Anticlove e o enigma do pingente
1 Capítulo 0 - Prólogo
Notas iniciais
-Kate, eu estou subindo!!
Me obrigo a levantar da cama apesar de estar um tanto sonolenta. Eu ainda queria dormir mais um pouco, mas se eu não me trocar logo minha madrinha vai me matar!!! Olho o relógio e levo um susto. Já são nove e quarenta!!! Me apresso a vestir uma roupa quando a porta do meu quarto se abre.
—Minha nossa!!! Você ainda está de pijama!?
Tarde demais...
—Pois é...
Digo com um sorriso amarelado. Ela respira fundo como quem está prestes a dar uma bronca.
— ...Bom, como hoje é um dia especial eu deixo passar. Mas não se atrase para o café da manhã.—Pode deixar!
Ela sorri para mim e sai do quarto.
Eu suspiro aliviada e caio na cama.
Fico feliz que ela esteja de bom humor, é tão difícil vê-la assim depois do acidente. Mas já faz tanto tempo... Uma hora ou outra teríamos que superar.
Penso ao me levantar para logo depois começar a me trocar. Entro no banheiro jogo água fria no rosto e começo a pentear o meu cabelo. Quando consigo prender meus indomáveis cachos castanhos num rabo de cavalo, saio. Abro o armário e começo a selecionar uma roupa, apesar de não ter muitas opções eu opto por uma regata branca com um short preto e um All Star também preto. Uma vez pronta eu desço para o café da manhã.
—Bom dia querida! Dormiu bem?
Perguntou minha madrinha tentando puxar assunto enquanto me passava às torradas e a jarra de café fresco.
—Como um bebê.
Respondo sem muita certeza de minhas palavras. Enquanto lhe dou um sorriso de gratidão, pela sua preocupação comigo.
Ela retribui e diz:
—Muito bem, tente relaxar e aproveitar o belo tempo lá fora. Você sabe que este é um GRANDE dia para você.
Eu ascendi em concordância sentindo um nó no estômago por lembrar que aquele era “o grande dia”.
-Arr...Madrinha eu estou um pouco cansada. Acho que vou voltar para o meu quarto.
Eu falei largando o meu café pela metade e me dirigindo às escadas.
—Você está estressada assim por causa da admissão da faculdade?
Eu paro bruscamente de andar.
—Eu, estressada? Imagina!
Minto.
—Você mente mal.
Ela disse caminhando em minha direção.
—Relaxe, tudo ficará bem, vá descansar.
Ela diz me dando um leve tapinha nas costas.
—Obrigada.
Eu falo lhe dando um abraço rápido antes de subi a escada. Entro no quarto pego o meu diário e começo a escrever.
‘’Querido Diário, faz tempo que eu não escrevo. Eu terminei minhas avaliações e apresentei minha candidatura no Centro Palentir, que é um renomado instituto arqueológico. Estou tão animada com a idéia de se aceita e ir estudar no Egito!’’
O telefone toca no piso térreo, interrompendo os meus pensamentos.
—Kate, a carta que você estava esperando chegou no correio!!! –Minha madrinha grita logo após colocar o telefone no gancho. Ótimo! Vou buscá-la agora!
Meu celular toca.
Argh...Esses telefones não me deixam em paz! —Alô?—Kate? É o Billy. Eu queria te perguntar se a gente pode se vê hoje no parque?—Ok. Estarei lá em meia hora.—Ótimo, a gente se vê mais tarde então.
Ele diz desligando.
Não é possível esse cara... Ele tem que aceitar os fatos isso nunca vai dar certo. Namoro à distância é uma droga!
Desço as escadas com passos largos e pesados tão distraída que quase não reparo que minha madrinha me fez uma pergunta.
—O quê?
Eu pergunto confusa. Ela ri e responde.
—Perguntei se vai buscar a carta, tolinha!—Ah! Sim.
Ela ri novamente.
—Você está sempre no mundo da Lua. Vou sentir falta disso.—Eu sei. Bom, já vou avisando se eu não for aceita vou ficar muito chata. –Eu disse brincalhona.
Ela ri de novo.
—Vou cruzar os dedos então.
Saio correndo em direção ao correio.
Meu sonho de estudar no exterior está próximo...
Penso enquanto meu coração bate cem quilômetros por hora. Vou ir pelo o caminho mais curto, o parque...
Entro no parque e encontro um gato preto.O que ele faz aqui?
Pergunto a mim mesma. Dãm é um gato, deve estar passeando... E esse colar? Deve ter fugido com certeza!
Me aproximo o mais lentamente que consigo, mas, ele logo percebe o que pretendo e foge rápido.Gato idiota!!! É isso que ganho em tentar te ajudar. Vou pegar minha carta e dar o fora daqui!
Pensei com raiva enquanto seguia em direção aos correios.
