ao seu alcance onde podia tocar e sentir. Fechando os olhos o moreno cerrou a mandíbula com força e apertou os dedos sobre a yukata branca, detestava o fato de Gintoki sempre parecer saber o que fazer para reconfortá-lo quando ele próprio não podia fazer o mesmo por Gintoki.
— Está tudo bem. — Gintoki sussurrou em seu ombro, os dedos longos subindo pela linha da coluna até encontrar os fios negros em sua nuca — Está tudo bem. — repetiu plantando um beijo em seu pescoço, o pegando completamente desprevenido.
Sem saber como agir com a mudança surpreendente de personagem o moreno apenas aceitou aquilo, mesmo sabendo que nada estava bem. Não, não estava tudo bem. Estava tudo bem a noite quando Hijikata estava sozinho em seu quarto. Estava tudo bem enquanto ele relaxava no chuveiro e sua mente divagava e formulava suposições. Estava tudo bem quando fazia uma pausa no trabalho. Mas não naquela noite. Não quando esses pensamentos e sentimentos surgiam enquanto Gintoki está por perto. Não quando devia dar toda sua atenção ao homem que o abraçava e o reconfortava agora.
Mitsuba não tem lugar na relação dos dois, não havia espaço para ela entre eles; pensou com um pesar no peito, tanto por Gintoki quanto por ela. Fechando os olhos respirou fundo inalando o cheiro doce que parecia estar grudado em cada célula daquele corpo, e sorriu, estranhamente não era tão enjoativo quando o aroma vinha dele.
— Mitsuba me desculpe pela decisão que tomei por nós. Me desculpe por todos os momentos que não tivemos juntos. Eu realmente te amei. Te amei com tudo de mim. Mas encontrei alguém que se tornou importante e dessa vez não vou desistir dele.— Hijikata suspirou, de alguma forma se sentia mais leve com a confissão. Se afastou quebrando o abraço e, antes que Gintoki começasse com a tagarelice incessante, o beijou.
Notas finais
Acabou ficando sentimental e meio dramático, pode nem combinar com eles, mas era algo que eu precisava escrever. Espero que tenham gostado desse meu surto da madrugada :3
~Kissus da Taimatsu~
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