Notas iniciais
Então, minha gente. Como foi o natal de vocês? O meu foi simples, mas foi bom, tirando a parte em que eu estava me sentindo estranhamente emotivo e tenha chorado, tsctsc (esqueçam que eu disse isso, pelo amor dos deuses). Agora, cá estou eu, né? HAHA. Nesse capítulo, as coisas começam a "acontecer" na cidade, e mesmo não sendo um capítulo alegre, é um que eu gostei bastante de escrever, kkk. Eu comecei a escrever, daí apaguei e comecei de novo. E no meio da madrugada, me surgiram ideias incríveis e eu acabei desenvolvendo grande parte do capítulo. Enfim, espero que gostem.

Depois do natal, Stiles ficou sem saber o que fazer em relação a carta de Derek. Ele não sabia se lia, se a jogava fora, se devolvia para o lupino. Ele estava extremamente confuso, porque mesmo odiando Derek por tê-lo deixado, ele nunca esqueceu o lobisomem, que era — e sempre será — seu grande amor.

O rapaz então decidiu procurar Sal, para que a bruxa o aconselhasse sabiamente sobre o que fazer. Ela parecia ser entendida das coisas da vida, ao ver de Stiles, e ele não queria ouvir seus amigos dizendo o quanto ele era idiota por deixar se levar pelo orgulho, e o quão parecido com Derek ele ficava por agir assim.

Na primeira ida ao Beacon Grill, Stiles se admirou ao conhecer finalmente o lugar, e entendeu o porquê de Cora ter dito tantas vezes que era o melhor lugar da cidade. Lá tinha de tudo um pouco. A área do restaurante, que era a mais familiar do local, onde se viam pessoas comendo felizes. A do bar, envolta de um balcão cheio de bebidas. E a do palco, onde Sal fazia seus shows e seus fãs a admiravam das mesas colocadas ali em frente.

Stiles viu a bruxa no balcão do bar e se perguntou o que ela estaria fazendo ali. Ele achava que Sal fosse a estrela do lugar, que só aparecesse para cantar e alegrar seus fãs, mas se surpreendeu ao ver a bruxa trabalhando duro e servindo seus clientes antes do show. Ela o recebeu bem e indicou um lugar em frente ao balcão que ficasse o mais próximo possível do palco, para que ele pudesse vê-la quando ela fosse cantar. Ele sentou-se ali e começou a beber, enquanto conversava com a bruxa e assim passou a serem as noites do rapaz, já que ainda não estava trabalhando.

Ele ia até lá, sentava-se no mesmo lugar de sempre, bebia e conversava com a bruxa, e quando a mesma seguia para o palco, ele ficava ali, assistindo-a e bebendo cada vez mais. E esse, meus amigos, foi o pior efeito colateral da vida solitária de Stiles em Nova York. Ele passou a beber com frequência, para se sentir mais “feliz” e para que pudesse não pensar no passado, o que sempre dava errado.

Semanas depois...

Danny e Ethan, depois de anos de namoro, decidiram se unir em casamento. Os dois, que já viviam juntos, queriam ser literalmente um do outro e por isso decidiram reunir os amigos e um juiz de paz para oficializar a união deles. Cora, que acabou fazendo as pazes com os gêmeos depois de algum tempo, ofereceu-lhes a mansão como local da cerimônia, e ali foi realizado, em pleno fevereiro, o tão esperado casamento Dethan. Os dois noivos estavam radiantes, e como Danny era o queridinho de todos, acabou sendo mimado e agraciado com votos de felicidade por todos seus amigos. A mãe de Danny, que nada sabia sobre seres sobrenaturais, insistiu em levar o filho até o altar, enquanto Ethan, que não tinha pais, foi acompanhado de seu gêmeo, que por mais que discordasse da relação, via o quanto o irmão era feliz com Danny e assim queria que ele fosse... Feliz.

Depois da cerimônia, os dois seguiram viagem para o Hawaii, que além de ser a terra natal de Danny, era um ótimo lugar para luas de mel.

Durante a cerimônia, Derek tentou falar com Stiles, que apenas o evitava, ficando próximo a Sal, enquanto recebia olhares furiosos de Cora pela atitude que ela julgava ser imatura demais para um cara na idade dele.

“Como se você soubesse o que eu estou passando” – ele pensou enquanto revirava os olhos para a garota Hale e prestava atenção nos noivos.

