Anything You Need
8 Primeiro Dia & Verdade ou Desafio?
Notas iniciais
POV. Ally
Acordei naquela manhã de segunda-feira com o lindo sol de Miami batendo à minha janela, meus olhos não estavam mais inchados, minhas olheiras haviam sumido e meu corpo parecia mais leve, como se tivesse tirado um peso das costas, essa noite de sono me fez tão bem... Não tive pesadelos e nem insônia, não me sinto mais tão mal, claro que eu não estava totalmente bem né, mas aconteceu, no que eu poderia fazer? Eu não tenho como mudar nada.
Ainda deitada comecei a pensar na situação. Eu precisava de aceitar isso de alguma forma.
“Um dia todo mundo morre, certo?”
“A vida não é pra sempre, ela sabia disso, eu sei disso, todos sabemos, mas ela aproveitou, o tempo que ela teve não foi em vão”
“Ela conseguiu viver mais do que uma mulher de cem anos, ela apostou nas oportunidades, ela viajou, conheceu pessoas, lugares, estudou, ela se apaixonou, ela se envolveu, ela trabalhou muito, ela teve sonhos que realizou e objetivos que conquistou, ela teve uma filha que educou, cuidou, amou e criou com a mais pura delicadeza e paixão, ela tem uma história.”
“Valeu a pena, tudo, tudo valeu a pena”
“Eu não posso mudar nada... uma hora eu vou ter que aceitar!”
“Coisas acontecem na vida, não é?”
“O que eu posso fazer? Apenas entender que aconteceu...”
“Ela nunca deixou ser tarde demais para fazer algo, ela não viveu de arrependimentos”
“Isso mostra que, a qualquer hora, a vida pode ser mais curta do que parece”
“Isso é mais um exemplo pra mim, viver antes que seja tarde”
“Ela esta comigo, a cada segundo, sei disso”
“Aproveitar”
“Fazer”
“Apostar”
“Vencer”
“Lutar”
“Continuar”
“Mudar”
“Ajudar”
“Viver”
Até que então, depois de passar basicamente quatro dias inconformada com a situação resolvi aceitar tudo aquilo. Eu realmente não podia mudar nada mesmo. A única coisa que eu podia fazer era viver como se amanhã fosse o último dia.
Pulei da cama e coloquei minhas pantufas que estavam bem ao meu lado e a propósito eram muito confortáveis. Caminhei até a porta e a abri, desci as escadas e fui até a cozinha para tomar meu café da manhã.
– Bom dia princesa! – disse meu pai sentado na mesa comendo seus ovos com bacon –
– Oi pai! Bom dia! – falei e sorri –
– Ah... esse seu sorriso! Não sabe o quanto eu amo o ver estampado em seu rosto! Está melhor?
– Sim! Muito! Acredite! Me sinto tão leve!
– Isso é ótimo! Eu sabia que iria aceitar! – ele sorriu –
– Você aceitou? – falei me sentando ao seu lado –
– Se eu não aceitar, vai adiantar alguma coisa?
– Não...
– Tive que aceitar... a vida é sim... quer ovos com bacon?
– Sim, por favor! – ele se levantou e foi até o fogão, pegou uma frigideira e um prato no armário, colocou os ovos mexidos da frigideira no meu prato e ao lado colocou o bacon, voltou à mesa e se sentou, puxei o prato para mim e comecei a comer – Obrigada!
– Nada! Você vai ficar aqui o dia todo?
– Vou... por que?
– Não sei, mas acho que você deveria ir para a escola, pode ser uma boa distração pra você depois do que aconteceu... conhecer pessoas novas e lugares novos, fazer amigos... pode ser bom... não acha?
– Hm... – parei para pensar e até que ele estava certo, se eu ficasse em casa eu iria fazer o que o dia todo? O que poderia me distrair ali? Acho que a escola é a melhor opção mesmo... pode ser uma coisa necessária e muito boa pra mim agora, sem contar que, como todos sabem, eu detesto faltar às aulas. – É... mas que horas são?
