Anti-social

25 Há sempre um jeito


Notas iniciais
Fiquei meio triste com o fato de só ter 2 reviews nos últimos 2 capítulos, mas enfim... Aqui está.

Eu estava estressado, então saí correndo de perto. Fui à um lugar bem conhecido, mesmo sabendo que minha presença não era esperada.

Abri a porta da sala 14, furioso, taquei minha mala no chão e me sentei na poltrona. Não tinha ninguém lá, mas eu ia esperar até que o Joe chegasse.

Minha cabeça começou a doer de uma maneira quase insuportável, e só foi parar quando o dito cujo entrou na sala.

─ David?! ─ Ele me olhou, assustado. ─ O que faz aqui?!

Não falei nada, apenas cruzei os braços e manti minha expressão emburrada. Eu não sabia porquê tinha ido até lá, mas fiz isso quase que involuntariamente.

─ Você sabe que você não precisa mais vir aqui... ─ Ele coçou a nuca.

─ É. ─ Coloquei meus pés sobre a poltrona e me apoiei nas minhas pernas. ─ Deve ser força do hábito ou sei lá.

─ Se você quer conversar, é só falar. ─ Ele se sentou em sua cadeira.

─ Humf. Seria muito estranho se eu quisesse conversar. ─ Virei o rosto.

─ Entendo. ─ Ele apoiou a cabeça sobre as mãos, como sempre fazia. ─ O que aconteceu antes de vir pra cá?

─ Nada demais. ─ Menti e ele me olhou com uma expressão sarcástica. Me dei por vencido. ─ Só que a Sarah disse que vai se mudar... Mas ela gosta daqui, então eu quero ajudar ela. Ela já fez tantas coisas por mim e agora eu não posso fazer nada... Vai acabar acontecendo de novo. ─ Escondi meu rosto entre minhas pernas.

─ Entendi... Parece que o maior motivo por você não querer se comunicar com ninguém é o que está acontecendo logo depois que você fez amizade com ela. Que falta de sorte... ─ Ele desviou o olhar, pensativo. ─ Mas tenho certeza de que vai dar um jeito.

Conversamos por mais um tempo ─ não sei dizer quanto ─, e depois eu fui embora. Confesso que aquela conversa me deixou um pouco mais aliviado.

No caminho da volta encontrei com Mike. Uma raiva me consumiu rapidamente, e, sem demora, me aproximei dele e o agarrei pela gola da camisa.

─ Você! Seu viado! ─ O fitei com ódio ─ Foi você que denunciou o pai da Sarah, não foi?!

─ C-Calma! E-Eu jamais faria isso! ─ Ele levantou as mãos, indicando inocência.

─ Então quem foi?! Só você além de mim e Sarah sabíamos disso!

─ Eu juro! Eu não fiz nada! Eu só pedi conselhos pro meu pai! ─ Ele parecia querer chorar. ─ E-Eu me esqueci de que ele era policial! Eu não podia imaginar que...

─ Você o quê?! ─ Apertei seu pescoço com mais força.

─ Me desculpe! Eu não queria que ele fizesse isso! ─ Ele segurava minha mão, pedindo para que eu parasse de enforcá-lo. O soltei e virei de costas, tentando controlar a raiva.

─ Seu idiota... ─ Resmunguei, com a mão sobre o rosto. ─ De qualquer forma, alguém deveria fazer isso mais cedo ou mais tarde. Tchau. ─ Saí caminhando, seguindo em direção à minha casa. Minha cabeça doía novamente, mas à esse ponto eu nem ligava.

Me sentei no sofá, e liguei a televisão no canal que já estava. Fiquei lá sentado por um bom tempo, tanto que meu pai chegara e eu ainda estava lá. Acho que eu estava tentando desviar meus pensamentos do mundo à minha volta.

─ Você está bem? ─ Papai(é tão estranho eu chamá-lo assim...) passava a mão na frente do meu rosto, fazendo-me acordar.

─ Por quê pergunta? ─ Olhei em sua direção, sem desfazer-me de minha posição: com os joelhos dobrados, pés em cima do sofá e mãos sobre a perna que, por sua vez, apoiando minha cabeça.

─ Você está na mesma posição à duas horas, desde que eu cheguei, olhando para a televisão, mas eu aposto que você nem sabe que está passando um programa sobre culinária de cupcakes para casamentos. ─ Ele cruzou os braços, me observando.

─ Ahn? ─ Olhei para tela e percebi que era verdade.

─ Viu? ─ Ele se sentou do meu lado ─ O que foi?

─ Nada, só estou meio pensativo. ─ Desliguei a televisão, mas continuei olhando para a mesma.

─ Sobre...? ─ Ele me ouvia atentamente.

─ Quando uma pessoa é obrigada a se mudar contra a sua vontade, o que estaríamos supostos a fazer? ─ Perguntei.

─ Daí depende. ─ Ele olhou para cima, pensando. ─ Depende da idade, motivo...

─ A Sarah está sendo obrigada a se mudar para a casa da mãe dela, porque o pai vai ser preso, mas ela não quer ir. Tem algo que ela possa fazer? ─ Expliquei melhor.

─ Ah ha... Entendi... ─ Um sorriso surgiu em sua face. ─ Bom, nesse caso, ela não pode fazer nada.

Olhei para o chão ─ Entendi...

─ Mas isso não impede de ela ficar em outra casa que não seja a de seus pais. ─ Ele falou, olhando para o nada.

─ Como assim? ─ O fitei com atenção.

─ Ora essa. Até as coisas se resolverem, por quê ela não fica aqui? ─ O olhei confuso. Sarah? Na minha casa? ─ Não posso deixar uma oportunidade tão boa ir embora, então você vai falar pra ela que ela pode ficar na nossa casa.

─ Mas pai, e- ─ Eu ia falar, mas ele me interrompeu.

─ Sem "mas"! ─ Ele estendeu a mão em minha direção, num gesto para que eu não discutisse mais. ─ Diga isso para ela, e ponto final. ─ Ele se levantou, dando a palavra final. Não adiantava falar mais nada.

" Mas... Isso é bom? Eu quero dizer, a Sarah morar comigo não é algo normal! Não é como nós fôssemos ficar mais próximos, mas..." Meus pensamentos foram interrompidos por um cachorro lambendo meu pé, com sue rabo abanando.

─ Parece até que você sabe quando estamos nervosos... ─ Falei. Eu estava ficando com o estranho hábito de falar com o cachorro, que eu sabia que não me responderia, mas mesmo assim eu falava.

Subi ao meu quarto e não liguei se Fênix entrava ou não, eu só queria curtir minha música com um volume alto enquanto usava o computador. Já estava decidido, certo? Não tinha mais com o que pensar.