Anyway, The Darkness Is Coming...
5 Tuesday - The answer comes PART 2
Notas iniciais
Hora do intervalo...
-- Então... — Yuuko começou — ... essa noite..?
-- Sim — respondeu Heiko — essa noite.
-- Essa noite o quê? — perguntou uma voz atrás delas.
Elas se viraram, e ali, parada, estava Juno Chiharu. Juno era uma garota quieta, mas que tinha muitos amigos, e falava sempre com uma voz que acalmava os outros. Não costumava se intrometer nos assuntos dos outros, mas parecia muito interessada no que as garotas diziam.
-- A-ah... V-você..? Ehn... É que... — Yuuko começou a gaguejar, pasma. Era muito raro alguém falar com ela, mesmo que estivesse com outras pessoas.
-- Você ouviu tudo? — perguntou Heiko. Também estava surpresa, mas era boa em disfarçar isso.
-- Eu ouvi... Sim. Também ouvi o que vocês falaram na sala. Então, vocês podem lutar contra eles, não é?
-- Você acredita nisso? -- questionou Yuuko, ainda mais pasma.
-- E por que não acreditaria? É um absurdo, mas o que está acontecendo também é um absurdo. O meu conceito de realidade já furou há tempos.
-- O que você quer? — Heiko foi mais dura. Não costumava ser rude, mas sabia fazê-lo quando via que era necessário.
-- Lutar.
Falou com a mesma vontade que Heiko ao fazer o mesmo pedido. Sua voz não vacilou, como aconteceria a alguém com medo. Seu rosto estava mais triste que antes daquilo começar, afinal havia perdido metade da sua família, mas expressava uma vontade sem fim.
-- Você quer vingança, por acaso?
-- Bem... Vingança, não... É... Justiça. — Agora parecia envergonhada. A vergonha de quem é acusado de ter um sentimento nefasto. Sabia que queria vingança. Mas no coração de quem, como ela, havia perdido tantas pessoas queridas, a vingança se chamava justiça.
-- Já disse essas palavras antes — retrucou Yuuko — e vou repetir: Não quero envolver mais gente nisso. É perigoso, horrível e medonho. Uma vez dentro — ela acenou para si mesma e para Heiko — é impossível voltar.
-- Eu tenho certeza.
-- Você pode morrer.
-- Não me importo.
Yuuko deu um sorriso. Se via naquela menina. Se importava com os outros, mas não consigo mesma.
-- Eu me importo. — disse.
-- Não precisa. Estou tão disposta a resolver isso quanto você.
-- Mesmo? — dessa vez foi Heiko quem insistiu.
-- Sim.
§
Mais um incoveniente. Mais uma noite sem luta. Não podiam adiar mais. Queriam começar aquela noite, mas as pedras só apareciam no momento certo.
No momento certo.
O momento certo de Juno Chiharu não foi à noite.
Sua pedra não era negra.
-- Hein?!
-- Apareceu... Assim, do nada.
-- É, e é branca. Branquinha, sem nenhuma marca.
-- WTF?!
-- Yuuko, pare de xingar!
-- E como eu faço para virar uma espada?
-- Bem, a nossa foi com uma... Lágrima.
-- De emoção.
-- Cala a boca, Heiko.
-- Lágrima? Eu tenho que chorar na pedra? Mas assim é difícil...
-- Talvez a sua não seja assim. Afinal, ela não é preta.
-- E surgiu durante o dia.
-- O que eu faço, então?
Pararam para pensar. Heiko estava explicando certas complicações para Juno, logo após a escola, quando a misteriosa pedra branca surgiu.
Yuuko ainda não se conformara com a ideia. Era impossível. As pedras usavam um poder das trevas, o mesmo que as sombras. Um poder sombrio, de destruição. Nunca havia notado nada de diferente durante o dia. Somente à noite que tudo ocorria.
-- A não ser que...
-- O quê?
-- Deve ter algo acontecendo de dia. Alguma coisa estranha.
-- Bem, agora que você falou...
-- Juno?
-- É que... Eu ouvi falar... Que quando as sombras te atacam, mas não te levam, quando elas te ferem... Quando fica de dia, aparece uma luz, que parece o exato oposto das sombras, e...
-- Termina o serviço?
-- Isso mesmo.
Pensaram mais um pouco. Aquilo que Juno falara fazia todo o sentido. Ela estava assustada, pois não tinha "ouvido falar". Tinha visto acontecer. Assim levaram seu pai. Ela e a mãe só puderam olhar quando aquela luz que parecia tão boa, tão encorajante, chegou perto dele. Pensaram que ia curá-lo. Não foi o que aconteceu. Mas não queria partilhar aquilo com as outras.
Sofreu em silêncio, enquanto as outras duas meninas discutiam absortas. Uma lágrima escorreu por seu rosto.
Caiu na pedra.
A pedra brilhou.
Emitiu uma luz branca, ofuscante e bela. Quente.
A pedra virou um pingente de espada. Desta vez, branco. Parecia feito de mármore.
-- Parabéns. Agora você vai precisar pendurar isso em algum lugar. — disse Yuuko, como se nada de mais tivesse acontecido.
Juno tirou um broche do bolso, e encaixou a espadinha nele. Encaixou perfeitamente. Espetou-o, então, na blusa.
-- Vamos mesmo agir essa noite — disse Heiko, sorrindo encorajadamente para Juno.
E Juno, inocentemente, retribuiu, sem saber o que a aguardava por ter aquele poder diferente.
Não ficaram nada felizes com aquilo. As profecias estavam se cumprindo. Elas iriam derrotá-los se não reagissem.
-- Matem-nas. — disse uma voz estrangulada na escuridão, como se fosse uma voz morta — Matem-nas, e tragam seu sangue para mim... Preciso do sangue daqueles que sabem minha existência...
Notas finais
NÃO RECLAMEM POR QUE TÁ PEQUENO! Essa parte é mais difícil de escrever.
Ainda bem que já vão começar as lutas e as mortes explícitas...
SPOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOIIIIIIIIIIIIIIIIIIILLLLLLLLLLLEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEERRRRRRRRRR
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