– São 06:50 a.m., suas aulas começam 07:30 a.m. pelo que eu sei... então você tem 40 minutos!
– Certo... e eu vou sozinha?!
– Eu te levo hoje! – ele sorriu de canto para mim –
– Ta... então... vou me trocar! – mal terminei de comer e subi as escadas novamente, caminhei até meu quarto e abri a porta –
Hm... então hoje vai literalmente ser o meu primeiro dia... eu não sei se estou super ansiosa ou super nervosa ou com medo ou animada ou ou ou ai meu CORAÇÃO.
Hoje tudo começa... vida nova, totalmente! Não acredito que tudo mudou e aconteceu tão rápido! Sinto meu coração saindo pela minha garganta! Agora tenho certeza de que não estou ansiosa ou nervosa, eu estou ansiosa e nervosa! Os dois ao mesmo tempo!
Abri o guarda-roupa e pensei em algo simples mas confortável, bonito mas não chamativo, combinando mas não brega. Peguei uma blusa e uma calça e coloquei em cima da cama. Fui para o banheiro e joguei uma água no rosto, escovei os dentes, penteei meu cabelo e me maquiei, passei um batom e não carreguei nada a minha maquiagem, eu estava com uma sombra clara bem neutra, o que destacava era meu lápis de olho, não passei blush, nem pó, nem rímel e nem corretivo, eu não gostava muito de encher meu rosto com maquiagens, eu estava bem assim. Voltei ao meu quarto e tirei meu pijama, coloquei minha roupa e fui à frente do espelho dar uma olhada no meu modelo, eu estava com uma blusa laranja clara, bem clara, justinha com estampa rendada, uma calça jeans normal, uma sapatilha azul escura e algumas pulseiras no braço, não muitas, sem exagero, mais especificamente umas duas pulseiras no pulso direito, eu também estava com um colar, era um formato dos Estados Unidos nele, era lindo, minha mãe tinha me dado de aniversário de dezessete anos , eu o amava, era, sem dúvida, o melhor colar do mundo, eu também tinha um colar da R5 que eu não ficava um dia sem usar, mas ele não aparecia muito, ele era cumprido então ficava dentro da minha blusa. Dei mais uma arrumada no meu cabelo e, um detalhe que não podia faltar de jeito NENHUM, fui até meu criado mudo e peguei meu maravilhoso perfume da 212 VIP Caroline Herrera (meu precioso perfume) e passei deixando o melhor tipo de fragrância que eu já tinha conhecido na vida tomar conta do meu corpo e do meu quarto.
Desci e vi uma mochila preta e rosa com detalhes dourados em cima do sofá.
– Pai? Que isso?
– Sua mochila! Comprei pra você antes de vim pra cá! Gostou?
– Pai... é da Chanel? MEU DEUS PAI! Eu amei! A-M-E-I!
– Sim, é sim! E é bom você ter amado mesmo por que foi bem cara!
– Imagino... Chanel é uma das melhores marcas atualmente! É linda! Obrigada! Nem sei como agradecer! – sorri de canto, orelha à orelha –
– Acabou de agradecer! – rimos – Vamos? Antes que você se atrase!
– Atrasar? Não não não! Vamos! – sorri –
– Ally... que isso?
– Isso o que?
– Esse cheiro... ALLY VOCÊ ESTA USANDO PERFUME?
– Sim... – olhei para ele –
– Você esta USANDO BATOM? VOCÊ ESTA MAQUIADA ALLY?
