Notas iniciais
PROJETO DE FIC HOHOHO
Prazer gente, aqui é a Isa. Essa fic é baseada na música I'd Do Anything For You do musical Oliver! de 1964 (velho né? mas é muito foda, se você não viu vai achar nas interwebs que é muito legal, super recomendo). Bem isso é provavelmente uma one shot porque eu tenho preguiça de escrever o resto. É fofo, puro e inocente.

Boa leitura ~*

Harry não era pontual, eu sempre soube disto, era apenas mais um de suas manias absurdas que eu aprendera a amar através dos anos. Ainda assim eu me irritava em ter que esperar vinte minutos a mais todas as manhãs em frente de sua casa para podermos ir à escola juntos. Eu o esperava todos os dias seja sob o sol de verão escaldante ou o frio congelante do inverno londrino.

Lembrei-me então de quando nos conhecemos, quando o loiro chegou na cidade com os pais, ele não devia ter mais de nove ou dez anos, eu o conheci quando estava indo à escola, reconheci seu uniforme e decidi acompanha-lo, nos tornamos amigos e mantivemos a tradição desde então.

Sorri com minhas lembranças e então tentei me lembrar em que momento exatamente eu me apaixonei por ele nos últimos sete anos. Quem sabe todos os vinte minutos extras de manhã me faziam pensar mais do que eu devia? Ou me deixavam muito tempo do lado de fora, o sol derretendo meu cérebro e me fazendo pensar menos do que eu devia? Eu não sabia dizer, eu só sabia que amava meu melhor amigo incondicionalmente.

Sabia que se ele pedisse para que eu ficasse duas horas do lado de fora de sua casa, eu ficaria, que eu faria qualquer coisa que ele pedisse e que era absurdamente estúpido o quão longe eu estaria disposto a ir por aquele garoto.

Suspirei e olhei para trás para verificar se Harry não aparecia, confirmei que não havia nenhum sinal dele.

- Eu iria para qualquer lugar por seu sorriso. Eu arriscaria qualquer coisa por um beijo seu. – Sussurrava sorrindo – Eu faria qualquer coisa por você.

Eu cantava baixinho, mas fui aumentando o tom um pouco à medida que a musica continuava.

- Alguém está apaixonado? – A voz surgiu do nada atrás de mim me fazendo olhar para trás e parar de cantar. – Ah, não pare por mim, sabe que adoro te ouvir cantar.

- E você sabe que odeio ser ouvido cantando. – Sorri para o loiro. –Vamos, não quero chegar atrasado por sua causa de novo.

Consegui vê-lo revirando os olhos antes de começar a andar, ele seguia ao meu lado. O cabelo dourado do garoto deixava óbvio que não havia penteado desde que levantara da cama, eu sabia que o que tomava seu tempo de manhã não era se arrumar, mas para acordar. Ele nem se dava o trabalho de abotoar a jaqueta do uniforme e quando o fazia sempre abotoava errado. Ele coçava os olhos azuis enquanto bocejava e eu soube que ele iria pedir para ir a biblioteca durante o intervalo para dormir um pouco mais.

- Jack, você tá encarando. – Avisou ainda com um rastro de bocejo quando chamou meu nome.

- Impressão sua. – Respondi, voltando meu olhar para frente.

- Então, qual o nome dela? – Harry perguntou como se estivesse segurando a pergunta por um tempo, o que eu não duvidava. – Ou dele? Seja lá o que for dessa vez.

Ah, sim. Eu me revelei como bissexual para Harry há uns dois anos, mas obviamente nunca contei que ele fora o primeiro garoto pelo qual tive interesse. Eu tive algumas namoradas quando depois e às vezes teve um ou outro garoto com qual fiquei, mas sempre foram como prêmios de consolo, como um adesivo de estrela pregado na minha testa dizendo “Ao menos você tentou”. Dei de ombros a sua pergunta.

- Não faço ideia do que está falando.

- Você não canta musicas sobre amor. Nenhuma que eu já tenha escutado pelo menos. – Ele respondeu cruzando os braços.

- Você sabe que eu canto escondido. – Sorri. Era verdade, a professora de música me deu uma cópia da chave da sala para cantar depois da aula, dizia que eu tinha talento e que se eu quisesse cultivá-lo sozinho ela queria me incentivar.

-Não tão escondido assim. – Ele sorriu de volta.

