Anti-social
4 Química
O fim de semana foi tediante. Praticamente fiquei ouvindo música e no computador os dias inteiros.
Pensei que Sarah fosse me ligar, e ficar me atazanando, mas não o fez ─ O que me deixou bem surpreso, pra falar a verdade.
Mas eu não vou passar o fim de semana assim. Eu poderia, e provavelmente seria melhor, mas eu quero falar do fim de semana e eu vou.
Lá pras 3 horas no sábado, saí do meu quarto pra assistir um pouco de televisão.
Coloquei em um programa qualquer, do qual eu não me lembro agora, e deitei no sofá. Meu pai veio até a sala também, e jogou meus pés pro chão, para poder se sentar.
Passado um tempo, ele começou a conversar.
─ E então, já arranjou uma namorada? ─ Ele perguntou, ainda olhando para a televisão
Não respondi, e bufei.
─ Você é um caso perdido ─ Ele esfregou o rosto
─ Eu já te disse que eu não quero me envolver com ninguém! Porra, é difícil de entender?! ─ Eu já estava cansado dele tocar no mesmo assunto inúmeras vezes.
─ Eu não te entendo! ─ Ele jogava as mãos pro alto ─ Como uma pessoa consegue ser assim?
─ Sendo eu. Eu sou uma pessoa difícil de entender, acostume-se. ─ Sentei e cruzei os braços. Era incrível como os outros simplesmente não respeitavam minhas decisões. Eu respeitava o que eles queriam fazer, eu não ligava, e em troca ficavam me enxendo o saco. Irrita,sabe?
─ Tá, tá. ─ Ele levantou as mãos, em rendição.
Depois de um tempo, eu me levantei. Eu não costumava fazer muito isso, mas eu fui até a porta, e saí de casa. Eu precisava relaxar um pouco.
Sentei-me em um pequeno muro de um canteiro e comecei a desenhar, com um galho, qualquer coisa na terra. Estava de noite, mas não estava escuro ─ A luz da lua estava forte, e o brilho das estrelas também. A temperatura estava agradável, e a leve brisa agitava as folhas das árvores. Minha casa era localizada em um lugar sem muito movimento, o que era ótimo. Eu poderia ter paz naquele local.
Mas estava ficando tarde, e eu também me preocupo com ladrões etc., Portanto, entrei novamente.
Podia até ter uma temperatura boa alguns minutos atrás, mas estava começando a esfriar. E a madrugada foi terrivelmente gelada. O mesmo para o domingo.
Quando chegou a segunda feira ─ para minha infelicidade ─ O meu maldito celular não despertou, e eu me atrasei.
Cheguei na minha classe correndo, e, como era aula de química, Sarah estava lá também, sentada na cadeira ao lado da minha. Fui relutante à minha mesa.
─ O que aconteceu? ─ Ela perguntou
─ Eu só não quis vir ─ Menti
─ O despertador não funcionou? ─ Ela perguntou novamente. Sei lá, ela tinha um jeito de saber das coisas no qual eu nunca vou descobrir o segredo.
Fiquei com uma cara de "Aff, você descobriu" e ela riu.
Enquanto o professor falava qualquer coisa na qual eu não queria saber, eu comecei a falar.
─ Tá legal, agora me explica como você conseguiu meu número. Você roubou meu celular, não foi?? ─ Perguntei. Aquela dúvida estava me matando.
─ Oooou eu peguei com uma das minhas amigas. ─ Ela respondeu, com um sorriso no rosto.
─ Quem? Eu nunca dei meu telefone a ninguém! ─ Eu estava indignado
─ Ela disse que foi num dia que ela pegou a sua agenda, e seu celular estava lá. ─ Ela respondeu calmamente
Virei para frente, emburrado. Eu tinha que tomar mais cuidado com as minhas coisas.
Enquanto eu rolava o lápis na mesa, Sarah escrevia algo em uma folha. Julguei que estivesse fazendo anotações da aula. Porém, alguns minutos depois, ela chamou minha atenção, e pediu para eu ver seu desenho.
Confesso que me impressionei. Era um desenho de foto-realismo, de um Dálmata. Ela tinha feito tão rápido, e estava muito bonito, não posso negar. Por alguns instantes devo ter ficado com uma cara meio boba, mas logo me restaurei.
Dei um leve sorriso e assenti com a cabeça, indicando que eu gostei da obra. Ela sorriu e voltou a prestar atenção na aula.
À minha frente, alguns alunos atiravam bolinhas de papel de um lado para o outro. Pobre professor, não tinha chance caso essa classe decidisse dar a louca.
Eu estava entediado. Com o cotovelo apoiado na mesa e a mão na bochecha, eu estava quase dormindo.
─ E então vocês vão fazer um experimento... ─ Foi o que ouvi. Ótimo, a única coisa na aula de química na qual eu gostava eram os experimentos.
Ajeitei minha postura no mesmo momento.
O professor distribuiu alguns ingredientes, e deu as instruções necessárias.
─ Então temos que misturar o iodeto de potássio com a água oxigenada? ─ Sarah perguntou
─ Não. Isso não é água oxigenada, é álcool. ─ Expliquei, bufando.
Entreguei as luvas e os óculos para ela, e fiz minha parte do experimento sem dizer uma palavra, como eu deveria estar fazendo desde o início.
Sarah estava perdida, pra variar. ─ Ela segurava os ingredientes sem saber o que fazer com os mesmos.
Tirei-os de sua mão, e fiz os procedimentos. No final, a olhei e revirei os olhos.
─ O-Obrigada... ─ Ela dizia, meio sem jeito.
Fiz que não com a cabeça, em reprovação. Se eu, que nem estava prestando atenção na aula, conseguia o fazer, ela deveria conseguir também.
─ Quantas g de sal? ─ Ela perguntou
─ Lousa. ─ Apontei para o quadro negro.
─ Oh...
Revirei os olhos mais uma vez.
Ao término da aula, eu me levantei, saí, e Sarah ainda estava arrumando suas coisas.
Graças à tudo de bom que existe, o professor da segunda aula, que seria de filosofia, faltara. E você sabe ─ alunos + professor substituto não combinam.
O resto do dia foi chato como sempre, e eu também tive uma prova de matemática, mas nada relevante.
Bom, acho que é só isso... Até.
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