Anti-Heróis
38 Tentar Me Redimir
Notas iniciais
Edward Cullen
Minha boca estava seca e parecia que eu tinha engolindo três colheres de areia. Minha cabeça latejava e meus olhos ardiam. Eu com certeza tinha que parar de beber como se eu ainda fosse um jovem de quase vinte anos.
Esfreguei o rosto e me virei de barriga para cima, mirando o quarto escuro e silencioso. Olhei para os lados da cama e não encontrei ninguém, mas tinha plena certeza de que Bella havia dormido ali comigo.
Me sentei pouco a pouco na cama, passando as mãos pelos fios de cabelo ainda úmidos e alcancei o comprimido que Bella havia deixado para mim, tomando toda a água da sua garrafa. Eu ainda precisava de mais, mas não estava preparado para encarar Bella sóbrio. Será que ela ainda estava em casa?
Caminhei lentamente até o banheiro, fazendo a minha higiene matinal e indo até a minha roupa do dia anterior, que havia sido colocada em uma das cadeiras do quarto. A foto do ultrassom estava caída e eu me abaixei para pegar, analisando-a e me perguntando se Bella havia visto aquilo.
Peguei o meu celular e comecei a vasculhar as mensagens, encontrando apenas as de Bella dizendo que saíra para as gravações, que daria satisfações aos demais sobre a minha ausência e que eu poderia ficar à vontade para comer o que quisesse. Abri um pequeno sorriso e senti o meu coração apertar. Eu não merecia aquela mulher.
Respondi com um agradecimento carinhoso e me sentei na cama, voltando a olhar o ultrassom. A verdade é que eu não havia entendido nada, porque o bebê era tão pequenininho então para mim aquela imagem era uma grande bagunça de cores cinza e preto.
Ontem, depois de passar horas chorando em uma mistura de desespero, tristeza e um pouco de alegria sozinho no estúdio vazio, decidi encontrar com o meu advogado. Fui atendido prontamente e peguei os papéis que deveria assinar, mas fiz uma breve reunião. Sabia que faria uma bobagem no calor do momento e o doutor Crowley me explicou sobre os cuidados que eu deveria tomar como um teste de DNA. Depois disso, eu saí do seu escritório e fui para o parque mais próximo para poder me sentar e respirar ar puro. Passei boa parte do tempo apenas analisando o ultrassom em minhas mãos tentando entender como e se eu havia feito aquilo.
Apesar de casado com Irina, nunca tínhamos mencionado um filho antes. Eu imaginava que ela não queria que o seu corpo fosse modificado e não estava interessado em misturar nossos sangues. Mas era provável que já estivesse feito e eu tinha que encarar aquilo como um menino grande.
Mesmo com a incerteza, eu deveria falar para alguém? Deveria dizer sobre a suspeita para Bella? Deveria contar para a minha família? Eu precisava de apoio, mas temia que acontecesse o completo oposto. Por isso que eu passei o resto do dia bebendo quieto em um bar, temendo que alguém pudesse vir a me reconhecer e importunar.
Eu me arrependi completamente do que fiz quando cheguei em casa e encontrei Bella em uma lingerie sexy. Não teria condições de fodê-la naquele estado e só aceitei que ela cuidasse de mim enquanto me martirizava por ser um completo babaca.
Respirei fundo e esfreguei o rosto com as mãos, me levantando e guardando o ultrassom escondido embaixo das minhas roupas em uma das gavetas do armário. Eu tentaria me redimir com Bella, fazer um jantar para nós, e quem sabe ela pudesse me perdoar por ontem e pelo que estava por vir.
Enquanto descia as escadas, tinha em mente uma pessoa com quem eu sabia que poderia contar e disquei o número dele. No segundo toque, Jasper me atendeu com animação no tom de voz.
— Ei, tudo bem? Tem um tempo para falar comigo? — Perguntei, indo até a cozinha e me servindo de um copo d'água.
— Tudo ótimo. Pode falar, estou em horário de almoço. — Falou e eu pude ouvir uma movimentação atrás dele. Provavelmente estava em um restaurante.
