Anything But Ordinary

23 Alguém salve a minha vida


SÁBADO ÀS 9, CHECO MEU CELULAR.

“Yoongi, acabei de ver um vídeo de cachorrinho muito fofo”

“Bora adotar?”

“A gente vai usar roupa combinando hoje, né? Usa uma regata laranja, calça jeans e tênis branco”

“Tá frio aí fora?”

“Como foi lá com seus pais?”

Aff, até agora você não me respondeu, Yoongi!

Meu celular apita inúmeras vezes e “애기” brilha na tela.

“Que legal

Não tenho dinheiro pra isso

Vou usar

Tá calor

Foi legal”

Ele me liga.

— Cadê você, amore? Tô aqui fora te esperando.

Minha barriga dói. — Ai, ainda não me acostumei com você me chamando assim, gatinho!

— Para de enrolar, Lali!

— Lali? Só de raiva, eu não vou mais!

Correndo pra entrada do Solaris.

Yoongi está encostado na moto, de regata laranja, jaqueta de couro preta e tênis branco. Do mesmo jeito que eu.

Dou passos lentos na direção dele, tentando não fazer barulho e farejando o ar. Yoongi está assistindo a uma reportagem do Bom Dia, Costaré no celular. Seu perfume me faz querer pular no colo dele, assustar ele, beijar ele.

NOVOS VEÍCULOS SÃO APREENDIDOS NA OPERAÇÃO RESSONÂNCIA E TRAZEMOS ATUALIZAÇÕES NESTE SÁBADO, 25 DE OUTUBRO

Durante a Operação Ressonância neste sábado, 490 veículos com sinais de adulteração e restrição de furto e roubo foram identificados e apreendidos.

O Delegado da Polícia Militar de Costaré falou com a nossa equipe.

Ele aparece na tela no meio de um pátio.

— Nós fiscalizamos cerca de 560 veículos nos últimos meses com a colaboração de toda a equipe policial de Costaré e do Detran. Usamos equipamentos tecnológicos para identificar essas clonagens nos chassis e nas placas. Nosso objetivo é seguir combatendo essas quadrilhas e fortalecer a segurança da nossa cidade.

— Vamos ouvir agora o depoimento do Seu Joaquim, que teve seu carro guinchado há cerca de quatro meses após deixá-lo estacionado enquanto fazia compras na Mercearia da Dona Maria, no bairro Goiabeiras, região Metropolitana de Costaré.

— É um abuso isso! Pra quê esse monte de lei e esse tanto de imposto? Chamaram o guincho pra mim e ninguém responde no WhatsApp do pátio, não te dão informações pra você conseguir recuperar o próprio carro que você levou décadas pra conseguir quitar! Eu tava indo buscar minha mulher no Pilates e deixei uns minutos na vaga de cadeirante, qual o problema? Parece que logo nesse dia essa polícia resolveu trabalhar!

Yoongi bloqueia a tela do celular.

Tapo seus olhos. — Oi, é o amor da sua vida!

— Ah, eu não sabia que Star Wars era uma pessoa, achava que era uma saga!

— QUÊ?

Faço Yoongi tirar o capacete e o pendurar no guidão. Eu o deixo sem ar com um beijo, puxando sua jaqueta de couro.

— Pede pro amor da sua vida te deixar assim!

Yoongi põe uma mão na boca. — Meio impossível…

Forço um bico. — Então… eu tô brava, mas tenho que te entregar o presente mesmo assim!

— Presente?

— Não vou sair de dentro de um bolo e nem postar vídeo de você no meu TikTok, relaxa!

Yoongi prende a risada. — É o quê, então?

Tiro o quebra-cabeças de dentro da mochila.

— Um quebra-cabeças do mapa de Costaré… Recomendado para crianças…? Eu vou fazer 20 anos amanhã, Lali, não 12!

— Mas eu tô ajudando a promover o turismo, ué! E também você gosta dessas coisas!

Ele guarda o presente no baú da moto.

Minha cara arde. — E… tem mais uma coisa…

Yoongi arqueia a sobrancelha. — Agora você vai soltar fogos de artifício com o meu nome?

— Poxa, essa sua ideia foi melhor que a minha! Como eu não pensei nisso?

— Anda logo, Lali!

— T-tá bom! Só… promete que não vai rir porque eu… não sei fazer isso direito ainda!

Yoongi balança a cabeça. — Prometo.

Com os dedos tremendo, ergo a cartinha pra ele.

Yoongi segura o papel rosa cheio de corações laranjas. — É pra eu abrir agora?

— Sim.

Ele lê “Feliz aniversário, Yoongi” escrito em Hangul em voz alta, sorrindo.

— Valeu.

Os olhos dele travam em “보고싶어라”.

— Gostou?

Yoongi tosse forte depois de ler “자기야, 너무 사랑해.”

— Cê tá bem?

Ele me abraça pela cintura, pegando fogo.

— Gatinho… Cê tá bem mesmo?

