Antriostatem
5 Uma nova vida começa
POV: Harley
–Você também não me é estranha…
–Você já morou no Brasil?
–Já, em São Paulo.
–Qual cidade?
– São José dos Campos.
–Eu também morei lá! Até os onze anos, então vim pra cá.
–Eu vim pra cá com oito… pera aí…eu lembro de você, do jardim de infancia! Meu Deus! nós éramos super amigos!
–Puta que pariu! É verdade! Que foda!
–Pois é!
–An.. gente? Eu ainda to aqui… -disse Ana
–Ah, foi mal, mas você viu o quanto isso é magico?
–Tá, Ley, acho melhor você descansar, eu e a Aline vamos dar uma volta, te pegamos pro jantar mais tarde, fechou?
–Fechou, mas… eu não sabia desse seu lado Ana…
–Que lado?
–Desse de você querer ficar a sós cm a Aline, to sabendo…
Ela me olhou com uma cara furiosa:
–Vai se foder seu bosta!
–Também te amo, mas, vai com calma em…
–CARALHO! Por que eu sou sua amiga mesmo?
–Por que eu sou encantador?
–TCHAU!
–Té mais.
E elas saíram, eu estava sozinho, agora tinha tempo pra parar pra pensar no que tinha acontecido hoje, meu Deus, eu não tinha ideia de que ia me adaptar tão bem afinal.
Adi estava mesmo morta? Eu sentia que isso não era verdade, é como se eu conseguisse sentir a vida dela ainda ativa. Fiquei uns minutos pensando nos velhos tempos com Adi e Ana e acabei pegando no sono.
Tive os mesmos sonhos tensos que eu tinha.
No sonho eu estava de volta ao Brasil, devia ser meu ultimo ano lá, o ano em que conheci Ana e o ano em que nossos pais vieram para Los Angeles. Era meu primeiro dia de aula, mas dessa vez eu via coisas que naquele dia eu não tinha visto. Enquanto eu caminhava para dentro da escola uma sombra, sem ser a minha, me seguia e do outro da rua um lobo grande e branco, com olhos prateados, será que era o Lobo da minha família? Mamãe disse que ele sempre me protegeria. A sombra avançou em cima de mim, mas antes que ela encostasse em mim o lobo saltará e estraçalhou-a com a boca, e eu entrei na escola, tranquilo, como se nada tivesse acontecido.
Acordei com Ana me sacudindo:
– Ô garoto, acorda peste!
– Que que você quer?
–Anda logo, tá na hora da janta.
Pulei da cama, peguei um casaco que estava na cabeceira e vesti:
– Anda logo menina.
– Eu realmente NÃO SEI porquê sou sua amiga.
– Porque você me ama, agora, vamos.
Ana me guiou por um labirinto de ruas, Aceldama era realmente gigante, chegamos à um prédio grande com portas duplas, que estavam abertas:
– Esse é o refeitório. Bem legal né?
– Aham -Eu estava tão alucinado coma beleza do lugar que isso saiu parecendo um resmungo.
Entramos e já fomos para fila, pegamos nossas bandejas e fomos servindo. A variedade era tanta! Comidas brasileiras, japonesas, francesas, russas, de todos os lugares do mundo. Eu precisava comer um pouco de cada!
– OIII GENTE!!! -Era Aline
– Oi Aline!!! -Eu e Ana falamos aos mesmo tempo
– Me chamem de Line, Aline é muito cansativo de falar. -Rimos um pouco
– Pode me chamar de Ley também, normalmente só meus amigos mais íntimos me chamam assim, e isso vale pra você! Bem-vinda ao time dos retardados geeks, eu e Ana somos os presidentes!
– Acho que consigo me ajustar, hahaha.
Sentamos e comemos, revivendo momentos, contando histórias, rindo muito, tendo um dos melhores momentos, era uma sensação tão boa, estar com meus melhores amigos, coisa de que sentia falta. Afinal, eu havia me afastado de um amigo, sem motivo algum, simplesmente nossa amizade se esvaiu, acho que foi pelo fato de ele ter se mudado pra Washington D.C.
A janta tinha acabado, Aline nos levou a uma grande colina, la de cima dava para ver a cidade toda, arquitetura vitoriana, lagos, pontes, luzes, pessoas, animais, armas, cavaleiros, parecia que eu tinha entrado em um RPG. Aquela colina era linda, a brisa batia em nossos rostos e nós não conversamos, apenas aproveitávamos a vista e o momento, as estrelas já estavam altas no céu, a lua, crescente, e mais brilhante do que no meu mundo. Eu estava no mesmo mundo? Ou em outra dimensão? Quebrei o silencio com essa perguntas:
– Ainda estamos na Terra? Ou em outras dimensão?
– Boa pergunta, são mundos diferentes, as únicas formas de vir para cá é pelos portais, ou feitos através de encantamentos ou os portais naturais que têm espalhados pelo mundo, na estatua da Liberdade, no Cristo Redentor, nas ruínas de Machu Pichu e em vários outros lugares, cada país deve ter em media uns cem portais ou mais.
– Que top! Parece que entrei nos meus livros! É um sonho virando realidade! Isso seria muito chato se a Ana não fosse… Qual o nome mesmo?
–Antriostatem.
–Isso! Aliás, você pode nos contar a historia da nossa “raça”?
