Antigo novo amor

11 Capítulo 11 - O rompimento


Uma chuva invade Uberlândia e eles aproveitam para passar o resto do dia dentro de casa, vendo documentário. Paula retorna a Belo Horizonte alguns dias depois e ele permanece em Uberlândia para os ensaios da nova turnê.


— Paula?

— Oi, pode entrar!

— Oi… — entra. Tudo bem?

— Sim! — sorri. Que cara é essa? — ri.

— Preciso conversar com você!

— O que houve? — começa se preocupar.

— O Graciano me ligou. Enviaram para os telefones da Jeito de Mato alguns vídeos seus. — pega o celular.

— Uai, que vídeos? — se aproxima dela para ver.

— Esses vídeos… — mostra para ela.

— Que merda é essa? — se desespera.

— Paula…

— Isabella, quem mandou isso? Pelo amor de Deus! — começa chorar. Quem foi que viu isso?

— Calma… Só o Graciano. E ele nem viu… Quando percebeu o que era, recolheu todos os celulares oficiais do escritório e ninguém mais acessou. Nós vamos até a delegacia e vamos res…

— Não! — a interrompe.

— Paula, não precisamos fazer isso agora, mas precisamos denunciar!

— Minha mãe e meu irmão sabem? — enxuga as lágrimas.

— Não comentei com ninguém.

— Peça ao Graciano que não comente também! — chora novamente. Que droga! — coloca a cabeça entre as mãos.

— Paula… — se aproxima dela. Sinto muito!

— Ele não vai deixar de infernizar minha vida! — olha para Isabella.

— Ele vai pagar por tudo isso!

— Eu não vou denunciar!

— Como não? Que loucura! Precisa denunciar.

— Não quero que ninguém saiba disso! — olha seu celular tocando.

— É o Vitor… — pega para ela.

— Não… Não vou atender! — chora. E se ele já souber? Se tiverem enviado essa bosta para ele também?

— Paula, você não precisa falar com ele se não quiser… Mas ele vai achar estranho você não atender. Você não precisa contar nada a ele… e creio que ele não saiba de nada! E se souber, qual o problema? Ele será um escroto se te julgar por isso.

— Me da licença, por favor! — abre a porta do quarto para ela sair.

— Não vou te deixar sozinha!

— Por favor! — pede novamente.


Isabela se retira do quarto e ela tranca a porta. Encara a tela do celular por algum tempo e decide não atender. Vitor liga novamente por mais três vezes e ela ignora, colocando o aparelho no silencioso. Vai até o banheiro e tenta se recompor, pensando no que fará para contornar o que está havendo. Sente raiva de si mesma por ter acreditado em uma pessoa que segue a fazendo tão mal. Sente raiva por tudo isso estar acontecendo no exato momento em que ela se alinha com Vitor.


Algumas horas se passam e ela ainda segue no quarto sem conseguir pregar os olhos, com a mente sendo inundada por inúmeros pensamentos. Aguardava a qualquer instante a ligação de algum jornalista ou a notificação de algum amigo enviando a matéria.

Pega o celular e se depara com mensagens do Vitor.



WhatsApp On


— Pulinha, o que está fazendo?

— Amor, me atende! Preciso falar com você.

— Paula??????

— Paula, onde você está???


WhatsApp Off



Escuta Dulce chamar da porta e permite que ela entre.


— Mãe…

— Eu já sei de tudo! — a abraça e fica algum tempo assim para que ela desabe. Vem… — a leva para cama. Vitor me telefonou.

— O que disse a ele? — enxuga as lágrimas.

— Que você teve um imprevisto no escritório e estava em reunião. Mas isso não vai colar por muito tempo…

— Vou falar com ele hoje. Vou pedir um tempo… Ele está retomando a dupla e existem duas crianças nessa história. Não posso levar isso para vida dele.

— Paula, não acho que seja para tanto!

— Até que eu resolva isso, vai ser dessa forma. Se ele quiser me esperar, tudo bem. Caso contrário, era para ser assim.

— Tudo bem! Mas, não tome nenhuma decisão por impulso.

— Pensei por tempo suficiente.


Ela fica mais um tempo com a mãe, deitada sobre seu colo. Vitor surge na tela do telefone novamente, pela décima vez no dia.



— Você precisa atender!

— Eu sei! — se levanta. Você me dá licença?

— Claro! — sai do quarto.



Paula vai até o banheiro, respira fundo e lava o rosto, tentando retomar ao estado apresentável. A essa altura a ligação já encerrou, então ela disca o número dele.



