Anything Could Happen: After the Happy Ending

8 Whatever happens here, we remain - Parte I


Notas iniciais
Primeiramente eu gostaria de pedir desculpas pela demora com esse capítulo. Eu não fazia ideia de como escrevê-lo, de como nomeá-lo, do que fazer. Daí, algumas ideias foram surgindo, mas nada do nome, kkk. E então eu decidi por esse nome, que seria o nome do nono capítulo, mas que agora será o nome dos dois. A segunda parte trará praticamente toda a ação da história, e os planos após isso são de apenas mais um capítulo. Isso mesmo, meus amigos, estamos oficialmente entrando na reta final. Enfim, espero que gostem.

O clima de tensão pairou sobre o pack, após a passagem dos sete demônios pela mansão Hale. Eles levaram Deucalion, e até o cheiro do lobo desapareceu do ar, deixando todos confusos e apreensivos. A desconfiança apenas aumentava, e a mais desconfiada de todos era Lydia, que não conseguia parar de pensar no que Sal havia lhe dito sobre Peter. Ela sabia o quanto o tio de Derek era um canalha, e seu desejo pelo posto de alfa chegava a ser doentio aos olhos da ruiva, fazendo assim que ela pensasse na possibilidade dele ter se unido ao inimigo mortal de Derek, para que pudesse roubar de Scott o que ele pensava ser seu por direito.

A única pessoa que a banshee julgava ser de extrema confiança para compartilhar essa suspeita era Stiles, o único que ela sempre soube que tinha um grau de inteligência próximo ao seu. O problema era que Stiles havia sido levado por Derek para morar na mansão. Ela entendia os motivos do lobisomem, que achava que se seu companheiro estivesse por perto, estaria mais seguro, mas isso ferrava com qualquer ideia que ela poderia ter de compartilhar alguma coisa com o amigo.

Quando Derek a chamou para ir até a casa dos Stilinski, ela não imaginava que ele fosse pedir permissão ao xerife para que Stiles fosse ficar com ele na mansão. Imaginava que se tratava de algo sério, talvez até um pedido de casamento, mas não algo ligado a tudo o que poderia estar acontecendo na cidade. Durante os anos que ela passara no MIT, a garota acabou se desacostumando do ritmo de vida que levava em Beacon Hills, sobrevivendo um dia de cada vez.

Ela se lembrou da atitude do pai de Stiles, quando foi questionado sobre a ida do rapaz para a mansão. John no início foi contra, alegando que poderia muito bem cuidar de sua família em casa, que o filho poderia muito bem estar seguro ao seu lado, mas ele acabou sendo convencido por Derek e Melissa de que o melhor – tanto para Stiles, quanto para ele e a esposa – seria que seu filho ficasse ao lado dos Hales, onde ele estaria seguro vinte e quatro horas por dia, tanto pelos lobisomens e a magia de Sal, quanto pelo sofisticado sistema de segurança da mansão.

O rapaz acabou indo, e duas semanas se passaram desde então, sendo que Lydia o visitava todos os dias, chegando inclusive, a dormir na mansão algumas vezes. Ela reparou que por mais que ele estivesse feliz estando ao lado de Derek, ele parecia entediado e até um pouco agoniado, já que não havia saído a lugar algum durante os últimos dias. Ela passou a estudar com ele na biblioteca, onde sabia que não seriam interrompidos pelos outros. Ali poderiam aprender mais sobre magia e ela poderia finalmente compartilhar suas desconfianças com ele.

– Acho que o Peter pode estar por trás disso – ela começou. – Tenho meus motivos para pensar que ele possa estar envolvido com os sete, e o lance do sequestro de Deucalion.

Stiles a olhou de forma questionadora.

– E por que você acha isso?

– Então, eu não sei se você chegou a reparar, mas ele tem ficado muito no pé de Sal. Ela mesma chegou a comentar isso comigo, que não confiava nele, por ele ser Peter. E tem algo que eu nunca contei a vocês.

– Faz sentido, ela comentou comigo quando eu estava no hospital, que ele estava se aproximando demais dela. Mas enfim, o que nunca nos contou?

