Anymore.
2 Capitulo 2
Notas iniciais
Desci metade da escadaria e sentei em um degrau, observando tudo pelos espaços do corrimão. Eu ainda achava melhor que Oliver não aparecesse por lá... Pela cara séria dos homens de terno... Aquilo não era nada, nada bom.
Vi quando Oliver entrou desesperado pelas portas, correndo até o primeiro oficial que viu, perguntando pela loira, a tal Felicity... Mas o homem não respondeu.
–Precisamos que venha conosco Sr. Queen. – Foi tudo o que ele disse numa voz fria... Um aperto passou pelo meu coração.
Eu me sentia tão pequena e inútil naquele momento...
–Me disseram que tinham notícias da Felicity! _-Oliver pergunta sem se importar com a frieza dos guardas... ele parecia totalmente transtornado.
Eu sabia no que ele estava pensando agora... Eu também estava com esse medo... Eu só esperava, pelo bem de Oliver, que nós não estivéssemos certos.
Oliver enlouqueceria se Felicity morresse.
Eu não a conhecia muito bem, e não fazia ideia do relacionamento deles... mas eu via como ela o olhava, e eu via como ele parecia se preocupar com ela, cuidar dela... Via como não importava o que estivéssemos fazendo: se Felicity ligasse ele corria para atender. Eu via até mesmo como ele sempre parecia querer a seguir quando ela se afastava. Estavam juntos na maior parte do tempo, tanto que eu até cheguei a pensar que namorassem ou algo do tipo... Mas então Sarah chegou... e tudo ficou confuso para mim.
De qualquer modo, fosse como fosse, estava mais do que claro que aquela mulher era muito importante para ele... e após perder nosso pai, passar pela experiência terrível que ele devia ter passado na ilha, perder seu melhor amigo e toda a confusão com a mamãe...
Deus! Quando aquilo ia acabar?
Busquei Oliver com o olhar, mas ele já partia com os policiais... Secretamente eu cruzei meus dedos, rezando para que Felicity estivesse bem... Por Oliver.
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–O que está acontecendo? –Repeti a pergunta que fazia desde o início da viajem, e novamente fui ignorado.
Eu estava em uma sala que era, infelizmente, familiar para mim: A sala de interrogatório da polícia de Starling City.
O homem à minha frente observava algo no celular, cabelos e olhos castanhos, parecia ter para lá dos quarenta e suas pernas estavam displicentemente esticadas sobre a mesa. Eu não o conhecia... o que era estranho visto que eu conhecia praticamente todos os polícias da cidade.
Ele parecia nem estar ciente da minha presença... e eu não tinha tempo para isso.
O sangue fervia na minha cabeça, mas me esforcei, tentando ficar calmo... Eu sabia muito bem que agir impulsivamente nunca era uma boa ideia... porém nada ali fazia sentido! Felicity tinha desaparecido e eles pareciam saber de algo... Porém não deviam fazer ideia do meu relacionamento com ela, então... Porque eu estava ali?
–Posso falar com o detetive Lance? –Pedi, Lance me explicaria... Pelo menos era o que eu esperava.
– Porque, ele é seu cumplice? –O homem perguntou subitamente parecendo interessado.
– O que? –Perguntei confuso, mas uma parte de mim já imaginava... Eles deviam estar suspeitando novamente que eu era o arqueiro, e descobriram nossa ligação... agora tudo o que queriam eram provas, e Felicity tinha algo a ver com isso... –Eu só quero saber o que estou fazendo aqui! –Pedi irritado.
–Não faz ideia? –O homem perguntou irônico, eu então me fingi de desentendido.
–Eu só queria saber se tinham notícias sobre a Felicity... — Avisei confuso, o que eu até estava, na verdade.
–Porque deveríamos ter notícias sobre ela? –O policial perguntou ceticamente, aquilo estava me irritando.