— Pulinha… Estava ficando preocupado! — ri. Como você está? Saiu agora da reunião?

— Sim… Desculpa não ter avisado.

— Está tudo bem! Estou tentando falar com você desde cedo… Preciso te contar uma coisa que você vai adorar! — ri.

— Vitor… Preciso conversar com você.

— O que aconteceu? — sente na voz dela que algo está errado.

— Fui muito feliz essas últimas semanas — segura o choro — você é incrível e eu amei conhecer as crianças mais de perto. Mas, não sei se posso, Vitor… Preciso de um tempo!

— Do que você está falando?

— Vitor…

— O que aconteceu?

— Nada!

— Vamos conversar pessoalmente, vou para Belo Horizonte amanhã e vamos tentar entender o que está havendo.

— Não precisa vir. O que está acontecendo é o que te falei! Preciso de um tempo… para digerir tudo que pode acontecer na nossa vida.

— Paula, vamos conversar pessoalmente… Não é assim que as coisas funcionam!

— Preciso desligar! — o interrompe. Desculpa! — desliga.



Ele volta a telefonar, mas ela não atende. Desliga o celular e enfia em uma gaveta.

Do outro lado da linha Vitor fica sem reação com tudo que está havendo e desiste de telefonar na quarta tentativa. Envia uma mensagem pedindo que possam conversar pessoalmente, mas não recebe resposta e então desiste.

Os dias passam e a angústia só aumenta. De um lado, ela se desdobra para lidar com tudo, resolvendo responsabilizar quem fez o envio dos vídeos, mas buscando fazer isso da forma mais sigilosa possível. De outro lado, Vitor não suporta mais a dúvida.


— Leo? — entra.

— Oi, estou aqui! — ergue o braço. Você está bem? Está muito distraído nos ensaios.

— Não, não estou bem.

— O que houve?

— O que conversou com a Paula no dia do jantar?

— Nada de mais, coisas da…

— Não vem com essa! — interrompe.

— Que isso? — estranha a reação dele. O que está havendo?

— Ela mudou completamente depois daquele dia! Ela me pediu um tempo, não atende meus telefonemas e não responde minhas mensagens!

— Vitor eu sinto muito… Mas, eu não tenho nada ver.

— Não sabemos! Você não me diz o que tanto disse a ela.

— Agora a culpa é minha?

— Pode ser!

— Isso é loucura, Vitor! Posso te garantir que não tenho nada ver com a instabilidade emocional dela.

— Instabilidade emocional? Como se explica o fato de estarmos bem até você descobrir o relacionamento? Não sei se a instabilidade é mesmo dela ou é sua!

— A banda toda está ouvindo isso! Já chega. Precisamos ensaiar, os compromissos se aproximam. Prometo que quando acabarmos aqui eu vou te ajudar a descobrir o que houve!

— Não se envolva mais na minha relação com a Paula! Hoje não tem ensaio nenhum, pode dispensar todos.

— Não é assim que as coisas funcionam! Você precisa cumprir com sua parte.

— Então ensaiam sem mim! Faça o que você achar melhor! — começa recolher suas coisas do estúdio.

— Vitor, você está agindo no impulso. Para onde você vai?

— Quanto menos você souber, melhor… Eu ainda não sei o que você é capaz de fazer! — pega sua mochila.

— Vou entender que você está ferido, por isso está dizendo tudo isso.

— Entenda o que quiser! Inclusive, entenda que se eu descobrir que você interferiu na minha vida, não existe mais isso aqui! — aponta para o estúdio. Estou fora! — sai.



Vitor segue para Belo Horizonte, o que tiver que tivesse acontecido, ele queria ouvir pessoalmente. Ele merecia saber disso de uma forma mais humana, sem ser por telefonema e ela teria que explicar. Desembarca no final da tarde e vai para o apartamento dela. Na portaria descobre que ela não se encontra em casa, mas sobe mesmo assim. Entra no apartamento com a sua digital, que ela já havia registrado. Coloca suas coisas no sofá e deita-se, aguardando ela.

Paula estava na chácara, passou os últimos dias com a família, sendo amparada e respeitada em suas decisões. Evitavam tocar no nome do Vitor e também não comentavam sobre os vídeos em outros momentos sem ser aqueles que buscavam responsabilizar o culpado.



— Preciso voltar pra casa!

— Tem certeza?

— Sim! — sorri. Preciso me organizar, a vida tem que voltar a andar…

— Paula, eu acho que você deveria conversar com Vitor.