A ruiva respirou fundo antes de continuar.

– Não foi o Deucalion que matou a Jennifer naquele galpão. Ela conseguiu escapar dali, indo novamente até o Nemeton, para rogar ajuda. Só que ela não conseguiu a ajuda que queria, porque o Peter apareceu e a impediu de se conectar ao maldito carvalho. Foi ele que a matou, Stiles.

O Stilinski ficou boquiaberto com as palavras de sua amiga. Ele arregalou os olhos ao ouvi-la confessar que sabia que Jennifer, a vagabunda que amaldiçoara Derek no meio daquele eclipse maligno, havia conseguido escapar, mas fora morta após isso por Peter. Era muita informação.

– Você a sentiu morrer?

– Sim. Eu estava na clínica, com Aiden. Aliviada por ele ter se recuperado. Daí eu fui ao banheiro, pois meu rosto estava imundo, e foi quando eu senti. De alguma forma, que eu até hoje não sei explicar, eu consegui estar lá e ver o momento em que ele a matou. Ela disse que ele havia planejado tudo aquilo, para que Scott se tornasse o verdadeiro alfa, e assim ele pudesse roubar seu posto, e ser um alfa novamente. E foi quando ela a matou.

– Oh céus, e você guardou esse segredo por todos esses anos, Lydia?!

– Eu tive medo. A conexão que eu e Peter tivemos no passado foi muito forte. Eu o ressuscitei, Stiles! Não é algo que acontece sem deixar marcas, ok? Ele poderia fazer alguma coisa comigo, sei lá. Mas depois de um tempo, eu acabei esquecendo isso. Até voltarmos para a cidade e eu ver que ele estava seguindo Sal por todos os lugares. Aquilo me deixou inquieta, não sei por quê.

– Mas ele que a trouxe de volta para a cidade. Ele poderia simplesmente ter se interessado por ela.

– Sério? Você acha mesmo que Peter se interessaria por alguém? Por favor! Aquele homem só pensa nele mesmo, Stiles. E não, ele não se aproximou apenas por ter se interessado nela, mas sim no que ela poderia fazer por ele.

– Como assim?

– Quando Peter chamou Sal a Beacon Hills, foi para ajudar com a maldição de Derek, o que ela fez perfeitamente.

– Sim, assim como me curar do tiro de Axel.

Lydia fuzilou o rapaz com o olhar, por ter sido interrompida. Stiles revirou os olhos e se desculpou com ela.

– Continuando – disse ela. – Ela curou você, retirou a maldição de Derek. Até aí, tudo bem. Mas o que ela decidiu após tudo aquilo? Ela ficaria na cidade, e ajudaria Scott com o negócio de ser o “verdadeiro alfa”. Foi por isso que Peter se aproximou tanto dela, durante todo esse tempo. Ele queria saber o que ela tanto fazia para ajuda-lo. Ele queria estar por dentro de tudo, para quando chegasse a hora certa, ele pudesse dar o bote e roubar o posto de Scott do modo tradicional.

– Ele mataria o Scott.

A ruiva confirmou com a cabeça.

– E por que não fazer isso enquanto o resto de nós estivesse lutando contra um demônio psicopata que quer matar o sobrinho dele? Até porque, Derek não seria mais o ômega Hale que se transformou em alfa. Ele teria sua vingança, já que fez Derek deixar seu posto de alfa, curando a Cora no passado. Faz todo sentido, Stiles. Peter planejou tudo, porque ele é um dos sete.

– E o que faremos sobre isso? – perguntou Stiles.

Lydia ficou pensativa por alguns segundos, depois respirou fundo e olhou nos olhos do amigo.

– Por enquanto, nada. Eu estou investigando cada passo que ele dá. E te contei, para que se algo me acontecer, você fique preparado e conte a todos que é ele.

– Mas...

– Mas nada, Stiles. Você vai guardar esse segredo e me deixar resolver isso sozinha, ok?

Silêncio.

– Se você contar para alguém sobre isso, eu mato você, Stilinski.

– Linda e ameaçadora. Essa é a Lydia que eu conheço.

A ruiva sorriu.

– Por isso somos grandes amigos.