Yoongi se agacha pra abrir o baú da moto.

— Bora? — Ele raspa a garganta e me entrega o capacete.

— Cê não gostou, né? Minha caligrafia ficou ruim? Eu ainda não sei escrever direito, desculpa!

Yoongi sorri e me olha pelo retrovisor. — Gostei. É só que… eu não tava esperando!

— Pra onde a gente vai, já que você fez questão de micar a minha festa surpresa?

— No cemitério pra comemorar o aniversário da minha paz já que ela morreu no dia que eu te conheci.

— Ah, vai te catar! — Gargalho, afivelando os cintos no queixo. — Sua vida ficou muito melhor depois que você me conheceu, garoto!

— Garoto? Mas não era amore?

Mostro a língua pra ele.

Yoongi dá partida na moto e acelera.

O caminho de estrada de chão é cheio de curvas, moitas, montanhas.

— Que cemitério longe, eu hein! — digo. — Ou isso é um presídio?

Os carros se enfileiram na porta do que parece ser um galpão metálico azul-claro. Os muros são cheios de cercas elétricas, e têm um monte de seguranças na porta. A placa amarela diz “ESTADIA E REMOÇÃO DE VEÍCULOS”.

Mexo as sobrancelhas.

Yoongi atravessa o portão enferrujado e gira a chave da moto.

Tiro o capacete e o espero do outro lado na fila. O cheiro de ferrugem é forte, tem etiquetas penduradas em retrovisores, vidros riscados em laranja com números de telefones e nomes,

— A gente veio aqui pra quê? É pra…

Yoongi segura minhas mãos e anda comigo lado pelo pátio. Os carros estão amontoados um em cima do outro, alguns sucateados, outros em perfeito estado, sem ordem certa. Tem pneus de motos jogados pra todo lado, funcionários ajudando pessoas a encontrarem seus veículos, policiais checando compartimentos e colocando pertences dentro de envelopes.

Até que meus olhos paralisam numa placa. O tom turquesa do carro está mais fraco, e a tinta toda desgastada. Um dos retrovisores quebrou.

Meu coração bate tão forte que eu solto a mão do Yoongi e tropeço numa ferramenta.

— AI!

Yoongi se agacha e toca nas minhas bochechas, secando as minhas lágrimas.

— Foi pra isso que você falou pra gente vir aqui?

Ele balança a cabeça.

Eu o abraço. — Brigada.

Yoongi beija minha bochecha e me abraça ainda mais forte.

— Eu não acredito que você fez isso pra mim, Yoongi! Você é doido! Era pra gente comemorar o seu aniversário!

Ele ri pelo nariz e enxuga meu rosto outra vez. — Mas eu não fiz nada. Olha pra cima.

Uma figura alta e masculina sai de trás do carro e me ajuda a levantar junto com o Yoongi.

— Lali?

— T-tio Leandro?

Chuto que agora ele deve ter uns 45 pelas bolsas nos olhos, os cachos grisalhos e a pele manchada de sol. Nem parece que o Papàtinha a mesma idade do Tio Leandro. Imaginar meus pais com 40 anos me faz sorrir. O terno do Tio Leandro é o mesmo do dia em que eu saí da Casa Jovem: azul-marinho, apertado nos braços largos e meio amarrotado.

Eu o abraço. — Você conseguiu o carro do Papà de volta, Tio Leandro? Brigada! Brigada! Brigada!

— Seu pai me pediu pra lutar até o fim por isso, e foi isso que eu fiz, Lali. Ele era só um garoto, igual você é agora. Fico feliz de ter ajudado a realizar um sonho dele. Sinto muito, mas vai ter que entrar em leilão.

Meu queixo treme. — Eu já não tinha muita esperança mesmo… Mas… por quê você fez isso, Tio Leandro? Você nunca ganhou nada com isso, e eu nunca vou conseguir te pagar! Nunca!

— Seu pai comprou esse carro logo quando casou. Ele ia ser a sua herança. A última coisa que ele conseguiu comprar com o dinheiro que ainda tinha dos pais. Eu e a Amanda fomos os padrinhos dele e da Beatriz. Foi ele que costurou o vestido de casamento da Amanda e o meu terno, demorou quase um ano e ele nunca me cobrou nada. Eu jamais iria cobrar um centavo de alguém que fez tanto por mim. Quando a gente se conheceu na viagem pro Rio, eu só queria curtir. Tava frustrado que o Brasil tinha perdido e acabei encontrando ele. Jurei que eu ia torcer pra França se ferrar. Ele me viu, me zoou e eu fiquei muito bravo na hora. Mas aí a gente virou muito parceiro. Quase irmão. Ele até me chamou pra passar as férias em Milão, disse que pelo menos o Brasil continuava sendo penta. Foi uma loucura aquela viagem.

Tio Leandro ri, mas seus olhos ficam vermelhos a cada palavra. Não contenho os soluços e Yoongi faz carinho nas minhas bochechas molhadas.

— E-eu não sabia de nada disso.