– Você sabe que ele vai tentar vir falar com você, não sabe? – perguntou Sal sem olhar para o rapaz.

– Espero que não – respondeu Stiles apreensivo.

_._._._._

Danny e Ethan estavam há duas semanas no Hawaii, e por mais que estivessem felizes, Aiden não gostava de ter seu irmão tanto tempo longe, pois fazia com que ele se sentisse só. Era como se ele estivesse sozinho no mundo. Ainda mais agora que Ethan estava casado, ele seria apenas um peso na vida do irmão.

O gêmeo alfa estava correndo pelas matas em volta da cidade, para espairecer. Ele gostava de correr ali, lhe dava uma sensação de liberdade que ele sempre quis ter. Aiden então deixou-se levar pelo seu instinto e correu cada vez mais pela mata. E foi quando ele ouviu algo se aproximando.

– Olá Aiden – disse uma voz ao longe. Uma voz que ele conhecia. – Quanto tempo, não?

Ele olhou para cima de uma árvore e identificou a dona da voz.

– Kendra?! – ele disse assustado.

_._._._._

Allison estava parada em frente ao edifício em que Isaac morava. O rapaz vendeu a antiga casa de seus pais e comprou esse apartamento para ele, já que a antiga casa lhe trazia tantas lembranças ruins do tempo em que seu pai lhe torturava no porão. Por isso ele havia decidido cursar direito, para evitar que outras crianças passassem pelo que ele passou. E caso a lei não servisse, ele usaria de seus dons lupinos para fazer com que pais abusivos pagassem por seus crimes contra os filhos.

A caçadora olhou para a janela do apartamento dele e respirou fundo. Ela precisava seguir em frente. Havia decidido que era a hora certa de terminar com Isaac, já que não sentia mais o que sentia antes por ele. Ela só tinha medo de magoá-lo. Isaac era um cara legal, e ela não queria fazê-lo sofrer, mas também não queria continuar com algo que não a satisfazia mais.

Ela então entrou no edifício e subiu as escadas até o segundo andar, onde ficava o apartamento do Lahey. Tocou a campainha e esperou que ele abrisse a porta, mesmo tendo a chave no bolso.

– Oi amor – disse Isaac abrindo a porta e dando um selinho na Argent. – Por que você não abriu? Esqueceu sua chave?

Allison entrou no apartamento e ficou em pé, olhando Isaac seguir para a mesa da sala, onde estudava alguns processos que ele estava analisando em seu novo emprego.

– Precisamos conversar – disse ela diretamente, atraindo a atenção de Isaac, fazendo com que ele se levantasse e ficasse sério.

– O que houve? – perguntou ele parando em frente a ela.

– Eu quero terminar, Isaac – ela respondeu olhando o outro nos olhos.

_._._._._

Derek encontrava-se na biblioteca da mansão, quando Cora veio até ele trazendo um copo com suco de laranja. Ele estava sentado sobre o estofado da janela, e tinha um livro em mãos. Ela veio até ele e colocou o copo de suco na beira da janela, enquanto sentava-se ao lado de seu irmão, atraindo assim a atenção dele.

– O que você quer Cora? – Derek perguntou.

– Estou preocupado com você, Derek – ela respondeu.

– Por quê? – perguntou o mais velho novamente.

– Porque você não quer saber de nada da vida. Só fica aqui nessa biblioteca o dia todo, lendo vários e vários livros e depois vai pra sala de treinamento, onde passa o resto do dia – ela disse. – Você não tem comido direito e nem saído de casa, e isso me preocupa.

O lobo então respirou fundo e decidiu ter paciência com sua irmã. Ele sabia que ela se importava com ele.

– Fico grato por sua preocupação, irmã – ele disse. – Mas não é preciso.

– Você é meu irmão, Derek – retrucou Cora. – Sempre é preciso me preocupar com você, ainda mais sendo você.

Ele então revirou os olhos e pegou seu livro novamente para ler, talvez assim sua irmã o deixasse em paz.

– É por causa dele, não é? – ela perguntou. – Por causa dele que você não quer sair de casa, porque ele ainda não veio falar com você. Eu sei que é por isso, Der.

– E se for, o que vai adiantar? – ele rebateu. – Ou melhor, o que isso tem a ver com você?

