Anuon 9999 (The Last A' prequel)
72 Entendimentos
Notas iniciais
Agora, depois de um longo tempo de intrigas, sofrimentos, ódio e, principalmente, desesperança por parte dos Anis, pai e filha finalmente estavam juntos. Todos alí ilustravam a felicidade em sua rostos, a qual estava se concretizando. Já não havia dor e sofrimento. Existia somente paz e amor, ainda que brevemente. Entretanto, diante disso, estavam cientes que não haveria paz enquanto Piece 1 continuasse com seus planos e Moonsand, ainda carregando em si o peso da culpa de existir, propôs em se aliar ao grupo de Ethan para detê-lo, custe o que custar.
Após uma longa conversa de explicações e entendimentos, Lupa havia dito onde Piece 1 se encontrava. Foi de grande ajuda, adenais. E agora que a jovem Anis se mostra arrependida de seus atos e disposta a começar vida nova, se colocou a disposição de seu pai em ajudar. A reunião se estendeu dentro do armazém, agora sem Ryoga, que voltou a sua casa, e Kenta serviu-lhes alimentos.Diana, sentada em uma poltrona, diz:
— Moonsand, acho que devemos pedir para Kenta que nos leve até seu pai.
— Sim, eu sei. Mas por hoje não. Amanhã nos preocupamos com isso.
— Hm... — Murmurrou a jovem.
— Diana... Algo errado?
— Essa história toda... Já percebeu que todos aqui estão unidos pelos menos motivos que o nosso?
— Compreendo... Porém esse que detém a alcunha de Piece 1 não era de nosso conhecimento...
— E ele tem envolvimento com meu pai. Percebeu como tudo se liga?
— Hm... Isso é curioso.
— Porque diz isso?
— Shidoshi nos criou e agora estamos prestes a destruir a criatura...
— Piece 1.
— Exatamente...
Enquanto conversavam, Ethan e Kaede deixaram o galpão, o que causou estranheza por parte de Anuon, que diz:
— Hã? Vocês dois... Onde estão indo?
— Anuon... — Disse Ethan, virando-se — Precisamos conversar Kaede e eu. Logo voltaremos. Não iremos para longe. E depois iremos pra casa, tudo bem?
— Tudo bem, mas...
— O que foi?
— Não vá fazer besteiras! Chega de brigas.
— Por isso mesmo...
E logo os dois deixam o lugar, sob o olhar preocupado de Anuon.
Minutos depois...
Bosque da cidade | 05:00 am
Antecedendo a volta pra casa, os dois jovens estavam sentados em um banco de praça no bosque, onde haviam várias árvores e um pequeno lado no meio do lugar. Ethan estava inquieto, esperando Kaede começar o assunto. Ela estava tranquila, observando pombos, que ciscavam o chão e voavam ao menor dos ruídos. Era um início de manhã agradável, fazendo com que pessoas trazessem seus filhos para brincar e passear. Após um tempo em silêncio, Kaede finalmente interage com Ethan e, de forma direta, diz:
— O que acha de Lupa, Ethan?
— Hã?! — Disse, surpreso — Eh... Bem... porque quer saber?
— Responda a pergunta.
— É uma garota bonita. Aliás, uma Humis... Bonita, mas eu sei que é uma Anis.
— Só isso que acha dela?
— Sim... Porque? Deveria ter algo a mais?
— Vocês fazem um belo casal. Já pensou nisso?
— Kaede, não comece...
— Começar o que? Você quem começou com toda essa história!
— Para com isso...
— Foi você que começou, traindo-nos com aquela sua atitude!
— Atitude?! — Disse, um pouco nervoso — Ora, eu não queria que ela me desse aquele beijo! Era uma situação fora do meu controle!
—E porque não a evitou? Porque não recuou do beijo? Você gosta disso, não?
— Kaede... Não acredito que você está dizendo isso... P*rra! Eu fui assediado por ela! Não percebe?
— Porque não a agrediu? Porque não lutou por sua honra?
— Eu nunca que iria usar de brutalidade com uma garota, por mais que seja atrevida! E mesmo ela sendo uma Humis... Kaede, eu fui assediado! Eu sou a vítima aqui!
— Sei... Você sendo um rapaz, cortejado por uma linda jovem, conseguindo controlar seus hormônios... Tudo bem, Ethan. Acredito...
Ethan, irritado, se levantou, mostrando-se muito nervoso com Kaede. Ela o olhava da mesma forma, com um semblante fechado e não faço sinais de que iria reconsiderar. Ethan até iria embora, havia dado as costas a ela, porém Kaede diz:
— Estou vendo que está se sentindo culpado. Não é pra menos, pois qualquer um fugiria de uma discussão dessa caso estivesse errado. Reconheça Ethan, você nada quer com seu dever. Quer é ficar só com a lobinha, não é?
E ele vira-se na direção de Kaede e diz, muito nervoso:
— CALE-SE, KAEDE!
— Saiu da jaula, é? Gritando comigo assim é porque o homem em você acordou...
— Você passou dos limites!
— Ora... e o que vai fazer? Me bater? Reconheça Ethan...