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Derek e Cora corriam pela reserva, na tentativa da garota em fazer com que seu irmão se distraísse um pouco, e desse um pouco de paz para Stiles. Depois que o humano fora morar na mansão com eles, era como se seu irmão não tivesse mais nada para fazer, além de ficar o tempo todo com o companheiro. Aquilo era até bonitinho, na visão dela, mas ao se colocar no lugar do amigo, imaginou o quão enjoativo Derek poderia estar sendo com ele. E foi então que ela decidiu que daria um pouco de paz ao amigo.

Ela convenceu o irmão a deixar o companheiro estudando na biblioteca da mansão, com Lydia lhe fazendo companhia, para que eles pudessem correr pela reserva. Derek, claro, recusou de imediato. Mas Stiles acabou se unindo a Cora e convencendo-o a sair um pouco de casa, dizendo que faria bem para ele um pouco de ar puro.

Os dois correram por alguns quilômetros, até que Cora decidiu finalmente fazer o que havia planejado quando decidiu chamar o irmão para correr. Ela então parou de correr, levando suas mãos até os joelhos e recuperando o fôlego. Derek continuou a correr por alguns metros, até parar e se virar para sua irmã. Ele riu da garota por ter parado em apenas alguns quilômetros e voltou até ela.

– Nós precisamos conversar – disse Cora quando ele se aproximou.

– Então vamos conversar – respondeu Derek rindo.

Era bom para Cora, ver o sorriso voltar ao rosto de seu irmão. Mesmo no meio de toda essa tensão, por causa de Umbra e seus discípulos, que estavam por ai esperando para ataca-los.

– Estive pensando em voltar a América do Sul, para buscar ajuda. Faz seis anos que não vejo minha família adotiva, e sei que todos ajudariam se eu pedisse.

O sorriso de Derek se desfez.

– Não, você não vai – disse ele.

– Ah Derek, qual é! Você sabe que a gente precisa de ajuda. Não estamos mais lidando com um simples bando de alfas, ou uma maldição e um caçador. As coisas estão começando a ficarem mais sombrias do que nunca estiveram, e você sabe tão bem quanto eu, que suas habilidades lupinas nunca mais foram as mesmas depois da maldição.

– Eu já disse que não, Cora.

– Você prefere então que todos morram, é isso? Porque, honestamente, é o que eu acho que vai acontecer. Sei que temos Sal, Deaton e Scott ao nosso lado, o que conta muito, mas o que são eles comparados a um demônio antigo? Pelo amor de Deus, meu irmão, eu não quero ver minha família ser destruída, não outra vez.

As palavras de Cora tiveram efeito imediato sobre seu irmão. Ele sentiu um aperto no peito ao ouvir sua irmã dizer que não queria ver a família destruída, fazendo-o lembrar de como ela era antes do incêndio, apenas uma criança.

Por mais que ele odiasse admitir, ela tinha razão. Eles precisavam de ajuda. Ele não se perdoaria se sua irmã, Stiles ou qualquer um dos outros – até mesmo Peter – morresse por sua causa.

Ele então olhou nos olhos de sua irmã, analisando a situação por alguns instantes. Se ela estivesse longe, ele não poderia defendê-la, caso alguma coisa acontecesse. E se ela fosse, precisava ser rápida, pois eles ainda não sabiam quais eram os planos de Umbra e seus discípulos, e não podiam se dar o luxo de esperarem o demônio agir.

– Você já tinha pensado nisso antes, não é?

Cora afirmou com um aceno.

– E quando você pretende ir?

– Hoje ou amanhã.

– Por quê?

– Porque a lua cheia é daqui a dois dias, e se Umbra é a “sombra que tentou tomar a lua”, acho que ele não tentaria fazer isso na lua cheia, certo? Sem falar que o Ômega Hale estaria em vantagem, sob o efeito da lua. Não acredito que a deusa deixe um filho sem proteção, ainda mais ela estando em seu auge.

– Mas você também sofreria os efeitos da lua.