– Tem tudo a ver comigo, Derek! – ela reclamou. – Você é meu irmão, minha família. E ele é meu melhor amigo. Vocês dois são as duas pessoas mais importantes pra mim, e estão infelizes. Isso me faz mal, sabia?

Derek então fechou seu livro e o deixou sobre o estofado, levantando-se e seguindo para a saída da biblioteca.

– Aonde você vai? – perguntou sua irmã.

– Para algum lugar onde eu consiga ter um pouco de paz – ele disse batendo a porta.

_._._._._

– O que você faz aqui, Kendra? – perguntou Aiden. – Eu pensei que...

– Que eu estivesse morta? – ela perguntou com desdém. – Foi por pouco, mas eu consegui me salvar, para me vingar de você.

Kendra então saltou de cima da árvore e caiu onde Aiden estava poucos segundos atrás, antes dele disparar dali para outro canto.

– Sabe Aiden, eu levei um bom tempo procurando por você e seu irmão – disse ela. – Fiquei sabendo que o pack de Deucalion foi destruído, aqui em Beacon Hills. Daí eu vim para cá, mas não achei você. Anos se passaram e de repente eu recebo uma ligação. Era Gwyneth, uma antiga líder de torcida com quem você “cruzou”. Eu a hipnotizei e ordenei que ela entrasse em contato comigo, caso os gêmeos alfas retornassem a cidade. E aqui está você, pronto para morrer.

E foi nessa hora que ela disparou, com as presas afiadas a mostra e os olhos vampíricos olhando para Aiden. Os mesmos olhos azuis e gelados que ele conheceu em Atlanta, anos atrás, com a aparência morta e faminta de um vampiro. Só que era para Kendra estar morta. Ele havia se certificado de que ela não escapasse daquela tumba com vida.

O alfa só teve tempo de desviar da garota, antes dela dar o bote.

– Eu. Vou. Matar. Você. AIDEN! – ela gritou antes de partir para uma segunda investida.

_._._._._

– Por que você quer terminar comigo, Alli? – perguntou Isaac.

A garota não conseguia olhar nos olhos dele. Eram tristes demais.

– Porque eu não quero continuar com algo que sei que não vai dar certo – ela respondeu.

Isaac chegou mais perto e colocou uma mão sobre o braço dela.

– E por que não daria certo? – ele perguntou novamente. – Você não me ama mais?

Ela então levantou seu rosto e olhou finalmente nos olhos dele. Se aquilo era para ser dito de uma vez, que ela pelo menos fosse honesta com ele.

– Não Isaac, não amo – ela respondeu diretamente.

Isaac então soltou o braço de Allison e olhou para o chão, seguindo em direção ao sofá. Após se sentar, o rapaz voltou a olhar para a caçadora parada em pé perto da porta.

– E existe um outro alguém que você ame? – ele perguntou.

Allison não conseguia responder, apenas acenou em concordância.

– É ele, não é? – Isaac perguntou novamente. – É o Scott.

– Sim, é ele – ela respondeu.

_._._._._

Stiles estava novamente no Beacon Grill. Aquele havia se tornado o seu lugar preferido em toda a cidade, sem a menor dúvida. Ele foi até lá para contar do sonho que tivera noite passada. Ele havia sonhado com Derek, e já fazia muito tempo que ele não sonhava com o lobisomem. Só que no sonho, Stiles não via Derek como sempre. Ele só via um lobo negro com olhos que alternavam do tom de verde que Stiles sabia pertencer ao seu amado, até o azul gélido que marcava um lobo como assassino. Era ele, com certeza. Mas um lobo completo? Stiles não sabia que Derek podia se transformar assim. No sonho, ele estava em perigo, no meio de uma névoa negra que queria leva-lo para longe, e então surgiu esse lobo, que ficou ao seu lado, lhe protegendo, enquanto rosnava para a névoa.

– E então eu acordei – disse ele para Sal, finalizando o sonho.

A bruxa o analisou por alguns segundos.

– E não tinha mais ninguém além de vocês nesse sonho? – ela perguntou. – Além dessa névoa?

– Não – Stiles respondeu. – Apenas eu e ele, e tinha essa névoa negra me cercando.

– Hm, isso é muito estranho – ela disse pensativa. Depois ela piscou e voltou a sorrir maternalmente, olhando para Stiles. – Bom, aproveitando que você falou dele, você já a leu a carta?

O rapaz então respirou fundo e olhou triste para a bruxa.