–Beleza, nós nascemos no mesmo tempo que os humanos, quando o Rei dos reis nos criou, cada Clã tinha seus reis, e tinha o Rei, que foi quem criou todos os clãs, por exemplo: o primeiro Fukashi foi Gigoshi Fukashi, meu clã é o rei dos clãs japoneses, o símbolo de todos os clãs japoneses são cervos, mas as raças mudam, cores e características. Mas os dos clãs reis são sempre os mesmos, ou branco com olhos prateados ou preto com olhos dourados. Nós temos dez clãs reais, que foram os primeiros clãs criados: Lewis O Lobo, Pureblue O Tigre, Fukashi O Cervo, Gaaseenbeck A Pantera, Jackson A Águia, Campos A Coruja, Bravo O Urso, Wetlife O Tubarão, Rapini O Falcão e Russel O Leão. No princípio de tudo, eram onze clãs e não dez, mas o décimo primeiro clã foi banido por ceder sua descendência as trevas, Smith A Serpente.
– Smith?! Ana, é o sobrenome do James!
– Quem é James? -perguntou Aline
– Meu amigo, quer dizer, não sei mais o que nós somos, a anos que não falo com ele, é possível que ele seja um de nós?
– Se esse for o sobrenome dele sim, mas ele não é especificamente “nós” , como eu disse, os Smiths são renegados, não tem lugar em Aceldama, se juntaram as trevas e agora vivem no Limo, dimensão demoníaca a qual é nossa rival, aliaram-se aos demônios, monstros, e todos os tipos de criaturas pertencentes as trevas, deixaram de ser considerados Antriostatem, agora os chamamos de Trevoners.
– Espera! É muita informação!
– Pode crer que é.
– Então, James agora é meu inimigo?
– Temo que sim, se algum dos nossos recrutantes, como o Jeff, tiver achado ele antes do Trevoners tem uma pequena chance de ele ser do nosso lado, mas a maioria dos Smiths sempre sede as trevas.
– Você sabe mais sobre a origem das nossas famílias? Digo, minha e do Ley. -Disse Ana
– Sim! -disse Aline entusiasmada- Os clãs de vocês foram os únicos reais que surgiram no mesmo país: Brasil, por isso vocês são tão ligados um ao outro. Todo Lewis terá um melhor amigo Pureblue e vice-versa, só nós, dos clãs reais temos a habilidade de unirmos nossas almas, tipo, assim que a transição de vocês a esse mundo estiver completa vocês podem fundir a alma de vocês, então ela se tornará uma mesma alma em dois corpos.
– Espera, eu posso ter a mesma alma do Ley?
– Sim, funciona como um elo de empatia, quando ele sentir dor, você saberá, qualquer emoção que um de vocês sentir, o outro saberá. Ah, se vocês se perderem um do outro, seu corpo funcionará como uma bússola até se juntarem novamente.
– Oi?
– Tipo, vocês saberão o caminho a seguir para encontrar um ao outro. Jamais vão se separar, pelo menos não espiritualmente. Tá dando pra entender?
– Sim.
– Pois bem, a historia completa desse mundo levaria horas pra ser contada. Ah! Vocês já tem algum dom?
– Acho que eu já tenho um. -Disse Ana- mas não sei bem o que é.
– Relaxa, vocês farão vários teste até todos eles aparecerem, cada um de nós tem três, mais a habilidade de virar o animal de seu clã e falar a língua do mesmo. Meus dons são, dar vida a tudo que eu desenhar ou pintar, não importa o material que eu tenha usado, posso me camuflar em qualquer coisa e posso aprender uma língua nova apenas tocando em alguém, a pessoa pode ter apenas descendência, mas eu aprenderei a língua de sua descendência. Tão vendo essa minha tatuagem de cervo? Vocês também terão uma assim que seus dons aparecerem.
– Por que todo mundo aqui tem cabelos malucos?
– É o nosso rito de passagem, quando vocês completarem a transição terão que fazer também, recomendo já irem pensando em como vão querer.
Ouvimos um alarme vindo da cidade e todos as pessoas começaram a ir em direção aos dormitórios:
– Toque de recolher, temos que ir.
Descemos da colina, Aline nos levou ao hospital para eu pegar minhas coisas e nos guiou até o dormitório temporário, onde as pessoas sem esquadrão ficam até entrarem em um. Por sorte achamos duas camas vazias uma do lado da outra, na tinha divisória entre meninos e meninas, isso era bom, assim Ana ficaria sempre por perto:
– Ana certo? -Uma menina morena com sotaque hispânico veio falar com agente.
– Isso, oi Tati, esse é o Harley -estendi a mão para ela que apertou e disse.
– E aí, beleza? Tatiana Utia, sou a monitora do dormitório temporário.
– Muito prazer!
– Aqui -disse ela no entregando lençóis, travesseiros e cobertores.
– Obrigado
– Tenham uma boa noite. -e saiu
– Gostei dela -Disse para Ana
– Eu também.
Arrumamos nossas coisas nos pequenos armários que cada cama tinha há seu lado, quando tirei George da mala uma lagrima correu em meu rosto, o coloquei na cabeceira da cama, ajeitamos as camas e deitamos:
– Boa noite Annie.
– Boa noite Ley.
– Boa noite Adi. -Falamos juntos antes de adormecer.
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