— Ainda não, mãe. — diz com tristeza. Preciso ter certeza que esse vídeo sumiu para sempre.

— O que esse vídeo vai interferir na sua relação com ele? Não faça uma besteira!

— Eu já te expliquei tudo! Vou organizar minhas coisas… — se levanta. Te deixo na sua casa, Isabella.

— Não, vou pro seu apartamento com você!

— Não, não vai. Você vai pra sua casa descansar com sua família… Eu estou bem e você ficou aqui do meu lado esse tempo todo. Precisa descansar! Vou pegar minha bolsa e vamos.



O caminho é percorrido em silêncio. Paula deixa Isabella na porta de casa e segue o destino até seu apartamento. No som começa tocar Victor e Leo e ela chora novamente toda a dor de ter começado algo que precisou terminar tão cedo. Ao chegar no prédio, cumprimenta o porteiro e segue para o seu apartamento. Abre a porta e se depara uma mochila sobre o sofá, acelerando seu coração. Vitor havia levantado do sofá e tomado um banho, a escutando chegar do corredor segue até a sala, ainda de roupão.



— Oi!

— Vitor…

— Vou me trocar e vamos conversar!

— Você não avisou que viria!

— Eu avisei! — vai até ela. Você saberia se tivesse lido minhas mensagens.

— Estou sem celular!

— Por que?

— Você pode ir se trocar? — o observa de roupão, com o cabelo ensopado de água.

— Você pode ir até o quarto comigo?

— Vitor…

— Para que eu tenha certeza que você não vai sair por essa porta e eu não consiga falar mais com você!

— Não vou sair!

— Então podemos conversar já. — vai até o sofá. Senta aqui!

— Para com isso… Vá colocar uma roupa e secar esse cabelo!

— Estou bem! — pega a manta do sofá e seca o cabelo.

— Vitor! — diz nervosa.

— Pronto! Vamos conversar. — encara ela que começa chorar — Pulinha… — vai até ela.

— Preciso te contar uma coisa! — se segura nele.

— Tudo bem… Depois você me conta, você precisa estar bem! — a leva até o sofá.

— Não, Vitor! Preciso te contar agora. — olha para ele.

— O que foi?

— Vazou um vídeo meu com um ex… eu não quero nem mencionar esse nome.

— Um vídeo?

— É… — chora — um maldito vídeo!

— O que tanto tem nesse vídeo?

— Vitor… — chora ainda mais.

— É um vídeo… — pensa — é um vídeo íntimo?

— É! Me desculpa… — não consegue olhar no rosto dele. Eu não queria isso, eu nem lembrava daquilo!

— Você já foi até a delegacia?

— O que? — encara ele.

— Você já o denunciou?

— Ainda não…

— Ok! — a abraça. Sinto muito!

— Você não precisa fazer isso!

— Fazer o que?

— Me acolher! Isso é vergonhoso demais. Fico pensando nos seus filhos, no quanto isso vai…

— Quem tem que pensar nos meus filhos sou eu. Você não tem que ficar preocupada com nada disso! Você me pediu um tempo por conta disso? — a afasta para olha-la.

— Você fala como se fosse pouca coisa!

— Eu falo como se fosse pouca coisa para você me afastar! Cadê o vídeo?

— Que?

— Me deixa ver o vídeo logo. Você não vai acreditar que eu não me importo até que eu veja o vídeo e continue não me importando! Me deixa ver.

— Vitor, isso é uma loucura! — se levanta.

— Não, não é! Paula… — faz o mesmo. Você estava em um relacionamento, confiando no seu parceiro. Vocês filmaram o momento. O que há de tão errado nisso?

— Nós não filmamos! Eu não sabia que estava sendo filmada. — chora.

— Isso é pior ainda, meu amor… — a abraça novamente. Não estou nem aí para esse vídeo. A única coisa que eu desejo disso é que ele seja responsabilizado. Mas, compreendo se você não quiser expor. De qualquer forma, não era razão para você me afastar. Você ficou sozinha todo esse tempo, sendo que eu poderia ter estado com você!

— Jamais levaria isso para sua vida! — aproveita o abraço e chora mais um pouco.

— Deixa que eu decida o que eu permito na minha vida, tudo bem? Você não tem que pensar isso, não tem que me excluir das situações. Jamais te julgaria por algo assim.



Permanecem em silêncio por um tempo, dentro de um abraço que curava a alma. Vitor a aconchega melhor em si e descansa sobre a cabeça dela.



