Anyway, The Darkness Is Coming...
14 MIDNIGHT - Noticing death.
Notas iniciais
Eu tinha escrito tudo e esse site maldito deletou sozinho.
São 1:15 da manhã, eu tava escrevendo desde as 22:30.
E esse troço deletou.
Se ficar pequeno, chato, irritante, tedioso, vocês já sabem quem culpar.
Essa bosta de site.
Não eu.
A culpa não é minha que ele fica deslogando minha conta sem eu fazer nada.
Leiam logo çaporra que eu to sem a mínima paciência.
Imagine a sensação de estar preso no próprio corpo, mas sem poder usá-lo.
Imagine que você consegue sentir seus membros, sabe que eles existem, mas não pode movê-los.
Imagine saber que existe um mundo, mas não poder vê-lo, ouvi-lo ou qualquer outra coisa.
Essa era a sensação de ter outro comandando seu corpo.
Minha mente estava presa nela mesma.
Não havia um espaço físico no qual me apoiar.
Criei o meu próprio.
Uma poltrona. Era tudo que eu precisava, então sentaria meu corpo-mente nela. Assim não enlouqueceria. Muito.
Você luta como o demônio., comentei.
Ora, obrigada, a outra eu respondeu.
Deve ter sido péssimo pra você ficar presa assim durante treze anos. Eu odeio isso aqui.
Nem foi tanto, já que não estava desperta. E nós não temos treze anos; isso é uma fachada.
Hein? Como assim? Quantos anos nós temos?
Cerca de... Cinquenta e sete. Não tenho certeza, parei de contar depois do 23.
Epa, epa. Você tá dizendo que eu sou uma velha?
Não. Acho que posso dizer que você tem 13 anos. Eu tenho 57. E nem de longe 57 é velho para um filho da noite. É apenas o começo da adolescência.
Se eu tenho 13 anos, quer dizer que minha mente "nasceu" quando você teve que se fingir de humana?
Isso mesmo. Acho que não seria correto dizer que somos personalidades de uma mesma pessoa... Está mais para uma mesma pessoa de espécies diferentes.
Então minha mente é humana.
Sim.
E a sua não é.
Sim.
E o corpo?
O corpo é meu., ela resmungou. Você veio depois.
Mas então você deve ter outro nome! Não deve ser... Yuuko Katsuze.
Realmente, não. Nosso verdadeiro nome é Kibishii.
Nosso o caramba. Eu não vou ter um nome estranho assim. Você Kibishii. Eu Yuuko.
Certo, se é de sua preferência., ela suspirou.
Mais silêncio, mais nada.
Sim, mais nada.
Que estranho.
Espere.
Kibishii... Quer dizer soturno. Ei. Isso não era bom, nem um pouco bom.
Eu já havia notado algo terrível sobre ela. Agora esse nome só confirmava minha suspeitas.
Kibishii não era simplesmente não-humana.
Ela era mais... Animal.
Percebi que ela não daria a vida para salvar outra pessoa.
O que mais lhe importava era cumprir seus objetivos. Mesmo que isso custasse sua própria vida, e a vida de outros.
Porque Kibishii poderia ser mais ágil, mas inteligente, e até mais honrada do que um ser humano. Porém Kibishii não possuía algo que eu jamais considerara essencial, e que agora via a real importância.
Kibishii não tinha qualquer tipo de sentimento mais forte.
Ela não se alegrava por coisas tolas, como humanos.
Ela não gostava nem desgostava de alguém à primeira vista, como humanos.
Ela não fazia amigos, como humanos.
Ela não amava.
Imagine dividir seu corpo com um ser incapaz de compreender o que faz as pessoas serem o que são.
Imagine alguém tão cruel ao ponto de deixar um amigo morrer sem nenhum remorso apenas para não manchar sua honra.
Imagine...
Ver que você pode se tornar uma máquina de guerra.
Alguém que luta desenfreadamente, sem piedade.
Sem consciência.
Kibishii não lutava para salvar a vida de inocentes.
Kibishii lutava porque haviam mandado ela lutar.
Kibishii não se importava se todos os humanos fossem mortos.
Kibishii só se importava se ia ou não receber aquela condecoração de seus misteriosos superiores.
A honra não era o bastante para deixá-la menos cruel.
Pense bem, tola. Eu jurei por minha honra deixar seus amigos vivos. E jamais me considerará cruel perante ao que verá a seguir.
