Antigo novo amor
27 Capítulo 27 - Um quarto de lembranças
Quando Paula voltou para o quintal, o calor parecia ainda mais intenso do que antes.
O ar pesado fazia a pele grudar e até a água da piscina parecia morna demais para aliviar de verdade. As crianças já estavam todas dentro dela, mergulhando, gritando, inventando brincadeiras que só faziam sentido entre elas.
Paula acabou cedendo. Minutos depois estava sentada na borda da piscina com os pés dentro da água, rindo enquanto Maria tentava convencer um dos primos de que conseguia prender a respiração por mais tempo.
— Conta até vinte! — a menina ordenava.
— Você roubou!
— Não roubei!
Isabella estava logo ao lado, também sentada na borda, os pés na água, observando a movimentação com aquele sorriso tranquilo de quem preferia assistir ao caos infantil do que participar dele.
— Você está oficialmente cercada — ela comentou com Paula.
— Eu sei — Paula respondeu rindo.
Maria nadou até elas, respingando água.
— Paula, olha isso!
E mergulhou de novo antes mesmo de qualquer resposta.
Um pouco mais distante, perto da varanda, Vitor observava.
Não fazia questão de esconder que estava olhando na direção da piscina, mas também não se aproximava. Ficava ali, apoiado na coluna de madeira, de vez em quando respondendo alguma coisa que Léo dizia, mas sempre voltando os olhos para o mesmo ponto.
Paula rindo com as crianças. Maria agarrada no braço dela dentro da água. Isabella observando tudo.
Era uma cena simples. Mas havia algo ali que mexia com ele de um jeito difícil de explicar.
O vento começou a mudar pouco depois. Primeiro uma brisa mais forte. Depois as folhas das árvores começaram a se mexer com mais intensidade. Marisa apareceu na varanda olhando para o céu.
— Vamos cantar esse parabéns agora antes que essa chuva chegue!
As crianças saíram da piscina correndo, ainda pingando água pelo quintal. Em poucos minutos todos estavam reunidos em volta da mesa. O bolo, que Maria tinha ajudado a decorar mais cedo, foi colocado no centro.
— Pronto! — Marisa anunciou. — Todo mundo aqui.
As velinhas foram acesas. A música começou meio desorganizada, com vozes em tempos diferentes e algumas crianças cantando alto demais.
Maria sorria no meio de tudo. Quando terminaram, ela fechou os olhos para fazer o pedido. Assoprou as velas e imediatamente começou a cortar o bolo com a ajuda da avó.
— O primeiro pedaço é de quem? — Marisa perguntou.
Maria respondeu sem hesitar.
— Do papai.
Ela pegou o prato e entregou para Vitor com aquele orgulho simples de criança. Ele riu, beijando o topo da cabeça dela.
— Obrigado! Amo você.
Do outro lado da mesa, Paula observava a cena. E sentiu o coração aquecer de um jeito que veio sem aviso. Porque havia algo muito bonito naquilo. Naquele gesto pequeno. Na relação deles.
Ela desviou o olhar antes que o sentimento crescesse demais.
Algumas fatias ainda estavam sendo distribuídas quando o vento mudou de verdade. A rajada veio forte o suficiente para balançar a toalha da mesa.
— Ih! — Leo levantou o rosto para o céu. — Agora vem.
As primeiras gotas grossas começaram a cair quase imediatamente.
— Corre! — Marisa chamou.
De repente todos estavam se movendo ao mesmo tempo. Crianças correndo, adultos recolhendo pratos, alguém segurando o bolo enquanto outro puxava a toalha da mesa. Paula pegou uma bandeja de docinhos enquanto Isabella ajudava Marisa com os copos. O vento levantava folhas pelo quintal enquanto todos atravessavam correndo para dentro da casa.
Quando a porta finalmente ficou atrás deles, a chuva já caía pesada lá fora. E o som das gotas batendo no telhado tomou conta da casa inteira.
Dentro da casa, a movimentação continuou por alguns minutos. As crianças ainda riam da corrida da chuva, alguém comentava que quase deixou o bolo cair, Marisa tentava organizar os pratos sobre a bancada da cozinha enquanto Léo fechava uma das janelas que batia com o vento.
A chuva agora caía pesada sobre o telhado, fazendo aquele barulho contínuo que tomava conta de todo o ambiente.
Paula parou perto da porta da varanda, ainda segurando a bandeja que tinha trazido para dentro. O vestido leve que tinha colocado por cima do biquíni estava encharcado. Isabella se aproximou e falou baixo:
— Vai trocar essa roupa antes que fique gripada!
Paula olhou para si mesma, percebendo o estado em que estava.
— É… acho que vou mesmo.
Isabella apontou na direção das malas que tinham deixado perto da sala.
— Ainda bem que a gente trouxe tudo, já que ia direto daqui pro aeroporto.