Tio Leandro tira uma foto do bolso. Estou dentro do carro do Papà, sorrindo no banco de trás do lado da Tia Amanda.

— Lembro muito pouco.

— Você lembra da minha esposa Amanda? Aqui você devia ter uns 6 anos, por aí. Foi antes de… tudo. Foi ela que te deu essa Barbie de presente. E fui eu que tirei essa foto. A gente tava indo passar o final de semana em Guarapari, finalmente tínhamos conseguido tirar o seu pai do quarto. Ele quase não saía. A gente sabia que uma hora ou outra, ele ia… ia partir… Ver meu melhor amigo naquele estado era horrível. Os trabalhos dele ficaram cada vez piores, ele não conseguia mais entregar trabalho. Foi a Amanda que cuidou de tudo. Ela te arrumou nesse dia. Hoje eu sinto a dor dele porque eu também perdi o amor da minha vida. Ela ficou muito mal depois de ver tudo aquilo, depois de ter tentado te adotar.

— Me adotar?

— Eu jurei que eu ia conseguir, Lali. Pelo meu melhor amigo. Pela minha amada esposa. Mas a sua Tia Margot me ameaçava, dizia que não. Ela dizia que ia me acusar de assédio se eu tentasse, jogava na minha cara que só porque eu tinha dinheiro eu queria humilhar uma mulher pobre. Quando eu descobri que ela nunca nem rentou ir atras da papelada, voce ja era adolescente. Eu morria de vergonha. Foi por isso que quando eu te vi no dia que você saiu da Casa Jovem, eu nem conseguia te olhar direito.

Tudo que eu faço é dar um abraço no Tio Leandro. Ele também soluça.

— Se tem uma coisa que eu tenho certeza, é de que o seu pai ia ficar muito feliz, Lali. Você se tornou uma mulher linda. Trabalhadora. Cheia de sonhos. Você tem o mesmo astral dele. A mesma vontade de continuar vivendo, apesar da dor. A Beatriz também ia morrer de orgulho. Ela falava que você era a maior felicidade que ela já teve na vida.

Tio Leandro me entrega um envelope. — Tava no porta-luvas.

— As fotos de Guarapari! Tá tudo aqui! Eles… eles não roubaram, Yoongi!

— Eles levaram os estepes — Tio Leandro diz.

Entro devagar no carro e me sento no banco do passageiro, me esticando até o do motorista.

Puxo o porta-luvas.

Passo os dedos pelos retrovisores.

Pelos bancos.

Esfrego os tênis no tapete.

— Quanto tempo… eu… eu posso ficar aqui dentro?

— 10 minutos.

— Ok.

Tio Leandro se afasta.

Yoongi se senta no banco do motorista e me puxa pro colo dele, ligando o YouTube Music no rádio. Demoro um segundo pra reconhecer a melodia de Anything But Ordinary e voltar a chorar.

— Dessa vez, ninguém vai aparecer. Dorme, Lali.

Me deito no colo dele.

Fecho os olhos.

Yoongi faz cafuné no meu cabelo.

Bocejo.

Imagino meus pais ouvindo música enquanto viajam. Com a Tia Margot. Sozinhos. Só comigo. Na minha infância. Na adolescência. Hoje.

Minha língua fica ainda mais salgada e minha visão embaçada.

Tudo está escuro quando surge uma escada de madeira que parece a da Casa Jovem. Estou com a mesma aparência e idade do dia que entrei lá: uniforme largo rosa-claro com borboleta lilás na manga, calça jeans e tênis branco de velcro. Cabelo lambido preso num coque que machuca a cabeça.

As vozes das crianças me seguem degrau a degrau da escada. Desço devagar, e o som diminui.

Puxo a xuxinha com força.

Meu cabelo cai nos ombros, dourado e suado.

Continuo descendo.

Degrau a degrau.

Degrau.

A.

Degrau.

No final da escada, tem um quarto inundado por água cor de cristal como se fosse uma piscina muito rasa.

Até que um homem aparece: loiro de cabelo ondulado, alto e sorridente. Ele deve ter uns 45 anos.

Um segundo depois, minha boca se abre.

— Papà? — pergunto. — Sei tornato?

Piso na água até bater na minha barriga, mas continua só na altura dos pés do Papà.

— Dammi quello che è mio, figlia — ele me diz devagar, mantendo a expressão séria.

Mergulho. Tem um relógio velho agarrado na areia. Ele emperra. Com algumas tentativas, puxo o cordão e volto à superfície.

Papà segura o relógio e recua um passo. Mamãe, com a pele tão dourada e roupas tão brancas quanto as dele, sorri pra mim. A água bate na altura dos joelhos dela e ela está mais velha do que nas fotos.

— Me dá o que é meu, filha. — Sua expressão fica séria.

Mergulho outra vez e trago comigo uma boneca de pano até a superfície.

Mamãe abraça a boneca.

Baixo a cabeça. — Bença, mãe. Bença, pai.