— EU NÃO SOU COMO DIZ! PARE DE FALAR ESTAS COISAS!
E ela, se levantando bastante brava, gritou:
— MAS É A PURA VERDADE! SEU DEVER COM TODOS AQUI NÃO PASSA DE UM ESTORVO PARA QUE CONSIGA VIVER EM PAZ COM A SUA AMADA! RECONHEÇA. OS SACRIFÍCIOS, AS PROVAÇÕES QUE PASSAMOS... TUDO ISSO NÃO TEVE SERVENTIA NENHUMA! VOCÊ NUNCA CONSEGUIU ESQUECER LUPA E AGORA A ÚNICA COISA QUE O IMPEDE DE SER FELIZ COM LUPA SOMOS NÓS!
— O que?! Kaede... Você...
E Ethan começa a esboçar choro. Logo seus olhos começam a ficar úmidos. Lágrimas saíam de seus olhos, evidenciando sua desolação com a atitude rude de Kaede. Seu olhar mostrava que não acreditava no que ouvira anteriormente. A jovem, observando o pranto de Ethan, logo diz:
— É pesado, não? Suas escolhas... Eu sabia, Ethan: você sempre foi o mais fraco entre nós.
— Não imaginava que pensasse isso de minha pessoa, Kaede. Eu nao sou o que disse Nunca iria deixar meus amigos para trás por causa de um romance...
— Pff... Perdedor...
— Cale-se...
— Novamente me mandando calar a boca? Idiota...
— Você não sabe de nada... NÃO SABE DE NADA!
— Se gritar novamente comigo, eu juro que...
— O QUE? VAI ME BATER? VAI ENTÃO, KAEDE, MANDA VER!
Kaede então executou um soco no rosto de Ethan, que vai para trás, aceitando o golpe. Mas o jovem, com um sangramento em seu nariz, diz:
— EU AINDA ESTOU DE PÉ E RESPIRANDO! VAI! ME BATE!
— Idiota... Para de gritar comigo!
— NÃO! EU NÃO VOU, SUA IMATURA!
— O que? Você pensa que está falando com quem, seu idiota?
— Com a garota que não sabe ficar de boca fechada e não ver o meu lado!
— Ver o seu lado?! Haha... O que devo ver? Que você se envolveu numa guerra onde você não tinha nada a ver? Ou será que você quer constituir família com um monstro?
— VOCÊ NÃO SABE DE NADA!
Bastou Ethan gritar de forma mais ríspida com Kaede para que a jovem executasse um forte chute em sua barriga, o fazendo ir ao chão. Com o rapaz tentando puxar ar e sentindo fortes dores, ela diz:
— Você não tem mesmo apreço por nada. No que você se apoia? Diga!
— Eu... Eu só quero... fazer o certo.
— Fazer o certo?
Ethan, se levantando, limpava sua boca que estava suja de sangue, dizendo:
— Eu errei... e eu pedi desculpas. Eu errei outra vez, mostrei que fui um idiota... mas eu pedi perdão... Eu estou o tempo todo tentando fazer o certo e sempre fracasso... porém eu sempre mostrei ter vergonha na cara e admitir que errei...
— Ethan... — Disse Kaede, o olhando nos olhos.
— Você tem todos os motivos pra me odiar. Eu não tenho moral alguma pra falar contigo, mas eu sempre vou te respeitar... mesmo que você não tenha respeito por mim. E eu sei... Te dei motivos... MAS EU NÃO SOU UM COVARDE!
— Ethan...
— Você nunca me perguntou como eu vivo... Só fica o tempo todo nessa de rivalidade! VAI PARA O RAIO QUE PARTA, KAEDE! Eu nunca fui de competir com você... Eu não te vejo como uma rival! E você vive me chamando de fracassado, idiota e de tantos outros nomes ruins... EU NÃO QUERO LUTAR CONTRA VOCÊ! Garota... Escuta... Eu não me sinto bem gritando com você.
— Ethan, você... — Tentou dizer Kaede, mostrando constrangimento.
— Tudo que estou dizendo agora é o que pensa de mim! Caramba... estive perto da morte várias e várias vezes, treino feito um samurai que vai a guerra, tento salvar a vida de todos a minha volta... E VOCÊ VEM ME DIZER AGORA QUE NÃO PASSO DE UM EGOÍSTA MULHERENGO? EU ARRISQUEI A MINHA VIDA POR VOCÊ NAQUELA MANSÃO! E FARIA TUDO OUTRA VEZ, MAS PARA AQUELA KAEDE DETERMINADA A ME MUDAR E NÃO ESSA COM QUE FALO AGORA!
— Do que você... — Tentou dizer, sendo interrompida.
— EU TE ODEIO, KAEDE! — Gritou, dando as costas para Kaede.
E assim o fez: Ethan simplesmente deixou Kaede para trás, com a jovem confusa dizendo:
— Ethan?! Es-espera... Você está mesmo falando sério?
— DANE-SE O QUE QUER DIZER. A PROPÓSITO, JÁ DISSE! E DEVE AGORA ESTAR SE SENTINDO MUITO BEM!