Soltei um longo suspiro e me sentei na cadeira da bancada da cozinha, apoiando o cotovelo ali e a cabeça na mão. De olhos fechados, eu soltei de uma vez:
— Irina está grávida.
Houve uma longa pausa antes dele falar em alto e bom som:
— Puta que o pariu!
— Isso não é o pior. O problema é maior do que você pode imaginar. — Continuei, passando os dedos entre os fios de cabelo.
— Estou com medo, mas já chamei a atenção de grande parte do restaurante então pode falar. — Meu amigo falou e eu abri um pequeno sorriso, balançando a cabeça em negação.
— Eu acabei de voltar com Bella Swan e nós estamos morando juntos. — Soltei de uma vez.
Ouvi um grande barulho do outro lado da linha e logo em seguida Jasper soltou:
— Não!
— Sim. — Choraminguei.
— Filho da puta azarado! — Exclamou.
— Eu sei.
— Onde você está? — Perguntou.
— Na casa dela. Acabei de acordar de uma ressaca terrível.
— Consegue me liberar?
— Jasper, não precisa vir aqui. Você vai se atrasar para o expediente. — Avisei, me levantando e pegando um iogurte na geladeira.
— Que se foda o meu expediente, depois eu invento uma desculpa para o meu atraso. O meu melhor amigo precisa de mim. — Disse com firmeza e eu não consegui evitar um sorriso. — Me passa tudo por mensagem.
— Obrigado. — Agradeci antes de finalizar a ligação.
Não tinha dúvidas de que Jasper era um amigo incrível e eu sabia que podia contar com ele em todos os momentos. Por isso mandei a localização por mensagem e deixei a sua entrada liberada, esperando ansiosamente por sua chegada.
xxx
Jasper chegou rapidamente e nós nos sentamos na área externa da casa. Apesar de não frequentarmos aquela área pelo inverno estar se aproximando, o clima estava agradável naquele dia e eu achei melhor que nos reuníssemos ali. Montei uma mesa com frios e pães para que pudéssemos comer enquanto conversávamos.
Contei para ele sobre como eu e Bella havíamos chego até ali e como não queríamos que ninguém soubesse, por isso continuava negando para todos o nosso possível envolvimento. Mas agora eu precisava do apoio que eu sabia que ele podia me dar e o meu amigo não pareceu ficar bravo por só estar sabendo de tudo naquele momento.
— Você sabe que eu acho que você deve ser sincero com ela. Mesmo sem teste de DNA, mesmo sem ter certeza se esse bebê é seu. — Jasper falou, tomando um gole do suco e limpando a boca no guardanapo. — Se ela descobrir, de alguma forma, vai ser muito pior.
— Ela não vai descobrir. — Murmurei, olhando para o ultrassom em minhas mãos, que eu havia trazido para que Jasper o visse. — E esse bebê não será meu. — Falei, deixando o ultrassom de lado e recostando o meu corpo na cadeira, cruzando os braços em frente ao corpo.
— Você é quem sabe. — Meu amigo se levantou e eu fiz o mesmo. — Eu preciso ir. Se precisar de alguma coisa, não hesite em me ligar.
— Obrigado, Jasper. — Sorri para ele enquanto caminhávamos para a porta. — E boa sorte com o seu chefe.
— Vou precisar. — Ele falou assim que abri a porta. — Caso eu perca meu emprego, espero você me arrumar um lugar no seu filme.
Eu não consegui evitar uma risada e nós nos abraçamos fortemente antes dele ir embora. Mesmo rindo, eu não hesitaria em ajudar o meu amigo caso ele precisasse.
Agora eu tinha que pensar se, no jantar que faria para Bella, contaria tudo o que havia acontecido ou seria apenas um jeito de distraí-la do caos que estava a nossa vida.
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Resolvi fazer uma massa à carbonara e ajeitei a mesa da sala de jantar com velas e vinho, bem como a comida que havia feito. Tomei um banho caprichado e me arrumei para esperar por Bella. Troquei algumas mensagens com ela durante o dia e, pelo que eu havia calculado, a mulher não demoraria a chegar, então a comida não esfriaria a tempo.
