Mais que mundo mais nefasto e miserável,quanta maldade,quanta sujeira,quanta podridão.

É tão lindo.

É como ver o quadro O Grito pela primeira vez,assustador e estranho mas quando se olha bem os detalhes consegue ver a arte e beleza por mais que seja...Peculiar.

Peculiar...Uma das palavras que eu daria aos habitantes dessa obra,os seres humanos.Acho que essa palavra seria a menos pior delas,pois são uma verdadeira praga,nem mesmo a peste negra conseguiu levar todos,mas me diverti vendo eles ficarem tão podres quanto suas almas.A igreja e eu concordamos em uma coisa nisso: Não estavam doentes.Apenas aquilo que estava dentro de seus fétidos corações estavam saindo para seus corpos e os decompondo até a morte.

E falando de cheiro de carniça porque não falar de fiéis.Fiéis a que ? A qualquer coisa ! Buda,Alá,Jeová,Jesus,Maria,pouco importa ! Todos tem o mesmo cheiro de hipócritas e os mesmos corações apodrecidos pelo pecado.Todos tem,não importa se você é o Papa ou a porra do Teddy Bundy,você é um pecador.

Você é um pecador e é isso que vai ser,nada além disso e quando morrer vou me divertir vendo sua alma no fogo.

— Amém.

E todos viram seus olhares para mim,sorrio com um belo batom escarlate em meus lábios da mesma cor que meu vestido.

Vermelho escarlate,cor de uma das feras do apocalipse,cor considerada profana por alguns e diria que a minha cor favorita.

— Desculpe ? — Diz o padre erguendo uma de suas sobrancelhas em sinal a uma insolência.

Insolência,outra palavra interessante.

Me levanto,vejo e sinto o olhares de cada um ali,enquanto caminho até o altar com os meus saltos tapeando a mármore envelhecida e gasta no chão da igreja sinto muitos olhares.Sinto a inveja das mulheres,a raiva das senhoras e o desejo,pulsando dentro das calças dos homen.Apenas um par de olhos ali me olhava com algo diferente: curiosidade,o que despertou a minha.

Uma criança.

Sempre gostei de crianças,talvez minha simpatia por elas venha do fato de eu não poder ter filhos."E andarás sobre seu ventre" (Gn 3,14-15) ,teve muito mais significados do que as pessoas interpretaram.Ou talvez do fato delas serem genuínamente boas e puras durante seus primeiros anos de vida,até que o mundo as corrompa e elas virem o que todos são: pecadores.

Estava muito silêncioso,somente o som do meus passos ecoavam pela igreja,nem uma única murmuração era ouvida.

Parei em frente ao padre,pronta para confessar,mas não os meus pecados.

— Você fala de remissão mas não tem por aqueles que fere,não tem compaixão pelas pobres almas que tortura,nem pela sua própria alma.

— Do que está falando ? — Diz ele tentando esconder suas mãos trêmulas.

— Cuidado ! — Grito — Para não desprezarem um só destes pequeninos ! Pois eu digo que os anjos deles nos céus estão sempre vendo a face de meu Pai celeste.

— Mateus 18:10 — Sussurra o padre,sorrio em resposta a seu comentário.

— Tem desprezado os seus pequeninos,padre ? — Um suspiro escapa se seus lábios. — Não,não é mesmo ? Desprezado é uma coisa que você não faz com um pequeno,mas você faz muitas outras coisas,não é mesmo ?

— Blasfêmia ! — Grita uma senhora,me volto curiosa a sua acusação. — Como ousa dizer mentiras sobre um sarcedote na casa do Senhor ?

— Jesabel ! — Grita um senhor.

— Alguém mais quer se manifestar ? — Pergunto e o silêncio predomina. — Então tá.

E naquele silêncio tudo que foi ouvido foi o estalar do quebrar de dois pescoços e dois corpos sem vida cair no chão.

Após o primeiro ato tudo se tornou uma grande Babilônia,com os gritos e o pânico que se espalharam,os pecadores e o fogo que devorava tudo o que via pela frente.Os berros e pedidos de socorro formavam o coral mais belo já visto e com as portas trancadas,a fumaça e as chamas ardendo tudo ficava mais intenso.

O padre paralisado criou forças para ir correndo até a porta dos fundos que também se encontrava trancada,eu o segui.

— Por favor,por favor,eu te dou dinheiro,a igreja ela tem muitos bens. — O segurei pelas vestes e empurrei contra a parede.

— Dinheiro ? — Sibilei. — Dinheiro não compra perdão e muito menos compra a inocência daquele que você tirou.Mas não pense que isso se trata de vingança,se trata de limpeza.A limpeza da podridão daquilo que nem mesmo eu perdoo.

— Pensei que o Diabo gostasse do podre. — Disse ele tossindo.

Eu soltei uma gargalhada.

— E quem disse que eu sou o Diabo ?

Senti seu sangue parar de circular com o parar do seu coração e soltei no chão seu corpo já gelado em meus pés.

O cheiro adocicado de carne queimada empesteava o local e pedaços do telhado de madeira começavam a ceder foi quando lembrei daquele olhar curioso.Da mesma forma que a serpente encantou Eva,aquele olhar me encantou.

Caminhei até o menino,que chorava atrás de uma das cortinas,me abaixei e vi seu rosto rosado pelo calor e molhado de suor e das lágrimas que brilhavam com a luz do fogo.

— Olá,Lucios. — Sorrio gentilmente,e ele sai timidamente de trás das cortinas,fungando, tossindo e apertando contra si um coelho de pelúcia.

— Quem é você ? Como sabe meu nome ?

— Uma amiga — Afasto seus cabelos escuros como carvão se seus olhos,um deles estava perceptívelmente roxo,eu já tinha visto antes. — E eu sei de tudo sobre você,querido.Como sua mãe te machuca,o padre te machuca,como todos te machucam e como gostaria de fugir para nunca ninguém te machucar mais.

O varal que segurava a cortina caí,eu o seguro e puxo para longe,o protegendo.

— Você está bem ? — Ele confirma acenando a cabeça,limpo a fuligem de seu rosto e sorrio novamente,dessa fez fui retribuída de volta. — Vamos.

Pego em sua mão e ele se aconchega para perto de mim.

— Qual é seu nome ? — Pergunta curioso,volto meus olhos a ele e sorrio.

— Lilith. — Respondo. — Sou uma amiga do seu pai.

— Você conhece meu pai ?

— Claro — Digo. — E você também vai conhecer ele,querido.E depois,o mundo vai te conhecer.

Notas finais
E ai ? O que achou ? Comenta aqui em baixo que eu vou adorar saber ! Responderei a todos ! ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!