– Não se eu partir antes. Assim eu estarei segura quando a lua ficar cheia, e volto no outro dia com a ajuda necessária. E, hm, na pior das hipóteses, eu posso usar o amuleto que Sal fez para mim dois anos atrás, que faz com que eu não sinta os efeitos da lua.

– Então você vai usar esse amuleto.

– Mas Derek...

– Mas nada, Cora! – cortou o mais velho. – Se você pretende mesmo ir até a América do Sul, preciso ter certeza de que você vai estar segura, ok?

– Eu sou uma Hale, droga! Não posso evitar minha natureza. Usei o amuleto uma vez, porque sai com alguém durante a lua cheia, e não queria ferir a pessoa.

– Ah, e você tem saído com outras pessoas nesses anos que fiquei fora? – perguntou o irmão, deixando um pequeno sorriso vir ao rosto.

– Nem vou comentar sobre isso. Não agora, muito menos com você.

– Mas eu sou seu irmão mais velho.

– Grande coisa – ela disse rindo. – Mas enfim, você concorda que eu vá atrás de ajuda?

Derek ficou sem responder por um instante, apenas olhando nos olhos de Cora. Ele confiava em sua irmã, sabia que ela era capaz de se defender, mas e se algo acontecesse a ela no meio da viagem? Ele então suspirou, e se deu por vencido.

– Tudo bem, mas você tem que me prometer que irá se cuidar.

Cora riu novamente.

– Eu tenho feito isso a minha vida toda, irmãozinho.

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Na casa dos Argent, Allison encontrava-se na cozinha, ajudando o pai com almoço, quando Oliver passa pela porta, tirando a atenção da jovem.

– Chris, quando irei conhecer o jovem alfa do qual você comentou comigo e com sua mãe em Paris? McCallister, certo?

Chris riu.

– Você irá conhecer Scott em breve, Oliver.

– E o nome dele é McCall. Scott McCall – disse Allison olhando para o parente. De todos os parentes bizarros que ela tinha, Oliver conseguia se superar. O olhar dele para ela era pior do que o de Gerard, que havia sucumbido um ano após a ida dela para Los Angeles.

Ela era grata a chance que sua avó Moira havia dado a seu pai, de provar que o novo código era mais honroso que o antigo, mas a presença de Oliver em sua casa lhe causava arrepios. Seu pai lhe dissera que ele havia ido morar com a tia, depois que o pai morrera por causa de Deucalion. Disse também que ele havia tentado se vingar muitas vezes, embora o lobisomem sempre tenha sido mais rápido. E ela sabia da capacidade que Deucalion tinha, então nada dizia.

– Você parece se importar muito com ele, Allison – disse Oliver sério.

A garota o olhou nos olhos, com seu olhar mais vazio possível. Ela não poderia demonstrar para ele o quão valioso Scott era em sua vida. Nunca se sabe quando mais um Argent louco irá atacar.

– Ele foi importante sim – ela respondeu. – Trabalhamos juntos quando éramos mais novos.

Um sorriso cínico surgiu no rosto de Oliver.

– Ah sim, entendo.

A jovem então voltou sua atenção para a comida, que ainda não estava totalmente pronta para ser servida. Quando o almoço ficou pronto, eles se sentaram a mesa e almoçaram em silêncio, coisa que não era comum entre Chris e Allison. Depois de terminarem, os três tiraram a mesa e a jovem resolveu sair um pouco.

Ela ligou para Lydia, que estava estudando na biblioteca dos Hale com Stiles, e chamou a amiga para ir com ela ao shopping. Lydia pediu para que ela fosse na frente, pois precisava esperar Derek e Cora chegarem primeiro. Allison aceitou o pedido da amiga e foi tomar um banho rápido, antes de sair de casa.

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O caminho até o shopping foi rápido, já que a casa dos Argents ficava em um bairro bom de Beacon Hills, próximo ao centro, onde ficava o shopping e também o antigo apartamento dos Hales.

Ao chegar no shopping, a jovem estacionou seu carro em uma vaga aleatória do estacionamento coberto e seguiu para o elevador. Pouco antes da porta se fechar ela escuta um chamado, pedindo para que segurassem a porta para ela, e a voz que havia chamado era conhecida. Era Scott.