— Riposa, figlia mia. Dormi bene!

— Obrigada, filha! Agora sobe devagar, meu amor!

Suas vozes fazem mais eco do que antes.

Quando eu me viro, meus olhos param numa máquina de costura: presa no fundo da água, azul-marinho e cheia de rachaduras douradas.

Uma música toca.

Tento mergulhar, mas as notas musicais flutuam e me envolvem.

Eu afundo.

Meu cabelo agarra na areia.

Uma mulher me ajuda.

Sou eu nos tempos atuais, sorrindo pra minha versão de nove anos.

Puxo o fôlego. — Sei tu?

— Só… respira — minha versão adulta me diz.

— Sei bellissima… — minha versão infantil responde.

Minha versão de nove anos me dá um beijo na bochecha e nada pra longe junto com os meus pais.

Chego à superfície.

Seguro a máquina e apoio o corpo no último degrau da escada.

Me levanto, seca.

A máquina não está mais rachada.

Uma borboleta laranja encosta na minha bochecha esquerda, e eu sorrio.

Subo as escadas correndo com a máquina nas mãos e os passos tortos.

Os portões dourados se fecham.

E o clarão aparece.

Levanto do colo do Yoongi com um salto. Por um triz, não choco a testa no volante.

— Que foi? Você tava babando, Lali!

— Eu acabei de ter um sonho muito estranho.

Yoongi passa os braços pelos meus ombros e me deixa chorar contra seu peito.

Quando voltamos pro Solaris, Yoongi leva o Duri pro meu quarto.

Me sento na beirada da cama e me debruço na janela.

Yoongi dorme com Duri grudado nos pés dele, roncando baixo.

Tiro uma foto.

Reabro as memórias do Papà que a Nonna me deu. Passo os dedos pelas cartas e fotos, chorando.

Nonno faz biscoitos de gengibre pra eles no Natal.

A foto do Papà me segurando no colo do lado da mamãe logo depois do parto ainda me faz chorar.

A foto do Papà queimado de sol fazendo sinal de hang loose em Copacabana ainda me faz rir.

As cartas dele ainda disparam o meu coração.

Febbraio dodici, 2014.

Descobri uma palavra nova em português essa semana. “Feitio.” Nunca foi do meu gostar de metáforas e analogias. E cá estou eu, que sempre tive alergia à coisas de gente inteligente e chata, escrevendo essa carta com tamanha beleza. Acho que adquiri esta alergia ao longo dos anos. Mas foram estes anos onde eu experienciei o melhor dos amores. Nada mais faz sentido. Eu odeio a solidão. O que é beleza? Onde ela está, afinal? Quando finalmente irei amadurecer? Quando tudo parará de doer? Quando finalmente poderei respirar? Qual o ponto de continuar vivendo se tudo o que faço é sangrar? Qual o ponto de habitar nesta galáxia cheia de estrelas se eu vou me apaixonar pela lua? Qual o ponto de escrever todas essas palavras bonitas e sem sentido algum, se no final eu virarei pó?

Talvez ter esperança tenha sido a forma que a minha alma encontrou de não apodrecer.

Enxugo o rosto.

Abro o exercício da Tatiane em PDF e passo as perguntas pro caderno.

Solto o ar devagar.

“Eu me pareço com os meus pais”

No sorriso

Na personalidade

Nos sonhos

“Eu sou diferente dos meus pais”

Na quantidade de amigos que eu tenho

Tento pensar em mais duas coisas, e já vou escrevendo as próximas.

“Eu perdoo meus pais”

Por eles terem ido embora

“Está tudo bem eu me sentir”

Confusa

Presa

Com ódio

“Mas eu não quero mais”

Sofrer

Chorar

Desistir

Repita em voz alta:

“Eu sou uma pessoa diferente dos meus pais”

“Os erros deles não me definem”

“Eu vou fazer diferente”

“Escreva algo que você gostaria de dizer pros seus pais”.

Meus dedos tremem. As pernas. Os olhos. Minhas vistas ficam cada vez mais embaçadas, mas eu me esforço pra continuar:

Papà,

Mamãe,

Eu sempre vou honrar o nome de vocês. Obrigada por terem me dado a vida. Eu queria que vocês sentissem orgulho de mim. Me perdoem por ter sentido raiva de vocês por todos esses anos, por ter sentido como se vocês tivessem me abandonado, sendo que eu sei que não foi uma escolha de vocês. Eu nem sei se existe um céu ou um paraíso onde a gente vai se encontrar um dia, mas obrigada.

Soluço tão alto que o Yoongi se mexe e resmunga “ahn?”, mas não acorda.

Duri sobe na bancada e me cheira, ronronando. Faço carinho nas orelhas dele.

Desenho um vestido engana-papai, com muitos babados e estampa que parece água de verdade com alguns detalhes dourados que imitam rachaduras.

Abro meu e-mail.