– Não consegui – ele respondeu. – Digo, eu venho tentado, sabe? Ela fica lá, em cima da minha escrivaninha, daí eu fico pensando se devo abrir. E quando eu decido abrir pra ler, me bate esse medo e eu desisto.

Sal riu. Ela então terminou de limpar os copos que estavam a sua frente, e então serviu duas doses de vodca, uma para ela e outra para Stiles, que bebeu em um só gole.

– Acho que é por isso que você não consegue se resolver, querido – ela disse. – Você se prende muito a esse medo, sabe? – ela continuava a lhe olhar maternalmente. – Encare logo isso de uma vez e leia a maldita carta, por favor!

E foi nessa hora que os dois começaram a rir, tomando mais uma dose.

– Você é demais, Sal! – ele disse.

– Eu sei querido – ela disse. – Eu sei. Agora, hm, fique aqui, pois está na hora de Salmora Pierce cantar um pouco para essas pessoas, ok?

– Yep – ele assentiu com um sorriso um pouco embriagado, enquanto a bruxa passava a mão sobre a dele e saia do balcão em direção ao palco.

– Boa noite, pessoal – disse ela ao microfone. – Hoje a noite irei começar cantando uma em especial que é um tanto triste, admito, mas que ainda assim é maravilhosa, e que sei que alguns precisam ouvir, ok?

Todos no bar saudaram a bruxa com gritos de animação e risos entusiasmados. O publico de Sal havia se tornado fiel com o tempo em que ele se estabeleceu na cidade, e ela gostava disso.

Stiles, que até então estava sentado de frente para o balcão, pediu um copo de cerveja para Nancy, a barista que também ficava ali, e virou-se para ouvir a amiga bruxa cantar.

– Essa é pra você, Stiles – disse Sal antes de começar a cantar.

“Closed off from love

I didn't need the pain

Once or twice was enough

And it was all in vain

Time starts to pass

Before you know it you're frozen”

(Fechada para o amor

Eu não precisava da dor

Uma ou duas vezes foi suficiente

E foi tudo em vão

O tempo começa a passar

Antes que você perceba que você está esfriando)

Stiles ouvia a bruxa cantar enquanto seu pensamento ia até Derek e em sua vida em Nova York sem ele. O rapaz havia mesmo ficado frio com o tempo, mas porque foi necessário. Ele estava sozinho, vivendo apenas de alguns casos depois de ter bebido todas nas festas da universidade.

_._._._._

Derek estava perto de sair de casa, quando Cora o segurou pelo braço.

– Me diga aonde você vai, Derek – ela pediu com medo de que seu irmão fosse embora novamente.

O mais velho respirou fundo e piscou uma vez, olhando para sua irmã. Cora sabia ser irritante quando queria, mas ela se preocupava com ele. Talvez fosse a única. Ele não podia abandoná-la, não outra vez, não como fez com Stiles.

– Eu só vou até o Grill – ele disse.

Cora ficou parada por alguns segundos, ainda segurando o braço do irmão e olhando em seus olhos. Ela demonstrava em seu rosto o medo de que o mais velho fosse embora novamente, claro. Derek era a única família dela, e ela não podia deixar que ele fosse pra tão longe. Ela só queria que ele fosse feliz.

– Tudo bem – ela disse finalmente soltando o braço dele. – Mande um abraço para Sal e agradeça a ela pelo jasmim e diga que ela tem razão, o chá é incrível mesmo.

Derek acenou brevemente com a cabeça e saiu de casa.

_._._._._

Allison seguiu para o sofá e sentou-se ao lado de Isaac, colocando uma mão sobre o braço dele.

– Você é uma pessoa incrível, Isaac – disse ela. – Eu não tenho o direito de te fazer sofrer.

O loiro não olhava para ela. Era difícil para ele saber que a namorada que ele amou durante os últimos cinco anos não o amava mais, que amava o ex, que era seu amigo e alfa. Ele então se lembrou de como Scott foi bondoso com ele quando ele não teve um lugar para ir. O alfa o recebeu em sua casa, tratando-o como irmão, mesmo depois de saber que ele e Allison estavam gostando um do outro. Talvez ela devesse ficar mesmo com Scott.

– Você está com raiva de mim? – ele ouviu a morena perguntar. – Se estiver, eu vou entender. Afinal, você tem todo o direito de sentir raiva de mim, se quiser.

