Antigo novo amor
12 Capítulo 12 - Irmãos
Seguem para o quarto de Paula e por lá finalizam o dia, esquecendo até mesmo do jantar. Os dias se passam e eles retornam a rotina corrida de shows e eventos, aproveitando os poucos momentos de folga para conversarem por vídeo chamada.
— Teve notícias de Maria? Ela melhorou?
— Sim! Consegui falar com Poliana. Ela melhorou, foi apenas um incômodo no estômago, provavelmente alguma besteira que comeu.
— Menos mal que não foi nada grave! Está tudo certo para nos vermos amanhã?
— Sim, Pulinha! Por que não estaria? — ri. Amanhã vamos pousar por volta das 8h00 para abastecer em BH e você vai comigo no jato.
— Ok! Estarei no hangar. Vamos ficar quantos dias em Uberlândia? Para eu conseguir me programar melhor.
— Uns dois dias. Depois vamos para Campinas de carro.
— Maravilha.
— Você já sabe sua agenda de final de ano?
— Vou trabalhar no ano novo, amor.
— Então passamos natal juntos!
— Ou você pode vir comigo no ano novo também…
— Prefiro te aguardar na fazenda, você sabe.
— Tudo bem… Não vou insistir.
— Você estava linda na gravação do programa do SBT.
— Você viu? — ri. Achei que nem iria ver as fotos…
— Eu vejo tudo que você faz e posta! O fato de não te seguir não me impede de ver absolutamente nada.
— Sei! — ri. Muito obrigada! Por falar em Instagram… Você se incomoda com as fotos do meu ensaio sensual lá? Se você se incomodar, eu posso tirar…
— Claro que não, pequena. Deixe as fotos lá. Inclusive você não me mostrou o restante…
— Vou te enviar! Fico com um pouco de vergonha de você ver essas fotos.
— Paula! — riem. Estou vendo menos na fotos do que vejo na realidade… E usufruo, claro. — sorri.
— Isso é verdade… Eu adoro que você usufrua de mim… inclusive, estou com saudades.
— Vamos matar! Teremos longos dias para usufruirmos um do outro… Aliás, quero te apresentar para algumas pessoas em Campinas!
— Quais pessoas? — se preocupa.
— Alguns amigos próximos que sabem que estou te namorando.
— Você contou aos seus amigos?
— Contei… Pulinha, já faz um tempinho que estamos juntos.
— Sim.
— Você não contou a ninguém? Fora a família.
— Monteiro e Bia apenas. Mas, eu não tenho mais ninguém para falar.
— Eu falei para alguns amigos. Vou dar um jantar em Campinas e te apresento a eles.
— Tudo bem! Você tem certeza que não quer que eu apague as fotos?
— Por que meus amigos vão ver? — ri. É bom que vejam…
— Vitor, por favor!
— Você está mais incomodada do que eu! — bebe um pouco de café.
— Onde você está?
— Ainda no hotel. — mostra o quarto. E você?
— Em casa já! — mostra também. Maria me mandou mensagem ontem, perguntando quando poderá vir aqui.
— Eu já expliquei a ela que logo vamos leva-los… ela não quer ir nem a Uberlândia mais. Você foi mostrar a ela a casa na árvore, agora ela está ansiosa para ver.
— Não resisti! E eu estava mostrando os coelhos e ela acabou vendo.
— Sei! — ri. Oi? — escuta alguém chamar na porta. Só um minuto, amor. — se levanta e vai conferir, retornando um tempo depois. É Leo! — mostra ele e Paula acena sem graça.
— Como vai, Paulinha?
— Estou bem, Leo. E você? E as crianças? Carol?
— Estamos todos bem, graças a Deus! Esperamos recebê-la em casa em breve.
— Irei com todo prazer! — sorri.
— Pulinha — vira para si — vou precisar desligar. Te ligo assim que chegar na próxima cidade.
— Tudo bem, fico no aguardo. Tenha uma boa viagem!
— Eu te amo! — sorri.
— Eu também! — pisca para ele.
Encerra a chamada e observa Leo o encarando.