“Nonna, Nonno, Zio Francesco e toda minha família, eu sei que talvez vocês não vão me entender. Talvez vocês vão me odiar, mas eu preciso desabafar. Eu não vou mais pra Milano em dezembro. Eu não consigo fazer isso agora. Não dá. Não posso perder meu nome. Meu sonho. Quem eu sou. Costaré é a minha vida. Eu agradeço pelas oportunidades que vocês me ofereceram, e por todos os presentes que vocês me mandaram. Se vocês quiserem, eu até devolvo tudo. Todo o dinheiro, os tecidos, as roupas, tudo! Até pago os juros das passagens se não der pra cancelar, mesmo se precisar de parcelar! Eu vou fazer de tudo pra ir ver vocês daqui a alguns meses, vou atrás de toda a papelada aqui do Brasil mesmo, não precisam se preocupar em me ajudar, eu me viro! Obrigada mais uma vez. Eu espero que vocês me entendam. Desculpa se aparecer algum erro aí na tradução, não me culpem, culpem o tradutor robozinho!

Beijos,

Lali Carvalho.

Viro pro Yoongi que ainda está roncando. Meu sorriso se alarga sozinho. Mal posso esperar pra te contar a novidade, gatinho! Meu coração é brasileiro sim! Eu vou ficar aqui!

Mordo os lábios, descendo o olhar pros tecidos Bergamaschi. Toco o cetim e o linho brancos.

Yoongi se levanta, cambaleando.

— É, Duri, até aqui você me trai?

Duri continua dormindo na minha bancada.

Yoongi me dá um beijo na testa e se senta do meu lado. — Você tava chorando?

— Não…

— Sei…

— Yoongi… Esse vestido ficou bonito?

Ele mexe a cabeça.

— E você acha que seria roubo usar os tecidos da minha família?

— Você faz parte dela, não faz?

— Faço, mas é como se eu tivesse pegando uma coisa que não é minha sem autorização.

— E eles te deram de presente, então você pode usar.

— Eu também pensei nisso, mas…

— Mas?

— Eu tenho medo de usar. Misturar com meu estilo. Ficar uma bagunça.

— Quer que eu fique aqui te esperando?

— Tá bom.

Aproximo as cadeiras da máquina. Deixo os tecidos na bancada.

Yoongi coloca a cabeça no meu ombro.

— Esse é o seu jeito de me esperar?

Ele segura minha cintura e me dá vários beijos na bochecha e no ombro. Tento não sorrir, não me arrepiar e me concentrar na bancada.

— Isso não é justo, gatinho.

— O quê?

Coloco as mãos na nuca dele e o encho de selinhos. — Mas eu não consigo parar de te beijar quando você tá perto desse jeito.

— É só beijar.

— Mas e o meu vestido? Assim eu não vou conseguir costurar nada e vou ficar te beijando.

Ele se afasta de mim. — É só não beijar. Costura, ué.

Reviro os olhos. — Chato. Vai estudar que você ganha mais, garoto!

Yoongi torce o meu nariz de brincadeira. — Nem me fale, eu tô tentando aproveitar ao máximo hoje porque tudo volta ao normal amanhã.

— É. Imagina trabalhar no dia do seu aniversário

— Eu não ligo pra isso. Tô mais preocupado com o vestibular. E também porque eu não gosto de trabalhar domingo, parece que o dia não passa nunca.

Duri mia pra nós.

Me afasto do Yoongi.

— Não fica com ciúmes da mamãe, filho! — Afino a voz.

— Mamãe? E desde quando gato sente ciúme? Isso é puro instinto, Lali. Ele só tá marcando território, e faria muito mais sentido ele me marcar do que te marcar e—

Duri mia de novo e me cheira.

— Gato não sente ciúmes mesmo, né, filho? Você puxou seu pai!

Duri vira de barriga pra cima depois de receber meu carinho nas orelhas e no queixo, espalhando seu pelo escuro na bancada e nos tecidos azuis-claros.

— Você tá acabando com a minha seda, mas eu não vou ficar brava.

Yoongi só fica rindo e me dá uma ajuda minúscula firmando os tecidos na bancada.

— Queria ir pro seu refúgio.

— A gente ainda pode ir, mas você vai ter que dividir o espaço com mais uns 350 clientes no bar.

Faço uma careta. — Aff, seu estraga-festas, estraga-prazeres, estraga-humores!

Yoongi me faz cócegas e cai do meu lado na cama.

Bocejo. — Cê sente saudades da Angeline?

— Sinto.

— E do Solaris de antigamente?

— Também.

— E da época que a gente se conheceu e você fingia que eu era insuportável, você sente?

Ele quase fecha os olhos. — Fingia? De onde você tirou que eu só fingia?

Aperto suas bochechas.

O belisco sem colocar força.

E mordo seu cotovelo.

— AI!

— Tô marcando meu território. Vai que alguém resolve tentar roubar o meu gatinho de mim, né?

— Ninguém teria essa coragem.

Cruzo os braços. — Ainda bem que eles sabem como eu sou.

— Eu não tava falando disso, mas tudo bem.