– Sim! Estou! Por quê? – fechei o sorriso –
– Ally... você está indo para a escola, não esta indo para uma festa! Que negocio é esse de ir maquiada? E esse batom? Ta usando lápis? E esse perfume? Esse cabelo todo arrumado? Essa roupa combinando? Que isso Ally? Me explica moça! – ri de tudo o que acabara de ouvir –
– Pai, eu sou uma menina! Tenho dezessete anos! Isso é normal! Se acalma e relaxa tá? – pisquei brincando –
– SE VIER MENINO PRA CIMA DE VOCÊ ALLY... TE SENTO A VARA MENINA! – soltei uma gargalhada com seu comentário –
– Que isso pai? – falei ainda rindo –
– A vara? Ah não conhece? Ela é uma velha amiga minha! Não se preocupa não que já já eu te apresento ela! – ri mais ainda –
Peguei minha mochila, coloquei nas costas e caminhei com meu pai até a porta, ele abriu e me deixou sair primeiro, ele fechou e eu fui até o carro ao seu lado, ele abriu as portas e entramos, liguei o rádio antes de ele fechar as portas do carro e dar a partida, fomos para minha escola escutando a rádio, eu cantava todas as músicas que passava.
POV. Austin
Depois de muitos anos estudando na mesma escola, basicamente a minha vida toda, minha mãe achou que seria ótimo me mudar, ela queria que eu acabasse o terceiro ano do ensino médio em uma escola diferente, eu estudava na melhor escola de Miami, Miami Beach High School, eu tenho uma banda com meus irmãos e um amigo, chamada R5, então eu podia bancar a minha antiga escola numa boa, mas minha mãe queria que, no terceiro ano eu economizasse mais e juntasse para minha futura faculdade, se é que eu quero fazer faculdade. Minha vida toda sempre quis a música, minha vida é a música, se eu for fazer faculdade com certeza será de música!
“Música é a única coisa no mundo que sempre fará sentido pra mim”
Eu não sei se estava pronto para começar uma escola nova e ainda por cima pública, eu era famoso, aconteceu exatamente o que eu pensei, confusão! Logo no primeiro dia tive que ser rude com as pessoas que estavam bloqueando a minha saída da limusine e a minha passagem, peguei uma imagem ruim nessa escola por causa da minha atitude. Eu achei que seria um desastre pelo resto do ano e que mesmo sendo famoso eu seria “o sozinho” da escola, mas antes que eu pudesse entrar conheci um cara chamado Dez, ele é bem legal, ele apoiou minha atitude e me tratou como um cara normal, isso foi ótimo e me fez sentir muito bem diante da situação, ele simplesmente me pediu para não me importar com o que as pessoas dizem ou pensam e para ignorar os feios olhares sobre mim, ele me ajudou!
Pode ser loucura mas, acho que já fiz um amigo, ele me mostrou a escola inteira antes da primeira aula e me explicou cada horário, cada sinal, cada aula, além de fazer comentários antecipados sobre alguns professores.
Por exemplo, o professor de Matemática, o Spencer, ele é lerdo, bobo, faz brincadeiras bestas e nunca presta atenção na aula, quer dizer, se ele estiver explicando e ninguém estiver prestando atenção ele não da a mínima importância. Ou a professora de Geografia, a Jadin, ela é a mais nervosa e também a mais chata, Dez a considera insuportável! Ele me falou também da professora que dava aulas de Química, Física e Biologia, a professora Katherine, me falou da professora de português, a professora Natalie, o professor de espanhol que é o Leo, o professor de educação física que é o Billy, a professora de inglês, que é a professora Olivia, a professora de história, que é a Kelli, a professora de filosofia, que é a Vanessa e a professora de literatura, que é a Susi.
Fomos até o quadro ver as aulas e os horários, eu e Dez ficamos na mesma turma e a primeira aula era da Susi, pelo que ele me falou da professora ela parece ser bem calma e explica tudo direitinho! Ótimo por que eu não sou tão bom em literatura!
– O que achou da escola? – ele me perguntou, estávamos ao lado da escada esperando o sinal tocar para a primeira aula, ele já havia me mostrado todos os cantos daquele lugar, ou quase todos... –
– É bem grande! Não é muito diferente da minha escola antiga, tem de tudo aqui, igual tinha lá, parece ótima! – sorri – E sabe qual a melhor coisa disso?
– O que?
– Ficamos na mesma sala como eu queria! – rimos –
– Sim, pois é!