— O que foi?
— Nada!
— Eu sei que vocês dois estão apenas se suportando. Mas, não vou entrar nesse assunto agora. — levanta-se e começa organizar a mala.
— Ela sabe da Amanda? — Vitor permanece em silêncio. Ela sabe ou não?
— Como você sabe? E o que é que tem para saber? — encara ele.
— Quero entender o que houve, você não disse nada a mim.
— Não se transformou em algo, Leo. Por isso eu não disse. E como você sabe disso?
— Eu e Carol estávamos tentando… Ela seria uma pessoa excelente para você.
— Você ouviu o que acabou de dizer? Você e Carol? Leo… não sou um objeto, nem Amanda é. Sem contar que é no mínimo desrespeitoso você tocar nesse assunto sabendo que estou com Paula.
— Não, não… Não leve para esse lado! Estou falando sobre algo que poderia ter ocorrido. Não estou criticando sua relação com Paula! — se levanta da cama. Inclusive acho que vocês realmente precisam se relacionar… Resolver essa situação entre vocês para saber se isso é um sentimento mais profundo ou uma obsessão que vocês dois tem.
— Leo… — respira fundo.
— Não me leve a mal! Eu amo você e amo a Paulinha, por tudo que a gente já viveu, pela força dela e estou falando isso pelo bem de vocês. Se a Paula surge próximo de você, qualquer relação que você tenha com outra pessoa simplesmente se desfaz… Não importa se você e Paula trocam uma palavra, mas é inacreditável como só o fato dela estar próxima em algum momento, você simplesmente corta seu vínculo com outro alguém ou algo acontece do “além” — sinaliza — e você termina.
— Não tinha nada concreto com Amanda, Leo.
— Mas, estavam conversando! E nem estou aqui falando só sobre Amanda, é sobre todo relacionamento… Paula surgiu naquele show aquela vez e em poucos meses acontece tudo aquilo com Poliana. Você estava se envolvendo com a Clara e aí voltou ter contato com Paula e simplesmente tudo acabou.
— Vamos parar por aqui? É um absurdo você falar isso. Uma coisa não tem absolutamente NADA a ver com outra. Que ligação Paula tem com meu término com Poliana? Por favor… — fecha a mala nervoso.
— Nenhuma ligação com o desequilíbrio da Poliana… Mas, será que não tem a ver com a forma que você encarou o seu casamento com ela depois do seu encontro com Paula? Você não a suportava mais… — Vitor se dirige a porta e abre — Vitor…
— Me espere lá embaixo, por favor! — segura a porta para ele sair. E por favor, jamais repita tudo isso para mim, eu não sei de onde você está tirando essas conclusões sem pé e cabeça.
— Ok! — se retira.
Termina de organizar suas coisas reflexivo sobre tudo que ouviu. Sabia que a única certeza era que Paula não era sua obsessão e que precisava contar o quanto antes para ela sobre o que aconteceu entre ele e Amanda. Embarcam no jato e ele resolve quebrar o silêncio.
— Você sabe o quanto te amo? — coloca a mão sobre o braço dele, entretido sobre um livro.
— Do mesmo tanto que eu amo você, meu irmão!
— Eu sou mais velho, te amo por mais tempo! — riem. Eu amo você, Leo. Devo muito do que vivo agora a você e a sua força sobrenatural para me levantar. Nada e ninguém vai estar acima da nossa relação. Entendido?
— Vitor… — tira o óculos.
— Ela não é minha obsessão. E se for, não é pelo lado ruim. Eu amo você e não vou permitir que ninguém abale nossa relação. Mas, eu a amo também… e gostaria que você respeitasse isso.