–Foi por isso que me trouxeram não? Para dizer que a acharam... – Eu estava começando a temer.
–E onde exatamente deveríamos acha-la? –O homem perguntou, ele me analisava profundamente, e havia algo que eu realmente não gostava em seus olhos, uma malicia...
Eu não tinha tempo para isso.
–Se não a acharam... Porque eu estou aqui? –O que diabos estava acontecendo?
–Eu não sei... Porque você está aqui? – O homem revidou com um sorriso maldoso.
–Eu não tenho tempo para isso... –Eu já estava ficando irritado.
–Porque não Sr. Queen? Precisa ser rápido para se encontrar com a Srta. Smoak? –Ele perguntava se aproximando de mim, seu tom era lento, sinuoso... eu não estava gostando nada daquilo, e eu já não fazia ideia do que acontecia.
–Eu... Eu não...
–O que, vai dizer que não sabe onde ela está? –O homem perguntou revirando os olhos, voltando a se encostar na cadeira.
–Eu... não entendo. –falei por fim, minha cabeça começava a doer... eles sabiam ou não onde Felicity estava? E o mais importante, ela estava ou não estava bem?
–Não entende... Me diga... –ele então olhou no papel a sua frente, uma aparente pasta de arquivos de polícia. –Oliver... posso te chamar de Oliver? –Perguntou olhando para mim sem muito interesse, não me dei ao trabalho de responder. –Pois bem... Quando foi a última vez que viu a Srta. Smoak?
Eu sinceramente não sabia o que dizer. A última vez que a vi, foi na caverna, mas isso era extra oficialmente... Oficialmente eu havia a encontrado a 3 dias atrás, em uma sexta feira, no escritório... Porém, eu não fazia ideia do porque ele queria essa informação... Para provar que eu era o arqueiro, ou realmente ir atrás de Felicity? Nada fazia o menor sentido...
–Porque... Você quer saber? –Perguntei por fim.
–Ah algo errado? Não pode me contar? –O homem perguntou com as sobrancelhas flexionadas, como se estivesse confuso... porém eu podia ver claramente o sorriso sádico que ele mostrava entre os lábios...
Tudo o que eu queria é que ele parasse de enrolar. Enquanto ele jogava Felicity podia estar em perigo lá fora, ou perfeitamente a salvo em algum lugar que só aquele homem saberia dizer... mas porque ele simplesmente não falava?
–Onde ela está? –Perguntei por fim.
–Então você não sabe? –Ele perguntou, voltando ao seu tom traiçoeiro.
–Não. –respondi prontamente.
–E desde quando deu falta dela?
–Desde o momento que ela não apareceu para trabalhar hoje à tarde. –Menti.
–Então... você só a vê no trabalho? –Seu tom deixava claro que aquilo era uma armadilha, mordi meus lábios, eu precisava pensar rápido, porque ele estava fazendo aquelas perguntas? O que ele sabia?
–Não. –Respondi por fim.
–É mesmo? E onde mais se encontram? –Ele perguntava parecendo totalmente satisfeito com o rumo da conversa, os braços cruzados, tranquilamente encostado na cadeira, parecia relaxado até demais.
–A menos que me diga o motivo dessas perguntas eu acho que eu deveria chamar um advogado. –Me irritei.
–Porque, fez algo errado? –Ele se divertia, eu senti uma imensa vontade de literalmente quebrar a cara dele, mas me controlei.
–Qual é o seu ponto? –Repeti a pergunta.
–Qual é o seu relacionamento com Felicity Smoak? –Então... Aquilo era sobre ela?
–Ela é minha secretária. –Respondi friamente, eu não gostava daquele cara, não gostava de como ele falava comigo.
–Só isso? –Ele perguntou se fingindo de desinteressado... O que realmente ele queria saber?
–Ela também é minha amiga. –Meu tom era sério, eu estava tenso... Qual era o ponto daquilo tudo?