– Como é na sala? Pode sentar em qualquer lugar ou tem um mapa da sala dizendo aonde cada aluno deve sentar?
– Pode sentar em qualquer lugar, você escolhe, mas é definitivo, se a professora não gostar do lugar ela mesmo muda.
– Ah sim... entendi...
O sinal tocou e eu e Dez fomos os primeiros a chegar na sala que ficava na metade do corredor ao lado direito da escada, tinham mais umas cinco salas no mesmo lado que o nosso, acho que para a direita da escada ficava o ensino médio (1° ao 3° do ensino médio) e ao lado esquerdo da escada o fundamental II (6° ao 9° ano), abrimos a porta e segui o Dez até seu lugar desejado, ele sentou na penúltima carteira da fileira do meio e eu sentei na ultima, atrás dele. Logo a sala foi se enchendo e Dez olhava para todos os lados da sala, às vezes para a porta, como se estivesse procurando alguém, eu olhava ao meu redor e via que ninguém prestava atenção em mim, não sei por que mas isso é até que uma sensação boa, posso ser tratado como um cara normal, mas sendo quem eu era não sei se é ruim ou bom, eu via pessoas se abraçando e eles diziam coisas uns para os outros como “E ai como foi de férias?” “O que fez?” “Foi viajar? Para onde?” “Li aquele livro que te falei as férias inteira! É perfeito!” “Oi meu Deus que saudades” e mais milhões de sons soavam pelo lugar.
Eu continuava a observar ao meu redor.
– Cassy! Que saudades! – escutei uma garota morena falar enquanto abria os braços para um abraço com uma garota ruiva –
Cutuquei o Dez pelas costas com o dedo e o mesmo se virou para mim.
– Dez, quem é Cassy? – falei olhando para ele –
– Ah, bom, Cassy é só apelido, o nome dela é Cassidy, ela é uma das líderes de torcida da escola, aquela garota que ela esta abraçando é a melhor amiga dela, Kira, também é uma líder de torcida, ricas e mimadas! Cassidy namora um dos melhores jogadores do time, o Eliot, e a Kira namora o melhor jogador do time, o Dallas! São todos metidos aqui, são os privilegiados, sabe? Todo mundo vive mimando cada um deles!
– Que ridículos! – fiz uma cara feia olhando para o Dez que riu ao ver minha expressão –
– Sim, totalmente!
Passaram-se três aulas, que por sinal foram bem chatas! Os professores simplesmente se apresentaram e começaram a falar de suas vidas como se alguém ali se importasse, peguei um caderno e meu estojo e comecei a fazer vários desenhos para poupar meu tempo, engraçado, nenhum dos professores havia perguntado sobre nenhum dos alunos, nem mesmo como tinham se passado de férias. Estranho, normalmente todos os professores de todas as escolas adoram saber sobre os alunos... ou fingem adorar...
Mas vamos olhar pelo lado bom, só falta uma aula para o almoço e eu estava faminto, apesar de ter tomado um bom café da manhã antes de ir para a escola, enquanto o tempo passava eu fazia mais e mais desenhos, até que eu não era tão ruim, claro né, todos aqueles meus desenhos eram palitinhos, não tinha como ficar ruim! Desenhos palitinhos nunca perdem a graça!
POV. Dez
A única coisa boa no dia de hoje é que conheci o Austin e ele é bem diferente do que eu imaginei, somos amigos agora, e vejo que seremos por muito mais tempo! Austin estava sentado atrás de mim desenhando, já eu olhava tudo o que estava ao meu redor, as novas pessoas, a nova decoração da sala, sem perceber parei para pensar... a Trish... é... a Trish... Ela não estava lá...
“Será que ela veio hoje?”
“Talvez ela possa apenas ter faltado... é o primeiro dia né...”
“Não... acho que ela não é mesmo da minha sala...”
“Será que a Ally esta na sala dela?”
“Ah... a Ally não veio hoje...”