— Por que ficou sem celular?

— Não queria ver e nem ler nada.

— Isso chegou na mídia?

— Não. Ao menos não que eu saiba.

— Entendi.

— Você não tem ensaios? — o olha.

— Pois é… Você nem imagina o que fiz!

— O que aconteceu? — se afasta, preocupada.

— Achei que você tinha pedido um tempo por culpa do Leo.

— Você brigou com ele?

— Só me desentendi, mas nada de mais.

— Caramba… — se afasta.

— Você não me disse nada, simplesmente pediu um tempo!

— Ok! Mas ligue pra ele e diga que não tem nada ver com ele.

— Depois faço isso… — estende a mão pra ela. Vem aqui…

— Acho melhor você ligar logo… — vai até ele. Por favor, não se desentenda com o Leo. Ainda mais por mim!

— Está tudo bem! — a abraça. Eu estava com saudades, Paula.

— Paula?

— É para você sentir que é super sério! — ela ri. Eu realmente estava com saudades…

— Eu também estava… Com saudades e sofrendo mais por não saber como te contar isso e por não ter você aqui.

— Estou aqui.

— Sim! — o abraça mais forte.

— Podíamos viajar uns dias… O que acha?

— Você detesta viajar, Vitor! — ri.

— Eu realmente não gosto do processo de arrumar mala… — riem — mas, você gosta e acho que seria bom tirarmos uns dias longe daqui.

— E iríamos para onde? — olha para ele.

— Eu sei que você ama praia, mas pensei em irmos para alguma pousada… Em Nova Lima mesmo ou vamos também para praia, mas aí é um pouquinho mais longe e tenho poucos dias.

— Pode ser a pousada… Quantos dias você tem?

— Só 3. Preciso retomar os ensaios…

— Que pena!

— Sim! Mas, você poderia vir comigo?

— Essa semana não. Mas, tento ir no final de semana… Vai pegar as crianças?

— Sim! — sorri.

— Aproveito para ver eles então.

— Isso! Maria estava perguntando de você e eu não sabia muito bem o que falar.

— O que disse a ela?

— Que você estava trabalhando bastante e não conseguimos nos ver.

— Entendi… — se entristece.

— Vou me trocar e ver sobre a pousada.

— Por que não ficamos aqui? Você tem poucos dias… Quero aproveitar ao máximo.

— Tudo bem! — sorri. Vai tomar banho?

— Vou! Quer vir?

— É um convite irrecusável! — caminha com ela até o quarto.


Vitor prepara a banheira e eles entram. A acomoda de costas para si e vai jogando água quente nas costas dela, enquanto ela fica em silêncio.


— Tudo bem?

— Sim! — ri.

— Não está parecendo…

— Eu estou bem. Só estou cansada…

— Certo! — a deita sobre seu peito. Então descanse!

— Não precisamos descansar… — vira-se para ele. Eu estava com saudades!

— Eu sei, eu também estava… — sorri, acariciando os braços dela.

— O que fez esses últimos dias sem mim…? — se aproxima dele, sentando em seu colo.

— Fiquei me perguntando o que você estava fazendo e porque não me queria junto.

— Eu te queria junto, você nem imagina o quanto! — acaricia o rosto dele.

— Fiquei com um pouco de raiva de você também… Teve tanto receio de darmos um passo no início e depois que demos, que eu me senti em você de novo, quis recuar… Eu fiquei com uma pitada de raiva. — alinha o cabelo dela atrás da orelha.

— Eu imagino… — ri. Mas, estou aqui… Pode fazer o que tiver vontade… Pode me castigar por te feito sentir raiva.

— Te castigar? — pergunta, surpreso.

— É… Não ia achar ruim.

— E como eu te castigaria? Como você gostaria que eu te castigasse?

— Se eu fosse você, eu usaria muito as mãos… Essas mãos — pega as mãos dele — lindas, grandes, macias… — ele ri.

— E o que faria com elas? — a encara.

— Deslizaria pelo seu corpo…- segura mais firmemente a mão dele e desliza do pescoço aos seios. Bem calmamente… Entendeu? — olha para ele.

— Eu acho bem indecente essa forma de castigar… Não faria isso! — retira a mão, causando nela uma certa decepção. Até porque se for para castigar, tem que ser pior! — a retira do seu colo, empurrando-a até as costas encontrarem o outro lado da banheira.

— O que vai fazer? — ri.