Tentar me convencer de que no fundo era uma boa pessoa não adiantava mais. Ela ignorou totalmente minhas perguntas sobre como estavam os outros, se estavam vivos ou não.
Tentei perguntar sobre seu passado, mas aparentemente ele havia sido quase todo apagado de sua memória. Ela dizia a verdade, isso eu podia garantir. Esse poder eu tinha.
Chegamos a um ponto onde o ar parecia mais... Sólido.
O som se propagava com dificuldade.
Consegui ouvir cinco pares de pulmões arquejando. Kibishii não estava cansada, claro. Me acalmei um pouco. Todos vivos. Por enquanto.
O eco produzido pelos passos do grupo parecia estranho, como se fosse possível ver o ar vibrando quando cortado pelas ondas de som.
Eu sabia o que aquilo significava.
Estávamos entrando na base deles.
Nenhuma palavra foi dita, porque isso bastaria para despertar o pânico. Algumas vezes tudo o que você precisa para enlouquecer é simplesmente abrir a boca.
As sombras atacavam melhor por ali. Aquelas eram consideravelmente mais poderosas, algumas levavam até quatro golpes para desaparecer. Mas não eram fortes o bastante para nos deter,
Um som metálico tinia nos meus "ouvidos". Coloco aspas aqui por não se tratar de um som que eu ouvia através do mundo de fora, não, era um som produzido em minha própria mente.
Aquele som metálico me lembrava algo.
Teria trincado os dentes, caso possuísse algum poder sobre eles.
Finalmente saímos no saguão, mas não era uma cena bonita.
Todo centímetro era ocupado por sombras, a não ser aqueles em que nós mesmos estávamos.
Nos juntamos num círculo, ombro a ombro, para poder combater em todas as direções.
Eu já estava preparada para aquilo que viria a seguir.
Uma gargalhada metálica percorreu o ar, mas não com dificuldade como os sons produzidos por nós, a risada veio como uma navalha cortando água.
-- Vieram para a toca da onça! — riu aquela voz horrenda. Aquilo era meu objeto de maior ódio. Aquilo matara Juno.
-- Nunca sairão daqui vivos, pequenos. Sinto muito. — parou para pensar — Não, na verdade não sinto nem um pouco! — soultou sua gargalhada maníaca novamente.
As sombras começaram a se afastar de nós, deixando um círculo livre para nos desesperarmos.
O que eles não esperavam era que Kibishii estivesse um passo à frente.
-- Ora, Kyofu, pare com as ameaças. Você e eu sabemos muito bem que nunca teria conseguido matar a garota se esse realmente fosse seu objetivo — ela disse, sua voz rouca tão assustadora quando a metálica. Talvez mais. Entendi perfeitamente o que isso queria dizer. Ela era a mais forte.
Isso mesmo, ela sussurrou na minha cabeça, o general deles já era!
Não perguntei como ela sabia o nome do cara, nem como sabia que ele era general.
-- Essa voz... Não, espere... Kibishii! Então eu estava certo! — a voz rugiu — Eu deveria ter mandado matar essa garota antes!
-- Você mandou, e acabou matando a que lhe seria mais útil viva. Vai vir até aqui para que eu chute o seu traseiro ou vamos ter que abrir caminho? Sabe muito bem que venceremos do mesmo jeito. — provoquei. Ops, Kibishii provocou.
-- Você vai morrer, filha da noite! — urrou o tal Kyofu — Não me interessa quem você é, nem se no seu grupo tem servos de Tenebrae e Instrumentis! Nunca serão o bastante para derrotar meu exército!
-- Eu não teria tanta certeza — ronronou Kibishii, fazendo um gesto com a mão e abrangendo a luta que voltara a rolar. Apesar de ter menos gente e de nós estarmor discutindo com um nada, visivelmente estávamos em vantagem. Ironias da vida.
-- ARRGH! Certo, tola! Eu irei pessoalmente até aí, e vamos duelar — a voz soltou uma de suas risadas — até a morte! Se você me vencer, o que é impossível, meus capangas vão deixar vocês irem,
-- E se eu perder você mata todos nós — ela completou — perfeitamente justo, porque quem vai morrer aqui é você.
-- Eu não teria tanta certeza — respondeu Kyofu, e desta vez sua voz parecia vir de um corpo sólido no meio da massa de sombras. Lentamente, ele foi se destacando até aparecer na nossa frente.