“E se ela mudou de escola? Não não não não não!”
“Calma Dez, ela pode ter faltado ou pode estar na outra sala!”
“Se ela estiver na outra sala e a Ally também?!”
“E se a Ally estiver na minha sala?”
“A Ally me fez uma promessa...”
“Mas se isso acontecer a culpa não vai ser dela...”
“Se bem que ela pode pedir transferência de sala né?”
“Não, não é a obrigação dela... ela não tem que fazer isso por mim!”
“Hora do almoço, por que não chega logo?”
“Preciso ver a Trish no refeitório para tirar minhas conclusões!”
“Dez!”
“Dez??”
“Ei, Dez!”
“DEZ TA AÍ? ALÔ PLANETA TERRA CHAMA!”
– DEEEEEEEEEEEEEEEEEEZ!!!!!!!!! – gritou o Austin na minha orelha e eu pulei de susto, afastando todos aqueles pensamentos que estavam em minha cabeça –
– Que foi? – respondi me virando para ele –
– Vai ficar aí?
– Hã?!
– O sinal do almoço acabou de tocar! Sabia?
– Não... não escutei!
– Como não escutou? O sinal é alto! E muito! Quase fiquei surdo!
– Sim, eu sei... mas não ouvi!
– Você tá bem?
– Sim... estou bem! Só estava pensando...
– Percebi! Você estava bem longe... pensamentos longos e profundos esses, não?
– São... são sim...
– Bom, então, vamos comer? EU TO MORRENDO DE FOME!
– Vamos! – sorri e nós dois saímos da sala –
Descemos as escadas e nos dirigimos ao refeitório que nem estava tão cheio, ou muita gente faltou ou muita gente saiu da escola, mas era bom, era mais calmo. Eu e Austin entramos na fila com as bandejas na mão, pegamos a comida e nos sentamos à mesa.
Hoje o almoço era macarrão com queijo e um mousse de chocolate para sobremesa, mas eu nem sei se ia comer, eu não era muito fã de chocolate.
– E então Austin, me fala mais de você! – comecei uma conversa –
– O que quer saber?
– Fala sobre... você! A sua vida!
– Ah, é muito corrido! É uma coisa louca! Todos os dias tenho alguma coisa para fazer! É insano! Mas eu nunca faço nada sozinho, o que torna tudo mais divertido! – ele sorriu –
– Então... você sempre tem alguém com você? É assim toda hora?
– Sim, é sim, tenho os meus irmãos e as fãs e a minha família, meus pais estão sempre por perto! Principalmente minha mãe!
– Então você é o neném da mamãe?! – ri –
– Que? Claro que não! Posso muito bem fazer coisas sozinho, sem a minha mãe! Tipo estar aqui, sentado com você! Aqui não tem a minha mãe! – ele piscou como se ele se sentisse vitorioso –
– Falou bem, você não está com a sua mãe aqui, mas está comigo! Não está sozinho! – dessa vez eu pisquei vitorioso e ele tirou o sorriso do rosto –
– Então, você acha que eu não posso fazer nada sozinho? – ele me olhou com uma cara de sarcasmo –
– Acho! – desafiei, agora eu com cara de sarcasmo –
– O que acha de brincarmos um pouquinho? Vamos ver do que somos capazes de fazer sozinhos?
– Por que não? – minha expressão sarcástica continuava – do que iremos brincar, senhor Moon?
– O que acha de... verdade ou desafio? – expressão sarcásticas em nós dois –
– Te dou as honras de começar!
– Verdade ou desafio?
– Vamos começar bem... verdade!
– Você estava procurando alguém na sala antes de começar a primeira aula, verdade?
– Sim, verdade!
– Hm... interessante Dez... muito interessante...
– Verdade ou desafio, Moon?
– Verdade!
– Você tem sorte com as meninas e consegue qualquer uma que quiser, é quase que um charmoso pegador, tem classe com elas, verdade?