– Oi – disse ele entrando no elevador correndo e sorrindo, enquanto passava a mão pelo cabelo que estava um pouco molhado. – O que faz aqui?

Ela sorriu fraco, afinal, a última vez que vira o lobisomem depois da visita a sua casa, fora no enterro de Aiden, e eles não chegaram a conversar sobre o episódio na casa dele ainda.

– Vim encontrar com a Lydia, e você?

– Eu, hm, vim encontrar com a Kira.

O sorriso no rosto de Allison se desfez.

– Ah sim.

Eles então ficaram em silêncio enquanto o elevador subia. Ela olhou para o painel eletrônico e praguejou mentalmente ao perceber que eles estavam subindo para o mesmo lugar, onde provavelmente Kira estava esperando por ele.

“Oh Lyds, cadê você?” – pensou ela.

Quando a porta do elevador se abriu, Allison pôde ver que a jovem de origem nipônica esperava por Scott sentada em um banco em frente ao elevador. O rapaz então se despediu de Allison e foi até a moça, que sorriu ao vê-lo, e o abraçou quando o mesmo se aproximou. A caçadora ficou ali parada em frente ao elevador, olhando aquela cena, até ver que Kira olhava diretamente para ela, e o sorriso que havia no rosto da garota quando ela viu Scott desapareceu, dando lugar a uma cara de ódio, que claro, foi retribuída por Allison no mesmo instante. Os dois então saíram dali, deixando a morena sozinha.

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Quando Lydia estava prestes a sair da mansão, foi puxada pelo braço por Peter, que levou a garota até o lado de fora.

– O que diabos você pensa que está fazendo, Peter?

– A gente precisa conversar.

– Ah, agora você quer conversar? Primeiro você me ameaça, agora quer conversar comigo. Desculpe, não estou interessada.

O lobisomem então apertou o braço de Lydia, puxando a garota ainda mais para perto dele, fazendo assim com que ela o olhasse nos olhos enquanto deixava escapar pequenos gemidos de dor, por causa do aperto do braço.

– Você está me machucando!

– E farei ainda mais, se você continuar com essa história de que quero roubar o posto de Scott.

– Então quer dizer, que além de ser um cretino, você também escuta conversas particulares? Pelo amor de Deus! Você deveria se envergonhar.

Peter então bufou irritado, deixando que seus olhos lupinos se revelassem para a ruiva.

– Não brinque comigo, Lydia. Você não sabe do que eu sou capaz.

A ruiva puxou seu braço do aperto dele, ainda o olhando nos olhos. Ela passou a mão livre pelo braço, que agora tinha a marca vermelha da mão do homem.

– E do que você é capaz? Se unir ao demônio que quer destruir seu sobrinho, apenas para ter o posto de alfa tirado de Scott? Matar Jennifer por ela ter dito na sua cara quem você realmente é? Eu não tenho medo de você, Peter. Não mais. E a próxima vez que você tocar em mim, vai ser a última coisa que você irá fazer.

Ela então saiu dali, entrando em seu carro e arrancando com o mesmo, em alta velocidade, em direção ao centro da cidade. A ideia era encontrar com Allison no shopping, mas não tinha como aparecer com o braço naquele estado em público. Poderia gerar um falatório desnecessário entre as pessoas da cidade. Ela resolveu então cancelar com Allison e ir até Sal, que poderia fazer aquela marca maldita desaparecer de seu braço. A marca que ela olhava enquanto dirigia, enquanto lágrimas de pura raiva desciam pelo seu rosto.

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Allison ainda estava no shopping, esperando por Lydia, quando a mensagem da amiga chegou, dizendo que ela não poderia ir se encontrar com ela por causa de um imprevisto, e que depois explicava melhor.

A caçadora guardou seu celular na bolsa, respirando fundo e indo até o banheiro. Ao entrar no local, viu que ali havia somente duas moças, na mesma faixa de idade que a dela. Ela então foi até o espelho, onde passou um pouco de água pelo rosto, retocando em seguida a maquiagem. Pelo reflexo ela pôde ver que uma das duas passava um gloss avermelhado nos lábios, que emanava um cheiro adocicado e forte.