E o rapaz retira-se rapidamente do local. Mesmo assim, Kaede vai a seu encalço.
A jovem percebeu.
Ela ignorou tudo que Ethan fez até agora.
E com isso o magoou.
Se existe algo pior que feridas pelo corpo são feridas na alma.
Elas se tornam estigmas, que não fecham e guardam consigo rancor.
E, com isso (o rancor), um ódio começa a consumir a pessoa...
Ou a depressão a destrói lentamente, com uma dor absurda.
O que Kaede disse foram palavras duras e sem noção. Magoaram Ethan profundamente. Ele não esperava que fosse sentir tamanha dor por insinuações e palavras infelizes. Kaede portou-se com uma arrogância exagerada, julgando alguém por um erro tão banal quanto um beijo.
Sim, aquele beijo que Lupa aplicou em Ethan foi o estopim de tudo que Kaede recentia em sua mente. Um desabafo pelo que sente, mas que não soube se expressar direito. Com o seu comportamento imaturo, acabou ferindo Ethan em seu ego... sua alma... e sua honra.
Teria mesmo a jovem colocando a perder sua amizade com Ethan? Ela levaria lista frente tudo que disse?
Porém ainda havia algo em Kaede que faria mudar esse cenário...
E quando Ethan iria sumir a sua vista, ela gritou:
— NÃO, ETHAN! PARE!
E com seu apelo desesperado, Ethan volta e se aproxima de Kaede, mas com um olhar distante. A garita, por agora ter uma chance de consertar as coisas, diz:
— Eu... Eu errei...
O olhar tênue de Ethan mostrou que o estrago era muito maior posta Kaede, que continuou:
— Sabe, muito momentos passamos juntos e perdê-o desta forma só iria causar mais dor em nossas vidas. Nossa... Eu te agredi... Te tirei sangue... Eu preciso mesmo te pedir... — Tentou dizer Kaede.
— Você acha que será fácil engolir o que disse a mim? Kaede, aquilo doeu! Juro por minha alma que se pudesse mudar as coisas, faria sem pestanejar.
— Eu sei, Ethan. Você... Ah... Bem... Você é maravilhoso, como Kitsune disse. Por mais que a situação estaja fora de seu controle, sempre consegue sair dos maiores problemas.
— Eu entendo seu raciocínio e nada tenho com Lupa, caso queira saber. Ela estava obsecada por mim e não seria prudente de minha parte ficar ignorando o que ela sente por mim. Ela tem poderes fora de nossa compreenção e estava sob risco de vida durante aquele beijo... Lupa pode perceber o que a pessoa sente num simples olhar e o que veio a minha cabeça foi aceitar o beijo.
— Ethan...
— Foi providencial a sua chegada naquele momento! Pena ter magoado você
— Ah... Hã?! Aquilo... — Tentou fugir ao assunto — Não me magoou...
— Como não? Só faltou que saísse fogo de sua boca e quase quebrou o meu braço.
— Não... aquilo foi... Ah, esquece!
— Mas eu não entendo...
— Esquece, Ethan! Eu... Eu preciso mesmo te pedir desculpas...
— Desculpas?
— Dessa vez eu peguei muito pesado com você e... Eu não deveria ter dito absolutamente nada do que disse a você. Estou sendo uma egoísta ao pensar que você me deve algo e... Eu não tenho poder algum pra te julgar.
— Kaede... — Disse, se aproximando da jovem.
Ethan o fez porque a abraçou forte em seguida. Por todo o estresse que a situação trouxe, os ânimos estavam mesmo tirando a razão de todos e Kaede reconheceu que estava arrependida por tudo que disse. E a garota, ainda o abraçando, diz:
— Você aceita as minhas desculpas, Ethan?
— Sim, é obvio... mas eu também devo me desculpar, pois também fui rude com você. Disse que a odiava e não é verdade...
— Estava nervoso comigo... É compreensível sua revolta.
— Bem, melhor irmos para nossas casas. Eu nem tenho ideia de como vou explicar aos meus pais por onde andei... Devem terem indo em delegacias, hospitais etc. atrás de mim... Bem, até mais tarde na escola, Kaede.
— Até, Ethan! E desculpe-me mais uma vez.
— Não esquenta! Está tudo bem agora.
E enfim Ethan novamente agiu usando de sua razão para mostrar a um aliado que está fazendo o que pôde pra resolver tudo. Porém, ao observar Ethan indo embora, um brilho diferente nos olhos da jovem deixou uma fagulha acesa.
Algo a mais, que não foi compartilhado...
Uma coisa mais... direta.
Horas depois...
Galpão abandonado | 09:00 am
Depois de conversarem em uma das salas improvisadas do lugar, Moonsand se levantou e foi ao encontro de Kenta. Entretanto, para sua surpresa, o lobo não o havia encontrado em lugar algum e, irritado, diz:
— Grr... Onde está o humano?
— Moonsand, está tudo bem? — Disse Diana, andando com cuidado.
— Ele... Ele sumiu.
Continua.
Fale com o autor