– Sim, verdade! Mas não diria “charmoso pegador”, diria apenas “charmoso”, meu charme é inesgotável! – ele sorriu –
– Hum, metido! – rimos –
– Verdade ou desafio, Dez?
– haha vamos começar logo isso! Desafio!
– Hm... vamos ver... Dez... desafio você a... hehe Dez, desafio você a sentar em cima da mesa da frente com as pernas cruzadas e comer sua sobremesa de chocolate com o dedo!
Soltei uma gargalhada ao ouvir seu desafio.
– Tá brincado né? Isso é muito vergonhoso! Sentar em cima da mesa com pernas cruzadas pra comer um mousse com o DEDO? Credo Austin!
– Vai lá, faz! – ele parecia sorrir vitorioso novamente, há não, mas não acaba aqui! –
– Tá! – sorri sarcástico e me levantei da mesa, peguei minha sobremesa e caminhei até a mesa da frente, me sentei em cima dela e cruzei as pernas, eu já percebia olhares em mim e não eram só de Austin, que ria feito um louco com a mão na boca tentando segurar a gargalhada, abri o potinho de sobremesa e coloquei meu dedo lá dentro, que coisa nojenta! Comi a sobremesa toda e me levantei para ir até a lixeira jogar a embalagem fora, fui até o bebedouro que ficava bem ao lado do lixo e passei uma água na minha mão, os olhares já não estavam mais em mim, voltei para a mesa e me sentei ao lado de Austin, aonde eu estava antes – Fiz, tá feliz Moon? – olhei com expressão vergonhosa para ele –
Austin continuava a gargalhar feito louco.
– Eu estou lembrando da cena!
– Certo Austin, acabou o ataque de riso?
– Ai ai... é... acho que sim!
– Legal, por que agora é a minha hora de rir! Verdade ou desafio, Austin?
– Desafio!
– Ótimo! Austin, vá até a cozinheira que fica ali no balcão para servir o almoço e cante uma música pra ela! – sorri –
– Quê?????? Haha ta, fala sério!
– É sério! Vai lá! – sorri sarcástico –
– Não acredito... – Austin se levantou e caminhou até o balcão, isso ia ser hilário! –
POV. Austin
Não acredito. Não acredito. Não acredito. Pra que eu fui inventar isso? Não acredito!
– Oi moça! – falei, chegando mais perto da cozinheira –
– Olá! O que deseja?
– Desejo a todas inimigas vida longa pra que elas vejam cada dia mais nossa vitória, bateu de frente é só tiro porrada e bomba, aqui dois papos não se cria e nem faz história... – a cozinheira caiu na gargalhada, eu me imagino parecendo um pimentão –
– Que é isso menino?
– É uma música tia! Já ouviu?
– Ei, calma, eu não sou sua tia não, sabia menino? E não, não ouvi e nem queria ter ouvido!
– Bom, ouvido você tem né? – eu ri, e fui o único – Nossa... mas a senhora pareceu que achou a música engraçada!
– Como diz a expressão, é rir pra não chorar né?
– Aff, que mau humor! Eu hein! Credo!
Me virei e segui para a mesa, me sentando ao lado de Dez que chorava de rir!
– E ai, como foi?
– Digamos que foi vergonhoso com uma mistura de engraçado e uma pitada de mau humor!
– Surpreendente, não?
– Sim! Claro! Mas agora, vamos ver quem ri por último? Verdade ou desafio Dez?
– Desafio!
– Vamos ver o Dez pegador em ação? Desafio você a chegar em uma garota e jogar uma cantada, pode ser qualquer garota! Vamos ver como você se sai! – sorri sarcástico –
– Há! Não é só você o bonzão com meninas não! Vou mostrar pra você como um mestre faz!
– Ah não, essa eu quero ver!
Dez se levantou e sentou em uma mesa bem perto da nossa da qual tinha uma garota sentada sozinha, ele se sentou de frente para ela.
– E ai, esta sozinha? – ele começou dizendo –
Ótimo! Eu conseguia escutar!