Ele me tortura colocando filmes de Star Wars seguidos. Já estou quase dormindo no começo do segundo, quando ele me puxa pra ficarmos de conchinha.

— Pra quem não gostava de beijo e abraço, você até que tá bem soltinho, hein?

— Isso nunca saiu da minha boca.

— Ah, é? Saiu o quê, então? Que eu sou o amor da sua vida?

Yoongi coloca a mão no peito. — Aqui jaz a minha paz.

— Até parece que você não gosta.

— Infelizmente.

— Eu tava com saudades de dormir com você.

— A gente dormiu ontem no nosso lugar, Lali.

— Não conta. Tô falando na cama.

Yoongi ri e beija minha testa.

— Você vai tá aqui — ele sussurra. Tenho certeza de que isso é um sorriso.

— Aqui?

— É.

— Do quê que cê tá falando?

Yoongi boceja.

Duri dorme nos nossos pés.

Uma semana depois, o vestido está pronto. Mais um vídeo meu viraliza. Atinjo 15 mil seguidores. Finalmente monetizo.

Minha família ainda não me respondeu.

Dia 16 de novembro, me sento no refeitório da UDCC. Arranco a pelinha do polegar.

Mato o tempo conversando com o Namjoon no WhatsApp. Sei que ele está roendo as unhas do outro lado enquanto fala do TCC.

— Eu acho que vou passar mal, Lali! Falta pouco!

Ele desliga e diz que vai pra uma sessão de acupuntura.

Rosé me manda uma foto de roupão na frente de um espelho.

“Cheguei, SP”

— Daqui a pouco eu que vou passar mal, Alice! É premiação. É TCC. Vestibular. Viagem…

Ela passa a mão nas minhas costas. — Eu sei.

Toda vez que eu desbloqueio a tela do celular, o tempo congela.

— Ele falou que tava com medo da redação — digo —, ai, que gastura! Era pra eu ter contado pra ele que eu ia ficar aqui de uma vez! Aff, se ele não passar, vai parecer que eu quero chamar atenção? Mas se eu contasse, ele ia ficar muito aflito e—

Alice abre a boca.

Fico vermelha.

— Lali…

— Eu queria fazer surpresa e contar pra vocês só depois, Lice, mas… eu não vou embora…

Alice para de piscar.

— …eu vou ficar aqui em Costaré. Tipo. Mesmo!

Ela tapa a boca e seus olhos se enchem de lágrimas.

— Ano que vem a gente vai se ver todo dia aqui. — Aponto pra mesa do refeitório. — Eu vou pagar a mensalidade com o meu dinheiro. Não tenho saco pra passar no vestibular igual vocês. É uma cacetada de 2 mil reais, mas eu vou dar um jeito e—

Alice me cala com um abraço. — Você é maluca! Maluca! Por que você não me contou nada? Se eu soubesse, eu ia ter te chamado pra vir morar comigo, e—

— Eu sei que eu ia ser uma colega muito mais legal que a Rosé, mas eu vou aproveitar pra ficar no Solaris enquanto dá, Alice. É sério. Eu ainda tô com um pouco de medo porque a minha família ainda não me respondeu. Não vou conseguir pagar um aluguel só com o dinheiro da monetização. Não dá nem

Alice para de piscar no momento, os olhos ficam cheios de lágrimas e ela me abraça. — E o Yoongi?

— Eu vou contar pra ele só depois da segunda prova.

— Tendi, vai fazer mistério. — Alice ri. — Prometo que eu não vou contar pro Jimin nem pra Rosé, senão Costaré todinha vai saber!

— O Jimin! — Bato os pés. — A Rosé! Ai, que agonia!

— Relaxa. Vai dar tudo certo.

Yoongi entra no refeitório às 14:04. Meu coração dispara e eu corro na direção dele.

— A prova não era até três horas? — pergunto. — Você…

Yoongi ri baixo e retribui meu abraço, me tocando pela cintura.

Alice boceja. — Qual foi o tema da redação?

— Globalização.

— Ah, cê tá de sacanagem! Então foi muito fácil, por que o Jimin não saiu ainda?

Yoongi mexe os ombros. — Acho que ele agarrou nas questões de espanhol. Tinha a ver com Literatura. Eu chutei quase tudo nessa hora.

Seu perfume e calor ainda me envolvem e nenhum pensamento cruza a minha mente. Só sei que ele está lindo de azul, com o cabelo preto e meio suado, e que seus braços me distraem.

Só volto a entender o que está acontecendo com um barulho de metal. As correntes do Jimin balançam e ele se joga no banco.

— Que prova de merda. — Jimin cruza os braços e apoia o rosto na mesa.

Alice o abraça. — Calma, Mimi.

— Já pode preparar o funeral da minha dignidade porque eu não passei nem dessa primeira fase.

Quero brincar que a frase rimou, mas Yoongi gesticula “não” com a cabeça.

