Antipatia Mútua
1 Capítulo Único
Dio nunca pensou que sentiria algo com tamanha intensidade.
A presença alheia fazia seu sangue ferver, suas mãos coçavam com a ideia de manchar aquela pele pálida e imaculada, seu coração parecia bombear o sangue mais rápido, e sua mente só conseguia pensar em uma coisa.
Assassinato.
Todas as células do seu corpo pareciam entrar em um consenso quando o assunto era odiar aquele humano mesquinho. Sieghart simplesmente lhe tirava do sério.
Mesmo naqueles dois mil anos vagando por Ernas e se deparando com muitos humanos que conheceram a morte por sua tão amada foice, nunca nenhum conseguira lhe deixar com tanto ódio.
Desde que pusera os olhos naquele imortal de meia tijela, uma onda de raiva, ódio e sede de sangue o atingiu com tanta intensidade que chegava a ficar mais irritado ainda por não conseguir matá-lo e se livrar daquela porcaria de ódio descomunal que sentia pelo outro.
E saber que aquele humano imbecil o odiava com igual intensidade só piorava tudo. Porque não conseguiam ficar nem mesmo à dez metros sem que provocações e farpas e ameaças fossem trocadas. Era horrível. Horrivelmente desesperador odiar tanto alguém, se esforçar tanto para tirá-la de sua vida, e simplesmente não conseguir.
Porque, querendo ou não, ele e a equipe precisavam daquele idiota inteiro (mesmo que a vontade de checar se ele continuaria vivo caso sua foice separasse a cabeça do corpo persistisse e estivesse guardada em algum lugar em sua mente, para quando não dependesse da existência daquele cara arrogante).
Infelizmente, mesmo essa necessidade ainda não era o suficiente para aplacar o ódio que seu coração parecia bombear para suas veias somente por se lembrar da existência de Sieghart.
Rey lhe olhava debochada a cada ranger que seus dentes provocavam, as palavras "almas inimigas", uma antiga lenda asmodiana, parecendo sair cantando pelos lábios da garota em uma provocação clara. Ela só queria assistir uma luta entre os dois, maluca por encrencas como era.
E mesmo que fosse cético para aqueles contos aleatórios ensinados na escola, Dio tinha que admitir que não se surpreenderia caso aquilo se aplicasse à ele e Sieghart. Uma alma destinada à ser oposta a sua, provocar ódio, euforia e antipatia.
Fazia sentido.
Porque somente isso conseguiria explicar o impulso que o fazia querer acabar com a existência daquele idiota, cravar sua garra em seus pontos vitais e testar até que ponto alguém como Sieghart conseguia ser "Imortal".
Porém, por ora, teria que se conter com a "liberdade" que a Caçada lhe dava de lutar com o idiota mesquinho e testar porcamente os limites daquele imbecil.
Era a opção que tinha, por agora.
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