– Você tá vendo mais alguém aqui? – a menina retrucou. Mas será que todo mundo nessa escola é mau humorado? –
– Nossa, calma!
– Pareço nervosa?
– Não, claro que não... um pouco...
– Por acaso eu te conheço?
– Não, mas pode conhecer! – eu o vi sorrir –
– Ah é? E por que eu iria querer te conhecer?
– Por que eu sou um cara legal! – ele sorriu mais uma vez –
– Me prove!
– Certo, e se eu dissesse algo sobre você?
– Hm, tente!
– Sabe... estava te olhando da minha mesa, e você é bonita!
– Acha mesmo? – ela sorriu –
– Acho, sabe, se beleza fosse merda... você estaria toda cagada! – ÔH MEU DEUS MAS O QUÊ? COMEÇEI A GARGALHAR FEITO UM LOUCO! EU NUNCA DERA TANTA RISADA NA MINHA VIDA! ISSO ERA UMA CANTADA? ISSO AÍ MESTRE, TÔ VENDO COMO SE FAZ! –
– O quê? Que nojo! Está dizendo que eu sou como uma bosta? Olha cara, não sei qual a sua, mas, por favor, não fale comigo! Finge que não me conhece, aliás, você não me conhece! – ela se levantou e saiu fora, Dez voltou a mesa e se sentou ao meu lado –
– HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!
– Ta certo Austin, pode rir!
– NÃO CONSIGO ME CONTROLAR HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!
– Austin... acabou?
– Ahahaha aha.. há... ai ai... acabei! Acho que não é assim que um metre faz!
– Ah certo, então você sabe como um metre faz? – lancei uma olhada para ele confirmando – Então, verdade ou desafio, Mestre?
– Desafio!
– Desafio você a apertar a bunda de uma menina aleatória, ou se você preferir, pode trocar o “apertar a bunda” por encoxar!
– Quer que eu aperte ou encoxe a bunda de uma menina aleatória? Isso é muita sacanagem Dez!
– Então vai lá, machão! – eu o via sorrir se sentindo vitorioso –
Me levantei e olhei ao meu redor para escolher uma menina, eu sei que era muita safadeza apertar a bunda de uma menina, encoxar também era, mas achei que fosse “menos pior” e mais discreto. Vi duas meninas conversando em pé, uma de frente para a outra e elas estavam em um lugar menos movimentado, não no meio do refeitório, elas eram minha única opção.
Caminhei até elas, seria a menina que estava de costas para mim, vamos acabar logo com isso. Esse é o último desafio que eu faço!
POV. Dez
Vi Austin indo em direção a duas meninas, que me pareciam aparentemente familiar, Austin foi chegando mais perto delas, eu sabia que ele iria querer me matar depois disso, mas não tem como negar, vai ser engraçado!
Austin empurrou seu corpo para frente colando nas costas de umas das garotas, a encoxando. A menina se virou e pude ver sua face, arregalei meus olhos, a outra menina também mostrou seu rosto, que parecia confuso, eu conhecia aquela menina, de longe ou de perto, baixinha, morena com cabelos cacheados. Era Trish. A menina que foi encoxada pelo Austin, um pouco mais alta, com cabelos castanhos e luzes nas pontas, a menina com quem eu passara a madrugada anterior. Era Ally.
Eu estava errado, tinha sim como negar, o que eu achava que ia ser engraçado, o que era para ser engraçado, não foi, não chegou nem perto de ser. Eu imaginava como Austin estaria naquele momento, eu precisava de fazer alguma coisa para ajuda-lo, afinal ele era famoso e novo na escola.
Me levantei e caminhei em sua direção.
– Não consigo acreditar que é mesmo você! – ouvi Ally dizer em frente a ele, Trish estava boquiaberta, acabara de me lembrar que ele era Austin Moon, vocalista e guitarrista da banda R5, a banda favorita da Ally, e pelo que sei, ele também era o integrante favorito da Ally. Talvez a situação não estivesse tão ruim como eu imaginei. –
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