— Te castigar, como você quer! — pega os pés dela e massageia. Só que na minha ideia, além das mãos eu vou usar outra coisa… — segue acariciando as pernas dela até estar bem próximo.

— O que? — sorri.

— A boca! — riem. Ou melhor… — se aproxima ao ouvido dela — a língua!


O tempo passa rápido demais e logo Vitor retorna aos ensaios, sem entrar em maiores detalhes com Leo, apenas se desculpando pela forma que falou com ele.

Os meses passam e a dupla grava o dvd em que Paula não consegue estar presente devido a uma viagem para Portugal. Após uma agenda de shows apertada, eles conseguem finalmente uns dias juntos.


— Vi alguns vídeos, estou feliz por você!

— Obrigado! — sorri. Você chega quando? Já viu sobre o voo?

— Na próxima quinta, mas preciso confirmar ainda o horário.

— Tudo certo eu te pegar em Campinas?

— Até então sim…

— Por que até então? Quer ir para BH?

— Estou com alguns problemas sobre a turnê nova, preciso me organizar para ver o que farei. Quero muito passar esses dias com você, com as crianças… Mas, preciso resolver isso.

— Tudo bem… Quando der nos vemos então.

— Não fica chateado. Estou com muita saudade, mas não vou ficar em paz sem resolver essas questões antes. Será rápido e aí logo estarei com você.

— Não estou, Pulinha… Compreendo. Teremos tempo…


Conversam mais algum tempo e ele conta os detalhes sobre a últimos shows e ela sobre os dela. Os dias passam e Paula resolve ficar em BH para resolver suas pendências, fazendo com que Vitor decida ir até ela.


— Boa tarde! — sorri.

— Olá, boa tarde…

— Paula está no apartamento, Pedro?

— Ela desceu tem pouco tempo.

— Vou subir para deixar a mala, ok?

— Pode subir! — sorri.


Deixa as malas no apartamento de Paula e resolve ir visitar a família. No caminho telefona para ela.


— Oi, estou te atrapalhando?

— Oi, claro que não… Já ia te ligar! Consegue me pegar no aeroporto amanhã cedo? Por volta das 9 da manhã chego em Campinas.

— Não vou conseguir, Pulinha. Não estou em Campinas.

— Como não? Te avisei que viria para cá e depois iria até você.

— Não estou, porque estou nesse exato momento cruzando a Afonso Pena!

— Você está em BH! — riem.

— Sim, estou! Já deixei minha mala no seu apartamento e estou indo agora ver minhas tias.

— Ok então… Quando sair da casa delas me avisa que te pego e vamos para a chácara.

— Não quer vir comigo?

— Agora não consigo… — é pega de surpresa pelo convite.

— Por que está resistente?

— Como assim? — finge que não entendeu.

— Conversamos mais tarde.

— Tudo bem… Não esquece de me avisar que eu te busco.


Desliga o telefone apreensiva. Naquele instante percebe que ele já havia percebido sua resistência em se aproximar da família dele. Ao mesmo tempo que queria vê-lo, também queria que o tempo passasse devagar para evitar a conversa. Mas, não passa. Logo ele telefona informando que está pronto e ela o busca.


— Olá! — sorri, entrando no carro.

— Oi! — sorri.

— Como você está? — puxa-a para um beijo.

— Melhor agora! — acaricia ele.


Seguem caminho até o apartamento dela, pegam algumas roupas e vão para a chácara.



— Sua mãe não está aqui? — abre a porta a desce.

— Não! Foram viajar para o Rio Grande do Sul, estão visitando uns parentes do Ildo. — desce.

— Então temos isso aqui tudo só para nós dois? — encara ela.

— Temos! — ri. Não preparei nada porque ia para Campinas, mas a gente se organiza.



A funcionária os recebe com um café da tarde e Vitor aproveita o momento para tocar no assunto.



— Conseguiu resolver suas coisas?

— Sim! — sorri.

— Minha madrinha perguntou sobre você…

— É…? — bebe o suco.

— Contei que estava namorando e ela perguntou porque você não foi até lá… Já que mora aqui em BH e estava aqui.

— Eu estava trabalha…

— Eu sei! — interrompe. Eu disse a ela. Mas eu sinto que ás vezes você evita a situação.

— Que situação, Vitor?

— Conhecer elas!

— Já as conheço!

— Você entendeu!

— É sua impressão. Realmente estava trabalhando… Mas, podemos marcar algo por esses dias.



Ele a encara e ela respira fundo, sabendo que não conseguiria fugir.