Percebendo que estava sendo observada, a moça do gloss voltou seu olhar para Allison, com um sorriso no rosto.

– Você aceita? É vermelho sangue.

A caçadora sorriu para ela e recusou, agradecendo em seguida. A outra jovem, que estava encostada na parede, nada falava, apenas olhava atentamente para a Argent. Enquanto isso, a do gloss voltou a olhar no espelho, continuando a usar o acessório. Quando terminou, ela mandou um beijo para o espelho e voltou-se para Allison.

– Para uma caçadora, você não parece ser uma vadia como Kira disse.

As palavras dela deixaram Allison sem reação.

– A propósito, sou Kendra e essa é Tori.

A garota encostada na parede apenas acenou com a cabeça.

– Olha, eu sei que não devia estar falando isso, mas você realmente me parece ser alguém interessante – disse Kendra. – Então, fuja antes que não haja tempo. Você não precisa se envolver nisso, e muito menos se ferir.

– E se eu não quiser?

Tori sorriu.

– Se você não quiser, infelizmente terei que dizer que nosso próximo encontro não será tão feliz para você – disse Kendra.

– Você é muito corajosa para ameaçar uma Argent, vampira – disse Allison puxando uma faca da bolsa.

– Não, não estou ameaçando você, caçadora – disse Kendra rindo e levantando as mãos para Allison. – Estou apenas lhe contando o que vai acontecer, ou você acha que vocês tem chance de vencer meu mestre? Honestamente?

– Você não nos conhece.

– Mas eu conheço os poderes do meu mestre, e os da raposa. E sei que ela não vai pegar leve com você, Argent. Escute o que eu digo, fuja enquanto é tempo.

Allison apontou sua faca para Kendra, mas Tori agiu antes que a caçadora pudesse fazer qualquer coisa, usando de sua magia para fazer com que a faca voasse da mão de Allison para a dela.

– Obrigada Tori, embora isso tenha sido desnecessário – disse Kendra para a parceira. – Agora, caçadora, acho que você deve ir embora.

A bruxa estendeu a mão para Allison, fazendo com que ela fosse lançada em direção a porta do banheiro. Ela se levantou e olhou com ódio para a bruxa.

– Vocês me deram um aviso, agora é a minha vez. Todos vocês serão destruídos, pois não somos fracos como vocês pensam, e faremos de tudo para nos proteger. Seu mestre é um demônio? Parabéns. Derek é o herdeiro de Luna, e ele vai lutar até o fim para destruir a maldita sombra que se atreveu a vir até nossa cidade.

E com isso a jovem Argent saiu do banheiro, dando de cara com Kira na porta.

– Espero que tenha ouvido minhas companheiras, Allison. Vocês não tem chance contra nós.

E os olhos de Allison se arregalaram ao ouvir as palavras de Kira. Ela era uma deles, e estava enganando Scott. Ela então apontou o dedo no peito da garota nipônica, fuzilando-a com o olhar.

– Se você ousar ferir o Scott, eu mato você.

Kira riu.

– É mesmo? Então vamos ver quem irá ganhar, caçadora.

E antes que Allison pudesse dizer qualquer coisa a Kira, Scott surgiu ao lado dela e a abraçou.

– Está tudo bem por aqui?

Ela respirou fundo e se afastou de Kira.

– Está sim. Eu já estava indo embora.

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Ao entrar no bar, Lydia foi ao encontro de Sal, que vendo o estado em que a ruiva

estava, saiu do balcão e disse a Nancy para que cuidasse das coisas por enquanto. Ela então chamou Lydia para seu apartamento, onde a garota lhe pediu para retirar a marca vermelha de seu braço.

– Quem lhe fez isso, ruiva?

Silêncio.

– Foi o Peter?

Lydia então olhou nos olhos da bruxa, dando-lhe liberdade para que a mesma pudesse lhe sondar. Os olhos de Sal então brilharam e ela se viu na frente da mansão, assistindo a briga da banshee com o lobisomem mais velho. Viu a marca sendo deixada no braço dela, as ameaças sendo trocadas, as palavras ferinas que um direcionava ao outro.