Chegando lá eu recebo um belo envelope creme. Respiro fundo e o pego um pouco trêmula, engulo a seco e lhe rasgo a rapidamente.É isso. Estou à beira de um sonho ou não.
Penso enquanto começo a ler as primeiras linhas da carta.
‘’Querida Senhorita... Temos o prazer de informar que.... Você foi..... ....... Aceita. ’’—Eu fui aceita!!!!!!!
Eu falei um pouco alto demais o que trouxe olhares furiosos em minha direção. Mas eu estava feliz demais para me importar.
‘’A data de início para o avião já está reservada... Em duas semanas! ‘’
Preciso contar a boa notícia para madrinha! Fui andando animadamente pelas ruas até chegar no parque e dar de cara com Billy.
—Ah! Você me deu um susto! Você não pode anunciar sua chegada antes de aparecer assim?
Digo mais na defensiva do que gostaria.
-Desculpe, eu não queria te assustar. Você está tão bonita hoje. Na verdade todos os dias quero dizer...
Esse era o Billy, meu melhor amigo e namorado. O qual sempre foi apaixonado por mim, mas eu nunca lhe dei bola até o dia que meus pais morreram. Eu estava inconsolável chorava todos os dias não queria fazer mais nada, pois tudo perderá o sentido. Mas Billy continuava ali para me consolar sempre. Num desses dias Billy estava me abraçado enquanto eu chorava descontroladamente em seu ombro. Eu não sei exatamente o que me ocorreu só sei que me desvinculei de seu abraço e o beijei. Ele era a única coisa certa na minha vida naquele momento.—Obrigada Billy. Eu realmente não sei o que dizer... –Eu digo me recuperando do devaneio.—Então não diga nada. Apenas fique. Eu não posso perdê-la.—Billy este é meu sonho e não sei se estou disposta abrir mão dele.
Eu disse com um pio de voz.
—E-eu posso te esperar.
—Não Billy, não pode. Não seria justo com nenhum de nós. Ficaríamos presos um ao outro sem poder nos ver, deixando oportunidades passar... Não posso deixar que perca quatro anos da sua vida me esperando, eu gosto muito de você para deixá-lo fazer isso.
—Então este é o fim de tudo?
—Parece que sim.
Eu digo já dando meia volta. Ele me puxa pelo braço e então nossos lábios se encontram. Ele para o beijo e sussurra:
—Por favor, fique.
—Sinto muito Billy.
Eu me afasto com lágrimas nos olhos e saio correndo do parque.
Chego ao quintal de casa sento no gramado e começo a chorar. Depois de alguns minutos eu me recomponho e levanto pronta para entrar. Eu já estava com a mão na maçaneta quando meu celular toca. Número desconhecido.... Estranho.
—Não vá. Se você for, vai correr grandes perigos. O passado volta pra se vingar no nosso mundo...
—Ah!!! Fala sério!!!
Eu disse desligando e entrando em casa.
—Ah Kate! Eu pensei mesmo ter ouvido você, o que está fazendo lá fora?
—Nada demais só atendendo um telefonema mesmo.
Digo indiferente ao trote.
—Hum hum. Aqui está passando uma notícia sobre o Centro Palentir, é aonde você vai estudar, não é?
—É sim, madrinha.
Falo já sentando no sofá.
‘’O Centro Palentir, muito conhecido por suas pesquisas fundamentais sobre os seres vivos fez uma grande descoberta de sitio arqueológico no Egito. Essas últimas semanas... ’’ -Estou tão feliz, por você Kate! Seus pais também ficariam...
Ela diz com os olhos marejando.
—Eu sei madrinha.... Eu sei.
Eu digo com os meus olhos também marejando.
Ding dong!!!
—Certamente é a Marilyne.
Ela diz enxugando os olhos.
—Deixa que eu abro.
Eu falei me levantando e indo até a porta. Ao abri-la minha amiga praticamente caiu nos meus braços.
—Eu fui aceita!!! E você, foi? Ah... Oi Julie!—Oi Marilyne.
Mari se vira pra mim com um grande sorriso e diz:
—E então...?—Pode arrumar as malas Marilyne... Nós vamos pro Egito!
Ela solto um gritinho e correu para me abraçar.
—Ah!!! Vai ser um máximo, eu e você numa aventura!!! Eu preciso de roupas novas! Não, de um estilo novo!!! Seja sincera você acha que eu ficaria bem de chapéu? Bom eu não gosto muito de chapéu, mas eu acho que poderia...—Calma Marilyne, respira.
Ela respira fundo.
—Desculpa. Bom eu já vou indo... Nós vemos no aeroporto em duas semanas! —Ela cantarolou antes de sair.
—Eu adoro ela. Ela é sempre tão alegre.
Minha madrinha diz rindo.
—É mesmo.
Eu falei sorrindo com o olhar distante.
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