— Eu amo a Paula. Nós três vivemos o suficiente para muitas vidas. Me perdoe pelo que falei… Ela é uma pessoa incrível e ela ama você como sei que outra pessoa não vai amar. Nunca entendi o lance de vocês correrem um do outro e ao mesmo tempo não se largarem… Eu simplifico as relações, vocês dois complicam. — Vitor ri. — Quando eu e Carol vimos que Amanda seria alguém bacana na sua vida, eu jamais imaginaria a Paula voltando pra você, senão não teria feito nada disso. Não gostei de você não falar pra mim, mas não tenho esse direito sobre sua vida, meu irmão. E sei que Amanda jamais te despertaria o que Paula desperta…
— É… Nunca me despertou. Ela é de fato uma mulher incrível, mas servimos mais para amigos do que qualquer outra coisa, Leo. Em nenhum momento que estive com ela eu senti ao menos 1% do que sinto só em ver Paula ainda que de longe… E eu não poderia fazer isso com ela, condenar ela a uma vida em que não pudesse amá-la e nem me condenar a isso, como fiz com Poliana. Paula me traz um frescor, faz meu sangue borbulhar, me causa sensações que eu desconheço.
— Um poeta… — riem.
— Estou te falando tudo isso porque quero tentar viver algo sólido com ela. Já passamos da idade de relacionamentos repentinos, de drama, etc. Precisamos sossegar e quero tentar isso com ela e quero que você faça parte disso, é meu irmão que eu tanto amo. Eu sei que há algum problema entre você e Paula e não vou exigir que resolvam, vocês precisam saber o momento disso, mas não quero que isso seja motivo para você desmerecer ela para mim porque ela nunca falou um A sobre você, Leo.
— Jamais faria isso, não foi a intenção! Ela é digna de ter você. Preciso contar a você o que houve entre nós… E a culpa não é dela, é minha.
Leo relata a Vitor toda a situação envolvendo uma ex amante e Paula além da conversa que tiveram durante a caminhada após o jantar na Marisa. O irmão permanece em silêncio, como se estivesse digerindo tudo que ouviu.
— Vocês dois combinaram de fingir que se dão bem para mim?
— Sim!
— Vocês dois acharam que eu tinha quantos anos? — ri.
— Não pensamos! — ri. Só queríamos não transparecer nada para não ser um empecilho.
— Não concordo com nada que fez com Tatianna.
— Eu sei!
— Nem com Paula!
— Eu sei.
— E também sei que agi errado em levar Paula para dentro da sua casa com Carol sendo que havia conversado com a irmã dela… Vou entender se ela não quiser contato comigo.
— Ela está chateada sim. É a irmã dela. Não tem como esperarmos outra reação, mas ela tem consciência que são duas pessoas adultas.
— Ainda que eu não tenha tido nada sério com Amanda…
— É… Você precisa contar a Paula.
— Vou contar! Amanhã ela irá conosco no jato.
— Está certo… — sorri. Estarei com você sempre! Em qualquer decisão que tomar.
— Idem! — pisca para ele.
Há quilômetros de distância Paula organiza suas malas para a viagem, relatando a mãe sobre o jantar com os amigos de Vitor.
— Por que está com medo?
— Não é medo, mãe. Não sei muito sobre os amigos do Vitor, mas vai dar tudo certo.
— Claro que vai! Você é uma mulher adulta, madura, linda… Não tem como nada dar errado. — sorri.
— Sim! — ri. Estou com saudade das crianças. — coloca o presente deles na mala.
— De quem é esse outro aí?
— Para o bebê do Leo! Vitor me contou que é mais um menino.
— E o seu bebê?
— O meu o que? — olha para ela.
— Seu bebê com Vitor.
— Mãe… — começa rir. Que loucura! Está muito, muito cedo para isso.
— Não acho…
— Eu tenho óvulos congelados, a senhora sabe disso. Não tem porque ter pressa. E se por alguma razão eu e Vitor terminarmos, eu peço a ele para pelo menos me deixar ter um filho dele! — riem.
— E o Leo?
— O que tem?
— Como estão as coisas?
— Entre eu e Leo? — fecha a mala. Normal! Nada para acrescentar.
— Vocês eram muito amigos. Você se divertia com ele.
— Mas isso tem quantos anos mesmo? Uns 20? A vida mudou demais, mãe.
— Você está com Vitor…
— Eu e Leo estamos ok.
— Tudo bem, não vou insistir. — se levanta. Mas você sabe que é a família dele; não se indisponha.