– Você acha mesmo que ele esteja envolvido nisso?

– Eu não sei. Ao mesmo que suspeito dele, eu não sei se ele teria coragem pra tanto, entende?

A bruxa acenou em concordância.

– Irei te fazer uma pergunta, e quero que você me responda sinceramente. Você sente alguma coisa por Peter Hale?

Aquela pergunta deixou Lydia sem reação. Fez com que ela voltasse no tempo, na época em que conheceu o jovem Peter que a visitava em sonhos, que vagava por sua mente. Ela se lembrou de um beijo, um beijo trocado nos destroços da antiga mansão. Lembrou-se de ter sido convencida a colocar acônito no ponche em seu aniversário. Lembrou-se do pó sendo soprado no rosto de Derek, e de ter arrastado o corpo caído e pesado dele até a tumba de Peter, abaixo da mansão. A cena dele saindo da tumba por muitos anos lhe causou pesadelo, mas a única coisa que ele fez, foi ir até ela e acariciar seu rosto.

Ela não sabia o que dizer a Sal. Não podia dizer que amava aquele homem, quando ao mesmo tempo o odiava. Não podia dizer que tinha certeza dos planos dele, quando na verdade estava torcendo para que não fosse verdade. Não queria admitir que ele tivesse ferido ela, muito menos a feito chorar. E então ela começou a chorar novamente.

– Oh criança, não chore – disse a bruxa puxando-a para um abraço.

E por um tempo foi só o que Lydia se permitiu fazer.

Quando finalmente parou de chorar, ela limpou seu rosto com o lenço que Sal lhe entregou, forçando um sorriso para a bruxa em seguida. Quando conhecera Sal, a ruiva não imaginara que um dia ela iria ter uma consideração pela bruxa, não como sentia atualmente. Ela era grata a Sal Pierce, por ajudar a ela e seus amigos durante esses anos. Se não fosse por ela, Stiles teria morrido cinco anos atrás, com o tiro do caçador. Assim como Derek teria sucumbido a maldição e destruído toda a cidade. Por mais que a bruxa tivesse seus mistérios, ela era importante para todos ali.

– O que você pretende fazer? – perguntou a bruxa.

Lydia respirou fundo, pensando no que faria.

– Eu irei atrás de Peter – ela começou. – Irei tirar essa história a limpo hoje, e se ele estiver mesmo envolvido com os sete, se ele for um deles, eu juro que irei mata-lo.

E foi isso o que ela fez. A jovem banshee se despediu de Sal, e recebeu dela um de seus amuletos protetores, antes que ela partisse em busca de Peter. Segundo Sal, quando Lydia estivesse em perigo, o amuleto indicaria sua localização. Mas ela tinha que mantê-lo em segredo consigo, para que ninguém tentasse removê-lo. Lydia assentiu tudo que a bruxa disse, e saiu em busca de seu amado – e ao mesmo tempo odiado – lobisomem.

Ela ligou para ele, dizendo que queria conversar, para que chegassem a um acordo. Ele então concordou e recomendou que ela seguisse para o antigo galpão, onde Derek e Scott lutaram contra Jennifer e Deucalion no passado. A ruiva seguiu até o local marcado dominada pela tensão. Ela não queria imaginar que Peter pudesse estar envolvido com Umbra e seus demônios, mas se ele estivesse ela faria de tudo para que ele morresse.

Lydia estacionou seu carro em frente ao antigo galpão, e de longe conseguiu ver a marca em espiral das garras que foi envelhecida pelo tempo. Ela respirou fundo e saiu de seu carro, levando a mão ao peito e andando em direção a entrada do lugar.

– Peter? – ela chamou ao passar pela porta.

O lugar estava abandonado, como sempre. Ali funcionava uma destilaria, quando Derek era adolescente, depois de tantos anos, aquele lugar apenas trazia as energias negativas de um cemitério.

Não havia sinal do lobisomem por ali, e ela pensou que ele talvez não tenha aparecido. Até que um movimento na parte de trás do lugar a fez mudar de ideia.

– É você, Peter?