Não vou entrar em detalhes, afinal nem poderia, mas resumindo: Ele era uma cruza de humano com chimpanzé e dragão-de-komodo. Pode apostar que ele fedia igualzinho ao último.
Algum companheiro atrás de mim soltou um gemido de nojo.
A coisa segurava uma lança comprida em uma das mãos, e um lançador de arpões vazio na outra.
Kibishii ergueu a espada, pronta para o duelo.
-- Você não mudou nada nesses vinte anos — comentou Kyofu.
-- Vou tomar isso como um elogio — retrucou Kibishii.
Ei, ei! Espera! Me diga, como assim, ele disse que haviam um servo de não-sei-quem e dois Instru-não-sei-o-quê entre nós! O que isso quer dizer?!
Depois, a voz dela rosnou perigosamente. Ela estava concentrada, e eu estava atrapalhando. Maldito seja esse tédio.
-- Então... Que comece a luta! — gritou a criatura demoníaca e feia. Isso era um elogio comparando com o que aquilo realmente era.
Foi uma doidera.
Primeiro, porque logo no primeiro segundo da luta, Kibishii chutou o lança-arpões de Kyofu para longe. Ele golpeou com a lança, mas ela saltou por cima da criatura dando um mortal.
Só que a Coisa também era rápida. Assim que pousou no chão, Kibishii levou um golpe da extremidade não-afiada da lança bem no adbômen. Minha surpresa foi só que não doeu em mim e ela reagiu só arreganhando os dentes pontiagudos.
O monstro olhou nos olhos de Kibishii, preparando um novo ataque.
Esse foi seu grande erro.
Senti o terror se espalhando pela face do monstro — que ironia! O nome dele significava "terror" e era ele quem estava aterrorizado!
Suas pernas fraquejaram por um segundo.
Foi o suficiente.
Kibishii lançou nosso corpo para frente, atravessando o pescoço da criatura com a espada.
Um sangue espantosamente vermelho e brilhante jorrou do ferimento.
Kyofu gritou em agonia. Seu corpo foi suspenso no ar por cordas invisíveis, e começou a se retorcer, cortes sendo abertos por seus próprios ossos, sangue espirrando para todo lado.
Não foi uma coisa legal de se ver.
Os olhos dele giraram várias vezes nas órbitas antes de parar. Sua garganta explodiu com o esforço de berrar tanto. Todos os tecidos de seu corpo se tornavam uma massa escura e pegajosa que respingava no chão.
-- Que sem graça — comentou Kibishii — Nem pude torturá-lo.
Se aquilo era a morte "sem tortura" eu absolutamente não queria ver a "com tortura".
Objetivo cumprido. General abatido; forças reduzidas. Hora da retirada.
Vou deixar você assumir o controle, disse Kibishii, pode não parecer, mas usei muita energia. Preciso descançar. Não se preocupe, isso foi só porque estou sem prática.
Concordei com a cabeça antes de lembrar que não tinha uma cabeça para balançar. Mas ela entendeu o recado.
Lentamente, senti meu corpo voltando ao meu alcance. Conseguia movimentar minhas mãos, braços e pernas. Conseguia ouvir, ver, sentir e tudo mais.
Kibishii dormiu em seu espaço mental. A sensação de ter alguém dormindo dentro de você é realmente curiosa.
Gritei, e nunca havia sentido tanto prazer em simplesmente deixar palavras saírem da minha boca.
-- Operação terminada! Vamos embora!
Ninguém fez sequer uma objeção. Juntamos o grupo e percorremos o caminho de volta à casa de Umeko, ocasionalmente destruindo alguma sombra que ainda restara no começo do nascer do sol.
Estava tudo tão bem. Tínhamos cumprido nosso objetivo e o pior que acontecera fora que Hotaru tinha um arranhão na perna. Nada de grave.
A luz despontava no horizonte. Me senti tão bem quanto não me sentia há séculos. Ver aquela imagem já era recompensa suficiente por uma noite de luta!
A alegria durou pouco.
Quando chegamos ao lugar onde deveria estar a casa de Umeko, levamos um susto bem desagradável.
Porque lá não havia casa alguma.
Apenas um monte de entulho sujo de sangue.
Notas finais
Se não deixarem reviews, eu vou sonambulamente perseguir vocês.
Eu dormindo não é lá uma imagem agradável de se ver. Principalmente porque vou fazer questão de estar com uma motosserra bem bonitinha para ajudar no serviço.
Esperem por mais capítulos estupidamente sangrentos em Anyway, The Darkness is Coming!
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