Paula assentiu, mas naquele instante seu olhar escapou para a janela. Lá fora a chuva caía ainda mais forte agora. O vento empurrava as árvores e a estrada de terra já começava a virar lama. Um pensamento atravessou sua cabeça.
— Isabella…
Isabella levantou os olhos do celular.
— O quê?
— Olha esse tempo.
Ela fez um gesto com o queixo na direção da porta.
— Vê se o voo ainda tá confirmado.
Isabella já destravou o celular.
— Calma.
Ela começou a mexer no aplicativo da companhia aérea enquanto se afastavam um pouco da confusão da cozinha. As duas falavam baixo, quase cochichando. Do outro lado da sala, Vitor percebeu. Ele observou por alguns segundos, vendo as duas concentradas no celular. Acabou se aproximando.
— O que foi?
Paula levantou os olhos.
— A gente estava vendo o voo.
Ele olhou rapidamente para a chuva batendo forte na janela. Depois voltou para elas.
— Hoje?
Isabella assentiu.
— A gente ia direto daqui pro aeroporto.
Vitor soltou um pequeno sopro de riso pelo nariz.
— Com esse tempo?
Isabella mostrou a tela.
— Ainda não cancelaram.
Ele olhou novamente para o céu escuro lá fora.
— Dificilmente liberam.
Paula cruzou os braços de leve.
— Você acha?
— Acho.
A resposta veio tranquila. Sem drama.
— Essa chuva aqui não costuma passar rápido.
Ele fez um gesto simples com a mão, como quem tira peso da situação.
— Mas não se preocupem.
Paula levantou o olhar para ele.
— Se cancelarem, vocês ficam aqui na fazenda.
Isabella arqueou uma sobrancelha.
— Sério? Porque realmente nem reserva de hotel temos mais para hoje.
— Claro.
Ele apontou na direção da casa.
— Espaço é o que não falta.
Paula olhou de novo para a janela. A chuva agora parecia ainda mais forte e pela primeira vez desde que tinham chegado ali naquele dia, ela começou a considerar a possibilidade de que talvez não fossem embora naquela noite.
A tarde foi se fechando depressa. A chuva não deu trégua e o céu, que antes estava apenas pesado, agora tinha escurecido de vez. A luz da varanda precisou ser acesa mais cedo do que o normal, e a casa ganhou aquele clima acolhido de interior em dia de tempestade.
Do lado de fora, a água continuava batendo forte no telhado. Dentro da casa, cada um começou a se reorganizar. Vitor passou a chamar as crianças para o banho.
— Vamos, todo mundo para o banho.
João apareceu primeiro, ainda com o cabelo molhado da piscina.
— Mas eu já entrei na água!
— Não interessa — Vitor respondeu. — Piscina não conta.
Maria vinha atrás, enrolada numa toalha, reclamando que estava com frio.
Enquanto isso, na cozinha, Marisa já começava a organizar o jantar com a ajuda de Hilca. Panelas sendo abertas, pratos separados, a rotina da casa voltando ao seu ritmo natural.
Na sala, Leo estava encostado perto da janela falando ao telefone.
— Não, Carol… — ele dizia. — Com esse tempo eu não vou arriscar pegar estrada agora.
Ele escutou por alguns segundos.
— A gente volta amanhã cedo.
Desligou e suspirou, guardando o celular no bolso. Foi nesse momento que Paula finalmente teve certeza: Elas não iam embora.
Ela olhou para a chuva lá fora outra vez e então para dentro da casa e imediatamente começou a fazer contas.
A fazenda tinha o quarto principal de Vitor. Três quartos de hóspedes. Um deles ele tinha transformado no quarto das crianças. Outro ele tinha preparado para Marisa quando ela vinha passar alguns dias ali. Restava apenas um.
Paula olhou em volta: Cinco adultos. Três crianças. E Antônio.
A inquietação apareceu sem que ela percebesse. Sentada no sofá, ela mexia distraidamente na barra do vestido seco enquanto a cabeça rodava possibilidades. Não queria causar desconforto. Não queria invadir espaço nenhum. E, acima de tudo, não queria transformar aquela situação em algo estranho.
Foi nesse momento que Vitor apareceu novamente na sala. Tinha acabado de organizar o banho dos filhos. Ele parou alguns segundos perto da porta, observando Paula. Ela estava exatamente como ele imaginava que estaria.
Pensando demais. A cabeça trabalhando rápido demais. Durante os minutos em que ajudava as crianças com toalhas e pijamas, ele já tinha resolvido aquilo.
Na sua cabeça, a divisão era simples. As crianças ficariam no quarto delas. Como quase nunca dormiam sozinhas ali, ele ficaria com elas. Léo e Antônio dividiriam o quarto de hóspedes. Marisa ficaria no dela. E Paula e Isabella ficariam no quarto principal.