— Ainda bem que a minha mãe não tá mais aqui em Costaré, imagina a cara de decepção que ela ia fazer? — Jimin soluça.

— A gente vai pra sua casa assistir a premiação, Alice? — Yoongi aumenta o tom de voz. — Tem aquela trufa de abacaxi lá, né?

Jimin mostra o dedo do meio pro Yoongi. — Isso não vai me animar.

Jimin soluça no Uber o caminho todo. Alice o deixa dormindo no sofá e volta pra cozinha. Yoongi faz café, Alice um bolo e eu só espero.

— Lali, liga a TV — Alice diz —, a Rosé disse que já tão transmitindo os bastidores.

“DESIGN+ ARCHITECTURE AND INTERIOR AWARDS” brilha na tela em dourado e as categorias principais são exibidas: Designer Revelação, Designer do Ano e Obra do Ano.

Uma fungada soa atrás de mim.

Jimin me mostra a tela do celular enquanto Alice abraça Yoongi na cozinha.

— Sinto muito. — Puxo Jimin pelo pescoço.

Ele soluça outra vez. — Eu já sabia que eu ia me esforçar pra nada. Nem sei pra quê eu tentei!

Meus olhos ardem.

Ele se joga no sofá e Jimin esconde o rosto numa almofada.

— Eu só fui aprovada na minha segunda tentativa. — Alice se deita na frente dele.

— Cê tá querendo me desanimar? Eu vou demorar isso tudo pra ser aprovado? É melhor eu ir pra São Paulo de uma vez, vou me estressar bem menos! Eu não nasci pra fazer cosmético! Eu já aceitei que nasci pra fracassar, Universo! Tá me ouvindo? Eu. Já. Aceitei! Eu vou desistir de Estética! Vou trabalhar no Solaris até 70 e me aposentar! É isso! Cabou!

Alice enxuga o rosto dele com um lenço e o deixa manchar sua jardineira de base.

Rio pelo nariz. — É horrível sentir isso, Jimin. Eu te entendo. Mas vai passar, você pode tentar de novo!

— Eu odeio essa palavra. Não fala isso perto de mim!

Alice dá um tapinha no ombro do Jimin. — Desculpa ele, Lali, ele não sabe o que tá falando.

Yoongi coloca a bandeja com o bolo de fubá e café na mesinha do centro, seca as mãos num pano de prato e me puxa pra sentar do seu lado.

— Ela só tá dizendo que você tem que persistir, Jimin — Yoongi diz —, por acaso cê já ouviu falar sobre neuroplasticidade?

Ih, lá vem! Agora vai até a amanhã!

— Me explica. — Jimin se joga no colchão.

Com uma mão no queixo, foco nos lábios do Yoongi. Ele fala sobre como o nosso cérebro aprende, se adapta e se familiariza conforme nós ganhamos experiência. Isso me faz pensar no quanto eu já me familiarizei com a beleza dele, mas se eu soltar essa piada, ele vai ficar da cor de uma beterraba e parar de explicar. E ele fica tão lindo explicando. Sexy. Fofo. Meu gatinho.

— Não adianta, Yoongi. — Jimin bufa.

Balanço a cabeça e abraço meus joelhos.

— …eu não vou mais fazer faculdade!

— NÃO?

— É. E para de olhar pra mim desse jeito! Cês tão me assustando!

— Só por quê você não passou uma vez, não quer dizer que não vai passar nunca mais — Alice diz.

— Não é isso… Eu já tava muito na dúvida sobre o que eu queria. Vou fazer Curso Técnico e abrir a Jimin Cosmetics pra valer. Eu falei da boca pra fora, eu não vou desistir do meu sonho: ele é forte demais pra eu fazer isso assim do nada…

Alice cruza os braços. — Desculpa, mas eu vou ser obrigada a discordar de você.

— Por quê?

— Porque você tá tendo a oportunidade de fazer faculdade. Sua mãe deixou dinheiro pra você, trabalhou décadas pra você não passar perrengue e agora você vai largar tudo assim?

— Você tá me chamando de fraco? Ah, já saquei então! Você vai ficar com vergonha dos seus pais, né? Você, advogada sendo namorada de um Zé Ninguém que na cabeça deles é burro porque não se esforçou na vida. Como se diploma fosse tudo.

— Não distorce o que eu tô falando, Jimin! Na minha família, eu sou a única pessoa que faz faculdade! Sabe o quanto meus pais queriam ter tido essa chance na nossa idade? Eles não conseguiram! Eles tiveram que trabalhar desde cedo, tinham que andar mais de 4 km a pé todo dia pra chegar na escola, tinham que carregar o material num saco de arroz e usar prego no chinelo! Você tá falando parecendo que é o fim do mundo! Existe interney, faculdade EAD, professor particular! Olha, sinceramente: acorda!

Alice sai na direção da área de servico, batendo os pés. Yoongi e eu piscamos forte quando ela fecha a porta.

O peito do Jimin sobe e desce rápido e ele corre pra varanda.