- Sem chance. – Parei de andar e olhei para ele. Harry apenas assentiu com a cabeça. – O quanto você ouviu?

- O suficiente. Até hoje não entendo por que você se esconde. Mas voltando ao ser que te fez cantar sobre amor.

Suspirei e voltei a andar.

- É um ele. – Admiti.

- Eu conheço?

- Por que você está tão interessado? É só um cara.

- Sei lá, ciúmes? – Harry riu.

- A gente vai continuar respondendo nossas perguntas com outras perguntas mesmo?

- Por que não?

Revirei os olhos, mas sorri. Eu estava apaixonado por um completo idiota.

- Mas sério, eu estou realmente curioso para quem você faria qualquer coisa. – Harry colocou as mãos nos bolsos. Um sinal universal em Harrynês que significa “Estou chateado”. Arregalei os olhos.

-Você está mesmo com ciúmes.

- O que? Claro que não!

- Não foi uma pergunta. – Um sorriso foi se esboçando no canto do meu lábio. Harry parou de andar e me encarou.

- Não estou com ciúmes, Jack. Eu só acho meio estranho, okay? Tipo, você nunca sai com alguém seriamente nem nada. Você se esconde para cantar e eu tenho que me esconder para poder ouvir. E agora tem alguém que pode escutar você? Alguém para quem você canta músicas sobre amor? Eu só... – Harry tomou um tempo para respirar. Não ousei interromper. – Já é ruim o suficiente saber que eu não sou importante o suficiente para você cantar para mim, mas você nem sequer se dá o trabalho de me contar sobre esse alguém que é?- Ele levou a mão para o topo da cabeça e puxou os cabelos para trás, sinal universal em Harrynês que significa “Estou frustado”.

- Harry... – Comecei.

- Eu disse que tinha terminado de falar, Jack? – Harry levantou o indicador pedindo silêncio, então soltou grunhidos de descontentamento. – Quer saber, deixe pra lá, grave um CD pra ele cantando My Heart Will Go On, veja se eu ligo. Vamos logo pra escola.

Ele saiu andando na frente com os punhos cerrados, o que, de acordo com meu dicionário mental de Harrynês, significa “Não comente sobre isto, eu preciso pensar”. Suspirei e apertei o passo para alcançá-lo, segurando a vontade de segurar sua mão, levantar seu queixo e beijá-lo.

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Como previsto, Harry quis ir à biblioteca dormir. Nós fomos para uma mesa situada no canto da sempre vazia sala de leitura, posicionamos livros na mesa para encobrir o sono do loiro e para me entreter durante sua meia hora de soneca. A bibliotecária nunca está presente neste horário e mesmo se estivesse, estaríamos fora de sua visão, era o ponto cego perfeito.

- Harry – Chamei quando ele estava prestes a deitar a cabeça nos braços improvisando um travesseiro sobre a mesa.

- Hm?

- É sobre hoje de manhã.

- Tinha que ser. – Ele suspirou – Olha, você pode esquecer isso, era de manhã eu estava com raiva do mundo e o despertador tocou na hora errada, sabe como é?

Segurei então sua mão.

- Jack?

- Harry, eu quero que você me escute.

Então eu cantei. Cantei baixo para que apenas ele escutasse, mas alto o suficiente para ele reconhecer a música que causou nossa briga de manhã. Cantei para que ele soubesse que eu faria qualquer coisa que o deixasse feliz. Que ele era importante para mim o suficiente para que eu o deixasse me ouvir. Que se ele pedisse para que eu ficasse duas horas do lado de fora de sua casa, eu ficaria. Que eu faria qualquer coisa que ele pedisse e que era absurdamente estúpido o quão longe eu estaria disposto a ir por aquele garoto.

E eu percebi que ele entendeu tudo, apenas com o soar de minha voz.

Então ao terminar eu segurei seu rosto com uma de minhas mãos e me inclinei parar roçar meus lábios contra os seus, apenas de leve para mostrar que eu poderia parar quando ele quisesse. Mas então os separei e só para confirmar eu disse:

- Eu te amo.

- Eu ouvi. – Ele assentiu com a cabeça e me puxou de volta para selar nossos lábios novamente.

Notas finais
UGH eu quero fazer um segundo capítulo, mas eu fico com tanta preguiça.
Quem sabe um dia.
Espero que tenham gostado, escrevam o que eu posso melhorar ou por que eu não preciso melhorar nada ou sei lá.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!