Quando percebeu que ela ainda parecia inquieta no sofá, ele se aproximou.
— Paula.
Ela levantou os olhos.
— Oi.
— Eu já coloquei as malas de vocês no quarto.
Ela franziu a testa, confusa.
— Que quarto?
Ele respondeu com naturalidade.
— No meu.
Paula piscou, surpresa.
— No seu?
— Uhum.
Ele continuou, tranquilo:
— Já pedi pra Hilca trocar toda a roupa de cama também.
Por um instante, Paula não soube exatamente o que responder. Vitor percebeu. E completou antes que ela começasse a se preocupar mais do que precisava.
— As crianças vão dormir no quarto delas comigo.
Agora a lógica finalmente fez sentido para ela. Mesmo assim, ainda havia uma pequena hesitação no olhar.
— Vitor… eu não quero atrapalhar.
Ele balançou a cabeça de leve.
— Você não está atrapalhando.
A resposta veio simples.
— Está todo mundo acomodado.
Ele fez um pequeno gesto com a cabeça na direção do corredor.
— E vocês precisam descansar.
Paula respirou fundo. Ainda não estava completamente confortável com a ideia. Mas também sabia que não havia muitas alternativas. Então assentiu.
— Obrigada.
Vitor deu um pequeno aceno com a cabeça. Por um segundo, porém, os olhos dele desceram. Não de forma descarada. Só um olhar rápido demais para ser comentado, mas lento o suficiente para ser percebido.
O vestido leve que ela tinha colocado depois da piscina ainda marcava o corpo úmido do banho recente. O tecido fino colava um pouco na pele por causa do calor que ainda insistia em ficar dentro da casa, apesar da chuva lá fora.
Paula sentiu. Aquele tipo de olhar que ela conhecia bem. Não era novidade. Mas agora tinha um peso diferente. Porque ele tinha sido quem decidiu ir embora.
Ela levantou o olhar de volta para o dele, sem dizer nada. Vitor pareceu perceber que tinha sido pego naquele segundo de distração. Passou a mão pela nuca, como se reorganizasse os pensamentos.
— Fica a vontade!
A voz saiu mais baixa do que antes. Lá fora, a chuva continuava batendo forte no telhado. E a noite parecia ter chegado definitivamente à fazenda.
A chuva ainda caia quando todos se acomodaram em volta da mesa da cozinha. A luz quente da lâmpada iluminava o ambiente, enquanto o som da água no telhado criava um fundo constante, quase hipnótico.
Marisa servia os pratos. Hilca colocava mais uma travessa sobre a mesa.
— Come enquanto tá quente — ela avisou.
As crianças, recém-saídas do banho, estavam elétricas apesar do cansaço.
— Eu pulei primeiro na piscina! — João defendia.
— Mentira! — Maria respondeu. — Foi o Antônio!
— Eu só empurrei ele!
As vozes se misturavam. Leo comentava alguma coisa sobre a estrada que já devia estar impossível com aquela chuva.
Isabella ria de algo que Maria dizia. E no meio daquela mesa cheia, Paula e Vitor estavam sentados quase frente a frente.
Falavam pouco. Mas se percebiam o tempo todo.
Paula sentia primeiro o cheiro dele. Depois do banho, o sabonete e o shampoo tinham deixado aquele aroma limpo que ela conhecia bem demais. Era um cheiro que sempre tinha ficado nas roupas dela, nos travesseiros, nos abraços demorados de outros tempos.
Ela desviou o olhar para o prato. Mas acabou levantando os olhos de novo. Vitor estava olhando para Maria naquele momento, sorrindo de alguma coisa que a filha dizia. E aquele sorriso apertou o peito dela.
Do outro lado da mesa, ele também sentia. O perfume dela tinha voltado depois do banho. Misturado ao cheiro de chuva que entrava pela janela aberta da cozinha.
Ele levantou o copo de água, tentando se concentrar na conversa de Léo.
— Amanhã cedo talvez dê pra voltar pra cidade — o irmão dizia.
— Se parar de chover — Marisa respondeu.
Mas Vitor mal escutava. Porque Paula tinha rido de algo que João falou. Não era uma gargalhada alta. Era aquele riso curto que ele sempre tinha gostado de provocar. E o som atravessou a mesa direto nele.
Ele levantou os olhos sem querer. Ela já estava olhando. Os dois desviaram ao mesmo tempo. Maria interrompeu qualquer possibilidade de silêncio constrangedor.
— Pai!
— Oi.
— Amanhã a gente pode ver o cavalo?
— Se a chuva parar.
— Mas e se não parar?
— A gente dá um jeito.
Paula sorriu ao ouvir aquilo.
— Ele sempre dá um jeito.
A frase saiu antes que ela pensasse muito. Vitor levantou os olhos para ela.
— Nem sempre.