– Não – ele disse.

– O que? – ela perguntou confusa.

– Não estou com raiva de você – respondeu olhando para ela. – E espero que você seja feliz.

Allison sorriu fraco.

– Obrigada, Is – ela agradeceu abraçando seu agora atual ex-namorado. – Também espero que você seja feliz.

_._._._._

Aiden ainda corria de Kendra pela mata. A vampira parecia ter sangue nos olhos, de tanto ódio que sentia dele. A única saída que ele tinha era correr, já que não podia lutar com ela, com seu gêmeo tão longe de si.

O poder os gêmeos alfas diminuía conforme eles se afastavam um do outro. E agora que Ethan estava no Hawaii, Aiden estava fraco para um combato corpo a corpo contra Kendra. A vantagem seria dela. Isso o fez pensar. Era muito conveniente que ela surgisse agora que seu irmão estava longe, não? Aquilo havia sido premeditado pela cretina.

“Droga, espero que você morra queimada, sua desgraçada!” – pensou ele enquanto corria.

– Você pode correr, mas não pode se esconder – ela gritava rindo enquanto seguia em seu encalço.

O gêmeo continuou então a correr pela mata, até que deu de cara com uma espécie de parede invisível e foi parar no chão.

Quando se levantou, Aiden percebeu que estava cercado. Kendra não viera sozinha. Havia outra mulher, olhando para ele, do outro lado da parede que o cercava.

– Obrigada Tori – disse a vampira para a outra, que pelo que Aiden conseguiu farejar, parecia ser bruxa. – Agora, deixe comigo.

Tori nada disse, apenas acenou em concordância para Kendra e sentou-se ao chão, olhando para Aiden com escárnio.

– Eu esperei muito tempo por esse dia, lobisomem – começou Kendra. – Prometi a todos os deuses que eu te encontraria e mataria, por ter me deixado naquela tumba para morrer, em troca da ajuda deles para sair daquele lugar. O fogo então que estava quase me consumindo desapareceu instantaneamente, e quando percebi as correntes cobertas de verbena que você usou para me prender já não estavam mais em meus braços. Havia um homem na entrada da tumba. Um homem com uma aura negra e misteriosa, e de repente eu vi uma névoa negra por todo aquele lugar. Ele me perguntou se eu temia o escuro, e eu, claro, disse que não. Ele então me acolheu e me salvou naquele dia, com a única condição de que eu matasse você, e aqui estamos.

Aiden arregalou os olhos para Kendra. Ele não esperava que ela conseguisse escapar daquela tumba. Havia se certificado de que ela não saísse.

– Kendra, por favor... – ele pediu.

– Não Aiden – ela disse sorrindo. – Eu esperei demais, e preciso cumprir com a minha promessa. Você vai morrer.

Ele então decidiu atacar, usando o pouco poder que tinha. Suas garras e feições lupinas surgiram em questão de segundos e ele investiu contra Kendra, que estava preparada para qualquer atitude dele.

Quando Aiden aproximou-se o suficiente de Kendra, a vampira lançou seu braço para frente, perfurando assim o peito de Aiden e arrancando seu coração. Ela o olhava com brilho nos olhos, já que tinha finalmente realizado a sua vingança.

E foi quando se ouviu o grito. Era um grito distante, agudo e feminino, conhecido pelos sobrenaturais como o grito de uma Banshee. Era Lydia, em sua casa, gritando por causa da morte de Aiden.

_._._._._

Stiles acabara de pedir outro copo de cerveja para Nancy, além de uma dose de vodca, para que pudesse ficar bêbado de uma vez e esquecer Derek, pelo menos temporariamente.

Sal continuava a cantar Bleeding Love, fazendo com que Stiles sentisse aquela vontade bizarra de chorar.