Para a minha sorte, Bella abriu a porta assim que eu terminei de descer as escadas e eu logo a recebi com um forte abraço, pegando a mulher de surpresa enquanto a girava no ar. Ela riu e tocou na minha nuca quando eu a coloquei no chão, selando os nossos lábios.
— O quê? O que é tudo isso? O que andou aprontando? — Perguntou com os olhos semicerrados.
— Segredo. — Selei os nossos lábios mais uma vez. — Você tem cinco minutos para tomar banho e me encontrar na sala de jantar.
— Estou fedendo? — Ergueu as sobrancelhas.
Eu fiz uma careta e respondi:
— Bastante.
Ela entreabriu os lábios e me deu um tapa no ombro.
— Vai, vai, vai. — Completei, soltando a mulher e dando tapas leves na sua bunda enquanto andava atrás dela até a escada.
— Já estou indo. — Resmungou, subindo as escadas de dois em dois degraus.
Eu aproveitei o meio tempo para dar os último retoques na mesa e esperei ansiosamente por ela, que não demorou a aparecer com os cabelos presos em um coque e um vestido confortável. Não parecia estar usando um sutiã e, antes que eu ficasse duro, bloqueei os meus pensamentos sobre uma possível falta de calcinha.
— Uau. — Ela soltou com um enorme sorriso no rosto. — Qual é o evento?
— A nossa relação. — Enlacei o braço na sua cintura e beijei os seus lábios brevemente. — Queria mimar o meu anjo depois do papelão de ontem.
Bella abriu um pequeno sorriso e se afastou o mínimo para se encaminhar até a cadeira que eu havia puxado para que ela se sentasse. Antes de ir até a minha, nos servi do vinho e do macarrão que havia feito. Ainda parecia bom e cheirava bem.
— Você quem fez? — Bella perguntou depois de engolir a primeira garfada, semicerrando os olhos na minha direção.
— Claro que foi. Por quê? — Quis saber.
— Porque ficou muito bom. Nunca encontrei alguém que soubesse fazer um carbonara tão bom. — Confessou e bebeu um gole do vinho. — Está de parabéns.
— Obrigado. — Sorri e corei.
Nós comemos em silêncio por um momento, apenas aproveitando a companhia um do outro, vez ou outra trocando olhares e sorrisos.
— Então... Sobre o que foi aquilo ontem? — Perguntou, recostando na cadeira e bebericando do seu vinho.
Mordi o lábio inferior e mirei o meu prato vazio antes de olhar em seus olhos.
— Eu contei para o Jasper sobre nós. — Soltei a primeira coisa que me veio na cabeça. É claro que não era nada disso, mas eu era covarde demais para dizer a verdade para a mulher que eu amava.
— Então você saiu para beber com o Jasper? — Perguntou e eu me mantive em silêncio. Bella suspirou em derrota e colocou a taça de vinho em cima da mesa. — Eu também contei ao Royal sobre nós. — Confessou e eu ergui as sobrancelhas. — E acredito que foi pelo mesmo motivo que você: precisar de um amigo para aconselhar quando achasse que tudo estava desmoronando.
— Por que achou que tudo estava desmoronando? — Franzi o cenho e engoli em seco. — Foi por eu ter sumido?
— Claro! Eu não sabia o que pensar... Fiquei com medo. — Ela disse e eu podia ver os seus olhos marejados.
Me levantei de imediato e me ajoelhei ao seu lado, vendo a mulher se virar para mim e limpar algumas lágrimas teimosas. Toquei as suas mãos e beijei os nós dos seus dedos.
— Me desculpa, eu não queria te fazer sofrer. — Pedi, encostando a testa nas suas mãos.
— Está tudo bem agora. Certo? — Perguntou e eu ergui o meu olhar.
Nunca seria capaz de mentir olhando em seus olhos, por isso segurei o seu rosto entre minhas mãos e a beijei em resposta. Temia que aquilo significasse mais caos, que ela pedisse por um resposta, mas Bella retribuiu o beijo com ferocidade e eu agradeci por aquilo.
A mulher se levantou e começou a me puxar pela camiseta. A partir dali, eu sabia que nós iríamos esquecer dos nossos problemas por algumas horas.
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