O tom era leve. Mas o significado ficou suspenso entre os dois. Marisa não percebeu. Continuava servindo arroz para João.
— Come direito.
Léo apontou para a janela.
— Olha isso.
A chuva tinha engrossado ainda mais. Todos olharam. O vento empurrava as árvores do lado de fora e a água escorria pela varanda. Paula se levantou para fechar um pouco a janela. Quando voltou para a mesa, passou perto demais da cadeira de Vitor. Ele sentiu primeiro o cheiro do cabelo molhado dela. Depois o calor do corpo quando ela se inclinou para sentar. E por um segundo ele pensou em puxá-la para o colo dele.
A ideia foi rápida. Perigosa. Ele passou a mão pelo rosto e voltou a olhar para o prato. Do outro lado da mesa, Paula tentava fazer o mesmo. Mas agora estava consciente demais da presença dele ali.
E do quanto aquele espaço pequeno da cozinha fazia parecer que estavam mais perto do que deveriam.
Depois do jantar, o ritmo da casa começou a desacelerar.
As crianças já estavam bocejando entre uma frase e outra. Maria encostava a cabeça no ombro do pai enquanto ainda tentava participar das conversas, e João já mal terminava as histórias sobre o cavalo antes de perder o fio do que estava dizendo.
— Hora de dormir — Vitor anunciou por fim.
Ele levou os dois para o quarto das crianças, enquanto Marisa e Hilca terminavam de organizar a cozinha. Léo ainda falava com Antônio sobre o tempo e a estrada para a cidade.
Aos poucos, o barulho da casa foi diminuindo. Isabella foi a primeira a se render ao cansaço.
— Eu vou deitar — anunciou para Paula, espreguiçando os braços. — Esse dia foi longo demais.
— Vai lá.
Paula ainda ficou alguns minutos na sala, observando a chuva pela janela. A água continuava caindo pesada, constante, como se não tivesse pressa de ir embora.
Quando finalmente se levantou e foi para o quarto, Isabella já estava deitada.
O quarto estava arrumado, a roupa de cama limpa, as janelas semiabertas deixando entrar o cheiro da terra molhada. Mas ainda assim… O cheiro dele estava ali. Misturado à madeira do quarto, ao sabonete do banho, às lembranças que aquele espaço guardava.
Paula colocou o pijama, apagou a luz e deitou. Virou para um lado. Depois para o outro. A cama parecia grande demais. E cheia demais ao mesmo tempo.
Imagens vinham sem convite: noites ali, conversas baixas antes de dormir, risos abafados no travesseiro, o calor do corpo dele ao lado. Ela suspirou.
— Não vai dormir? — Isabella perguntou na escuridão.
Paula abriu os olhos.
— Essa cama tem cheiro demais.
Isabella virou a cabeça no travesseiro, curiosa.
— Cheiro de quê?
— De lembrança...
Isabella soltou uma risadinha abafada.
— Que tipo de lembrança exatamente?
Paula virou o rosto para ela, mesmo sem enxergá-la direito.
— Isabella…
— Não, sério — Isabella continuou, divertida. — Agora eu fiquei curiosa. Que tipo de coisa você fez nessa cama?
Paula passou a mão pelo rosto, tentando não rir.
— Você é impossível.
— Eu só estou tentando entender o nível do problema.
— O problema é que essa cama lembra de coisas demais.
Isabella soltou outro riso baixo.
— Isso normalmente significa que foram coisas boas.
Paula ficou em silêncio por um momento.
— Foram… Foram coisas ótimas.
A resposta saiu quase como um suspiro. Isabella se acomodou melhor no travesseiro.
— Então o problema não é a cama.
— Não? Porque eu acho que é.
— Não.
Mais um pequeno silêncio se instalou. Do lado de fora, a chuva continuava batendo no telhado.
— O problema — Isabella completou — é que ele ainda está aqui.
Paula não respondeu. Virou de lado outra vez, tentando encontrar uma posição confortável. Mas o sono não vinha. E cada vez que fechava os olhos, a sensação era a mesma: aquele quarto ainda sabia demais sobre os dois.
A chuva continuava, o som ainda constante, ainda mais hipnótico, mas para Paula não ajudava em nada. Ela virou de um lado para o outro mais algumas vezes, tentando ignorar o cheiro do travesseiro, a textura do lençol, a sensação incômoda de estar deitada exatamente no lugar onde tantas memórias tinham sido construídas. Não adiantava. O quarto parecia cheio demais. Ela abriu os olhos.
No outro lado da cama, Isabella já dormia profundamente, respirando tranquila, completamente vencida pelo cansaço do dia.
Paula ficou olhando o teto por alguns segundos. Depois desistiu. Levantou devagar para não fazer barulho e saiu do quarto, fechando a porta sem deixar que a maçaneta estalasse.
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