Yoongi segura as mãos dele enquanto eu abraço a Alice.

18h, todos voltamos pra sala.

Alice e Jimin fazem bico um pro outro, mas se deitam num colchão inflável. Yoongi e eu ocupamos o outro.

— Desculpa não ter falado parabéns — sussurro —, eu sabia que você ia passar, gatinho!

— Tudo bem, eu sei que você ficou triste pelo Jimin e não queria atrapalhar o momento triste dele. — Yoongi me dá um selinho. — Obrigada por ter me esperado.

— Ai, você é muito o gatinho da minha vida. Vem aqui, vem! — Encho sua bochecha de beijos e a gente rola pelo colchão, rindo.

Jimin assobia. — Cês esqueceram que tem gente aqui?

Yoongi fica vermelho e conserta a postura.

— Casal feliz morre mais cedo!

— E gente amargurada morre engasgada pelo próprio veneno — canto.

— Sou mesmo!

— A premiação vai começar! — Alice diz, entre dentes.

Apresentam categorias que eu nunca imaginei, mas os olhos do Yoongi se iluminam a cada segundo que passa. Entrelaço nossos dedos e apoio a cabeça no ombro dele.

Quando chega a vez dos indicados na categoria de Design Revelação, aplaudo a foto da Rosé. Ela aparece na mini câmera e os flashes refletem no cabelo escuro dela. O babyliss ficou lindo.

— E o prêmio de Design Revelação vai para…

A moça abre o envelope vinho.

Cruzo os dedos.

— Rosé—

Grito, saltando do colchão.

A mulher ainda está falando o nome da Rosé enquanto eu sacudo Yoongi pelos ombros.

— …Harper-Charlotte-Eleanor-Park.

— Ela ganhou! Ela ganhou! Uhul!

— Sim! — Yoongi sorri.

Jimin e Alice estão abraçados.

— Eu sabia! Eu sabia! — Alice ri no meio das lágrimas.

Jimin funga outra vez. — Eu ainda tô bravo, mas eu tô feliz!

— Silêncio, gente — Yoongi diz —, ela vai discursar!

Rosé se posiciona no centro do palanque.

Raspa a garganta.

E diz:

— COSTARÉ!

Uma salva de palmas soa.

— Quero dedicar esse prêmio pra todos os meus amigos bonitos. Bom, de bonito só tem o meu namorado Namjoon, mas abafa o caso! Eu não vou ficar aqui firulando e falando de mil pessoas e blá, blá, blá, mas acho importante agradecer a todas que fizeram isso ser possível. Obrigada, pai e mãe por terem feito eu querer ir contra a vontade de vocês de fazer Medicina. Foi querendo provar que vocês não sabiam de nada que eu descobri que amava ser Design de Interiores. Obrigada também, Márcio, por ter me pedido pra criar sua suíte idêntica a do Stardoll e ter me feito chorar copiosamente. Como uma coisa consegue ser tão besta e ao mesmo tempo tão triste? Eu não sei. Talvez essa seja a magia da vida, né? Tentar. Tentar. E tentar. Depois conseuir sem saber como. Chegar tão longe e ainda sentir que você tá no meio do caminho. Talvez seja um caminho infinito, mas são as pessoas que você encontra por ali que te fazem ver que ainda vale a pena viver. Criar. E inspirar. Eu não acredito que tô chorando e falando esse monte de breguice em público, acho bom vocês deletarem esse vídeo. É isso! Obrigada!

Limpo o rosto e desligo a TV. No grupo do WhatsApp, Namjoon mandou um vídeo chorando e gravando a tela do notebook.

Jimin comenta que ele finalmente foi assumido.

Abro o Instagram e marco a Rosé na minha selfie com Yoongi, Jimin e Alice sorrindo atrás de mim. “A gente sabia que era seu!”.

No perfil da Rosé no TikTok, ainda tem fãs da Kira Diniz comentando.

COMPROU O DESIGN+ AWARDS?

DESIGN REVELAÇÃO DE QUÊ? CARNE DE CACHORRO?

ABRE O OLHO ANTES DE SEGURAR O TROFÉU

O NOME DO TAMANHO DESSA SUA CARA DE PAU, XING LING!

VABAGUNDA, ROUBOU O PRÊMIO DO FÁBIO!

DORMIU COM O ORGANIZADOR, FOI? SÓ ASSIM PRA VC CONSEGUIR!

SEUS POIS DEVEM TÁ MORRENDO DE VERGONHA DE VC, ERA PRA TER VIRADO MÉDICA, NÃO TER FEITO ESSES DESIGNS HORRÍVEIS!

Yoongi aumenta o volume da TV e me puxa pra varanda.

Alice e Jimin rindo e pedindo desculpas um pro outro no sofá.

Yoongi me pega no colo e corre comigo pela sala.

Caio no colchão. — Um dia vai ser você, gatinho. Melhor Arquiteto. Melhor beijo. Melhor tudo. Meu amor.

Ele deita a cabeça no meu peito e ronca.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.