– Sinto lhe decepcionar, Lydia. Mas não sou ele – disse uma voz masculina saindo das sombras. Quando o homem se mostrou para a jovem, ela percebeu que se tratava de Deucalion.

– Deucalion? – perguntou ela. – Você conseguiu fugir dos demônios da sombra?

O lobisomem riu.

– Fugir? Não há porque fugir, jovem banshee. Não quando eu sou um deles.

A ruiva ficou sem reação ao ouvir a confissão do mais velho.

– Onde está Peter? O que você fez com ele?

E após perguntar isso, mais movimentos foram percebidos pela ruiva, vindos de todos os lugares do galpão. E com isso, mais pessoas foram surgindo no campo de visão dela. Alguns ela conseguiu reconhecer, como Morrell, o primo do pai de Allison – que ela conheceu ao ir a casa da amiga – e Kira, a garota com quem Scott tem saído ultimamente. Havia mais três pessoas, sendo duas garotas e um rapaz. Uma das garotas trazia Peter amordaçado e com as mãos amarradas para trás, junto com o rapaz. A outra a olhava, analisando Lydia da cabeça aos pés.

– Então é essa a vadiazinha com quem Aiden esteve envolvido? – perguntou ela com desdém.

– A própria – respondeu Kira. – Lydia Martin, a banshee do pack de Scott.

– E vocês, eu presumo, são os capachos do demônio – disse a ruiva.

Morrell deu um passo a frente, aproximando-se um pouco mais de Lydia.

– Se eu fosse você, eu não faria provocações assim, Lydia. Como pode ver, estamos em maioria.

– E o que vocês são, Morrell? Uma druida fracassada, um lobo que já foi derrotado por Scott, um Argent traidor, uma vampira vagabunda, e a vadia japonesa que tem impedido meus amigos de serem felizes? Isso, claro, sem mencionar esses outros dois que estão segurando Peter. Desculpe a franqueza, mas eu esperava mais dos sete demônios.

– Eu vou matar essa vadia ruiva! – disse Kendra avançando contra Lydia, sendo impedida por Deucalion momentos antes de se aproximar da rival.

– Acalme-se, Kendra – disse ele. – Ainda não é a hora dela.

Lydia sorriu cinicamente, fazendo um “tchauzinho” com a mão para a vampira. Deucalion então avançou, ficando de frente para a banshee, olhando-a nos olhos.

– Escute Lydia. Você não morrerá agora, porque ainda é útil aos planos de nosso mestre, mas como Morrell disse, você não deve fazer provocações. A morte nem sempre é a maneira mais dolorosa de se fazer alguém sofrer.

A ruiva engoliu em seco com que o lobisomem disse.

– Tori? – ele chamou, e a garota que segurava Peter o deixou com o outro rapaz e avançou até ele. – Precisamos de um feitiço do sono aqui. Não queremos que ela saiba para onde estamos indo, certo?

A bruxa Tori então avançou até Lydia, levando sua mão ao rosto dela e pronunciando um feitiço. E isso foi a última coisa da qual a ruiva lembrou, antes de desacordar.

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Dois dias depois...

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Lydia despertou, sentindo uma dor de cabeça sem tamanho. Ela olhou em volta e percebeu que estava amarrada em cima de um colchão velho, em uma espécie de cela improvisada. Do outro lado do cômodo havia alguém olhando para ela. Peter.

– Há quanto eu estou desacordada? – ela perguntou.

– Dois dias.

– E por que eles ainda não nos mataram?

O lobisomem respirou fundo, desviando seu olhar do dela.

– Peter, por que eles ainda não nos mataram?

Ele então levantou seu olhar, que Lydia percebeu estar tomado pela tristeza.

– Porque eles esperam que eu mate você antes, já que hoje é a lua cheia.

Notas finais
O que acharam do capítulo? Vou esperar pelos comentários, porque é a única maneira que tenho de saber como a história tem sido, se tenho agradado, etc. Por favor, comentem e deem a opinião de vocês, pois isso é muito importante pra mim, rs. Em caso de algum erro, entrem em contato comigo, para que o mesmo possa ser corrigido. E é isso. Espero que todos tenham gostado, obrigado por terem lido. Até a próxima.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.