Notas iniciais
Essa é a primeira fic Destiel que escrevo e que acho estar boa o suficiente para compartilhar com o mundo. Espero que gostem de lê-la o tanto que estou gostando de escrevê-la.

Boa leitura!

O dia amanheceu como qualquer outro dia de trabalho: monótono e repetitivo. A brisa que soprava e refrescava a manhã parecia, ao homem, tão igual à do dia anterior quanto as cores de suas toalhas rigorosamente brancas. O canto dos pássaros soava exatamente como antes, porque Dean Winchester não reparava em detalhes. Sua vida era monótona, assim como sua visão da natureza.

Comeu os mesmos ovos mexidos, acompanhados de duas fatias de bacon, que seu irmão preparava todas as manhãs antes de sair para o escritório de advocacia em que trabalhava de segunda à sexta. Lavou o prato de louça branca e a caneca negra, em que tomara o café, na pia de mármore igual a todas as outras, com a mesma torneira metálica, de todas as casas que já conhecera. Vestiu uma peça de terno igual a cem outras guardadas no guarda-roupa de mogno semelhante ao do quarto de Sam; calçou seus sapatos sociais pretos iguais a de todos os outros colegas de trabalho; e fez o mesmo caminho "quarto-sala-garagem" antes de sair da casa de dois andares e de paredes brancas que havia herdado de seus pais e dividia com seu irmão.

A única coisa diferente na vida de Dean era seu carro. Um Impala 67 preto, conservado, que fora comprado pelo pai alguns anos antes de Dean nascer. O homem era apaixonado por aquela máquina.

O trajeto até o grande prédio da Chevrolet durou os mesmos quinze minutos rotineiros e sua vaga como CEO estava garantida ainda no terceiro piso de estacionamento, próxima ao grande elevador de vidro que levava diretamente à sua sala, no décimo quinto andar, com as mesmas paredes de vidro de metade das salas de reunião do prédio, dando vista para a enorme, ainda assim repetitivamente parecida todos os dias, Lawrence.

A pilha de documentos tinha o mesmo tamanho todos os dias e nunca chegava a diminuir. O tom das ligações que recebia de acionistas era sempre de preocupação. "Mas e se o novo carro não fizer sucesso? E se não for vendido? E se a empresa for à falência?" eram as perguntas que recheavam essas ligações. Dean nunca cursara economia, mas tinha certeza que demoraria muito para falir uma empresa como a General Motors. Uma grande potência não cai de um dia para o outro.

Por volta da hora do almoço, quando já preparava o dinheiro para o entregador que traria sua refeição, sua assistente bateu à porta, anunciando uma carta do CEO da General Motors, endereçada a ele e com um carimbo de "urgente" no envelope branco padrão da GM. Dean suspirou e logo soube que aquele seria um dia longo. Agradeceu à dedicada secretária que secretamente — ao menos, ela achava que era secreto, mas seu chefe já estava ciente — desenvolvera um amor platônico pelo loiro e sabia que ele nunca retribuiria.

O Winchester sentou-se na grande cadeira almofadada, forrada com couro negro, defronte à mesa de carvalho que sustentava seu trabalho e abriu o envelope com cuidado. Na caligrafia de Carver Edlund, estava escrito claramente que os CEOs das empresas Chevrolet, Buick, Cadillac e GMC deveriam, até a próxima semana, reportar à General Motors a contratação de um profissional para exercer o cargo de Vice-presidente e, em anexo, seguia uma lista de recomendações específicas para a Chevrolet. No topo da lista, estava o nome de Samuel Winchester, caçula de Dean, já empregado na Promotoria de Justiça e que não aceitaria o trabalho. O primogênito aproveitou a caneta preta que balançava entre os dedos para cortar o nome do irmão da lista. O segundo nome era de Castiel James Novak, um economista formado em Harvard com excelentes precedentes, atualmente empregado na New York Stock Exchange. Com um apertar de botão, Dean ordenou que fosse marcada uma entrevista com o tal, para que, pessoalmente, o CEO determinasse se seria capaz de lidar com a personalidade de um formado em Harvard — que tendem a ser autoconfiantes em excesso e até egocêntricos, pessoas que Dean não era capaz de aturar.

O terceiro nome era de Fergus Roderick MacLeod, um empresário que tivera seu sucesso na Escócia junto à esposa Rowena MacLeod — o quarto nome na lista — em uma empresa de tecnologia automotiva que falira devido aos invernos congelantes, que tornavam impossível a movimentação de carros. O prognóstico desses dois últimos candidatos à vaga não era muito bom, mas o Winchester devia dar uma chance, para a manutenção de seu posto na grande empresa.

Até o fim do dia, todas as três entrevistas estavam agendadas: a de Castiel para o terceiro dia da semana e a dos MacLeod para o quarto.

Já eram oito horas da noite quando Dean finalmente encerrou seu expediente. Organizou as pilhas de papel para o dia seguinte antes de sair do escritório, encaminhando-se direto para sua garota, que lhe esperava na vaga marcada no terceiro andar de estacionamento.

O ronco do motor foi a trilha sonora do caminho para casa e os quinze minutos rotineiros pareceram mais rápidos. Aquela seria uma longa semana.

Notas finais
Gostaram? Comentem o que acharam!
Até o próximo capítulo!