“But nothing's greater than the rush

That comes with your embrace

And in this world of loneliness

I see your face

Yet everyone around me

Thinks that I'm going crazy

Maybe, maybe

But I don't care what they say

I'm in love with you

They try to pull me away

But they don't know the truth

My heart's crippled by the vain

That I keep on closing”

(Mas nada é melhor que a agitação

Da sensação que vem com seu abraço

E nesse mundo de solidão

Eu vejo o seu rosto

Entretanto, todos ao meu redor

Acham que eu estou ficando louca

Talvez, talvez

Mas eu não me importo com o que dizem

Eu estou apaixonada por você

Eles tentam me afastar

Mas eles não sabem a verdade

Meu coração está danificado pela veia

Que eu continuo fechando)

Foi nessa que o rapaz percebeu a porta do bar se abrindo e alguém entrando. E quem mais poderia ser, para o azar — ou sorte, vai saber — de Stiles Stilinski? Seu ex-namorado lobisomem e gostoso de olhos verdes, Derek Hale. O rapaz, agora um pouco bêbado, estava boquiaberto. Ele não esperava ver Derek, ainda mais ali. O lobo mal saía de casa, pelo que ele sabia, e de repente ele decide aparecer ali, exatamente quando Stiles foi para contar a Sal sobre o sonho que tivera com ele. Digo, com o lobo. Ah, vai saber.

– Oh droga, espero que ele não me veja – disse Stiles para si mesmo.

Ele com certeza se decepcionou, quando viu que Derek havia visto ele. E foi nessa hora que Stiles bateu com a cabeça sobre o balcão.

“You cut me open and I

Keep bleeding

Keep, keep bleeding love

I keep bleeding

I keep, keep bleeding love

Keep bleeding

Keep, keep bleeding love

You cut me open”

(Você me corta e eu

Continuo sangrando

Continuo, continuo sangrando de amor

Eu continuo sangrando

Eu continuo, continuo sangrando de amor

Continuo sangrando

Continuo, continuo sangrando de amor

Você me corta)

Sal continuava a cantar em cima do palco, e quando Derek passou por ela, a bruxa estendeu a mão para ele e sorriu, enquanto o mesmo a apertava carinhosamente e seguia para onde Stiles estava.

– Oi – disse ele sentando-se na banqueta ao lado do mais novo. – Como você está?

– Um pouco bêbado – disse Stiles. – E você?

Derek sorriu, enquanto olhava para ele. Stiles tinha aquela mesma capacidade de fazê-lo rir e se irritar pelas idiotices que dizia.

– Hm, eu estou indo – o lobo respondeu.

– Indo? – perguntou Stiles. – Pra onde?

O outro então revirou os olhos.

– É apenas uma expressão, Stiles – ele respondeu.

– Ah, que bom então – disse Stiles demonstrando um pouco de indiferença.

O sorriso que Derek tinha no rosto então desapareceu.

– Então, nós não nos falamos mais desde o natal – disse ele. – Você chegou a ler a carta?

Stiles, que acabara de virar o último gole da cerveja, bateu o copo na mesa e limpou a boca com a manga de sua camisa.

– Não, Derek – ele respondeu. – Eu ainda não li a sua carta, porque não consegui criar coragem ainda pra ler. Porque eu tenho medo de sofrer novamente tudo o que eu sofri em Nova York, por causa da maldita carta que você me entregou no natal!

– Eu nunca faria você sofrer, Stiles – Derek disse.

– Mentira! – atacou Stiles. – Você me fez sofrer por cinco anos, sem dar sinal de vida. Você simplesmente fingiu que eu não existia, sendo que quando eu fui pra Nova York, por que você me fez ir, você me disse que me amava. Mas também era mentira, Derek. Tudo em você é uma grande mentira!

E ao dizer aquilo, Stiles deixou uma quantia em dinheiro em cima da mesa, e levantou-se da banqueta. Ele deu um “tchau” para Sal e foi embora, deixando Derek sentado, sem saber como reagir àquilo.

Do lado de fora do bar, Stiles entrou em seu Jeep e arrancou com ele dali. Ele só queria chegar em casa o mais rápido possível, e cair em sua cama. E quando ele menos percebeu, já estava chorando e praguejando por causa disso. Ele não queria chorar mais por causa de Derek, não mais. E foi nessa hora em que surgiu o caminhão, batendo contra a lateral do Jeep.

Notas finais
Hm, peço desculpas se tiver ficado horrível, mas devo dizer que adorei escrever esse capítulo, sério, kkkkk. E as pessoas devem estar querendo me matar, porque todo capítulo acaba de forma tensa e tal, e nunca um bom final, mas prometo que as coisas irão melhorar no próximo capítulo, ok? Ele irá se chamar "Give me love", e posso dizer apenas que é o capítulo pelo qual todos esperavam, HAHA. Enfim, obrigado por terem lido, de coração. Feliz ano nodo a todos vocês, desde já. E até a próxima.