— Eu não sei! Não sei porque estou resistente…

— Está com medo de algo?

— Não… Não é medo! — olha para ele. Ás vezes eu penso que abrir demais nossa relação coloca ela ainda mais em risco porque eu fico ainda mais exposta para ser julgada.

— É minha família…

— Eu sei que é sua família e não é esse o problema… Essa conversa vai nos levar algum lugar? Vou estar com todos em breve. Nós iremos. Você com a minha. Eu com a sua.

— Não irão te julgar… E se fizerem isso, jamais falarão algo e é bom que não falem, pois me conhecem muito bem e eu jamais permitiria. O mais importante é você se sentir bem com minha mãe e meus filhos, ok?

— Fica tranquilo! Toma seu café para andarmos um pouco a cavalo?

— Se eu for o seu cavalo…

— Toma vergonha! — riem. E as crianças?

— Estão bem! Eu resolvi vir pra cá porque tivemos que trocar o final de semana, vão a um aniversário!

— Entendi! Eu vi no Instagram que a Carol tem uma irmã… Ela não estava naquele dia, né?

— Tem… — é pego de surpresa — chama Amanda. Não estava naquele dia…

— Por que?

— Eu não sei.

— Termina logo para irmos… — se levanta. Preciso te mostrar uma coisa que fiz.



Vitor termina de tomar café, mas fica com o pão entalado na garganta. Andam até o estábulo e Paula mostra a ele que reformou a casa na árvore para as crianças.



— Que coisa linda! — ri. Eles irão amar… Você pensou em absolutamente tudo! — pega uma boneca. Maria adora essa boneca…

— Ela me contou! — sorri. E aqui estão os mini dinossauros… — mostra. João me falou sobre cada um deles, achei que ele poderia gostar.

— Claro que vai! Acho que vão gostar mais de ficar aqui do que comigo. — riem. Maria me pediu o seu número de telefone para que pudesse conversar com você.

— Você passou?

— Não… Queria falar com você primeiro. O meu receio é Poliana… ela acabar pegando seu número e te importunando. Da última vez ela vazou o meu porque não a atendi.

— Você está brincando? Meu Deus!

— Pois é… Por isso fiquei receoso em passar.

— Entendo… Mas, pode passar. Vamos ver como será.

— Ok!

— Vem, vamos nos cavalos!


Cavalgam pelo condomínio e Vitor a deixa ir na frente, ficando atrás com seus próprios pensamentos. Precisava contar a ela como foram os meses antes dela retornar para sua vida, mas isso era delicado e não queria perder o que já estavam construindo.


— Vitor! — chama.

— Oi! — presta atenção nela.

— Está no mundo da lua? — chega mais próximo.

— Não! — ri. Só admirando a beleza…

— É lindo mesmo, tudo aqui…

— Ah não, não estou falando do condomínio! — desce do cavalo. Estou falando da sua beleza!

— Você e suas cantadas fora de hora… — ri. Quer jantar fora hoje? — desce do cavalo.

— Não, posso fazer algo para jantarmos.


Ela leva os animais de volta ao estábulo enquanto ele a observa.


— E seu irmão?

— Deve estar na cidade!

— Poderíamos convidar ele para vir jantar!

— Hoje não! Você chegou hoje e já vamos colocar gente na casa? — ele ri.

— Eu achei que você tinha medo de ficar sozinha comigo!

— Tenho um pouco! — olha para ele. Mas, se eu fosse você, acho que você deveria ter medo de ficar sozinho comigo hoje.

— Maravilha… Já estou me tremendo de medo! — pisca pra ela e ela ri.



Banham os animais e retornam á casa. Paula dispensa os funcionários e começa organizar as coisas para que possam fazer o jantar.



— Você vai precisar de algo mais?

— Só isso mesmo… — observa os ingredientes sobre a bancada.

— Ok! Eu vou tomar um banho, já venho te ajudar. — beija-o.

— Isso é bom! — sorri.

— É mesmo! — beija novamente.

— A gente pode pedir comida… — encara ela. E eu posso ir para o banho com você!

— Você pode ir para o banho comigo e podemos pedir comida… — sorri.

— A gente pensa na mesma sintonia, já percebeu? — a pega no colo e ela ri.



Seguem para o quarto de Paula e por lá finalizam o dia, esquecendo até mesmo do jantar. Os dias se passam e eles retornam a rotina corrida de shows e eventos, aproveitando os poucos momentos de folga para conversarem por vídeo chamada.