–Amiga a ponto de você notar caso ela desapareça por... Digamos... mais de dois dias? –ele pergunta olhando para o teto, como se tudo fosse realmente casual e hipotético.
–Onde ela está? –Perguntei friamente, aquilo já havia passado dos limites.
–Eu não sei Oliver, você não devia saber? Sendo amigo dela? – Ele perguntou se fingindo de confuso, quem diabos era aquele cara?
Sem conseguir me conter me ergui da cadeira, eles não tinham me dado voz de prisão, eu não precisava ficar ali.
–Mas... me diga uma coisa Oliver... –O homem começa, como se estivesse apenas continuando uma boa conversa interrompida, sua voz me impediu de sair. – A mãe de Felicity, que como você deve saber mora a mais de 800 quilômetros de distância da filha, pôde notar o desaparecimento dela... Então, como um amigo, que pelo que a mãe dela pôde me dizer é um dos poucos e mais próximos a Srta. Smoak, você notou, ou não notou que ela havia sumido, antes dessa segunda feira?
–Eu não tinha certeza, não somos assim tão íntimos. –Respondi com o maxilar trincado.
–Não? Então... Não estávamos juntos na sua boate sábado à noite? –ele perguntou, novamente se fingindo de confuso.
–Qual é o seu ponto? –Minha pergunta soou mais como uma ordem.
–Bom... sendo amigo dela, deve ter deixado ela em casa... ou ligado para ver se ela tinha chegado bem... Não ficou preocupado quando ela não atendeu? –ele começou, como ele sabia de tudo aquilo?
–Eu... pensei que ela não quisesse falar comigo. –Fui sincero.
–Então, vocês brigaram naquela noite? –ele perguntou.
–Qual é seu ponto!? –me irritei.
–Na sua empresa, seu segurança... Sr. Diggle certo? Os outros seguranças comentaram que ele estava preocupado, em busca de notícias sobre a Srta. Smoak... Ele também é amigo dela não?
–Sim.
–Então... se ele notou o desaparecimento dela, suponho que você também tenha notado certo? –ele continuava.
–O que quer dizer com isso? –Eu sentia novamente a raiva me subir à cabeça, eu não estava entendendo o que acontecia, mas sabia que não estava gostando do rumo da conversa.
–Porque não chamou a polícia? Porque nenhum dos dois deu queixa do desaparecimento dela? –Ele me ignorava, parecia nem estar falando comigo, apenas pensando sozinho.
–Porque, como eu já disse, pensamos que ela não queria falar comigo, e, como Diggle trabalha para mim, ela também evitaria de entrar em contato com ele também. –Respondi irritado, começando a entender o que ele queria com aquilo.
Ele riu com escarnio em resposta a minha defesa.
–O que foi? –perguntei novamente com os dentes trincados.
–Pode tentar usar isso no tribunal. –Ele falou simplesmente, me virei para ele, eu não sabia se me sentia confuso, irritado ou temeroso... mas acho que o que eu mais sentia mesmo era raiva.
–O que quer dizer com isso?
–Quero dizer que tenho testemunhas que te colocam entrando naquela boate com Felicity Smoak, até mesmo uma gravação de transito mostrando você em uma moto com ela, e quero dizer que tenho diversas testemunhas que garantem não ter te visto dentro da boate, e, o mais perturbador, diversas testemunhas que te viram sair sozinho, e que não viram, em momento algum, Felicity Smoak sair... Então, eu pergunto para você Oliver, onde está Felicity Smoak? –ele pergunta cruelmente no final, mas eu estava chocado demais para responder.
Senti ele me virar de costas e me empurrar sem muito cuidado contra a parede, mas eu não conseguia fazer nada, eu estava tendo sérias dificuldades para processar tudo aquilo.
–Oliver Queen, você está preso pelo desaparecimento e provável assassinato de Felicity Smoak, Tem o direito de ficar calado e tudo o que disser poderá e será usado contra você no tribunal.
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