— Fica tranquila!
Ela termina de organizar tudo e aproveita a noite para embrulhar um presente que comprou ao Vitor com a ajuda da mãe. No outro dia, logo pela manhã, Vitor telefona informando que mandou um carro buscá-la até o hangar. Em pouco tempo ela já está no local o aguardando pousar.
— Bom dia! — sorri. A senhora aceita um café?
— Oi — sorri. Bom dia! Por agora, não. Obrigada.
— O jato deles já está pousando! — observa.
— Sim! — olha a janela.
— Quer ajuda com as malas? Peço para alguém ficar aqui disponível para a senhora.
— Agradeço! — sorri.
A funcionária se retira e ela observa a porta do jato se abrir. Lá de dentro, Leo encara Vitor grudado á janela.
— Ela está ali.
— O que? — olha para ele.
— Paula está lá, ó… — aponta para onde Paula está.
— Sim, eu a vi. — se levanta.
— O sangue está borbulhando? — se levanta.
— Vai te ferrar, Leo! — riem enquanto descem da aeronave. Mas sim, está!
Paula o enxerga de longe, inconfundível com sua camisa preta, calça jeans escura, e mochila marrom nas costas. Sorri sozinha do estilo dele que nunca muda.
— Vão abastecer a aeronave e logo levaremos sua bagagem!
— Obrigada — sorri.
Entram na recepção do hangar e cumprimentam os funcionários. Leo é o primeiro a entrar na sala em que Paula está e segue em direção a ela.
— Como vai? — a abraça.
— Estou bem e você? — olha-o.
— Também! — sorri.
Vitor entra na sala e ela respira aliviada por não ter que encarar Leo por mais algum tempo. Ele segue em direção a ela e o coração dela parece bater descompassado.
— Oi! — coloca as mãos sobre o rosto dela. Estava com saudades! — beija-a. Como está?
— Bem. Melhor agora na verdade. — sorri, acariciando o rosto dele. Estar com você é sempre bom! — abraça-o.
— Digo o mesmo, pequena! — acaricia as costas dela, beijando sua testa. Vamos tomar um café até podermos decolar?
— Vamos!
— Eu vou ter que fazer uma ligação! — mostra o celular, se retirando da sala.
— Olá — chama a recepcionista — pode nos servir um café?
— Claro! Só um instante… — sorri.
Coloca sua mochila no sofá e senta-se com Paula na mesa da sala. Segura as mãos dela enquanto a olha, ternamente.
— O que foi? — ri.
— Estou te admirando.
— Então vou te admirar também… — fixa os olhos nele.
— Você realmente é uma mulher! — ri.
— Por que? — ri.
— Não conseguia me encarar antes!
— Eu ainda não consigo, mas me esforço… Ainda mais se olho para você e imagino a gente em outro ambiente, sem ser esse, e sozinhos! — pisca para ele.
A recepcionista os interrompe ao servir o café e eles riem da situação.
— Como sua mãe está?
— Bem! — limpa a boca.
— Ildo, Nilmar…
— Todos muito bem!
— Que bom… Precisamos marcar algo, todos juntos.
— Depois que viermos de Campinas, dá para passar em BH e marcarmos algo.
— Excelente! Por mim, ok.
— Falei com sua mãe ontem. Ela disse que iria à uma confraternização das amigas, que Tatianna estaria e perguntou se eu queria acompanhar ela.
— E você vai?
— Não sei… O que você acha?
— Você que precisa saber, amor. Se não quiser ir, não tem problema, minha mãe não vai se chatear.
— Acho que irei. Seria uma desfeita não ir.
— Se não se sentir confortável, me liga que eu te busco.
— Ok! Ficamos combinado isso então.
— Pessoal, vamos embarcar! — Leo aparece na porta chamando.
— Já? Vamos! — levantam.
Embarcam no jato e Paula conhece os seguranças deles, cumprimentando-os. Em pouco tempo já estão em Uberlândia, se despedem do Leo e os seguranças e Vitor pega seu carro no hangar, seguindo direto para fazenda.
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